O primeiro mês de vida de JJ passou mais depressa do que eu imaginava. Os dias deixaram de ser contados pelas horas e passaram a ser marcados pelas mamadas, pelos banhos, pelas poucas horas de sono e pelos pequenos momentos que eu fazia questão de guardar na memória. Cada semana trazia uma descoberta diferente. Seu choro já não era igual ao dos primeiros dias, seus olhinhos permaneciam abertos por mais tempo e, vez ou outra, eu tinha a impressão de que ele tentava acompanhar meus movimentos pela primeira vez.

Rebecca insistiu para que eu permanecesse em Seattle durante todo aquele período. A cirurgia exigia repouso e ela preferia me examinar com frequência, sem que eu precisasse enfrentar horas de estrada até a fazenda. Jacob concordou desde o início. Apesar da saudade que sentíamos da nossa casa, ele dizia que aquele era o lugar mais seguro para mim e para JJ. Durante o dia voltava para Washington para resolver os problemas da fazenda e quase sempre retornava no fim da tarde. Em alguns dias conseguia chegar cedo. Em outros, já encontrava o filho dormindo profundamente.

Naquela manhã, a casa dos meus pais amanheceu diferente.

Minha mãe acordou antes de todo mundo e transformou a sala de estar em uma pequena festa para comemorar o primeiro mês de vida de JJ. Alice, como sempre, assumiu boa parte da organização e fez questão de escolher cada detalhe. A decoração era delicada, em tons de azul-claro, branco e dourado. Sobre a lareira havia um varal com fotografias do primeiro mês do nosso filho, desde a imagem ainda na maternidade até os registros feitos durante as primeiras semanas em casa. Balões preenchiam um dos cantos da sala, pequenos arranjos de flores brancas enfeitavam as mesas e, no centro, um bolo decorado com um cavalinho de açúcar arrancava sorrisos de todos que chegavam.

Observei tudo sentada no sofá enquanto JJ descansava nos braços da tia Rosalie.

Ela o segurava com tanta naturalidade que parecia ter feito aquilo a vida inteira.

Emmett permanecia ajoelhado diante dela, completamente concentrado em arrancar alguma reação do sobrinho.

— Escuta aqui, campeão... — dizia com toda a seriedade do mundo. — Seu pai já deve estar planejando colocar você em cima de um cavalo antes de aprender a andar. Não deixe isso acontecer. Primeiro você aprende a jogar futebol com o tio Emmett.

Rosalie revirou os olhos.

— Ele tem um mês de vida.

— Justamente. É a idade perfeita para começar a ouvir bons conselhos.

Antony, que passava pela sala naquele instante, ouviu apenas a última frase.

— Vindo de você, eu ficaria preocupado.

Todos riram.

Emmett fingiu indignação.

— Essa família não respeita minha experiência.

— Qual experiência? — perguntou Jasper, divertindo-se.

— A de tio.

Rosalie sorriu.

— Você está há exatamente um mês nesse cargo.

— E já sou excelente.

Enquanto todos riam da discussão, JJ abriu lentamente os olhos e encarou Emmett por alguns segundos.

Meu tio abriu um sorriso enorme.

— Viram? Ele concordou comigo.

— Ele só está tentando entender quem fala tanto. — Rosalie respondeu sem esconder a diversão.

Observei aquela cena em silêncio.

Era impossível não sorrir.

Meu filho havia chegado cercado por uma família enorme, barulhenta e completamente apaixonada por ele.

Levei a mão até a xícara de chá que minha mãe havia preparado e, quase sem perceber, procurei Jacob com os olhos.

A sala estava cheia.

Edward conversava com Carlisle próximo à janela.

Alice organizava os últimos detalhes da mesa de doces.

Bella ia de um lado para o outro perguntando se todos já haviam comido alguma coisa.

Mesmo assim...

Jacob ainda não tinha chegado.

Olhei discretamente para o relógio, ele já estava mais de quarenta minutos atrasado.

Meu sorriso diminuiu um pouco.

Minha mãe percebeu antes que eu dissesse qualquer coisa sentou-se ao meu lado e segurou minha mão.

— Está procurando o Jacob, não é?

Assenti.

— Ele nunca atrasa quando se trata do JJ.

Bella sorriu com a tranquilidade de quem tentava acalmar uma filha ansiosa.

— Deve ter surgido algum imprevisto na fazenda.

Olhei novamente para o celular sobre a mesa.

Nenhuma mensagem.

— Ele teria avisado.

Minha mãe acariciou meus cabelos.

— Você conhece o marido que tem. Se algum cavalo passou mal, se algum funcionário precisou dele ou aconteceu qualquer problema por lá, provavelmente nem conseguiu pegar no telefone.

Respirei fundo.

Sabia que ela tinha razão.

Ainda assim, alguma coisa dentro de mim insistia em dizer que aquele atraso era diferente dos outros.


