O pai do meu bebê
88 Renesmee
O chalé havia nos recebido em um abraço de calor e sedução. Cada detalhe gritava intimidade, um santuário para o nosso reencontro. Rosas, em sua plenitude e em pétalas delicadas, pontuavam o ambiente, um tapete perfumado que nos guiava para o epicentro do desejo. A luz das velas, um convite sussurrado à entrega, dançava nas paredes, acariciando os contornos da mesa posta. Frutas suculentas, chocolates que prometiam derreter na língua e o borbulhar gelado do champanhe em duas taças aguardavam o nosso toque. Mas o verdadeiro convite, o chamado irrecusável, estava no centro: uma cama king size, um convite ao êxtase, coberta por lençóis claros e um mar de almofadas, esperando para ser desfeita em nossa paixão.
Meses de separação se dissolviam em um instante, substituídos pela urgência de nossos corpos, pela fome que só o outro podia saciar.
O primeiro toque de seus dedos em minha pele foi um choque elétrico. Aos poucos, com uma lentidão torturante, ele desfez os botões do meu vestido, cada peça que caía ao chão era um passo a mais em direção à nossa união. Seus lábios seguiram o caminho que suas mãos traçaram, beijando minha clavícula, descendo pelo meu pescoço, um rastro de fogo que me deixava sem ar.
Quando minhas roupas finalmente cederam, ele me olhou com uma intensidade que me fez tremer. Seus olhos, escuros e famintos, percorreram cada centímetro do meu corpo, avaliando, desejando. Um sorriso lento se formou em seus lábios antes que ele se inclinasse e me beijasse com uma ferocidade que me tirou o fôlego.
Ele me deitou na cama, o linho fresco contra a minha pele quente. A excitação era palpável, um arrepio que percorria todo o meu ser. Seus lábios encontraram os meus novamente, e aprofundamos o beijo, línguas se entrelaçando em uma dança frenética. Senti suas mãos explorarem meu corpo, seus dedos deslizando por minhas coxas, me preparando para o que viria.
Então, ele desceu. Seus lábios quentes e úmidos encontraram meu ventre, e um suspiro escapou dos meus lábios. Ele explorou cada curva, cada reentrância, com uma devoção que me fez arquejar. Quando sua boca encontrou meu centro, o mundo parou. Seus beijos eram habilidosos, intensos, me levando a alturas vertiginosas. Cada toque, cada sucção, era uma promessa de prazer supremo. Meus dedos se enroscaram em seus cabelos, puxando-o para mais perto, incapaz de conter os gemidos que escapavam dos meus lábios. O tempo se distorceu, e eu me perdi na dança de seus lábios, na onda avassaladora de sensações que me consumia.
Quando senti a pressão aumentar, soube que ele estava pronto. Ele se ergueu sobre mim, seus olhos encontrando os meus com um brilho de pura posse. Não havia gentileza em seu olhar, apenas a necessidade crua e primitiva de me ter. E eu desejava isso. Desejava essa entrega total, essa dominação que me fazia sentir viva.
Ele adentrou meu corpo com uma força que me fez ofegar. A sensação era intensa, avassaladora, a plenitude de seu ser preenchendo cada espaço. Cada movimento era deliberado, poderoso, uma afirmação de seu amor e de seu desejo. Não havia hesitação, apenas a urgência de nos fundirmos, de nos tornarmos um.
Eu me agarrei a ele, meus dedos cravando em suas costas, meu corpo respondendo a cada estocada. Os gemidos se misturavam aos nossos, um coro de prazer que ecoava pelo chalé. O ritmo se intensificou, cada impulso nos levando mais alto, mais perto do precipício. A paixão nos consumia, a linha entre nós se apagando em um turbilhão de sensações.
Senti a tensão aumentar em meu corpo, uma corda esticada ao limite. E então, veio. Um orgasmo poderoso, avassalador, que me fez gritar seu nome. Meus músculos se contraíram ao redor dele, e eu me entreguei à onda de prazer que me inundou. Logo em seguida, senti Jacob se enrijecer dentro de mim, seu corpo tremendo, seus gemidos roucos preenchendo o ar. Ele se derramou em mim, um último ato de união que selou nosso reencontro.
Cansados, mas completos, permanecemos abraçados, a respiração ofegante se acalmando gradualmente. O silêncio que se seguiu não era vazio, mas repleto da satisfação de corpos e almas que haviam se reencontrado na mais pura e intensa das paixões. O chalé, testemunha silenciosa do nosso amor, parecia suspirar conosco, envolto no aroma das rosas e na luz suave das velas.
O sol suave da manhã acariciava meu rosto, uma sensação familiar e reconfortante que me puxou gentilmente do sono. Ao abrir os olhos, a visão de Jacob, com seus lábios próximos aos meus, me fez sorrir. Seus beijos eram leves, mas carregados de uma saudade que ecoava a minha. — Bom dia", ele sussurrou, sua voz rouca como um arrepio que percorreu minha espinha.
