O pai do meu bebê
50 Jacob
O vento da manhã ainda estava frio quando Sue abriu a porta e me convidou a entrar. Eu agradeci, mas disse que só precisava falar com Lucy. Ela ia subir para ver se a filha estava acordada quando, para minha surpresa, Lucy apareceu no corredor, já vestida, cabelo preso às pressas e aquele olhar que eu conhecia bem: o olhar de quem se arma antes de qualquer palavra.
— Bom dia — ela disse, seca.
— A gente pode conversar lá fora? — perguntei.
Ela ergueu o queixo, desconfiada, mas assentiu. Caminhamos até o quintal, onde a grama ainda estava úmida e o silêncio parecia mais pesado do que o ar.
Lucy cruzou os braços.
— Então? — ela perguntou, impaciente. — O que você quer?
Eu respirei fundo. O rumor já tinha chegado até mim e, por mais que eu achasse improvável… eu precisava ouvir dela.
— Eu fiquei sabendo de um boato — falei. — De que você poderia estar doente… ou grávida.
Ela travou por um segundo. Depois soltou uma risada curta, amarga.
— Grávida? — repetiu. — Não. E mesmo que estivesse… não seria você o pai. Então pode ficar tranquilo.
Ela tentou parecer firme, mas eu percebi a tensão no maxilar dela. Ainda assim, decidi ser honesto.
— Eu sei que não seria — falei baixo. — Porque isso é algo impossível pra mim.
Ela virou o rosto devagar, surpresa genuína, mas tentando não demonstrar.
— Impossível? — murmurou. — Desde quando Jacob Black foge de responsabilidade?
Dei um sorriso.
— Não é fuga — respondi, firme. — É biologia. Eu tenho uma condição… que me impede de engravidar uma mulher de forma natural. Por isso eu e a Heidi precisávamos de inseminação. Foi assim da primeira vez. E mesmo assim… ela perdeu o bebê.
Lucy ficou pálida.
Os olhos arregalados.
— Lucy… — continuei, mais calmo. — Eu só vim aqui porque ouvi que você não estava bem. Eu me importo com você. Não quero que cometa erros tentando provar alguma coisa pra mim… pra você mesma… ou pra quem quer que seja.
Ela engoliu seco, desviando o olhar para o chão de madeira da varanda.
— Eu não estou grávida — repetiu, agora num sussurro. — Pode parar de se preocupar comigo.
— Não custa nada ter cuidado — insisti — Você é esperta. Espero que continue sendo. Não estrague sua vida por… vaidade. Ou teimosia.
Ela fechou os olhos por um instante, como se aquilo tivesse acertado direto onde doía.
Quando abriu, já estava com aquela expressão dura outra vez.
— Já acabou, Jacob? — perguntou.
Eu assenti.
Ela virou as costas e entrou sem dizer mais nada.
Fiquei ali parado por alguns segundos, sentindo uma mistura estranha de alívio e exaustão.
Depois respirei fundo e segui para o carro.
Havia muita coisa pra resolver.
Voltei para casa assim que deixei a propriedade dos Clearwater. A manhã ainda nem tinha engrenado direito e o ar estava frio, daquele jeito que arrepia a pele. Estacionei a caminhonete perto da varanda e entrei na cozinha.
Minha mãe estava à mesa, folheando uma revista, enquanto meu pai tomava café com a xícara apoiada no apoio da cadeira de rodas. Os dois levantaram os olhos quando me viram entrar.
— Opa… — Billy sorriu, daquele jeito brincalhão dele. — Acordou antes dos gatos hoje.
— Alguma coisa errada? — Sarah perguntou, ajeitando os óculos.
— Nada demais — respondi, puxando uma cadeira. — Só quis adiantar umas coisas porque no fim de semana vamos para Seattle. É o jantar de noivado.
Minha mãe praticamente brilhou.
— Ah, Jacob, eu ainda não acredito… — colocou as mãos no peito, emocionada. — Mal posso esperar para conhecer direito a mãe do meu neto.
Meu pai riu.
— Isso se você conseguir se comportar, Sarah.
— Me comporto sim — ela resmungou, beliscando o braço do meu pai. — Não todo dia meu filho decide fazer algo certo na vida.
Revirei os olhos, mas acabei sorrindo. Essa era a minha mãe: intenso amor, intensidade pra tudo.
Billy apoiou a xícara na mesa.
— E como ficou a situação com a Heidi?
