Notas iniciais
A história está tomando rumos diferentes daqueles mostrados inicialmente pela minha bola de cristal na medida em que as ideias se transformam em palavras escritas. Tenho uma teoria, que talvez não faça sentido para os trouxas. Escrever é como realizar uma mágica. Pensamos que estamos no domínio, mas o feitiço funciona por si. Assim é com a escrita, que nos conduz para lugares, tramas, reviravoltas e desfechos jamais imaginados. Em tempo: Ron teve uma participação maior agora, mas Hermione promete aparecer mais no próximo.

Claire tinha alguns traços físicos e a elegância que lembravam os Malfoy. Mas a sua personalidade era alegre, calorosa, como a dos Weasley. Da família materna, havia herdado também o apetite. Comeu com grande gosto os pratos preparados com tanto amor por Ron. Foi depois de repetir a sobremesa que ela se levantou para beijar o avô.

— Vovô, acabo de comer verdadeiros manjares dos deuses. Como você consegue fazer doces tão gostosos? – disse ainda abraçada ao pescoço de Ron.

— Faço tudo isso para impressionar a sua avó. Ela costumava amar minhas sobremesas. Mas agora resolveu cortar o açúcar daqui de casa – ele olhou para Hermione, que balançou a cabeça.

— Eu amo seus doces, Ron. Foi dr. Moore, depois da sua última consulta no St. Mungus, que disse que deveria diminuir o consumo de açúcar – ela falou com certa impaciência. – Sobremesas, agora, só nos fins de semana.

— Sorte minha que hoje é sábado – a garota deu um sorriso.

— Para você terá sobremesa todos os dias que estiver aqui – o avô garantiu com ternura. – Por falar em doce, quer conhecer Pudim, Cookie e Mousse?

— Os gatinhos?! Claro que quero! – disse Claire acompanhando Ron. – Você vem com a gente, vovó?

— Não, minha linda. Vou dar um jeito na cozinha – Hermione sorriu.

— Quer ajuda? – Claire deu dois passos em direção à avó.

— Não precisa. Sou rápida com o feitiço para lavar e guardar as louças. Seu avô é que vive quebran...

— Mione! Eu já cozinho — e muito bem, como você sempre diz — usando magia. Não sou um bruxo tão talentoso assim para desenvolver múltiplas habilidades – Ron, que já estava subindo a escada, voltou-se para a mulher.

— Não se preocupe, Ron. Você já tem talentos suficientes para me fazer muito feliz – ele deu mais alguns passos em direção a Hermione e os dois se abraçaram com ternura, sendo observados por uma sorridente Claire.

Quando subiram até o quarto, Ron e Claire encontraram os gatinhos acordados, brincando com... "Espera aí! Esse é o cordão preferido de Hermione?", Ron falava para si mesmo, começando a se desesperar. Sim, eles brincavam com o colar, ou melhor, com as pérolas que compunham a joia que os pequenos bichanos haviam arrebentado e tinham se espalhado por todo o cômodo. Para os filhotes, é claro, eram apenas divertidas bolinhas.

— Por Merlin! — Ron fez uma careta ao observar a cena. — Claire, você já viu algum bruxo receber a maldição Avada Kedavra?

— Lógico que não, vô. Mas por que... Não! São as pérolas do cordão que a vovó ama? – foi a vez da garota fazer uma careta.

— Sim, foi o presente que dei para a sua avó quando fizemos Bodas de Prata – ele ficou momentaneamente triste, mas logo decidiu zangar com os atores daquela tragédia. – Pudim! Cookie! Mousse! Hermione tem razão quando diz que são uns pestinhas!! Com tantas bolinhas espalhadas pela casa, tinham que brincar logo com ESSE CORDÃO?!!!

Os filhotes, de aproximadamente três meses, pararam alguns instantes de brincar. Pudim, de cor caramelo e o mais gordinho do trio, entrou debaixo da cama. Cookie, que era preto e laranja, ficou olhando para Ron, mas mantendo segura distância. Mousse, de pelagem preta brilhante, começou a ronronar e se esfregar nos sapatos de Ron.

— Hei, para com isso rapazinho! Não entendeu que estou brigando com você? – Ron acariciou Mousse e foi quando observou que Claire, lançando um feitiço "reparo", havia juntado todas pérolas e feito o colar ficar como novo.