- Bom dia", respondi, meu coração batendo mais forte. — Senti tanto a sua falta !
Um sorriso malicioso brincou em seus lábios. — Você já pode matar a saudade- ele disse, e antes que eu pudesse responder, ele puxou o lençol.
O ar da manhã me atingiu, mas logo fui envolvida pelo calor de seu corpo. Seus beijos desceram pelo meu pescoço, encontraram a curva do meu ombro, deslizaram pelas minhas costas até encontrarem a curva suave do meu bumbum. Um suspiro escapou dos meus lábios. Ele me puxou, e em um movimento fluido, me deixou de quatro na cama. Senti sua presença atrás de mim, forte e dominante.
A penetração foi lenta, deliberada, cada centímetro de seu corpo se unindo ao meu com uma intensidade que me deixou sem fôlego. Ele segurou minha cintura com firmeza, guiando nossos movimentos com uma precisão que me fez estremecer.
- Sinta isso, meu amor- ele murmurou em meu ouvido, sua voz um convite à perdição.
A sensação era avassaladora.
Cada toque, cada movimento, cada gemido que escapava de seus lábios era uma onda de luxúria que me submergia. Jake sussurrava palavras obscenas, promessas de prazer, descrições vívidas de nossos corpos se fundindo, e eu me entregava a cada uma delas. A sensação de ser possuída daquela forma, de sentir cada fibra do meu ser vibrar com a sua presença, era inebriante.
A urgência crescia, um fogo que consumia tudo em seu caminho, até que, em um clímax explosivo, me entreguei completamente ao êxtase que ele me proporcionava. O mundo se resumiu àquele momento, à fusão de nossos corpos e almas, à promessa de um amor que transcendia o tempo e a distância.
Quando deixamos o chalé eu ainda sentia que alguma coisa dentro de mim estava leve de um jeito que não experimentava havia meses. Jacob insistiu em preparar o café da manhã, embora eu tivesse descoberto rapidamente que a habilidade dele se limitava a cortar frutas, fazer café e encontrar qualquer coisa pronta que Mary e Rachel tivessem deixado na noite anterior. Não reclamei. Depois de tudo o que conversamos, da chave da nossa nova casa ainda guardada dentro da minha bolsa e de finalmente termos passado uma noite sem pensar em problemas, processos ou qualquer outra pessoa, eu teria aceitado até café queimado. Ficamos no chalé até mais tarde do que pretendíamos e, quando finalmente montamos no cavalo para voltar à mansão, já passava da metade da manhã. Dessa vez eu fui de frente para Jacob, acomodada entre seus braços, enquanto ele conduzia o animal devagar pela trilha. Não havia pressa. Pela primeira vez em muito tempo, nós dois estávamos falando sobre o futuro sem que a conversa terminasse em discussão.
— Quero conhecer a casa antes de você começar a decidir tudo sozinho — avisei quando ele começou a me contar sobre algumas mudanças que pretendia fazer.
— Nossa casa já está mobiliada.
Virei o rosto para encará-lo. — Você mobiliou a casa?
— O básico.
— Jacob, o que significa básico para um homem que tem um jatinho?
Ele riu perto do meu ouvido.— Cama, sofá, mesa, essas coisas.
— Quantos quartos?
Houve uma pequena pausa que imediatamente me deixou desconfiada. — Alguns.
— Quantos, Jake?
— Seis.
Arregalei os olhos. — Seis quartos?
— A casa é grande.
— Nós somos três.
— Por enquanto.
Olhei para ele.
Jacob abriu um sorriso tão inocente que quase me fez rir.
— Nem começa.
— Eu não falei nada.
— Mas pensou.
— Não posso controlar meus pensamentos.
Balancei a cabeça e voltei a olhar para o caminho, embora estivesse sorrindo. — Eu quero escolher o quarto do JJ.
— Pode escolher.
— E quero montar um espaço para estudar.
— Já pensei nisso. Tem um escritório no segundo andar que você pode usar.
— Você pensou em tudo mesmo.
Jacob beijou meu ombro.— Quase tudo.
Ficamos alguns segundos em silêncio antes que ele soltasse, com a maior naturalidade:
— Também pensei nas babás.
Virei o rosto novamente.— Nas quê?
— Babás.
— No plural?
— Duas.
Comecei a rir.— Jacob, nós temos um filho.
— Exatamente. Um bebê que acorda de madrugada, uma mãe que vai fazer Medicina e um pai que vai precisar viajar para a fazenda algumas vezes por semana.
— E por isso precisamos de duas babás?
— Uma durante o dia e outra para ajudar quando necessário.
Continuei rindo.— Você quer montar uma equipe para cuidar do JJ?