Eu já havia olhado para o celular mais vezes do que gostaria de admitir quando ouvi a campainha tocar. Antes mesmo que alguém se levantasse para atender, escutei a voz de Jacob atravessando o hall de entrada.

— Desculpem o atraso.

Sorri automaticamente.

Ele entrou na sala ainda vestindo a mesma jaqueta que costumava usar na fazenda. Os cabelos estavam um pouco desalinhados e as botas traziam marcas de terra, sinais claros de que realmente havia saído direto do trabalho para Seattle. Assim que nossos olhares se encontraram, ele abriu aquele sorriso tranquilo que sempre conseguia desfazer qualquer preocupação que eu carregasse.

Veio imediatamente na minha direção.

— Me perdoa, amor.

Parou diante do sofá e segurou delicadamente meu rosto entre as mãos antes de se inclinar para me beijar. Foi um beijo demorado, calmo, daqueles que diziam muito mais do que qualquer pedido de desculpas.

— Um dos potros conseguiu escapar para a parte norte da fazenda e demoramos horas para encontrá-lo. Quando resolvemos isso, um caminhão que fazia uma entrega ainda ficou atolado por causa da chuva. Tentei sair o mais rápido possível, mas acabei perdendo a hora.

Sorri enquanto acariciava seu rosto.

— Eu imaginei que tivesse acontecido alguma coisa.

— Fiquei o caminho inteiro pensando que você estaria brava comigo.

Balancei a cabeça.

— Eu só estava com saudade.

Os olhos dele se encheram daquele brilho que aparecia sempre que eu dizia alguma coisa simples, mas sincera.

— Também senti.

Jacob voltou a me beijar rapidamente e, logo em seguida, seus olhos procuraram o verdadeiro motivo da pressa com que atravessara a estrada entre a fazenda e Seattle.

— E onde está o meu rapaz?

Olhei para o pequeno embrulho que descansava em meus braços.

— Acho que alguém está esperando o pai.

Jacob sorriu como uma criança.

Sentou-se ao meu lado e estendeu os braços.

— Posso?

Assenti.

Ele recebeu JJ com um cuidado que já fazia parte da rotina. Era curioso perceber como aquele homem, acostumado a lidar diariamente com cavalos enormes e máquinas agrícolas, transformava completamente os próprios movimentos quando segurava o filho. Tudo nele ficava mais delicado.

— Oi, campeão...

A voz saiu baixa.

— O papai demorou, mas chegou.

JJ abriu lentamente os olhos, ainda sonolento.

Jacob sorriu imediatamente.

— Está me olhando desse jeito porque já ouviu a reclamação da sua mãe?

Ri.

— Eu não reclamei.

— Ainda.

Ele aproximou o rosto do bebê e encheu suas bochechas de beijos.

— Não escuta ela, viu? O papai trabalha para comprar leite.

Olhei para ele fingindo indignação.

— Ah, então agora eu sou a vilã?

— Não.

Ele continuou fazendo cócegas delicadas na mãozinha de JJ.

— Você é a mamãe mais bonita do mundo.

Revirei os olhos, divertida.

— Está tentando escapar.

— Está funcionando?

Sorri sem responder.

Aquela cena já havia se tornado comum durante o último mês. Bastava Jacob chegar do trabalho para esquecer completamente o restante do mundo. Antes mesmo de tirar a jaqueta ou perguntar como havia sido nosso dia, procurava pelo filho. Conversava com ele como se JJ já entendesse cada palavra, contava histórias da fazenda, mostrava fotografias dos cavalos no celular e terminava quase sempre caminhando pela casa inteira com ele nos braços.

Eu gostava de ficar apenas observando.

Nunca imaginei que ver alguém amar meu filho pudesse me fazer apaixonar ainda mais por essa pessoa.

Foi Alice quem interrompeu aquele momento.

Ela apareceu na porta da sala batendo palmas para chamar a atenção de todos.

— Chega de conversa.

Sorriu satisfeita ao perceber que a família inteira já estava reunida.

— Os parabéns vão começar.

Emmett foi o primeiro a brincar.

— Finalmente. Achei que o aniversariante fosse fazer dois meses antes de cortar o bolo.

Alice lançou um olhar que o fez erguer as mãos em sinal de rendição.

— Eu só estava ajudando a organizar a festa.

— Você nunca ajuda.

Rosalie respondeu rindo.

— Você só atrapalha.

As risadas preencheram a sala enquanto todos se aproximavam da mesa.

Jacob entregou JJ novamente para mim apenas o tempo suficiente para que nos posicionássemos diante do pequeno bolo. Logo depois passou o braço ao redor da minha cintura, aproximando-me dele com cuidado por causa da cirurgia que ainda se recuperava.

Olhei para nosso filho, tranquilo em meus braços.

Depois olhei para Jacob.

