O pai do meu bebê
87 Renesmee
Eu ainda não sabia exatamente em que momento aceitei fugir da festa do aniversário do meu próprio marido sem avisar praticamente ninguém. Jacob apenas segurou minha mão, me levou pelos fundos da casa até os estábulos e, quando percebi, já estávamos montados no mesmo cavalo, seguindo por uma parte da fazenda que eu conhecia pouco. Ele ia atrás de mim, segurando as rédeas enquanto eu permanecia acomodada entre seus braços, e talvez fosse por isso que eu já tivesse desistido de perguntar para onde estávamos indo. Depois daquele beijo no jardim, pensar com clareza tinha se tornado um pouco difícil.
A música da festa foi ficando cada vez mais distante conforme avançávamos. Logo restaram apenas o barulho dos cascos contra a terra, o som dos animais escondidos entre as árvores e a respiração tranquila de Jacob perto do meu ouvido. O caminho era iluminado pela lua e por algumas pequenas luminárias instaladas nas cercas, e eu tentava reconhecer aquela parte da propriedade enquanto ele conduzia o cavalo com uma tranquilidade irritante para alguém que estava me deixando curiosa havia quase meia hora. Em determinado momento senti seus lábios tocarem meu ombro descoberto e fechei os olhos por alguns segundos. Jacob repetiu o beijo, dessa vez mais perto do meu pescoço, e eu não consegui evitar o sorriso.
— Se continuar fazendo isso, nós dois vamos cair desse cavalo.
Senti sua risada contra minha pele.
— Eu sei cavalgar, senhora Black.
— Eu também sei, senhor Black. Só não costumo cavalgar com alguém me beijando no pescoço.
— Posso parar.
Virei um pouco o rosto para encará-lo.
— Eu não pedi para parar.
Ele riu e beijou meu ombro novamente antes de voltar a prestar atenção no caminho. Apoiei as mãos sobre os braços dele e fiquei alguns minutos em silêncio, mas minha curiosidade não durou muito.
— Ainda vai demorar?
Jacob soltou uma risada.
— Você perguntou isso há alguns segundos.
— Não foram alguns segundos.
— Foram exatamente quarenta e cinco.
— Você contou?
— Estou começando a contar porque você pergunta o tempo todo.
Dei uma pequena cotovelada nele.
— Você me tira da sua própria festa, me coloca em cima de um cavalo no meio da noite, não fala para onde estamos indo e ainda reclama porque estou curiosa?
— Não estou reclamando.
— Está sim.
— Estou me divertindo.
Olhei para ele por cima do ombro e encontrei aquele sorriso que conhecia tão bem.
— Idiota.
— Impaciente.
— Misterioso demais.
— Mais cinco minutos.
— Você disse isso há dez.
Jacob gargalhou.
— Agora eu entendo de onde o JJ puxou a impaciência.
— Do pai, obviamente.
Continuamos por mais alguns minutos até o caminho começar a subir suavemente por uma área mais afastada da propriedade. Eu já não ouvia absolutamente nada da festa e comecei a perceber que estávamos indo para uma região mais alta, cercada por campos abertos e pequenas colinas. Quando Jacob finalmente diminuiu o ritmo do cavalo, ergui o rosto tentando enxergar alguma coisa adiante.
— Chegamos.
— Finalmente.
Ele parou o cavalo e desmontou primeiro. Estendeu as mãos para mim e segurou minha cintura enquanto eu descia. Mal meus pés tocaram o chão e Jacob me puxou contra seu corpo.
— Jake...
Não consegui terminar.
Ele roubou um beijo rápido dos meus lábios e se afastou sorrindo.
— Isso foi pelo caminho.
— Você passou o caminho inteiro me beijando.
— Então esse foi pela chegada.
Balancei a cabeça, rindo, e só então olhei para frente.
Fiquei parada.
— Meu Deus...
Um chalé de madeira estava construído na parte mais alta do terreno, cercado pelo verde e completamente afastado da movimentação da fazenda. O telhado alto formava um grande triângulo sobre a fachada, e a madeira escura contrastava com os detalhes mais claros das vigas. Na frente havia uma varanda suspensa com uma pequena mesa e cadeiras voltadas para as colinas. As portas de vidro deixavam escapar a iluminação quente do interior e, ao redor, havia flores e plantas que tornavam o lugar ainda mais bonito. Durante o dia, imaginei que dali fosse possível enxergar uma extensão enorme dos campos. À noite, porém, parecia que aquele pedaço da fazenda existia separado de todo o resto.
Olhei para Jacob.
— Desde quando isso está aqui?
Ele sorriu.
— Faz algum tempo.
— Eu nunca vi.
— Porque fica longe da casa principal e quase ninguém vem para este lado.
Voltei a olhar para o chalé.
— É lindo.
Jacob se aproximou por trás e passou os braços pela minha cintura. — Gostou?
— Muito.