— Quero minha esposa descansada.
— Sua esposa consegue cuidar do próprio filho.
— Eu sei que consegue. A questão é que não precisa fazer tudo sozinha.
Meu sorriso diminuiu um pouco quando entendi o que ele realmente queria dizer.— Eu não quero perder nada dele por causa da faculdade.
Jacob passou o braço com mais firmeza pela minha cintura.— E não vai. A babá não vai criar nosso filho. Nós vamos. Ela só vai ajudar quando você estiver em aula ou estudando e eu estiver trabalhando.
— Uma.
— Duas.
Ri novamente.— Uma.
— Vamos negociar quando você conhecer a casa.
— Você já contratou?
Ele ficou quieto e virei-me depressa.
— Jacob Black.
— Ainda não.
— Ainda?
— Só pedi algumas indicações.
Dei um tapa leve em seu braço.— Você é impossível.
Ele gargalhou e me apertou contra o peito.
— E você acabou de aceitar morar comigo de novo. Agora não adianta reclamar.
— Eu posso devolver a chave.
— Não pode.
— Por quê?
— Porque a casa também está no seu nome.
Fiquei alguns segundos em silêncio antes de olhar para ele. — Você colocou a casa no meu nome?
— Nosso nome.
Não consegui evitar o sorriso.— Você realmente pensou em tudo.
— Eu tive seis meses.
Aquela resposta veio acompanhada de um beijo em meus cabelos, e seguimos conversando durante o restante do caminho. Falamos sobre meus horários na universidade, sobre os dias em que ele precisaria voltar à fazenda, sobre levar JJ conosco sempre que fosse possível e até sobre reservar um quarto para Sarah e Billy, porque Jacob tinha certeza de que a mãe passaria mais tempo em Seattle do que na própria casa depois que o neto se mudasse definitivamente.
Quando nos aproximamos da mansão, o cenário era bem diferente da noite anterior. As mesas ainda estavam espalhadas pelo jardim, mas boa parte da decoração já tinha sido retirada. Alguns funcionários recolhiam cadeiras, outros desmontavam a estrutura da banda e duas empregadas carregavam caixas com o que restara dos doces. Havia copos esquecidos sobre algumas mesas e flores espalhadas pelo gramado, deixando aquele ar típico de manhã depois de festa.
Jacob desmontou primeiro e me ajudou a descer.
Assim que meus pés tocaram o chão, olhei para as janelas da casa.
— Eu preciso ver nosso filho.
Ele riu. — Você ficou menos de doze horas longe dele.
— Foram muitas horas.
— Rachel me mandou mensagem cedo. Ele dormiu muito bem.
— Não interessa. Estou com saudade.
Comecei a caminhar em direção à varanda. — E quero saber se deram a mamadeira no horário certo.
Jacob veio atrás de mim. — A Rebecca estava aqui, Nessie. Acho que nosso filho sobreviveu à noite.
Olhei para ele por cima do ombro. — Não faça piada com uma mãe que passou a primeira noite longe do bebê.
— Desculpa.
Ele claramente segurava o riso.
— Você não está arrependido.
— Nem um pouco.
Estávamos quase chegando aos primeiros degraus da varanda quando ouvi uma voz atrás de nós.
— O que ela está fazendo aqui?
Parei imediatamente e não precisei me virar para reconhecer aquela voz.
Todo o bom humor que me acompanhara durante o caminho desapareceu.
Jacob também parou.
Lucy estava alguns metros atrás de nós. Havia algumas caixas próximas a uma caminhonete e, pela quantidade de coisas espalhadas ao redor, imaginei que estivesse terminando de retirar seus pertences da casa onde morava. Seu rosto mudou assim que nossos olhares se encontraram.
Ela caminhou alguns passos em nossa direção.
— Eu perguntei o que ela está fazendo aqui.
Jacob ficou imediatamente tenso ao meu lado.
Antes que respondesse, Lucy apontou para mim. — Você me manda embora das terras da sua família e deixa essa criminosa entrar aqui como se nada tivesse acontecido?
Meu corpo inteiro gelou ao ouvir aquela palavra outra vez.
Criminosa.
Depois de tantos meses, ainda bastava Lucy pronunciá-la para me levar de volta àquela manhã em que Sue entrou na mansão gritando que eu tinha empurrado sua filha da escada.
Jacob deu um passo à frente, ficando entre nós.— Lucy, mede muito bem o que você vai falar.
Ela soltou uma risada amarga.— Eu tenho que medir minhas palavras agora?
Olhou diretamente para mim.— Ela não mediu as atitudes quando matou o seu filho.
Senti o ar faltar por um instante e apertei os dedos ao redor da alça da bolsa. Jacob virou o rosto rapidamente para mim, percebeu minha reação e segurou minha mão antes de voltar a encarar Lucy.
— Chega.
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