O pai do meu bebê
57 Jacob
Notas iniciais
A estrada de terra que levava até a fazenda já era tão familiar para mim que eu podia reconhecer cada curva mesmo sem olhar muito para frente. Eu estava no banco da frente da caminhonete do Paul, com o braço apoiado na janela, enquanto ele dirigia como se estivesse em uma corrida imaginária. No banco de trás, Renesmee parecia bem mais relaxada do que eu esperava. De vez em quando eu olhava pelo retrovisor e via o sorriso dela enquanto Paul contava alguma história.
Paul estava especialmente animado naquele dia.
– Você devia contar aquela da feira também – eu disse, só para provocar.
Ele soltou uma risada.
– Qual delas? A que você tentou negociar um cavalo e acabou comprando dois?
Ouvi Renesmee rir atrás de nós.
– Espera… isso aconteceu mesmo? – perguntou ela.
Paul assentiu com entusiasmo.
– Aconteceu. Seu noivo aqui chegou todo confiante dizendo que ia sair de lá com um ótimo negócio. No fim, voltou com dois cavalos e pagando mais caro do que o dono pediu no começo.
Balancei a cabeça, fingindo indignação.
– Isso não foi exatamente assim.
– Foi sim – respondeu Paul imediatamente. – E eu ainda lembro da cara do Billy quando viu você chegando com os dois.
Renesmee riu de novo, uma risada leve e solta que encheu a caminhonete.
– Então quer dizer que o grande Jacob Black também paga mico?
Paul bateu no volante.
– Você não faz ideia de quantos.
– Ei – resmunguei, mas sem conseguir segurar o sorriso.
Ouvir Renesmee rindo daquele jeito tornava impossível ficar irritado.
Alguns minutos depois, a caminhonete passou pelo portão principal da fazenda. A estrada se abriu diante de nós, cercada pelos campos amplos que se estendiam até onde a vista alcançava. Alguns cavalos corriam livres perto da cerca, levantando pequenas nuvens de poeira enquanto atravessavam o campo.
Olhei pelo retrovisor no mesmo instante em que ouvi a voz de Renesmee atrás de nós.
– Uau…
Ela estava inclinada um pouco para frente, olhando pela janela com os olhos cheios de curiosidade.
– Eles ficam soltos assim?
– Na maior parte do tempo – respondi. – A gente deixa correr pelo campo durante o dia.
Ela continuou observando os cavalos enquanto eles atravessavam o pasto com aquela elegância natural.
– Eles são lindos.
Não consegui evitar o sorriso que apareceu no meu rosto ao vê-la encantada daquele jeito. A fazenda sempre foi apenas parte da minha rotina. Trabalho, responsabilidade, história da família. Mas ver aquele lugar pelos olhos dela fazia tudo parecer um pouco diferente.
Paul diminuiu a velocidade conforme nos aproximávamos da casa principal. A mansão Black apareceu logo à frente, com a varanda larga e as janelas grandes refletindo a luz da manhã.
– Bem-vinda ao caos – murmurou Paul com um sorriso.
A caminhonete parou em frente à casa.
Desci primeiro e dei a volta até a parte de trás. Renesmee já estava pronta para abrir a porta, mas eu fui mais rápido e puxei a maçaneta antes que ela pudesse.
– Senhorita – falei, estendendo a mão para ela.
Ela riu um pouco enquanto aceitava minha ajuda para descer.
– Obrigada.
Quando os pés dela tocaram o chão, ela olhou ao redor outra vez, observando a casa, o campo, o estábulo ao longe.
Segurei a mão dela naturalmente, entrelaçando nossos dedos.
– Pronta?
Ela assentiu com um pequeno sorriso.
Caminhamos juntos até a varanda. Antes mesmo de subirmos os degraus, eu já podia ver todos esperando ali.
Billy estava sentado na cadeira de sempre, com aquele olhar atento que parecia observar tudo ao mesmo tempo. Ao lado dele estava Sarah, com os braços cruzados e um sorriso caloroso no rosto. Paul apareceu logo atrás de nós, e alguns dos meus primos e trabalhadores da fazenda também estavam por ali, curiosos.