Suspirei e levei a mão à nuca.
— O divórcio está assinado. Falta só o tribunal oficializar, mas… é isso. Acabou.
Meu pai assentiu devagar, como se tirasse um peso dos ombros por mim.
— Ao menos você se livrou dos surtos dela — disse Billy. — Já era hora.
— Surto é pouco — minha mãe resmungou, abanando a mão. — Aquela menina me tirava do sério. Agora sim você vai ter paz.
Tentei conter o riso.
— Mãe…
— O quê? — ela disse, já empolgada demais. — Agora você vai ser feliz, Jacob. E quem sabe essa fazenda finalmente fica cheia de crianças correndo. Porque o Embry, a Rachel e até a Rebecca também precisam me dar netos logo.
Balancei a cabeça, rindo sozinho.
— Vamos com calma, mãe.
— Calma nada — ela continuou animada. — Quero uma mesa grande no Natal, quero brinquedo espalhado pela sala, quero…
Meu pai ergueu a mão.
— Sarah… deixa o rapaz respirar.
Ela suspirou teatralmente, mas sorriu para mim com um carinho que aquecia qualquer dia ruim.
Aqui está o trecho reescrito como você pediu, narrado por Jacob, com clima tenso, diálogo humano, sem exageros, e mantendo sua linha emocional e estilo.
NARRADO POR JACOB
A manhã tinha começado tranquila. Eu tomava café com meus pais quando Embry chegou, jogou a mochila num canto e se sentou animado, fazendo piada sobre eu precisar trabalhar em dobro agora que seria “papai do ano”. Eu só revirei os olhos e continuei comendo. Era bom ver minha família leve daquele jeito.
Mas a leveza durou pouco.
A porta da frente bateu e Sue Clearwater entrou sem pedir licença. O olhar dela já dizia tudo. Sarah largou a xícara. Billy ajeitou a cadeira, preocupado.
— Eu quero falar com você, Jacob Black — Sue anunciou, apontando para mim como se eu tivesse cometido um crime.
Soltei um suspiro e me levantei devagar.
— O que aconteceu, Sue?
— Você usou minha filha! — ela disparou, a voz tremendo de raiva. — E agora quer fugir das consequências igual um covarde.
Sarah bateu a mão na mesa.
— Como ousa entrar dessa forma e falar assim com o meu filho!?
— Seu filho engravidou a minha filha e agora quer fingir que não tem nada a ver com isso! — Sue deu um passo à frente. — Eu não vou admitir!
Billy ergueu a mão, tentando apaziguar.
— Sue… vamos conversar com calma…
— Não tem calma quando um homem faz isso com uma mulher — ela rosnou.
Eu inspirei fundo. Não queria gritar. Não queria piorar a situação.
— Sue… Lucy não espera um filho meu. Isso não existe. E você sabe que eu jamais abandonaria uma criança que fosse minha.
Sue cruzou os braços, encarando-me.
— Você acha que vamos acreditar na história que inventou?
Silêncio.
Um daqueles pesados, que deixam o ar duro.
Foi então que Embry, que até então só observava, limpou a garganta.
— Desculpa interromper mas Sue… — ele começou devagar. — Você está procurando o pai do neto na casa errada.
Sue virou para ele num estalo.
— Como é que é?
Embry levantou as mãos.
— Não foi o Jacob que eu vi com a Lucy nos últimos meses as escondidas por ai.
Meu coração parou por um segundo.
Sue também ficou imóvel.
— O que quer dizer com isso? — ela sussurrou. — Do que esta falando?
Embry soltou o ar devagar, como quem carrega uma bomba no peito há dias.
— Eu vi várias noites quando ela entrou no celeiro com o Brad… Brad Fuller.
O silêncio explodiu dentro da sala.
Sue ficou pálida. Minha mãe levou a mão à boca. Billy resmungou algo quase inaudível. E eu só senti um peso enorme saindo das minhas costas.
Sue olhou para mim, depois para a porta, e sem dizer mais nada saiu apressada, o som dos passos ecoando pelo corredor.
Embry passou a mão no rosto.
— Foi mal, cara… mas já tava mais do que na hora disso ser dito.
Eu só balancei a cabeça, sem saber se ria, se respirava aliviado ou se agradecia a ele por ter evitado que isso virasse algo ainda maior.
Uma coisa era certa: a confusão estava longe de acabar. E eu precisava resolver toda essa confusão entes de trazer Renesmee para fazenda.
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