O pai do meu bebê
81 Jacob
Notas iniciais
Acordei antes mesmo do despertador tocar. Durante alguns segundos permaneci deitado, olhando para o teto do quarto enquanto tentava lembrar quando havia sido a última vez que realmente dormira uma noite inteira. A ansiedade pelo aniversário, a conversa com Mary, o que aconteceu com Embry e, principalmente, a expectativa de reencontrar Renesmee e JJ ocupavam espaço demais na minha cabeça para que o descanso fosse completo.
Peguei o celular sobre o criado-mudo quase por impulso.
Meu primeiro pensamento foi ligar para Nessie.
Queria saber como ela havia passado a noite, se JJ dormira bem, se ela já estava arrumando as malas ou se tinha desistido de vir. Bastava tocar no nome dela para ouvir sua voz e aliviar um pouco aquela inquietação.
Meu dedo chegou a parar sobre o contato.
Então me lembrei da conversa com Rachel e Mary.
Fechei os olhos por um instante.
— Que ideia maluca...
Murmurei para mim mesmo.
Mesmo achando aquilo um absurdo, resolvi fazer um esforço. Em vez de ligar, abri nossa conversa e escrevi apenas uma mensagem.
"Bom dia. Como o Bebê Jake acordou? O jatinho estará esperando vocês às dez horas."
Li a mensagem duas vezes.
Era seca demais para o meu gosto.
Apaguei a primeira versão e acrescentei apenas um coração no final.
Sorri sozinho.
Aquilo já era o máximo de indiferença que eu conseguiria demonstrar.
Guardei o celular no bolso, troquei de roupa e desci para o café da manhã.
Assim que entrei na sala, percebi imediatamente que alguma coisa havia acontecido. Billy permanecia sentado na cabeceira da mesa com a xícara de café praticamente intocada. Sarah estava ao lado dele, segurando as próprias mãos sobre o colo. Embry permanecia de pé perto da janela.
O silêncio entre os três dizia muito mais do que qualquer palavra.
Embry foi o primeiro a me notar.
Nossos olhares se encontraram por alguns segundos.
Aproximei-me devagar.
— Como você está?
Ele soltou um pequeno suspiro.
— Ainda tentando entender tudo.
Sua voz estava rouca, consequência da bebida da noite anterior e, provavelmente, das poucas horas de sono. Ele olhou rapidamente para Billy e depois para Sarah.
— Eu conversei bastante com eles.
Ninguém interrompeu.
Embry passou a mão na barba antes de continuar.
— Acho que preciso de um tempo.
Assenti imediatamente.
— Ninguém vai te pressionar.
Ele fez um leve movimento de cabeça.
— Não estou com raiva de vocês.
Ele olhou para Billy.
— Nem de você.
Depois voltou-se para Sarah.
— Muito menos da senhora.
Vi minha mãe enxugar discretamente uma lágrima.
Embry respirou fundo.
— Só preciso organizar as coisas aqui dentro.
Levantou a mão e apontou para a própria cabeça.
— Porque ainda parece que estou vivendo a vida de outra pessoa.
Aproximei-me dele.
— Quando quiser conversar...
Ele sorriu de maneira cansada.
— Eu sei.
Ficamos alguns segundos em silêncio e então Embry deu um passo à frente e me abraçou.
Foi um abraço rápido, mas sincero.
Antes de se afastar, abriu um pequeno sorriso.
— Feliz aniversário...
Fez uma breve pausa.
— Irmão.
Aquela última palavra teve um peso diferente.
Olhei diretamente para ele.
— Você sempre foi meu irmão.
Coloquei a mão em seu ombro.
— Muito antes de qualquer um descobrir a verdade.
Os olhos dele ficaram marejados.
— Eu sei.
Assentiu devagar.
— E isso nunca vai mudar.
Embry pegou a chave da caminhonete sobre a mesa.
— Vou dar uma volta.
Billy apenas concordou com um movimento de cabeça. Nós o acompanhamos com o olhar até a porta se fechar.
O silêncio voltou a dominar a sala.
Puxei uma cadeira e me sentei diante dos meus pais.
— Como foi a conversa?
Billy demorou alguns segundos antes de responder.
— Difícil- Baixou os olhos para a xícara de café.
— Acho que foi a conversa mais difícil da minha vida.
Sarah soltou um suspiro profundo.
— Quando essa família vai voltar a ter um pouco de paz?
Olhei para os dois.
Durante meses tentei resolver tudo com calma, esperando o momento certo para cada decisão. Mas, sentado naquela mesa, percebi que o momento certo nunca chegaria sozinho.
Levantei-me da cadeira.
— Eu vou cuidar disso.
Billy ergueu a cabeça.
— O que você pretende fazer?
Olhei pela janela em direção aos campos da fazenda. Minha resposta saiu firme, sem qualquer hesitação.
