A manhã parecia mais pesada que as outras. Eu desci para a cozinha e encontrei minha mãe passando café, enquanto Antony já estava sentado à mesa devorando uma fatia de bolo de cenoura.

— Até que enfim a bela adormecida apareceu — ele brincou, rindo com a boca cheia.

— Antony… — minha mãe o repreendeu com um olhar, mas depois sorriu para mim. — Bom dia, filha. Quer uma xícara?

— Quero, mãe… obrigada.

— Me sentei devagar, sentindo os olhos dos dois sobre mim.

Antony empurrou o prato de bolo na minha direção.

— Come um pedaço. Você anda sumida e parece que não come direito.

Sorri de leve e peguei um pedacinho, mais para agradar do que por fome. Minha mãe ajeitou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha e falou baixinho: — Estou feliz de te ver aqui conosco, Nessie.

Antes que eu pudesse responder, meu pai entrou. De terno impecável, gravata ajustada, o olhar sério de sempre. Se sentou sem dizer muito e serviu o próprio café.

O clima mudou na hora.

— Bom dia… — murmurei, quase sem coragem de encará-lo.

— Bom dia — ele respondeu seco, bebendo um gole do café.

O silêncio foi sufocante. Eu não queria mais estar ali, com a sensação de julgamento pesando sobre mim.

Empurrei o prato para frente.

— Já terminei. Preciso ir, tô atrasada para a faculdade. Minha mãe me olhou com ternura, como quem queria dizer que entendia. Antony só balançou a cabeça e murmurou:

— Boa aula, maninha. Peguei as chaves e saí.

O carro me esperava na garagem. Liguei o motor e segui pelas ruas de Seattle. O trânsito estava como sempre — buzinas, gente apressada, ônibus lotados. Mas minha mente estava longe dali.

O pedido de casamento de Riley, o peso da gravidez escondida, e a tensão com meu pai giravam como uma tempestade dentro de mim.

Quando cheguei à University of Washington, estacionei e caminhei rápido pelo corredor principal. E foi aí que senti braços fortes me puxarem para um abraço conhecido.

— Achei que fosse fugir de mim de novo — disse Riley, rindo baixinho, encostando o rosto no meu cabelo.

— Eu nunca fugiria de você — respondi, apertando-o de volta, embora a culpa queimasse no meu peito.

Ele me olhou nos olhos, com aquele sorriso que sempre me desmontava.

— Eu tava morrendo de saudade. Você some e eu fico perdido, Ness.

Sorri de canto, tentando disfarçar a dor.

— Eu também senti sua falta.

Ele segurou minha mão, entrelaçando os dedos, e me puxou para caminhar ao lado dele pelos corredores cheios de alunos.

E a cada passo, o peso aumentava. Riley falava sobre aulas, treinos, e planos para o futuro. Eu sorria e respondia. Mas por dentro, um segredo me corroía.

O segredo que ele ainda não fazia ideia. A manhã arrastou-se devagar dentro da sala de Anatomia Humana. O professor falava sobre músculos e inserções com a mesma empolgação de sempre, mas eu mal conseguia acompanhar. Meus olhos fixavam o quadro, mas minha mente estava em outro lugar, perdida entre batimentos cardíacos que não eram só meus e perguntas sem resposta.

Quando finalmente a aula terminou, arrumei meus livros na mochila e me levantei.

— Até amanhã, Nessie! — disse Clara, uma colega de turma, sorrindo de orelha a orelha.

— Até, Clara. Boa tarde! — respondi, tentando soar animada.

Saí da sala e, no corredor, encontrei Riley me esperando, encostado na parede. Ele abriu um sorriso quando me viu, e aquilo fez meu coração disparar de novo, mas por outros motivos.

— Oi, amor — falei, me aproximando. — Vamos almoçar juntos?

Ele ajeitou a alça da mochila e fez uma careta.

— Queria muito, mas hoje tenho treino. O técnico tá pegando pesado, não posso faltar.

Mordi o lábio, tentando esconder a decepção.

