O pai do meu bebê
33 Renesmee
Sentei à mesa ainda de pijama, o cheiro de café fresco e pão quente se espalhando pela cozinha. O sol entrava tímido pelas cortinas, deixando o ambiente com aquele ar de manhã calma que eu tanto precisava.
Minha mãe mexia o açúcar na xícara, me observando com aquele olhar maternal que parecia ver tudo o que eu não dizia.
— Você tem certeza que quer ir pra faculdade hoje, Nessie? — perguntou, com cuidado. — Depois de tudo o que aconteceu ontem, talvez fosse melhor tirar uns dias.
Dei um gole no meu café e apoiei os cotovelos na mesa. — Eu não posso, mãe.
— Claro que pode — insistiu ela, gentil, mas firme. — Você passou por muita coisa, amor. Precisa de tempo pra se recompor.
Suspirei e olhei pra xícara por alguns segundos antes de responder. — Se eu parar agora, ele vence.
Ela arqueou uma sobrancelha. — Ele?
— Riley. — respondi, sem hesitar. — Eu não posso deixar que ele ache que me destruiu. Ele foi um babaca, mas a minha vida não acabou por causa disso.
Bella me observou por um momento e depois sorriu, orgulhosa. — Você é mais forte do que pensa, sabia?
— Eu aprendi com você. — Sorri de volta, tentando esconder o peso no peito.
Antes que ela pudesse responder, a porta da cozinha se abriu e uma das empregadas entrou carregando um buquê enorme de rosas vermelhas. O cheiro doce preencheu o ar.
— Senhorita Renesmee — disse ela, sorrindo. — Acabou de chegar pra você.
— Pra mim? — perguntei, confusa.
— Pra você. — confirmou, colocando o arranjo no centro da mesa.
Minha mãe arqueou as sobrancelhas, curiosa. — Aposto que é do Riley tentando se redimir.
Revirei os olhos. — Se for, vai direto pro lixo.
Peguei o pequeno cartão branco preso entre as flores. As mãos tremiam um pouco, mas era mais por nervosismo do que por expectativa. Abri o envelope, esperando ver o nome que mais doía de ler.
Mas não era Riley.
O coração deu um salto quando li o que estava escrito, numa caligrafia firme e bonita:
"Pra lembrar que a vida ainda pode ter coisas simples e boas, mesmo quando parece desabar. — J.B."
Fiquei em silêncio por alguns segundos, tentando assimilar.
— E então? — minha mãe perguntou, tentando espiar. — O que ele disse?
Levantei os olhos lentamente, um sorriso pequeno escapando antes que eu pudesse evitar. — Não é do Riley.
— Não? — Bella pareceu surpresa. — Então é de quem?
Respirei fundo, ainda olhando o cartão. — Do Jacob.
Minha mãe arqueou as sobrancelhas, e o sorriso curioso dela cresceu. — Do Jacob, é?
Dei de ombros, fingindo indiferença — mas sentia as bochechas queimando.
— Ele só quis ser… gentil, mãe.
— Gentil — repetiu ela, com um tom divertido. — Entendo.
Tentei disfarçar, mas o perfume das rosas e o som leve do riso da minha mãe pareciam conspirar contra mim.
E, pela primeira vez em muito tempo, o dia começou com um sorriso que eu não precisei forçar.
Fiquei alguns segundos só olhando para o buquê. As pétalas vermelhas pareciam quase brilhar sob a luz do sol que entrava pela janela. O perfume das rosas era doce, intenso… de um jeito que fazia o coração apertar.
— Acho que vou levar pro meu quarto — disse, tentando soar casual, mas minha mãe sorriu como se lesse exatamente o que eu sentia.
— Boa ideia — respondeu, voltando a mexer o café, embora o olhar ainda me seguisse.
Peguei o buquê com cuidado, como se fosse algo frágil, e subi as escadas devagar. Cada passo parecia acompanhar o ritmo acelerado do meu coração.
No quarto, procurei um vaso de vidro e enchi com água. Coloquei as rosas dentro, ajeitando-as com calma. Por um momento, fiquei só observando o contraste do vermelho vivo contra o fundo branco da cortina.
Suspirei, peguei o cartão e o dobrei, guardando dentro da gaveta da escrivaninha. Era só um gesto simples — uma lembrança de gentileza num momento em que tudo parecia tão confuso.
O toque do celular quebrou o silêncio. Olhei o visor: número desconhecido.
Hesitei por um segundo antes de atender. — Alô?
