Notas iniciais
Oi gente. As últimas semanas foram difíceis mais agora estou de férias kkkk, amém, a missão agora é finalizar as histórias. Espero que ainda estejam por ai e curtam os últimos capítulos dessa história aqui.


Os três meses que se seguiram à audiência foram, talvez, os mais tranquilos desde que descobri a gravidez. Depois de tantas notícias ruins, processos, acusações e incertezas, a vida finalmente encontrou um ritmo que me permitiu respirar. A fazenda voltou a ser apenas uma fazenda, e eu passei a aproveitar aquilo que, por muito tempo, parecia impossível: uma rotina simples ao lado do homem que eu amava.

Os dias começavam cedo. Eu gostava de tomar café na varanda enquanto observava o movimento dos funcionários iniciando o trabalho. Depois caminhava pelos jardins, conversava com Sarah na cozinha, passava parte da manhã com Rachel e, quando Jacob voltava dos estábulos, sempre encontrava um jeito de me convencer a acompanhá-lo em algum passeio pela propriedade. Rebecca insistia para que eu não exagerasse nos esforços, e Jacob levava cada recomendação da irmã mais a sério do que a própria médica. Às vezes eu reclamava daquele excesso de cuidado, mas, no fundo, sabia que era a maneira dele de lidar com o medo de que alguma coisa acontecesse comigo ou com nosso filho.

Minha barriga já não podia mais ser escondida sob vestidos largos. Jacob dizia que eu estava ainda mais bonita grávida, e eu ria sempre que o encontrava distraído conversando com o nosso filho antes mesmo de ele nascer. Todas as noites, antes de dormirmos, ele apoiava a mão sobre minha barriga e esperava pacientemente por um chute. Quando acontecia, comemorava como se tivesse acabado de vencer uma competição importante. Aqueles momentos eram tão simples que às vezes eu esquecia todo o caminho difícil que tínhamos percorrido para chegar até ali.

Nem tudo, porém, era leve.

Lucy continuava morando na fazenda e, embora nossa convivência fosse praticamente inexistente, sua presença nunca deixava de ser percebida. Jacob fazia de tudo para evitar que nos encontrássemos. Organizou os horários dos funcionários, mudou algumas rotinas da propriedade e, quando sabia que eu sairia para caminhar, tratava de garantir que Lucy estivesse trabalhando em outra parte da fazenda. Nunca comentou comigo sobre essas mudanças, mas eu acabava percebendo. Conhecia Jacob o suficiente para entender quando ele tentava resolver um problema antes que ele chegasse até mim.

Rebecca também acompanhava de perto a gravidez de Lucy. Durante uma das consultas, explicou que os cálculos da gestação eram compatíveis com a época em que ela e Jacob haviam se envolvido. Aquela informação não esclarecia nada, apenas confirmava que existia uma possibilidade real. Segundo ela, somente um exame de DNA seria capaz de dizer, sem margem para dúvidas, quem era o pai daquela criança.

Quando ouvi aquilo, senti novamente o mesmo aperto que me acompanhava desde o dia em que descobri a gravidez de Lucy. Era impossível fingir que aquilo não me incomodava. Às vezes eu me pegava imaginando como seria nossa vida se o bebê realmente fosse de Jacob. Outras vezes me sentia culpada por pensar dessa forma, porque sabia que ele jamais havia mentido sobre o passado. Tudo o que aconteceu entre eles ocorreu antes de ele entrar na minha vida.

Eu repetia isso para mim mesma sempre que o ciúme aparecia.

Jacob não me traiu.

Não me enganou.

Não construiu uma família comigo escondendo outra. Quando nos conhecemos, ele era um homem solteiro, tentando reorganizar a própria vida depois do fim do casamento. Lucy fazia parte de um passado que eu não podia mudar, assim como eu também tinha o meu. A diferença era que, por um capricho do destino, aquele passado podia ter deixado uma consequência que ainda caminhava ao nosso lado.

Nem por isso era fácil.

Havia dias em que eu conseguia encarar tudo com maturidade e dizia a mim mesma que, se aquela criança fosse realmente filha de Jacob, ela não tinha culpa de nada. Em outros, bastava ouvir o nome de Lucy para um desconforto silencioso se instalar dentro de mim. Eu ainda estava aprendendo a lidar com aquele sentimento, e talvez a gravidez tornasse tudo mais intenso do que normalmente seria.

