O pai do meu bebê
85 Renesmee
NARRADO POR RENESMEE
Desde que cheguei à fazenda, tentei me convencer de que o comportamento de Jacob não tinha nada de estranho. Era o aniversário dele, a casa estava cheia, havia funcionários procurando por ele o tempo inteiro e praticamente todos os convidados queriam alguns minutos de atenção do aniversariante. Era natural que não pudesse ficar comigo e com JJ durante todo o dia. Mesmo assim, eu conhecia meu marido e percebia a diferença. Jacob costumava encontrar uma maneira de estar perto, ainda que fosse por poucos minutos, aparecia no quarto enquanto eu trocava o bebê, roubava um beijo quando passava por mim ou simplesmente colocava a mão em minha cintura quando nos encontrávamos no mesmo ambiente. Naquele dia, porém, ele parecia medir a distância entre nós. Era gentil, perguntava se eu precisava de alguma coisa, brincava com JJ sempre que tinha oportunidade, mas logo aparecia alguém para chamá-lo e ele desaparecia outra vez.
Talvez eu só estivesse estranhando porque passamos tempo demais afastados. Era nisso que eu tentava acreditar.
O problema era Mary.
Não tinha nada contra ela. Pelo menos era o que repetia para mim mesma desde que Rachel me contou que aquela mulher bonita, simpática e completamente à vontade dentro da casa dos Black tinha sido o primeiro amor de Jacob. Depois daquela conversa, comecei a reparar em coisas que provavelmente teriam passado despercebidas. Mary sabia onde tudo ficava, conhecia os funcionários pelo nome e falava com Sarah e Billy com uma intimidade que mostrava que não era apenas uma amiga que havia aparecido depois de muitos anos. Ela fazia parte da história daquela família. E, principalmente, fazia parte da história do meu marido.
Durante o dia inteiro, parecia estar grudada nele.
Eu os vi caminhando juntos pelo jardim enquanto discutiam os preparativos da festa, depois os encontrei conversando perto dos estábulos e, mais tarde, quando Jacob entrou na sala procurando as chaves da caminhonete, Mary apareceu atrás dele dizendo que sabia exatamente onde ele tinha deixado. Ela tocava no braço dele quando falava, puxava sua camisa quando queria chamar sua atenção e ria de histórias que eu não conhecia. Jacob parecia confortável com aquilo porque, para ele, provavelmente era normal. Eram amigos desde crianças. Tinham uma intimidade construída muito antes de eu aparecer em sua vida.
O problema era que eu não achava normal.
E odiava admitir que estava com ciúmes.
Quando a festa começou, tentei esquecer aquilo. Passei algum tempo conversando com Rebecca, depois fui apresentar JJ para algumas pessoas que ainda não o conheciam e acabei ao lado de Sarah perto da varanda. Minha sogra estava radiante naquela noite e não escondia a felicidade por ter o neto novamente na fazenda. Foi durante nossa conversa que ela comentou, quase casualmente, que Lucy já não estava mais morando ali.
Olhei para ela surpresa.
— Como assim?
Sarah respirou fundo.
— Jacob foi à casa dos Clearwater hoje cedo. Demitiu Lucy e deu até esta manhã para que ela retirasse tudo da propriedade.
Demorei alguns segundos para responder.
Não esperava aquilo.
Durante meses, uma das nossas maiores discussões tinha sido justamente a permanência de Lucy na fazenda.
— Ele mandou os Clearwater embora?
— Não exatamente. A decisão foi sobre Lucy. O contrato dela era com a fazenda e a casa onde ela morava também pertence à propriedade. Depois do que aconteceu com Embry, Jacob perdeu a paciência de vez.
Franzi a testa.
— O que aconteceu com Embry?
Sarah percebeu que havia falado demais.
— É uma história longa, querida. Acho melhor o próprio Jacob contar quando vocês estiverem tranquilos.
Assenti, embora a curiosidade permanecesse.
Olhei por alguns segundos para o jardim antes de perguntar:
— E para onde a Lucy vai?
Sarah me encarou surpresa.
— Depois de tudo o que aquela menina fez, você ainda está preocupada com ela?