Virei-me dentro de seus braços. — Foi isso que você estava preparando?
— Parte disso.
Franzi a testa. — Parte?
Ele não respondeu.
Apenas abriu aquele sorriso que me dizia que eu ainda não sabia de tudo. — Jacob Black, o que você está aprontando?
— Hoje você vai parar de fazer perguntas.
— Isso nunca vai acontecer.
— Eu imaginei.
Ri e estava prestes a caminhar até a varanda quando ele passou um braço por trás dos meus joelhos e outro pelas minhas costas.
Soltei um grito de surpresa quando meus pés deixaram o chão.— Jacob! Ele me ergueu nos braços com a maior facilidade do mundo. — O que você está fazendo?
— Uma coisa que deveria ter feito há meses.
Passei os braços ao redor de seu pescoço, rindo. — Você sabe que eu consigo andar, não sabe?
— Sei.
— Então me põe no chão.
— Não.
Ele começou a subir os degraus da varanda comigo nos braços.
— Jake!
— Nessie, nós nos casamos no meio de uma confusão, passamos meses resolvendo problema de hospital, processo, fazenda, gravidez e depois praticamente fomos morar em cidades diferentes.
Meu sorriso diminuiu enquanto o observava.
Jacob parou diante da porta e me olhou.— Eu ainda estou te devendo uma coisa.
— O quê?
Ele aproximou o rosto do meu e sorriu.— Nossa lua de mel.
Meu coração acelerou.
— Hoje?
— Hoje.
Não consegui conter a risada.— No seu aniversário?
— Foi o melhor presente que consegui pensar para mim.
Beijei sua bochecha.— Convencido.
— Muito.
Ele abriu a porta sem me colocar no chão e entrou comigo nos braços. Envolvi seu pescoço com mais força enquanto ria, deixando que ele me carregasse para dentro do chalé.
Jacob atravessou a porta comigo nos braços e eu ainda ria quando finalmente consegui olhar para o interior do chalé. Minha risada diminuiu aos poucos, dando lugar a um sorriso que eu simplesmente não conseguia controlar. Ele me colocou no chão com cuidado, mas permaneceu com uma das mãos em minha cintura enquanto eu observava tudo ao redor. O lugar era ainda mais bonito por dentro. Rosas estavam espalhadas pela sala e próximas à cama, algumas inteiras dentro de pequenos vasos, outras formando um caminho sobre o piso de madeira. Havia velas acesas em vários cantos, deixando o ambiente iluminado por uma luz baixa e aconchegante, e uma mesa preparada com frutas, chocolates, duas taças e uma garrafa dentro de um balde de gelo. No centro do chalé havia uma enorme cama king size coberta por lençóis claros e almofadas, e eu não precisava perguntar quem tinha preparado aquilo para imaginar a participação de Mary, Rachel e Rebecca. Agora começava a entender todas as conversas escondidas durante a festa e por que Jacob perguntava tantas vezes se estava tudo pronto.
— Você fez tudo isso? Perguntei enquanto caminhava lentamente pelo chalé.
Jacob fechou a porta atrás de nós.— Tive ajuda.
Olhei para ele.— Mary?
Ele riu. — Mary, Rachel e Rebecca. Minha mãe não sabe de nada porque provavelmente teria contado para você cinco minutos depois.
— Sarah não sabe guardar segredo quando está animada.
— Exatamente.
Passei os dedos pelas pétalas de uma das rosas e sorri. Toda a irritação que senti durante o dia começou a parecer ainda mais absurda agora que entendia por que Mary passara tanto tempo ao lado dele. Quando me aproximei da cama, porém, outra coisa chamou minha atenção. Havia uma pequena caixa de presente sobre os lençóis, cuidadosamente embrulhada e com um laço.
Olhei imediatamente para Jacob. — O que é aquilo?
Ele se aproximou com as mãos nos bolsos.— Um presente.
— Um presente? Apontei para ele. — O aniversariante é você. Não era você quem deveria estar ganhando presentes hoje?
Jacob parou diante de mim, passou uma das mãos pela minha cintura e me puxou delicadamente para perto. — Eu já ganhei o meu.
— Qual?
Ele me beijou antes de responder. Foi um beijo demorado, mas tranquilo, e quando se afastou deixou os lábios roçarem nos meus enquanto sorria. — Você veio.
Meu coração apertou.— Isso não vale.
— Para mim vale. Beijou rapidamente a ponta do meu nariz. — Agora abre, senhora Black.
Olhei novamente para a caixa. — Estou começando a ficar com medo das suas surpresas.
— Abre logo, Nessie.
Caminhei até a cama e me sentei na beirada. Peguei a pequena caixa e a coloquei sobre meu colo enquanto Jacob permanecia alguns passos atrás. Retirei o laço com cuidado e levantei a tampa.
Franzi a testa.
Dentro havia uma chave e ao lado dela, um pequeno cartão. Peguei primeiro o cartão e li o que estava escrito. Era um endereço que eu não reconheci imediatamente, mas bastou chegar à última linha para meu coração acelerar.