Há um mês eu ainda carregava JJ dentro de mim.

Agora ele estava ali, cercado pelos avós, tios, primos e por uma família inteira que já disputava quem teria o privilégio de segurá-lo no colo.

Enquanto todos começavam a cantar os parabéns, encontrei a mão de Jacob sobre a minha.

Ele sorriu discretamente.

Sorri de volta.

Era apenas o primeiro mês de vida do nosso menino.


A casa voltou a ficar silenciosa depois que os últimos convidados foram embora. Alice ainda insistiu em organizar parte da cozinha, mesmo sob os protestos da minha mãe, enquanto Emmett e Antony discutiam na garagem sobre qual dos dois havia conseguido fazer JJ abrir os olhos durante mais tempo. Aos poucos, cada conversa foi desaparecendo até restarem apenas os sons tranquilos de uma casa que finalmente encerrava um dia cheio.

Jacob e eu subimos para o quarto levando nosso filho.

Depois de trocar sua fralda e alimentá-lo, JJ adormeceu quase imediatamente. Jacob o acomodou cuidadosamente no pequeno berço que meus pais haviam colocado ao lado da nossa cama durante aquele mês. Permanecemos alguns minutos em silêncio, apenas observando-o dormir. Era curioso como um bebê tão pequeno conseguia prender completamente nossa atenção. Bastava um movimento das mãos ou uma expressão diferente durante o sono para que um de nós sorrisse sem perceber.

Jacob apoiou os braços na lateral do berço.

— Acho que ele puxou seu costume de dormir cedo.

Sorri.

— Você diz isso porque nunca acordou para amamentá-lo às três da manhã.

Ele fingiu indignação.

— Eu acordo.

Olhei para ele.

— Acorda, pergunta se preciso de alguma coisa e volta a dormir antes mesmo da minha resposta.

Jacob soltou uma risada baixa.

— Agora entendi por que a Bella disse que toda mãe tem boa memória.

Acabei rindo também.

Ele se aproximou de mim e passou o braço ao redor da minha cintura.

— Falando em boas notícias...

Levantei os olhos para ele.

— Hoje conversei com a Rebecca antes de sair da fazenda.

Esperei que continuasse.

Um sorriso satisfeito apareceu em seu rosto.

— Ela finalmente liberou você.

Demorei alguns segundos para entender.

— Liberou?

— Alta completa.

Segurou minhas mãos entre as dele.

— Amanhã podemos voltar para casa.

Meu coração se encheu de alegria.

— Sério?

Ele confirmou com um movimento de cabeça.

— Ela disse que sua recuperação está excelente. Ainda quer que você mantenha alguns cuidados por mais algumas semanas, mas não vê mais motivo para impedir nossa volta para a fazenda.

Sorri imediatamente.

Durante aquele mês eu sentira falta da nossa casa, do chalé nas montanhas, dos cavalos e até das manhãs frias de Washington. Por um instante, consegui imaginar JJ crescendo entre os campos da fazenda, aprendendo a andar pelos mesmos lugares onde Jacob cresceu.

Mas a imagem desapareceu tão depressa quanto surgiu.

Meu sorriso foi diminuindo aos poucos.

Sem perceber, afastei-me dos braços de Jacob e caminhei até a janela do quarto. Cruzei os braços enquanto observava as luzes da rua do lado de fora. Eu queria sentir a mesma alegria que ele, queria estar contando as horas para voltar, mas bastava pensar na fazenda para que a lembrança daquela tarde voltasse inteira.

Lucy caída no pé da escada, Sue me chamando de criminosa, os olhares desconfiados.

A acusação.

Jacob percebeu minha mudança de humor quase imediatamente.

— Nessie...

Virei-me devagar para encará-lo.

Ele continuava sem entender.

Respirei fundo antes de responder.

— A Lucy continua morando lá?

Jacob permaneceu em silêncio.

— Eu sei que você acredita em mim. Eu sei que sua família acredita em mim. Mas ela continua dizendo que eu a empurrei. A mãe dela também acredita nisso. Toda vez que penso em voltar para aquela casa, sinto como se tudo fosse acontecer outra vez.

Baixei os olhos por um instante.

— Eu passei um mês tentando esquecer aquele dia, Jake. Pela primeira vez desde o acidente consegui dormir tranquila, consegui cuidar do nosso filho sem lembrar daquela escada o tempo inteiro.

Minha voz começou a falhar.

— Eu não quero voltar para um lugar onde vou encontrar a Lucy todos os dias e reviver tudo outra vez.

Jacob permaneceu imóvel, apenas me observando.

Aproximei-me do berço e passei a mão delicadamente sobre a manta que cobria JJ.

Olhei para nosso filho antes de voltar a encarar meu marido.

As palavras saíram baixas, mas carregavam tudo o que eu vinha guardando desde o dia do acidente.

— Eu não quero voltar para a fazenda.