Dei de ombros.
— Não estou dizendo que quero ela aqui. Só... não sei. Ela trabalhava na fazenda, morava aqui. Perder tudo de uma hora para outra deve ser difícil.
Sarah segurou minha mão e sorriu.
— Você tem um bom coração, Renesmee.
Balancei a cabeça.
— Não é isso.
— É sim. Lucy acusou você de uma coisa terrível, colocou Sue contra você, causou problemas no seu casamento e ainda assim sua primeira preocupação é saber para onde ela vai.
Respirei fundo.
— Eu não quero que aconteça nada ruim com ela. Só quero distância.
— E agora terá.
Sorri discretamente.
Talvez aquela notícia devesse ter me deixado aliviada. Durante meses eu disse a Jacob que não conseguiria voltar enquanto Lucy estivesse ali, e agora ela finalmente tinha ido embora. Mesmo assim, alguma coisa continuava fora do lugar.
Meu olhar percorreu o jardim quase involuntariamente até encontrar Jacob.
Ele estava conversando com Rachel, Rebecca e Mary perto de uma das mesas.
Fiquei observando de longe.
Jacob dizia alguma coisa enquanto Rachel ria. Rebecca parecia explicar outra e Mary estava ao lado dele, perto demais para o meu gosto. Em determinado momento ela segurou seu braço enquanto falava alguma coisa em seu ouvido. Jacob respondeu e Mary riu novamente, mantendo a mão nele por alguns segundos.
Desviei os olhos.
Era ridículo.
Eu era esposa daquele homem.
Tínhamos um filho.
Não deveria me sentir ameaçada por uma amiga de infância.
Mas então me lembrei do que Rachel havia contado.
Mary tinha sido seu primeiro amor.
A mulher que todos acreditavam que um dia se casaria com ele.
E, naquele momento, ela estava exatamente onde eu deveria estar.
Ao lado dele.
Senti um aperto desagradável no peito.
Nos últimos meses eu tinha me preocupado tanto em não perder minha liberdade que talvez não tivesse percebido o que estava acontecendo com meu casamento. Jacob insistiu para que eu voltasse inúmeras vezes e eu disse não em todas elas. Quando ele vinha para Seattle, eu estava feliz. Quando voltava para a fazenda, eu simplesmente continuava minha rotina porque tinha certeza de que, na semana seguinte, ele apareceria outra vez.
Eu nunca considerei que ele pudesse parar de insistir.
JJ começou a resmungar em meus braços e me tirou daqueles pensamentos.
Olhei para ele.
— O que foi, meu amor?
Ele fez uma careta e começou a chorar.
Sarah aproximou-se.
— Está com fome?
Balancei a cabeça.
— Acho que é a fralda. Já faz um tempo que troquei.
Ajeitei-o nos braços.
— Vou subir com ele.
Antes de entrar na casa, olhei mais uma vez para Jacob.
Foi justamente quando a música mudou.
Mary segurou a mão dele.
Vi Jacob dizer alguma coisa, aparentemente surpreso, mas ela riu e puxou seu braço. Em poucos segundos os dois estavam caminhando para o espaço onde alguns casais começavam a dançar.
Fiquei parada.
Mary colocou a mão no ombro dele e Jacob segurou a outra.
Senti meu rosto esquentar.
Não sabia se estava com raiva dela, dele ou de mim mesma por me importar tanto.
— Renesmee?
Ouvi Sarah me chamar.
Pisguei algumas vezes e voltei a atenção para JJ, que continuava chorando.
— Está tudo bem?
— Está.
Minha resposta saiu depressa demais.
Apertei meu filho contra o peito e caminhei em direção à casa.
Não olhei para Jacob outra vez.
Atravessei a sala praticamente sem falar com ninguém e subi as escadas mais rápido do que deveria, tentando ignorar a irritação que aumentava a cada passo.