Sempre que essas inseguranças apareciam, Jacob parecia perceber antes mesmo que eu dissesse qualquer coisa. Ele me abraçava, conversava comigo até tarde da noite ou simplesmente segurava minha mão em silêncio. Nunca prometeu que os problemas desapareceriam, porque ambos sabíamos que isso seria impossível. O que ele fazia era me lembrar, todos os dias, que enfrentaria cada um deles ao meu lado.


Os últimos meses da gravidez mudaram completamente o ritmo da fazenda para mim. Rebecca havia proibido qualquer esforço desnecessário, e Jacob transformou cada recomendação da irmã em uma regra absoluta. Eu brincava dizendo que havia me tornado uma hóspede dentro da própria casa, porque sempre existia alguém perguntando se eu precisava de alguma coisa ou lembrando que eu deveria descansar. Apesar das reclamações, era impossível não me sentir acolhida por aquela família.

Naquele fim de tarde, porém, a casa parecia diferente.

Rachel tinha acompanhado Sarah e Billy até Seattle para a consulta de rotina de Billy. Rebecca estava no hospital da cidade vizinha atendendo alguns pacientes, e Jacob precisou sair pouco depois do almoço quando um dos cavalos havia se machucado em um dos estábulos mais afastados da propriedade. Ele prometeu que voltaria antes do anoitecer e ainda ligou duas vezes apenas para perguntar se eu havia me alimentado direito.

Era estranho caminhar pelos corredores da mansão e não ouvir a voz de ninguém.

A casa dos Black era grande demais para o silêncio.

Depois de um banho demorado, terminei de vestir um vestido leve e estava penteando os cabelos diante do espelho quando ouvi uma batida discreta na porta.

— Pode entrar.

Margaret, uma das funcionárias mais antigas da fazenda, apareceu um pouco constrangida.

— Desculpe incomodar, senhora.

Sorri ao ouvir aquele tratamento que, mesmo depois de meses, ainda me parecia exagerado.

— O que foi, Margaret?

Ela apertava as mãos uma contra a outra, claramente sem saber como começar.

— O senhor Jacob pediu que eu não a deixasse sozinha até ele voltar.

Assenti.

— Eu sei.

— Mas... eu acabei de receber uma ligação da minha irmã. Minha mãe passou mal e foi levada ao hospital da cidade.

Seu olhar ficou marejado.

— Eu não queria ir embora sem avisar.

A preocupação em seu rosto fez qualquer resposta parecer óbvia.

Aproximei-me dela e segurei delicadamente sua mão.

— Margaret, você não precisa nem pedir.

Ela balançou a cabeça.

— Mas o senhor Jacob foi muito claro...

— E ele vai entender.

Sorri para tranquilizá-la.

— Sua mãe precisa de você muito mais do que eu neste momento.

Ela respirou fundo, como se finalmente permitisse a si mesma aceitar aquilo.

— A senhora tem certeza?

— Tenho. Além disso, Jacob já deve estar voltando. No máximo ficarei sozinha por alguns minutos.

Margaret pareceu mais tranquila.

— Obrigada pela compreensão.

— Depois me dê notícias da sua mãe.

Ela assentiu emocionada.

— Pode deixar.

Observei enquanto ela saía do quarto e fechava a porta cuidadosamente atrás de si.

O silêncio voltou a tomar conta da casa.

Levei uma das mãos até minha barriga e sorri quando senti um movimento suave.

— Parece que hoje somos só nós dois, não é, JJ?

Acariciei o pequeno volume por alguns instantes.

— Seu pai vai dizer que eu deveria estar deitada descansando... mas eu prometo que só vou descer para tomar um suco.

Terminei de prender uma mecha do cabelo atrás da orelha, dei uma última olhada no espelho e deixei o quarto.

Os corredores permaneciam silenciosos.

Desci as escadas lentamente, segurando o corrimão por hábito, enquanto observava a luz dourada do fim de tarde atravessar as grandes janelas da mansão. O jardim estava bonito naquela hora do dia, e por um instante pensei em esperar Jacob na varanda, como fazia tantas vezes.

Mas, antes que pudesse chegar ao último degrau, meus passos pararam.

Havia alguém em pé próximo ao pé da escada.

Lucy.

Ela também pareceu surpresa ao me ver.

Durante alguns segundos nenhuma de nós disse uma palavra.

A distância entre nós era pequena, mas suficiente para que o desconforto ocupasse todo o espaço da sala.