Assim que subimos o último degrau, Sarah deu um passo à frente.
Os olhos dela foram direto para Renesmee.
O sorriso se abriu ainda mais.
– Que bom que finalmente chegaram.
Renesmee apertou um pouco minha mão antes de responder.
Sarah se aproximou e segurou as mãos dela com carinho.
– Seja muito bem-vinda, querida. Essa casa já estava esperando por você.
Fiquei encostado perto da entrada da sala, observando tudo por alguns minutos. A casa estava mais cheia do que de costume, e o som das conversas misturado com algumas risadas deixava o ambiente com aquele clima de reunião de família que eu conhecia desde criança.
Billy estava ao meu lado, sentado na cadeira de sempre, enquanto Paul e Embry estavam por perto também. Mas minha atenção não ficava ali por muito tempo.
Do outro lado da sala, Renesmee estava sentada no sofá entre Sarah e Rachel.
As três conversavam como se já se conhecessem há muito tempo. Sarah falava com aquele jeito acolhedor dela, enquanto Rachel parecia curiosa, fazendo perguntas e escutando com atenção. Nessie respondia sorrindo, às vezes gesticulando com as mãos enquanto contava alguma coisa da viagem.
Eu não consegui evitar um pequeno sorriso.
Era estranho… porque eu sempre imaginei como seria trazer alguém importante para aquela casa. Mas ver Nessie ali, sentada naquele sofá, conversando com minha família como se pertencesse àquele lugar, fazia tudo parecer muito natural.
Embry se aproximou um pouco mais de mim.
– Então… conseguiu sobreviver alguns dias longe da fazenda? – perguntou ele, com aquele sorriso provocador.
Soltei um pequeno riso.
– A fazenda não desmorona só porque eu sumo dois ou três dias.
Paul cruzou os braços, apoiado na parede.
– Não desmorona… mas o Tom quase teve um ataque quando você não apareceu na inspeção dos estábulos.
Balancei a cabeça.
– O Tom tem um ataque por qualquer coisa.
Embry assentiu.
– Verdade. Mas eu e o Paul demos conta. Os cavalos do campo leste foram levados para o outro pasto ontem cedo, como você tinha pedido.
– E a cerca? – perguntei.
– Consertada – respondeu Paul. – Aquela parte perto do riacho estava mais podre do que parecia, mas agora está firme.
Assenti, satisfeito.
– Bom.
Paul olhou para mim com um sorriso de lado.
– Mas você vai ter que dar uma passada lá mais tarde. O Tom disse que só acredita que você voltou quando te vir reclamando de alguma coisa.
Soltei uma risada baixa.
– Ele vai se decepcionar então.
Foi nesse momento que Billy falou ao meu lado.
– Jacob.
O tom da voz dele era tranquilo, mas havia algo diferente ali.
Olhei para ele.
– Sim?
Billy me observou por alguns segundos antes de continuar.
– Depois eu preciso conversar com você.
A forma como ele disse aquilo fez algo apertar levemente no meu peito. Não era um pedido casual. O olhar dele estava sério demais para ser apenas mais uma conversa comum.
Assenti devagar.
– Tudo bem.
Ele não explicou mais nada, apenas voltou a olhar para frente.
Respirei fundo e voltei minha atenção para o outro lado da sala. Nessie ainda conversava com Sarah e Rachel, completamente envolvida na conversa.
Caminhei até o sofá.
Rachel foi a primeira a perceber minha aproximação.
– Olha quem resolveu aparecer – disse ela, sorrindo.
Nessie levantou os olhos para mim.
– Estávamos falando sobre os cavalos – explicou ela.
Inclinei um pouco a cabeça.
– Imagino que minha mãe já esteja planejando te colocar para montar ainda hoje.
Sarah riu.
– Não seja exagerado, Jacob.
Aproximei-me mais do sofá e estendi a mão para Nessie.
– Na verdade eu vim interromper essa reunião importante por um motivo.
Ela ergueu uma sobrancelha, curiosa.
– Qual motivo?