Entrei no quarto tentando me convencer de que estava irritada apenas porque JJ chorava e eu precisava trocar sua fralda no meio da festa, mas nem eu mesma acreditava nisso. Fechei a porta com o pé, acendi a luz próxima ao trocador e coloquei meu filho com cuidado sobre ele. Assim que comecei a abrir os botões do macacão, JJ parou de chorar e ficou me olhando com aqueles olhos curiosos, como se não tivesse acabado de fazer um escândalo no colo da avó. Respirei fundo e tentei me concentrar nele, mas a imagem de Mary puxando Jacob para dançar continuava voltando à minha cabeça.
— Muito bonita, muito simpática, muito prestativa... — resmunguei enquanto pegava uma fralda limpa na bolsa. — A senhorita perfeita conhece todo mundo, sabe de tudo o que acontece na fazenda e ainda precisa ficar agarrando o marido dos outros.
JJ mexeu as perninhas e soltou um som baixinho.
— Pois é, meu amor, sua mãe está descobrindo coisas muito interessantes hoje.
Joguei a fralda suja no cesto e comecei a limpar meu filho.
— Primeiro amor do Jacob. Que lindo. Que história emocionante. Só esqueceram de me contar que o primeiro amor voltou e agora não desgruda dele nem para respirar.
JJ abriu um sorriso e olhei para ele indignada. — Não ri. Você deveria estar do meu lado.
Ele continuou sorrindo e levou a mão até a boca. — Claro. Para você está tudo ótimo. Seu pai aparece e você esquece que eu existo.
Peguei a fralda limpa e comecei a colocá-la. — E aquela oferecida ainda puxa ele para dançar no meio da festa como se...
— Oferecida?
Meu corpo inteiro parou.
Por alguns segundos achei que tivesse imaginado aquela voz. Virei lentamente o rosto e vi Mary parada perto da porta, senti meu rosto queimar no mesmo instante.
Não fazia ideia de quando ela havia entrado nem, pior ainda, de quanto tinha escutado. — Mary...
Ela ergueu as sobrancelhas. — Então eu sou oferecida?
Abri a boca, mas nenhuma explicação minimamente inteligente apareceu. — Eu não sabia que você estava aí.
Assim que falei, percebi que aquela era provavelmente a pior coisa que poderia ter dito.
Mary cruzou os braços. — Imaginei.
Fechei os olhos por um segundo. — Desculpa.
Ela continuou me olhando. — Eu estava irritada e falei sem pensar.
Mary inclinou levemente a cabeça. — Não precisa se desculpar.
Olhei para ela surpresa e ela abriu um sorriso tranquilo. — Às vezes eu também me acho um pouco oferecida.
Fiquei sem reação.
Mary começou a rir e eu não sabia se aquilo tornava a situação melhor ou ainda mais constrangedora. — Meu Deus... Passei a mão pelo rosto. — Que vergonha.
— Relaxa, Renesmee.- Ela se aproximou do trocador e olhou para JJ. — Eu já fui chamada de coisa muito pior.
— Isso não melhora em nada.
— Para mim melhora.- Ela sorriu e tocou delicadamente o pezinho de JJ. — Na verdade eu vim aqui porque o Jake pediu para buscar você.
Meu incômodo voltou imediatamente ao ouvir a intimidade com que ela dizia o nome dele. Jake. Claro.
Até aquilo começou a me irritar. — Ele pediu?
— Está na hora do parabéns e ele quer você e o bebê lá.
Assenti.
— Só vou terminar de vestir o JJ.
Mary permaneceu ao lado do trocador enquanto eu fechava os botões do macacão. Depois coloquei uma calça leve no meu filho, ajeitei seus cabelos com os dedos e o peguei no colo.
— Pronto.
Mary abriu a porta.
— Vamos?
— Vamos.
Seguimos juntas pelo corredor, mas eu não conseguia olhar diretamente para ela depois de ter sido flagrada chamando a mulher de oferecida enquanto trocava a fralda do meu filho.
Descemos as escadas praticamente em silêncio. Mary parecia perfeitamente tranquila, enquanto eu desejava desaparecer dentro do primeiro armário que encontrasse.
Quando chegamos à sala, o som das conversas e da música ficou mais alto. A maioria dos convidados já começava a se reunir ao redor da mesa do bolo.
Saímos para o jardim e Jacob estava no centro do grupo ao lado de Embry e Sam.