— Vou fazer o que já deveria ter feito há meses.
Saí da fazenda logo depois do café. Durante todo o caminho até a propriedade dos Clearwater, tentei organizar o que diria a Lucy. Passei meses adiando aquela conversa porque acreditava que agir com cautela era a melhor maneira de proteger Renesmee. Depois do que aconteceu com Embry, compreendi que meu silêncio apenas permitia que os problemas crescessem. Havia chegado a hora de colocar um fim naquela situação, mesmo que isso significasse criar um novo conflito.
Estacionei a caminhonete diante da casa pouco antes das oito da manhã.
Harry Clearwater estava alguns metros adiante, consertando uma cerca de madeira. Assim que ouviu o barulho do motor, apoiou o martelo sobre um dos mourões e voltou o rosto na minha direção.
Desci da caminhonete e caminhei até ele.
— Bom dia, Harry.
Ele estendeu a mão e apertou a minha.
— Bom dia, Jake.
Depois sorriu discretamente.
— O que o filho do Billy Black faz tão cedo na minha casa?
Respirei fundo antes de responder.
— Vim conversar com a Lucy.
Harry me observou por alguns segundos.
Parecia já saber exatamente qual era o motivo da visita.
Soltou um suspiro cansado e passou a mão na nuca.
— Eu imaginei que você apareceria.
Assenti em silêncio.
Ele apontou para a casa.
— Vamos entrar.
Acompanhei Harry até a varanda. Assim que atravessamos a porta, encontrei Lucy na sala. Ela segurava uma toalha de prato nas mãos e parecia terminar de enxugar alguns copos que estavam sobre a mesa.
Ao me ver, ficou completamente imóvel.
O susto em seu rosto era evidente.
— Jacob...
Harry falou antes que qualquer um de nós dissesse mais alguma coisa.
— O Jake veio conversar com você.
Lucy deixou a toalha sobre a mesa sem desviar os olhos de mim.
Naquele instante ouvi passos vindos do corredor.
Sue apareceu logo em seguida.
Assim que percebeu minha presença, cruzou os braços.
— Eu sabia que você viria.
Seu tom de voz carregava o mesmo ressentimento das últimas vezes que nos encontramos.
Ela caminhou até ficar ao lado da filha.
— Só acho curioso o tempo que você levou.
Continuei em silêncio.
Sue não esperava resposta.
— Quando sua esposa empurrou a minha filha da escada e quase matou meu neto, você não apareceu aqui para saber como ela estava.
Senti a irritação subir de uma vez.
Durante meses ouvi acusações, provocações e mentiras tentando manter a calma por causa de Renesmee.
Naquela manhã, porém, eu já não tinha disposição para aquilo.
Ergui a voz pela primeira vez.
— Chega!
O silêncio tomou conta da sala.
Até Harry voltou o rosto para mim, surpreso com meu tom, olhei diretamente para Sue.
— Eu não vim discutir o que aconteceu naquele dia.
Depois voltei minha atenção para Lucy.
— Vim comunicar uma decisão.
Ela permaneceu imóvel e eu respirei fundo.
— Quero você fora das minhas terras até amanhã de manhã.
Lucy piscou lentamente, como se tivesse dificuldade para acreditar no que acabara de ouvir.
Sue foi a primeira a reagir.
— Você não pode fazer isso.
Olhei novamente para ela.
— Posso.
Minha voz voltou a ficar controlada.
— A casa onde Lucy mora pertence à fazenda Black. O contrato de trabalho dela termina hoje.
Lucy finalmente encontrou a própria voz.
— Você está me demitindo?
Assenti.
— Estou.
Ela deu uma pequena risada, incrédula.
— Depois de tudo...
Balancei a cabeça.
— Depois de tudo o que aconteceu, eu ainda tentei evitar essa decisão. Fiz isso porque não queria criar mais problemas para a minha esposa.
Dei um passo na direção dela.
— Mas ontem você ultrapassou qualquer limite quando revelou um segredo que não lhe pertencia e destruiu a vida de uma pessoa apenas para me atingir.
Lucy sustentou meu olhar.
— Eu só contei a verdade.
— Não.
Minha resposta saiu imediata.
— Você usou a verdade como arma.
O silêncio voltou a dominar a sala.
Harry permaneceu parado ao lado da porta, observando tudo sem interferir. Sue respirava com dificuldade, claramente tentando controlar a própria raiva.
Mantive os olhos fixos em Lucy.
— Até amanhã de manhã você terá tempo suficiente para retirar seus pertences da casa.
Ela apertou os lábios.
— E se eu me recusar?
Não desviei o olhar.
— Então o advogado da fazenda tratará do restante.
A expressão dela mudou pela primeira vez.
Já não havia ironia, apenas a certeza de que eu não voltaria atrás naquela decisão.
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