A voz dele veio do outro lado, grave e calma. — Espero que eu não esteja atrapalhando.
Reconheci de imediato. — Jacob?
— Em pessoa — respondeu, com um tom leve que quase soava como um sorriso. — Só liguei pra saber se você gostou das flores.
Olhei para o buquê sobre a cômoda e senti um sorriso involuntário surgir. — Gostei, sim. São lindas.
— Fico feliz. Achei que você poderia usar um pouco de cor no dia.
— Você acertou — murmurei, e depois acrescentei, curiosa: — Mas… como você conseguiu meu número?
Do outro lado da linha, ouvi uma risadinha curta. — Ah, eu tenho meus meios.
— Meus meios? — repeti, fingindo indignação. — Isso parece até coisa de investigador particular.
— Digamos que eu conheço pessoas que conhecem pessoas — respondeu, divertido. — Prometo que não persegui ninguém pra conseguir.
Não consegui conter a risada. — Ainda bem. Eu já tava imaginando você invadindo o hospital pra pegar meu cadastro.
— Puxa, essa era uma boa ideia — brincou ele. — Pena que você já pensou primeiro.
Ri mais uma vez, e o som leve da risada dele do outro lado fez o clima parecer… fácil.
Natural.
— Obrigada, Jacob. — disse, depois de um instante. — Pelas flores. Pela ligação. Por… tudo.
— Não precisa agradecer — respondeu, com sinceridade. — Só queria te lembrar que, mesmo nos dias confusos, tem gente torcendo por você.
Por um momento, fiquei sem palavras. Olhei para o buquê de novo e senti um calor suave no peito — diferente, reconfortante.
— Você tem um jeito estranho de aparecer quando eu mais preciso — murmurei.
Ele riu baixo. — Pode ser que o destino esteja tentando me transformar em hábito.
Sorri, e antes que o silêncio se tornasse constrangedor, ele acrescentou, suave:
— Então… — a voz de Jacob soou de novo do outro lado da linha, num tom mais leve, quase brincalhão — eu tava pensando em te convidar pra almoçar.
Pisquei, surpresa. — Almoçar? Com você?
— É, comigo. — respondeu rindo. — Eu prometo que é só comida e conversa.
Fiquei em silêncio por alguns segundos, olhando para o buquê de rosas ainda sobre a cômoda. Aquilo soava tão inesperado, tão… diferente.
— Não sei, Jacob — disse, hesitante. — Acho que ainda tô tentando entender tudo isso.
— Eu entendo — respondeu com calma. — Mas, pensa comigo… somos pais, certo?
— É… — murmurei, desconfiada. — Tecnicamente, sim.
— Então — continuou ele, num tom divertido — nada mais justo que a gente compartilhar as primeiras experiências do bebê.
Não consegui evitar a risada. — As primeiras experiências? Jacob, o que o bebê tem experimentado até agora são enjoos e desejos estranhos.
— Ótimo — ele retrucou, rindo. — Então eu vou ajudar com os enjoos e realizar os desejos.
Cobri o rosto com a mão, ainda rindo. — Você é impossível.
— Persistente — corrigiu, com humor. — E talvez um pouco bom em convencer pessoas relutantes a aceitarem um almoço.
Balancei a cabeça, mesmo que ele não pudesse ver. — Tá bom, cowboy, mas hoje eu tenho aula na faculdade.
— Faculdade? — fingiu surpresa. — Então tá decidido. Eu te busco lá.
— Como assim? — perguntei, rindo. — Você nem sabe que horas eu saio.
— Tenho meus meios, lembra? — ele provocou, e pude ouvir o sorriso na voz dele.
Suspirei, divertida e um pouco rendida. — Tudo bem. Mas nada de aparecer com outro buquê pra me constranger na frente de todo mundo.
— Prometo. — respondeu com sinceridade. — Só vou aparecer com fome e boas intenções.
— Veremos. — ri de leve, e depois acrescentei: — Te mando mensagem quando sair da aula, ok?
— Combinado, Nessie. — disse ele, suave. — E… obrigado por não dizer não dessa vez.
Desliguei o telefone com um sorriso discreto.
Olhei mais uma vez para as rosas sobre a cômoda e senti um calor estranho no peito — algo entre nervosismo e expectativa.
Por mais que eu tentasse negar, algo me dizia que aquele almoço com Jacob Black não seria apenas um almoço.
E, pela primeira vez em semanas, a ideia não me parecia tão assustadora assim.
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