Assim que me viu, abriu um sorriso e estendeu a mão na minha direção.
— Nessie, vem aqui.
Caminhei até ele com JJ nos braços.
Jacob colocou a mão em minha cintura e me trouxe para perto, depois olhou para nosso filho.
— Deixa ele comigo.
Entreguei JJ e vi imediatamente o sorriso de Jacob aumentar ao receber o menino e fiquei ao seu lado enquanto todos se aproximavam para cantar os parabéns.
Por um instante olhei para trás e vi Mary havia parado perto de Rachel e Rebecca. Nossos olhos se encontraram e ela levantou discretamente uma sobrancelha e sorriu.
Meu rosto esquentou novamente.
Desviei os olhos na mesma hora e voltei a atenção para Jacob, fingindo um enorme interesse no bolo enquanto tentava esquecer que provavelmente passaria o restante daquela noite convivendo com a mulher que acabara de ouvir eu chamá-la de oferecida.
Depois dos parabéns, a festa voltou aos poucos ao ritmo de antes. A banda retomou a música, os convidados se espalharam pelo jardim e eu acabei sentada em uma das mesas próximas à varanda com JJ no colo e um pedaço de bolo que mal conseguia comer. Meu filho, ao contrário, estava muito interessado no meu prato. A cada vez que eu levava o garfo à boca, ele acompanhava o movimento com os olhos e esticava a mãozinha, tentando alcançar o glacê. Segurei seus dedos antes que conseguisse enfiá-los no bolo e ri baixinho.
— Nem pense nisso. Você ainda é muito pequeno para essas coisas.
JJ respondeu com um resmungo indignado e tentou novamente. Afastei o prato um pouco mais e beijei sua mão, tentando prestar atenção nele em vez de procurar Jacob no meio da festa pela milésima vez naquela noite. Eu precisava parar com aquilo. Jacob não estava me evitando. Era aniversário dele, havia dezenas de pessoas querendo conversar, amigos que não via havia algum tempo, funcionários trazendo problemas e uma família inteira disputando sua atenção. Era perfeitamente normal que ele não passasse a noite grudado em mim, ainda mais depois de tantos meses em que praticamente não participava daquela rotina. Repeti tudo isso para mim mesma enquanto cortava um pedaço do bolo com o garfo, mas bastou erguer os olhos para encontrá-lo do outro lado do jardim e todas aquelas explicações pareceram um pouco menos convincentes.
Jacob estava cercado por alguns amigos e convidados, com uma taça em uma das mãos enquanto conversava animadamente. Mesmo de longe, eu conseguia ouvir sua risada em alguns momentos. Durante os meses em Seattle, senti falta exatamente daquilo, da facilidade que ele tinha para ocupar qualquer ambiente sem precisar fazer esforço, do jeito como inclinava a cabeça quando prestava atenção em alguém e daquela risada alta que tantas vezes me acordou quando ele conversava com Embry na varanda da fazenda. Fiquei observando por mais tempo do que deveria, até ele olhar em minha direção. Nossos olhos se encontraram e meu coração reagiu imediatamente, mas, antes que qualquer um dos dois fizesse alguma coisa, Rachel apareceu ao lado dele acompanhada de Mary.
Soltei o ar devagar e voltei a atenção para o prato.
— Claro.
Amassei um pedaço do bolo com o garfo.
JJ bateu a mão na mesa.
— Não foi nada.
Amassei outro pedaço.
— A mamãe só descobriu que não gosta tanto de bolo quanto imaginava.
Quando olhei novamente, Mary estava falando alguma coisa com Jacob e tinha a mão apoiada no braço dele. Aquela mulher precisava mesmo tocar nele para completar cada frase? Passei o garfo pela massa com força demais e destruí o que ainda restava da cobertura.
— Se continuar assim, o bolo não chega vivo ao fim da festa.
A voz de Rachel me fez levantar o rosto.
Ela estava diante de mim com um sorriso que me pareceu suspeito demais.
— Não sei do que você está falando.
— Claro que não.
Rachel olhou para JJ e abriu os braços.
— Vem com a tia, meu amor.
Meu filho praticamente se jogou na direção dela.