— Agora é só guardar num local seguro. Esse vai ser mais um de nossos segredinhos – ela sorriu, lembrando que o avô não havia contado muitas de suas artes quando era pequena.

Tudo acontecia quando ela pegava "emprestadas" a varinha de Ron ou de Hermione. Um livro queimado, ao tentar retirá-lo da estante; uma gata, a negra Greta, flutuando pela casa; um bolo de chocolate transformado em pedra. Essas eram algumas das muitas traquinagens aprontadas pela menina antes de entrar em Hogwarts, todas devidamente resolvidas e guardadas em segredo pelo avô.

— Quando eu estudava em Hogwarts, bruxos menores de 17 anos não podiam lançar feitiços fora da escola – ele cruzou os braços, mas o sorriso que tentava esconder denunciava o seu orgulho da neta.

— As leis mudaram, vovô. Podemos fazer feitiços acompanhados de bruxos mais velhos. E eu estou com você – ela sorriu.

— Acho que não vou poder mais deixar esses três sozinhos no quarto. Da próxima vez que eles aprontarem, vou ser, no mínimo, azarado por Hermione. Mas minha hipótese é que ela vai preferir me lançar uma Avada Kedavra mesmo – ele deu um meio sorriso.

— Duvido. A vovó Hermione não faria isso com o amor da vida dela – Claire fingiu espanto, antes de mudar de assunto. — Sabe, se os gatinhos já tivessem mais de um ano, eu pediria um deles de presente para me acompanhar em Hogwarts. Gosto tanto de gatos!

Ron também amava felinos. Implicava tanto com Bichento, responsável por vários desentendimentos entre ele e Hermione no seu terceiro ano de Hogwarts, que jamais imaginou que isso aconteceria.

Lembrava sempre de Bichento, que acabou conquistando o seu afeto, e também de Morgan, o gato cinzento de olhos azuis e inseparável amigo de Rose. Ele sumira há 16 anos, uma semana depois do casamento da jovem com Scorpius. A princípio, Ron achou que Morgan tinha ido atrás da menina. Mas depois descobriram que queria morrer solitário; já tinha encerrado a sua missão.

A última gata da família Granger-Weasley, Greta, de pelos completamente pretos e olhos amarelados, foi a grande companheira de Hermione depois que os dois filhos saíram de casa. Seguia a sua dona por todos os cômodos e tinha ciúme dela com Ron. Talvez fosse por isso que ele nunca desenvolveu muita proximidade com Greta. Mas, ainda assim, chorou e sofreu quando a felina negra partiu.

— Não quero mais gatos, Ron. A gente se afeiçoa tanto a eles e depois vão embora – Hermione desabafou na época, aos prantos, sendo abraçada pelo marido.

— Meu Amor, a vida é assim. Um dia todos nós vamos partir. Mas vai valer a pena por todos os momentos felizes que vivermos juntos – ele ponderou.

— Nem fala isso, Ron, por favor. Não estou preparada para pensar nesse assunto – ela enxugou as lágrimas com a mão depois de se desprender do abraço dele.

Durante um ano, não tiveram gatos. Mas há dois meses e meio, ao voltar de uma visita à filial das Gemialidades Weasley no fim da tarde, Ron encontrou na varanda uma caixa com os três filhotes. Não pensou duas vezes e os levou para dentro de casa.

Hermione não aprovou a adoção, mas disse que aceitava ficar com eles enquanto não encontrassem um novo lar. Ron concordou, mas a verdade é que já se afeiçoara aos três. "Você não está procurando alguém para ficar com os gatos. Não é possível que, entre tantos clientes das Gemialidades, não encontre...", ela começou. "Mione, não vou passar eles para qualquer um. Pudim, Cookie e Mousse quase não dão trabalho. Por que não podemos ficar com os filhotes? Nossa casa é tão grande para nós dois", interrompeu a esposa.

Com o colar consertado, Ron deu uma última olhada para a cama de casal e a cômoda. Tudo estava no lugar. Fechou a porta e, levando Cookie e Mousse no colo, enquanto Pudim era transportado por Claire, avô e neta se dirigiram ao quarto de hóspedes. Sim, aquele seria sempre o quarto de Rose, que era ocupado pela filha mais velha sempre quando vinha visitar os avós maternos.

— Tem certeza que os gatinhos não vão atrapalhar, dormindo com você? – ele perguntou mais uma vez.