Olhei para ela com um sorriso calmo.
– Você precisa descansar um pouco.
Ela franziu a testa na mesma hora.
– Jacob, eu não estou cansada.
Antes que eu pudesse responder, Sarah cruzou os braços.
– Ele tem razão.
Rachel assentiu logo em seguida.
– Concordo. A viagem foi longa.
Nessie olhou de uma para outra, surpresa com a rapidez da aliança entre elas.
– Vocês duas combinaram isso?
Sarah sorriu com tranquilidade.
– Não precisamos combinar nada quando se trata de cuidar de alguém que está esperando um bebê.
Rachel completou:
– Um pouco de descanso nunca faz mal.
Nessie soltou um pequeno suspiro, claramente percebendo que tinha perdido aquela discussão.
– Vocês são impossíveis.
Eu ri baixo.
– Venha aqui.
Estendi a mão outra vez. Dessa vez ela aceitou.
Assim que ela se levantou, puxei-a suavemente para mais perto e a envolvi em meus braços por um instante. Ela apoiou a cabeça no meu peito e eu senti o corpo dela relaxar um pouco.
– Viu só? – murmurei perto do ouvido dela. – Nem foi tão difícil convencer você.
Ela soltou uma pequena risada contra minha camisa.
– Não foi você… foram elas.
Subi as escadas com Renesmee ao meu lado, ainda segurando a mão dela. A casa estava mais silenciosa no andar de cima, longe das conversas que ainda aconteciam na sala. Quando chegamos ao final do corredor, empurrei a porta do meu quarto e deixei que ela entrasse primeiro.
Nessie deu alguns passos para dentro e começou a observar tudo com curiosidade. O quarto era grande, com a janela voltada para os campos da fazenda. A luz da tarde entrava tranquila, iluminando a cama grande no centro e a estante de madeira perto da parede. Não era um quarto cheio de decoração, mas tinha aquele ar simples que sempre combinou comigo.
Fiquei encostado na porta por um instante, observando a reação dela.
– Eu achei melhor você ficar aqui – falei, apontando ao redor. – Esse é o quarto maior da casa… e você pode decorar do jeito que quiser.
Ela se virou para mim quase imediatamente.
– Decorar?
Dei de ombros.
– Se quiser mudar as coisas, colocar suas coisas, trocar alguma coisa… fique à vontade. Agora esse quarto também é seu.
Renesmee olhou mais uma vez ao redor, caminhando devagar pelo espaço. Quando voltou o olhar para mim, havia um sorriso suave no rosto dela.
– Jacob… o quarto é perfeito.
A forma simples como ela disse aquilo fez algo aquecer dentro de mim.
Caminhei até ela e segurei sua cintura, puxando-a para mais perto.
– Perfeito nada – murmurei.
Ela ergueu uma sobrancelha, curiosa.
Inclinei um pouco a cabeça e encostei minha testa na dela.
– Você é perfeita.
Nessie soltou uma pequena risada, meio sem graça, mas não tentou se afastar. Pelo contrário, os braços dela se apoiaram naturalmente nos meus ombros.
Segurei-a com mais firmeza e a conduzi até a cama. Sentei-me na beirada e a puxei junto, fazendo com que ela acabasse sentada no meu colo.
– Jacob… – ela começou, mas não terminou a frase.
Inclinei o rosto e comecei a beijar de leve o pescoço dela. Senti quando ela se arrepiou e soltou outra pequena risada.
– Ei – disse ela entre risos. – Eu achei que você tinha dito que eu precisava descansar.
Afastei o rosto um pouco só para olhar para ela.
– E você vai descansar.
Ela me olhou desconfiada.
– Vou?
Assenti com um sorriso tranquilo.
– Claro. Porque nós dois não vamos sair desse quarto por um tempo.
Nessie soltou uma gargalhada leve, balançando a cabeça.
– Você é impossível.
– Talvez – respondi.
Ela ainda estava rindo quando eu puxei seu rosto para mais perto e beijei seus lábios. Dessa vez o beijo foi mais lento, tranquilo, como se não houvesse pressa nenhuma no mundo.
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