Seattle, Washington.
Olhei para a chave e depois para Jacob.— O que é isso?
Ele não respondeu.
Levantei a chave entre os dedos. — Essa chave é do quê?
Jacob caminhou até mim — De uma casa.
— Eu percebi essa parte.
Ele sorriu.— Então por que perguntou?
— Jacob.
Meu tom o fez parar de brincar.
Ele se abaixou diante de mim e segurou minha mão, fechando meus dedos ao redor da chave.— Da nossa casa.
Fiquei olhando para ele e demorei alguns segundos para entender.— Nossa?
Jacob assentiu.
Baixei os olhos para o cartão e li o endereço outra vez.
Seattle.
Minha respiração ficou presa.— Em Seattle?
— Em Seattle.
Ergui os olhos lentamente.
De repente, todas as peças começaram a se encaixar. A distância dele naquele dia, as conversas escondidas, Mary dizendo que tudo estava pronto, Rachel prometendo cuidar de JJ, até a conversa estranha que tivemos no carro quando perguntei sobre a fazenda.
— Você...Minha voz saiu baixa. — Você está dizendo o que eu estou pensando?
Jacob sorriu.— Depende do que você está pensando.
— Jake...
Ele riu.— Sim, amor. Ele sentou ao meu lado. — Eu vou para Seattle com você.
Fiquei completamente imóvel.— Mas a fazenda...
— Continua aqui.
— Seus cavalos, os negócios, seu pai...
— Continuam aqui também. Eu não estou vendendo nada e nem abandonando minha família. Sam e Embry vão assumir boa parte da administração diária, meu pai continua participando e eu venho sempre que precisar. Posso trabalhar parte da semana em Seattle e resolver muita coisa de lá.
Balancei lentamente a cabeça, tentando assimilar.— Você comprou uma casa?
— Comprei.
— Sem nem saber se eu queria morar com você?
Ele arqueou uma sobrancelha.— Essa parte do plano realmente tinha algum risco.
Acabei rindo no meio da emoção.— Você é louco.
— Provavelmente.
Passei o polegar pela chave em minha mão.— Por que você fez isso?
A expressão dele ficou mais séria e Jacob segurou minhas duas mãos.
— Porque passei meses tentando convencer você a voltar para cá quando deveria ter escutado o que estava me dizendo.
Senti meus olhos começarem a arder.
Ele continuou. — Você tinha uma vida antes de mim, Nessie. Tinha a faculdade, seus planos, queria ser médica. Então aconteceu aquela confusão no hospital e, de uma hora para outra, você estava grávida de um homem que nem conhecia. Depois veio nosso casamento, o JJ, todos os problemas com Heidi, Lucy, a fazenda... e eu ainda esperava que você simplesmente aceitasse morar aqui porque essa era a vida que eu queria.
— Eu amo nossa vida aqui.
— Eu sei. Ele acariciou meus dedos.— Mas você não precisa abrir mão da outra.
Uma lágrima escapou antes que eu conseguisse impedir.
Jacob a enxugou com o polegar. — Eu já realizei meus sonhos, Nessie. Tenho minha fazenda, construí meu negócio, tenho meus cavalos e consegui muito mais do que imaginava quando era garoto. Depois você apareceu e me deu uma família. Agora quero ver você realizar os seus.
Minha garganta apertou.— E o seu sonho de criar o JJ aqui?
— Meu sonho é criar nosso filho com você.
Aquela resposta acabou comigo, as lágrimas começaram a cair e eu ri ao mesmo tempo, levando uma das mãos ao rosto. — Não acredito que você fez isso.
Jacob sorriu. — Fiz.
— Você vai mesmo morar em Seattle?
— Vou.
— Comigo?
— Espero que sim. Seria bastante constrangedor ter comprado uma casa para nós e acabar morando sozinho.
Ri entre as lágrimas e bati de leve em seu peito. — Idiota.
Ele segurou minha mão antes que eu pudesse afastá-la.— Então?
Olhei para a chave outra vez. Seis meses antes, eu tinha acreditado que precisaria escolher. Jacob ou meus planos. Meu casamento ou Medicina. A fazenda ou a vida que imaginava antes da gravidez.
Levantei os olhos para ele e sorri. — Eu te amo.
Jacob não respondeu com palavras, segurou meu rosto e me beijou.
Passei os braços ao redor de seu pescoço e me aproximei, sentindo suas mãos envolverem minha cintura enquanto o beijo se aprofundava devagar. Ainda havia lágrimas no meu rosto quando sorri contra seus lábios, e Jacob também sorriu antes de me beijar outra vez. A chave continuava apertada entre meus dedos, presa entre nós, enquanto eu finalmente entendia que ele não estava me pedindo para voltar para a vida dele.
Dessa vez, Jacob estava escolhendo construir uma nova comigo.
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