— Claro que não, vô. Eles são alegres, divertidos, e vão me fazer companhia. Não gosto de dormir sozinha. O dormitório feminino da Grifinória é sempre tão animado e festivo... E em casa tenho Sophie para me perturbar – a ideia de levar os gatinhos para o quarto de hóspedes tinha sido dela.

— Como está Sophie? Não vejo ela há... uma semana? Isso! Sophie passou o último sábado aqui em casa, comigo e Mione – Ron sorriu lembrando da neta, de 10 anos, que era muito grudada com eles.

— Estava demorando para falar de Sophie. Já sei que ela é a sua neta preferida – a garota fez beicinho ao comentar sobre a irmã.

— Claire, meu Amor. Eu não tenho netos preferidos. Amo todos da mesma forma. E se fosse existir alguma preferência, essa estaria com você. Como nasceu primeiro, é também a neta amada por mim há mais tempo – ele estava sendo sincero.

Ficaram alguns momentos em silêncio, brincando com os gatinhos. Ao observar o avô sentado ao lado dela na cama, parecendo tão distraído e tranquilo, resolveu fazer a pergunta que a trouxera até aquela casa.

— Você e vovó são tão diferentes! Como deu certo? – Ron pareceu surpreso com esse questionamento, mas respondeu sem hesitação.

— Simples. Nós dois nos amamos. Eu tenho grande admiração por sua avó. Ela é linda, brilhante, sempre me tratou com carinho e cuidado e, ao mesmo tempo, soube brigar e dizer verdades que me ajudaram a crescer como homem. E bem... ela fala que tem grande orgulho de mim, que sou fabuloso. Acho que está enganada, sei que tenho muitas falhas. Conquistar a sua avó foi o maior feito da minha vida – ele sorriu.

— Você é fantástico, vovô Ron. Tem um coração do tamanho do mundo. Eu me sinto tão amada e feliz quando estamos juntos – ela abraçou o avô.

— Mas por que está me perguntando isso, Claire? Você está apaixonada por algum daqueles palermas estudantes de Hogwarts? Nenhum está à sua altura – Ron elevou as sobrancelhas.

— Vovô! Hogwarts é a escola dos melhores bruxos e bruxas, e você sabe disso. Foi lá que conheceu a sua esposa, a brilhante Hermione Granger, esqueceu? – Claire o olhou de uma forma divertida e desafiante ao mesmo tempo.

— Mas você não respondeu a minha pergunta – ele sorriu com desconfiança.

— Eu... er, acho que sim. Acho que estou apaixonada, se é isso que quer saber. Mas não vai dar certo. Já estou desistindo – ela jogou os ombros, mostrando desânimo.

— Desistiu rápido. Mas por que não vai dar certo? – Ron ficou intrigado, lembrando que foi esse sentimento que o afastou por tanto tempo de Hermione.

— Nós somos muito diferentes. Eu sou... bem, desse jeito que você já sabe. Gosto de fazer amigos, conversar, participo das aulas, pergunto quando estou com dúvida, não tenho medo de errar as respostas, amo quadribol e tenho orgulho de fazer parte do time da Grifinória desde o terceiro ano. E confesso que não sou preocupada com o futuro, quero viver intensamente o presente – ela enumerou características que o avô bem conhecia e o faziam amá-la ainda mais.

— Sim, você é maravilhosa. E esse cara? Como é mesmo o nome dele? ...– Ron não desistiria de perguntar até obter todas as respostas, foi assim que fez com Rose quando ela passou a demonstrar interesse por Scorpius Malfoy.

Já era o sexto ano de Rose em Hogwarts e ela queria muito que os pais conhecessem melhor aquele estudante de cabelos louros e olhos acinzentados. Os traços físicos não negavam. Era o filho de Draco Malfoy. É verdade que os lábios mais carnudos, o sorriso aberto e o queixo pronunciado não negavam, igualmente, que era também filho de Astória Greengrass.

Rose e Scorpius começavam um relacionamento sério e ela desejava que fosse aprovado pelos pais. Trocava confidências com a mãe sobre o garoto desde o quinto ano, quando se descobriu apaixonada pelo aluno da Sonserina. Por muito tempo, recusou admitir esse sentimento. Afinal, Scorpius era um Malfoy e sabia que o pai detestava aquela família. A menina, que era muito próxima a Ron, considerava importante ter cada uma das suas decisões apoiadas por ele.