— Traidor.
Rachel riu enquanto o acomodava no colo.
— Ele só sabe reconhecer uma boa companhia.
— Eu carreguei esse menino por meses e basta você aparecer para ele me abandonar.
— É o charme dos Black.
Revirei os olhos e peguei meu copo. Quando voltei a procurar Jacob, percebi que ele já não estava no mesmo lugar. Mary também havia desaparecido.
Franzi a testa.
— Onde está o Jacob?
Rachel ajeitou JJ nos braços.
— Acho que foi para o jardim.
— Sozinho?
A pergunta escapou antes que eu pudesse evitar.
Rachel me olhou com uma expressão que quase me fez me arrepender de perguntar.
— A Mary foi com ele.
— Eu não perguntei pela Mary.
— Não, claro que não.
Peguei outro pedaço de bolo apenas para ter alguma coisa nas mãos.
— Só perguntei porque ele estava aqui agora.
Rachel beijou a testa de JJ.
— Sei.
Aquela resposta me irritou mais do que deveria.
Permaneci sentada por alguns minutos tentando participar de uma conversa com Rebecca, mas não consegui prestar atenção em praticamente nada do que ela dizia. Minha cabeça estava no jardim. Quanto mais tentava ignorar, mais pensava no assunto. Até que desisti.
Levantei-me.
— Vou pegar um pouco de ar.
Rachel olhou para mim.
— Quer que eu fique com o JJ?
— Não vai te atrapalhar?
— Vai tranquila. Eu cuido dele.
Assenti e comecei a caminhar.
Não estava indo atrás de Jacob, pelo menos era isso que eu dizia para mim mesma.
Atravessei parte do jardim cumprimentando algumas pessoas pelo caminho, parei para conversar rapidamente com uma das amigas de Sarah e ainda peguei um copo de água para tornar minha desculpa mais convincente. Só depois segui pela lateral da casa, onde havia um caminho iluminado que levava até uma parte mais reservada do jardim.
Ouvi vozes antes de vê-los então diminuí os passos.
Reconheci a voz de Mary e logo depois a de Jacob.
Continuei caminhando, tentando parecer casual mesmo sabendo que não havia absolutamente ninguém por perto para quem eu precisasse fingir alguma coisa.
Quando contornei uma das árvores, parei, Jacob estava abraçado a Mary.
Meu estômago pareceu afundar.
Não ouvi o que haviam conversado antes e nem sabia por que estavam abraçados. Apenas vi os braços dela ao redor dele e Jacob correspondendo ao abraço. Fiquei imóvel, segurando o copo com tanta força que meus dedos começaram a doer. Naquele instante, todas as tentativas de convencer a mim mesma de que estava exagerando desapareceram.
Talvez Rachel estivesse certa, talvez Mary tivesse voltado justamente quando nosso casamento estava frágil demais. E talvez eu tivesse passado os últimos meses tão segura do amor de Jacob que nunca considerei a possibilidade de perdê-lo.
Os dois se afastaram e Mary foi a primeira a me ver. Sua expressão mudou imediatamente. Jacob acompanhou o olhar dela e virou-se e nossos olhos se encontraram.
— Nessie?
Engoli em seco.
— Oi.
Minha voz saiu estranhamente baixa.
Jacob franziu a testa. — Está tudo bem?
— Está...Levantei o copo como se aquilo explicasse minha presença. — Eu só vim... procurar água.
Olhei para o copo que já estava cheio em minha mão e quase quis desaparecer. Mary também olhou. Fechei os olhos por um segundo.
— Quer dizer, eu já peguei. Eu só estava andando um pouco.
Jacob permaneceu me observando. — Entendi.
— Então... Forcei um sorriso. — Vou voltar para a festa.
Dei as costas antes que meu rosto entregasse o que eu estava sentindo e comecei a caminhar pelo mesmo caminho por onde tinha vindo. Não consegui dar mais que dois passos e senti uma mão envolver a minha.
Parei imediatamente ao reconhecer aquele toque.
Meu coração disparou antes mesmo que eu olhasse para trás.
Jacob segurava minha mão com firmeza, impedindo que eu continuasse andando.
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