Foi a primeira vez, em muitos meses, que Jacob não estava ali para impedir que nossos caminhos se cruzassem.



NARRADO POR RENESMEE

Fiquei alguns segundos parada no último degrau da escada, tentando entender como aquela situação havia acontecido. Durante meses, Jacob fizera de tudo para evitar que nós duas ficássemos frente a frente. Agora, pela primeira vez, estávamos sozinhas dentro daquela casa.

Respirei fundo antes de quebrar o silêncio.

— O que você está fazendo aqui, Lucy?

Ela permaneceu onde estava, mantendo uma expressão tranquila que contrastava com o desconforto que eu sentia.

— Achei que o Jacob estivesse em casa. Passei pelos estábulos e me disseram que ele já tinha voltado para a mansão. Como a porta estava aberta, entrei para esperá-lo.

Desci mais um degrau, mantendo uma distância segura.

— Como você mesma pode ver, meu marido não está.

Assim que pronunciei aquelas palavras, percebi um leve sorriso surgir em seus lábios.

— Você realmente gosta de enfatizar isso, não é?

Inclinei levemente a cabeça.

— O quê?

— Que ele é seu marido.

A resposta veio acompanhada de um sorriso discreto, quase provocador.

— Não precisa me lembrar disso o tempo todo.

Sustentei seu olhar.

— Acho que preciso, sim.

Lucy soltou uma pequena risada e começou a caminhar lentamente pela sala, passando os dedos sobre o encosto de uma das poltronas como se estivesse completamente à vontade naquele ambiente.

— Tudo bem. Nesse caso, vou esperar por ele.

Observei seus movimentos sem dizer nada durante alguns segundos. Eu conhecia aquele jogo. Ela esperava que eu me irritasse, que discutisse ou dissesse alguma coisa da qual pudesse me arrepender depois.

Não lhe daria esse prazer.

Passei a mão sobre minha barriga, respirando profundamente antes de responder.

— Fique à vontade.

Virei-me sem pressa e comecei a subir novamente a escada. Minha intenção era simples. Voltaria para o quarto e esperaria Jacob chegar. Não havia motivo para permanecer ali alimentando uma discussão que não levaria a lugar algum.

Já estava quase alcançando o corredor do andar superior quando ouvi sua voz ecoar pela sala.

— Renesmee.

Parei.

Não por curiosidade.

Mas porque havia algo no tom dela que me fez acreditar que aquela conversa ainda não havia terminado.

— Do que você tem medo?

Continuei de costas por um instante antes de olhar por cima do ombro.

— Medo?

Lucy permanecia no mesmo lugar.

— É.

Ela sorriu de forma quase imperceptível.

— Você subiu tão depressa que parece estar fugindo de mim.

Balancei a cabeça com calma.

— Eu não estou fugindo.

— Não?

— Não.

Minha voz saiu firme.

— E também não tenho medo de você.

Ela me observou por alguns segundos sem responder.

Então começou a subir a escada.

Seus passos eram lentos, mas decididos.

Quando chegou ao patamar onde eu estava, parou a poucos metros de distância. Pela primeira vez desde que nos conhecemos, não havia ninguém entre nós.

Lucy cruzou os braços e sustentou meu olhar.

— Talvez você devesse começar a se acostumar.

Franzi a testa.

— Ao quê?

Ela levou a mão até a própria barriga.

O gesto foi suficiente para que eu entendesse antes mesmo que ela abrisse a boca.

— Ao fato de que, se esse bebê realmente for do Jacob, eu continuarei fazendo parte da vida dele.

Meu peito apertou involuntariamente.

Lucy continuou falando, mas sua voz permanecia controlada, sem qualquer sinal de agressividade.

— O filho que eu espero também será um Black. Se os exames confirmarem isso, Jacob será pai de duas crianças.

Ela fez uma breve pausa antes de concluir.

— E isso significa que minhas visitas a esta casa serão frequentes.

Por mais que eu tivesse repetido inúmeras vezes para mim mesma que aquela possibilidade existia, ouvi-la ser dita em voz alta provocava uma sensação completamente diferente.

Acariciei minha barriga quase por instinto, tentando manter a serenidade que Jacob sempre dizia admirar em mim.

Encarei Lucy por alguns segundos antes de responder.

— Se essa criança for realmente filha do Jacob, eu jamais desejaria que ela crescesse sem o pai.

Minha voz permaneceu calma.

— Mas uma coisa não muda.