— Rose, você quer trazer um Malfoy aqui para casa? Você sabe quem são os Malfoy? Hermione foi torturada e quase morta na mansão deles. Draco, pai desse tal de Scorpius, colocou um portal em Hogwarts permitindo a entrada dos comensais da morte. Dumbledore, o melhor diretor da escola e o mais fabuloso bruxo que conheci, foi assassinado durante a invasão dos comensais. Seu tio Gui por pouco não morreu e carrega até hoje as enormes cicatrizes no rosto que ganhou também naquele dia. Como alguém que tem a marca negra no braço, como Draco, pode ser do bem? Os Malfoy sempre detestaram os nascidos trouxas como a sua mãe. Draco não perdia a chance de humilhá-la e também foi muito cruel com Potter. Seu tio Harry diz que o perdoou, que ele aprendeu a ser assim com os pais, não teve escolha. Eu até o cumprimento, com a necessária frieza, e confesso que só faço isso por sua mãe. Ela diz que não precisamos mais de guerras. Mas não aceito um Malfoy na minha casa – as orelhas vermelhas mostravam que Ron falava com emoção e convicção.

— Pai, uma vez você me disse, quando me contou como reencontrou mamãe e tio Harry depois de abandonar a missão em busca das horcruxes, que todos merecem uma segunda chance. A família Malfoy mudou muito. Os avós de Scorpius morreram tristes e, como ele mesmo falou, arrependidos de todo mal que fizeram. Queriam que Draco tivesse uma nova oportunidade de recomeçar e não fosse olhado sempre como um traidor. O pai de Scorpius, ainda jovem e órfão, mergulhou numa grande depressão. Foi o amor que salvou a vida dele – Rose possuía grande capacidade de argumentar, herdara esse talento de Ron e Hermione, e tinha ainda muito a falar.

— Realmente o namoro e o casamento com Astória fizeram muito bem a Draco. Antes, ele só falava rosnando ou de um jeito sarcástico. Agora consegue dar um sorriso, mesmo que amarelo, e perguntar como estamos. Eu simpatizo com Astória. Mas, o Doninha, simplesmente tolero – Ron voltou a usar o velho apelido que dera ao ex-aluno da Sonserina e, mesmo se irritado, olhava com atenção para a filha.

— Scorpius tem muito da mãe. É afetuoso, bem-humorado, e faz amigos com facilidade. Tem algumas características do pai também, como o grande talento para feitiços, muita perspicácia e habilidade com o quadribol. Mas usa isso para o bem. Você acredita que o sonho dele é se tornar auror? – os olhos de Rose brilhavam ao falar do rapaz.

— Não acredito que a Academia de Aurores do Reino Unido aceitaria um Malfoy nos seus quadros! Mas, afinal, o que você viu nesse garoto? – o pai decidiu entender os sentimentos da filha que, até o momento, só lhe dera orgulho.

— Se você aceitasse que ele viesse na nossa casa, poderia descobrir as qualidades de Scorpius por si mesmo. Ele é generoso com os amigos, ajuda quem está com dificuldade nas matérias que domina melhor...

— Como Arte das Trevas, é claro – Rose, que tinha o sangue quente como o dele, não perdoaria Ron facilmente.

— Eu desisto, pai. É impossível ter uma conversa de verdade com você – com o rosto vermelho, a garota se levantou abruptamente do sofá.

— Desculpa, filha. Reconheço que fui irônico. Não podia ter feito esse comentário. Por favor, não sai daqui sem me responder. Quais são os seus motivos para gostar tanto do Scorpius? – a voz dele era suave, quase um sussurro, e Rose voltou a se sentar.

— Apesar de estudar na Sonserina, ele é muito diferente do pai e dos avós. Bem, pelo menos de como eram na juventude. Scorpius não é egoísta e vaidoso, não aprova a sutil rivalidade existente entre as casas de Hogwarts. Na opinião dele, o mundo bruxo só terá verdadeira paz se entendermos que todos precisamos das qualidades encontradas em cada uma delas. A coragem e a amizade da Grifinória, a astúcia e a paixão pelos ideais da Sonserina, a inteligência e a criatividade de Corvinal e a solidariedade e acolhida de Lufa-lufa – Rose falava com entusiasmo.

— Interessante esse pensamento dele. E sou obrigado a concordar. Mas ainda assim, ele continua a ser um Malfoy – Ron, mais uma vez, falou sem pensar.

