O pai do meu bebê
61 Renesmee
Os dois dias no chalé passaram como se o tempo tivesse decidido nos dar uma trégua. Longe da fazenda, longe das preocupações e de tudo o que vinha nos pressionando, eu tive a sensação de viver algo que nunca tinha experimentado antes. Era leve. Simples. Como se, pela primeira vez, eu pudesse apenas existir sem precisar pensar no que viria depois. Jacob estava diferente ali também. Mais tranquilo, mais presente. E, de alguma forma, isso fazia com que tudo parecesse ainda mais certo.
Acordei na manhã seguinte sentindo algo suave tocar minha pele. Levei alguns segundos para perceber que eram os lábios de Jacob deslizando devagar pelo meu ombro, subindo em direção ao meu pescoço. Um sorriso se formou antes mesmo de eu abrir os olhos. Permaneci imóvel por um instante, apenas aproveitando a sensação, até finalmente virar o rosto na direção dele.
– Bom dia… – murmurei, ainda com a voz baixa, carregada de sono.
Jacob ergueu o olhar para mim, com aquele sorriso que parecia sempre saber exatamente o que estava fazendo.
– Bom dia, meu amor – respondeu ele, aproximando-se um pouco mais.
Foi então que percebi a bandeja apoiada ao lado da cama. O aroma do café recém-passado misturado com o cheiro de pão quente me fez despertar de vez. Apoiei-me um pouco melhor no travesseiro, observando-o com curiosidade.
– Você fez isso?
Ele deu de ombros, com um leve ar de orgulho.
– Fiz o possível.
Soltei uma pequena risada, ainda olhando para a bandeja antes de voltar o olhar para ele.
– Então eu preciso provar.
Antes que eu alcançasse qualquer coisa, Jacob segurou meu rosto com cuidado e me puxou para um beijo. Foi um beijo mais demorado, sem pressa, como se estivéssemos tentando prolongar aquele momento o máximo possível antes de encarar a realidade novamente.
Quando nos afastamos, ele permaneceu próximo, com a testa encostada na minha.
– Nós precisamos voltar para a fazenda hoje – disse, em um tom mais calmo.
Soltei um pequeno suspiro, olhando de relance pela janela antes de voltar a encará-lo.
– Eu ficaria aqui para sempre com você.
Ele sorriu de leve, passando o polegar pela minha bochecha.
– Podemos voltar sempre que você quiser.
A forma como ele disse aquilo fez meu coração aquecer de um jeito simples, mas verdadeiro. Assenti com um pequeno sorriso e puxei a bandeja para mais perto, começando a comer enquanto ele se levantava da cama.
Jacob pegou o celular que estava sobre a mesa e se afastou alguns passos, atendendo a ligação. Eu o observei por um instante, mas logo voltei a atenção para o café. Não consegui ouvir exatamente o que ele dizia, apenas algumas palavras soltas, o suficiente para perceber que era algo relacionado ao trabalho na fazenda.
Ele falava de forma objetiva, como sempre fazia quando estava lidando com responsabilidades. Aquilo me fez sorrir de leve. Era estranho como, em pouco tempo, eu já começava a reconhecer esses detalhes nele.
Continuei comendo enquanto ele caminhava pelo quarto, finalizando a ligação. Quando desligou, voltou a se aproximar de mim, agora com a expressão um pouco mais leve novamente.
– Tudo bem? – perguntei.
– Tudo – respondeu ele. – Nada que não possa esperar.
Apoiei a bandeja ao lado e o observei com atenção.
– Tem certeza?
Ele assentiu, aproximando-se mais.
– Tenho. E, além disso… – fez uma pequena pausa, como se estivesse prestes a revelar algo – você tem outra surpresa esperando por você na casa da fazenda.
Franzi a testa, curiosa.
– Outra?
O sorriso dele voltou, daquele jeito que já me deixava desconfiada.
– Você vai descobrir quando chegarmos.
Revirei os olhos, mas não consegui evitar o sorriso que surgiu logo em seguida.
– Você gosta de fazer isso comigo, não é?
– Você fica ainda mais linda quando está curiosa – ele respondeu sorrindo.
NARRADO POR RENESMEE
O caminho de volta pareceu mais curto do que o da ida, talvez porque minha mente ainda estivesse presa aos momentos que vivemos no chalé. O vento frio tocava meu rosto enquanto eu permanecia acomodada à frente de Jacob, com as costas apoiadas no peito dele, sentindo o movimento constante do cavalo sob nós. Havia uma paz silenciosa dentro de mim, algo que eu não sentia há muito tempo, como se aqueles dois dias tivessem organizado tudo o que antes parecia confuso demais.
Quando nos aproximamos da casa principal, algo diferente chamou minha atenção. Ainda estávamos a alguns metros de distância, mas pude ver dois carros estacionados próximos à varanda. Franzi levemente a testa, tentando reconhecer os detalhes, até que meu coração acelerou de repente.
– Jacob… – murmurei, inclinando um pouco o corpo para frente. – Aquele carro… parece o do meu pai.
Ele não respondeu imediatamente. Apenas diminuiu o ritmo do cavalo e deixou escapar um pequeno sorriso.
Aquilo foi o suficiente para me deixar ainda mais curiosa.
Assim que paramos em frente à casa, Jacob desceu primeiro e, como sempre, estendeu a mão para me ajudar. Eu aceitei, mas meus olhos continuavam voltados para os carros.
– Meus pais estão aqui? – perguntei, ainda surpresa.
Ele assentiu com tranquilidade.
– Essa é uma das surpresas.
Um sorriso largo surgiu no meu rosto antes mesmo que eu percebesse. Sem pensar muito, envolvi Jacob em um abraço rápido, impulsionada pela alegria repentina.
– Eu não acredito…
Ele riu baixo, segurando minha cintura.
– Eles estão lá dentro, esperando por você.
Não precisei ouvir mais nada. Soltei a mão dele e caminhei apressada até a porta, quase correndo. Meu coração batia rápido, não de preocupação, mas de saudade.
Assim que entrei na casa, encontrei exatamente o que ele tinha dito.
Meus pais estavam ali.
Bella estava sentada ao lado de Sarah, enquanto Edward conversava com Billy. No instante em que me viram, ambos se levantaram. Não esperei que dissessem nada. Apenas corri até eles.
– Mãe…
Bella me envolveu nos braços imediatamente, apertando-me com força, como se estivesse tentando recuperar o tempo que ficamos afastadas. Senti o cheiro familiar dela e fechei os olhos por um instante, deixando aquela sensação me acalmar completamente.
– Eu estava com saudade – disse ela, beijando meu cabelo.
Afastei-me um pouco para olhar para Edward, que logo me puxou para um abraço também, mais firme, protetor.
– Está tudo bem filha? – perguntou ele, examinando meu rosto com atenção.
– Está – respondi com um pequeno sorriso. – Agora está.
Ouvi passos atrás de mim e, ao me virar, vi Jacob entrando na sala com a mesma calma de sempre. Ele observou a cena por alguns segundos, com um leve sorriso no rosto, antes de se aproximar.
– Achei que não poderia haver casamento sem os pais da noiva – disse ele, de forma tranquila.
As palavras dele me fizeram congelar por um segundo.
Afastei-me um pouco dos meus pais e olhei para ele, confusa.
– Como assim… casamento?
Jacob manteve o olhar fixo no meu, sem perder a serenidade.
– Nós vamos nos casar hoje.
O silêncio que se seguiu foi imediato e eu senti meu coração acelerar de uma forma completamente diferente.
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