Ela arqueou discretamente uma sobrancelha.

— Qual?

Sustentei seu olhar sem elevar o tom.

— Esta continuará sendo a casa da nossa família.

Lucy permaneceu em silêncio e sustentou meu olhar por alguns segundos e, de repente, sorriu de um jeito que me fez entender que aquela conversa estava longe de terminar.

— Nossa família? — repetiu ela, com uma ironia que me incomodou imediatamente. — Você fala como se tivesse certeza de que será a única mulher ligada ao Jacob pelo resto da vida.

Respirei fundo antes de responder. Eu não queria discutir, muito menos transformar aquele fim de tarde em mais um conflito.

— Eu tenho certeza da escolha que ele fez.

Ela soltou uma breve risada.

— Você é muito confiante.

— Não. Apenas conheço meu marido.

Lucy desviou o olhar por um instante e balançou a cabeça.

— Às vezes acho que você é ingênua, Renesmee.

Aquela palavra me atingiu mais do que deveria.

— E eu acho que você está confundindo respeito com ingenuidade.

Ela deu mais um passo em minha direção.

— Respeito? Você realmente acredita que vai conseguir conviver tranquilamente comigo se esse bebê for do Jacob?

Passei a mão sobre minha barriga numa tentativa de controlar o nervosismo que começava a crescer dentro de mim.

— Eu não disse que seria fácil.

— Então admita que isso incomoda você.

— É claro que incomoda.

Minha resposta saiu antes que eu pudesse pensar melhor.

— Sou esposa dele. Estou esperando um filho dele. Não vou fingir que essa situação é simples.

Lucy me observou em silêncio.

— Mas uma coisa é o que eu sinto, outra completamente diferente é a criança que você espera. Se ela realmente for filha do Jacob, não tem culpa de nada.

Ela arqueou uma sobrancelha.

— Você fala bonito.

— Não estou tentando falar bonito.

Dei um passo para trás, encerrando aquela conversa. — Só estou cansada de transformar tudo em uma disputa.

Lucy permaneceu imóvel por alguns segundos. Depois soltou um pequeno suspiro e fez um gesto de quem desistia.

— Talvez você tenha razão.

Virou-se em direção à escada.

— Acho melhor eu ir embora.

Observei enquanto ela começava a descer os primeiros degraus. Ainda sentia o coração acelerado por causa da discussão, mas pelo menos aquilo parecia ter terminado.

Foi então que tudo aconteceu rápido demais.

Lucy pisou no degrau seguinte e, de repente, perdeu o equilíbrio.

Vi seu corpo inclinar para a frente.

— Lucy!

Ela tentou se apoiar no corrimão, mas sua mão deslizou sem conseguir segurá-lo.

Sem pensar, corri em sua direção e estiquei o braço e consegui alcançar seu pulso por um breve instante, senti seus dedos escorregarem entre os meus. Em questão de um segundo Lucy perdeu completamente o equilíbrio e seu corpo começou a despencar pela escada.

— Não!

Meu grito ecoou pela casa enquanto eu tentava alcançá-la outra vez.

Mas já era tarde.

Ela rolou pelos degraus até atingir o piso do hall de entrada e o impacto foi tão forte que meu corpo inteiro congelou.

Durante um instante, fui incapaz de me mover.

— Lucy...

Minha voz saiu quase como um sussurro, despertei do choque e desci a escada o mais rápido que consegui, segurando-me firmemente no corrimão por causa da gravidez. Quando alcancei o último degrau, ajoelhei-me com dificuldade ao lado dela.

Lucy permanecia imóvel e com olhos fechados.

Nenhuma resposta quando chamei seu nome novamente.

Meu coração disparou.

— Lucy... por favor...

Ouvi a porta principal se abrir atrás de mim.

— Senhora Renesmee!

Era Margaret.

Virei-me imediatamente para ela.

— Margaret!

Minha voz saiu trêmula.

— Chame ajuda! Agora!

A empregada olhou para Lucy caída no chão e levou a mão à boca, completamente assustada.

— Meu Deus...

— Vá!

Ela não perdeu mais um segundo.

Saiu correndo da casa enquanto eu permanecia ao lado de Lucy, sem coragem de tocá-la novamente.

Olhei para seu rosto pálido e senti um nó se formar na garganta.

Tudo o que eu conseguia pensar era que, poucos segundos antes, eu havia tentado segurá-la.

E mesmo assim... não tinha conseguido impedir sua queda.