— Ótimo, pai, você realmente é um grande construtor de paz no mundo bruxo! – ela usou de ironia e se levantou mais uma vez do sofá.

Ron a segurou pela mão e também ficou de pé. "Perdão, filha. Não vou mais interromper a sua fala. Eu só quero ter certeza de que ama para valer esse rapaz. Preciso também saber se ele corresponde ao seu sentimento e, especialmente, se possui a capacidade de fazer você feliz", falou com suavidade antes de envolver a filha em seus braços protetores. A garota correspondeu ao abraço. Reconhecia que a preocupação excessiva era a forma desajeitada do pai demonstrar o seu amor.

Ron era uma pessoa de palavra e dessa vez escutou a filha até o fim. Precisou dar o braço a torcer. Ela e Scorpius estavam apaixonados. O rapaz, conforme o relato de Rose, a tratava com muita delicadeza, atenção e carinho. Caso não aceitasse o relacionamento dos dois, estaria repetindo o mesmo preconceito que sempre censurou nos Malfoy: acreditar que existem famílias superiores a outras.

Hermione já tinha falado muitas vezes que ele precisava dar uma oportunidade a Scorpius de mostrar o seu valor. Mas sempre que Ron tentava fazer isso, lembrava da esposa gritando na mansão Malfoy ao ser torturada. Não podia esquecer que o sangue não determina quem somos. São as nossas escolhas, como sempre lembrava Dumbledore.

Para a alegria da esposa, que torcia pelo namoro de Rose e Scorpius, e de modo especial da filha, Ron fez sua escolha e deixou o amor vencer. Nas férias escolares que antecederam o sétimo e último ano do jovem casal em Hogwarts, Scorpius foi à casa dos Granger-Weasley ser apresentado à família de Rose.

Antes que terminasse o recesso escolar, o rapaz voltou dezenas de vezes, sendo sempre arguido por um pai muito zeloso com a filha e ciumento. Faltava uma semana para o retorno às aulas quando, finalmente, Scorpius tomou coragem e pediu permissão de Ron e Hermione para namorar oficialmente Rose.

— Sabe, Claire, toda história de amor tem suas dificuldades. Eu e a sua avó somos como a água e o vinho, completamente diferentes. Achávamos que devíamos mudar um ao outro e nossas brigas eram constantes. Mas, com o tempo, descobrimos que é muito bom beber um cálice de vinho acompanhado de um copo de água. E tudo entre nós se harmonizou. Seus pais também tiveram que superar alguns obstáculos. Eu fui um deles – deu um sorriso sem graça, sabia que a neta conhecia esse particular muito bem. – Mas me conta do rapaz. Se ele não é um Malfoy, qual é o problema dele?

— Vovô, eu sou uma Malfoy! – ela emburrou a cara, fingindo estar zangada.

— Eu sei, Claire. Estou brincando – Ron deu uma gargalhada. – Mas falando sério, quais são as grandes diferenças entre você e...

— Bernard, vô, esse é o nome dele. Bernard Falkenberg. – Claire respondeu rápido, antes de perder a coragem.

— Falkenberg. Não conheço nenhuma família bruxa com esse sobrenome. Ele não é do Reino Unido, é? – Ron quis confirmar.

— É um sobrenome de origem alemã. Os antepassados dele chegaram na Inglaterra durante a Segunda Guerra Mundial. Não concordavam com o nazismo. Não existem bruxos entre eles. Bernard é o primeiro – a neta respondeu.

— Me fala mais sobre ele... Quero saber...

Um som de maçaneta sendo girada os interrompeu.

— Já terminei de organizar a cozinha. Posso me juntar a vocês? Ou estão falando algum segredo? – com os cabelos grisalhos desalinhados e um sorriso feliz, Hermione surgiu à porta.

Notas finais
Em homenagem aos queridos shippers de Rose e Scorpius, apresentamos alguns pequenos flashes do romance dos dois, sob o olhar de Ron e Hermione, nossos protagonistas. Minha ideia inicial era fazer uma shortfic de três capítulos, mas alguns personagens, com destaque para os gatinhos (hehehe), foram roubando a cena. Agora serão quatro capítulos, com a possibilidade de um quinto. Vai depender da minha agilidade de concluir antes do fim deste mês, cumprindo o regulamento do Projeto #dezembromione. Ah, não se esqueçam, comentários me fazem feliz e me inspiram a escrever! ❤️❤️❤️