— Ah, entendi. Tudo bem. Foi nesse momento que Anna e Rafaela surgiram do outro lado do corredor, como duas rajadas de energia. Minhas primas sempre tinham esse poder de iluminar o ambiente.

— Nessie! — Anna chamou, já me puxando pelo braço. — Vamos almoçar com a gente. Tem um restaurante novo perto do campus, você vai amar!

— É, vem com a gente! — Rafaela completou, sorridente. — Você precisa relaxar um pouco.

Eu ia recusar, porque sabia que estavam pensando que eu já tinha planos com Riley, mas antes que eu abrisse a boca, ele se adiantou.

— Podem levá-la — disse, rindo. — Eu sei que ela adora ficar com vocês. E assim eu não me sinto tão culpado de ir pro treino. Olhei para ele, surpresa.

— Tem certeza?

Ele me abraçou de lado, apertando os dedos na minha cintura de um jeito carinhoso.

— Claro. Vai com elas, aproveita. Eu passo na sua casa mais tarde, tá?

Anna e Rafaela se entreolharam, satisfeitas.

— Viu? Nem seu príncipe encantado se importa. Agora vem com a gente! — Alice falou, puxando minha mão.

Eu ri, meio sem jeito, dividida entre o calor do carinho de Riley e a leveza das minhas primas.

Por fora, parecia um momento simples, leve, como qualquer dia de faculdade. Mas por dentro, cada gesto e cada palavra me lembravam do segredo que eu carregava escondido… um segredo que, mais cedo ou mais tarde, viria à tona. O restaurante que Alice escolheu ficava em Belltown, numa rua charmosa de prédios antigos com fachadas de tijolinhos e cafés lotados. O interior era moderno, cheio de luz natural entrando pelas janelas grandes, com mesas de madeira clara e plantas espalhadas pelos cantos. O cheiro era uma mistura deliciosa de massa fresca e temperos italianos. Nos sentamos perto da janela, e assim que o cardápio chegou, meus olhos foram direto para as massas mais pesadas. Ravioli recheado de carne, lasanha… coisas que normalmente eu evitaria em plena segunda-feira. Mas agora, era como se meu corpo implorasse por aquilo.

Anna me observou, sorrindo de canto.

— Nossa, Nessie, você sempre foi a mais controlada… vai pedir lasanha com extra de queijo?

— Ah… estou com vontade hoje — respondi, tentando soar casual.

Rafaela riu, apoiando o queixo na mão.

— Até parece. Você nunca pede nada pesado.

Fiz questão de dar de ombros e morder o lábio para disfarçar. Elas não sabiam de nada, mas pareciam desconfiar.

Comemos, rimos, falamos de aulas, de moda e até das trapalhadas do Antony no hospital. Eu tentei me distrair, mas a cada garfada sentia que algo em mim estava mudando.

Quando terminamos e saímos do restaurante, o sol da tarde caía entre os prédios, aquecendo o ar fresco. Caminhávamos rindo pelas calçadas quando um cheiro me atingiu em cheio: pastel frito.

Olhei para o outro lado da rua e vi uma pequena pastelaria com uma fila curta. O cheiro de massa frita, queijo e carne me fez engolir em seco.

— Nossa, Nessie! — Anna riu alto. — Eu não sabia que você comia tanto assim!

— É só hoje, eu juro — respondi, rindo também, mas sentindo minhas bochechas queimarem. — Vou só pegar um rapidinho. Não vai demorar.

As duas se entreolharam, ainda sorrindo, e eu atravessei em direção à esquina.

Perfeito, vou continuar essa parte narrada por Renesmee, trazendo bastante detalhe ao restaurante, ao clima com as primas e culminando no momento do quase

O restaurante que Alice escolheu ficava em Belltown, numa rua charmosa de prédios antigos com fachadas de tijolinhos e cafés lotados. O interior era moderno, cheio de luz natural entrando pelas janelas grandes, com mesas de madeira clara e plantas espalhadas pelos cantos. O cheiro era uma mistura deliciosa de massa fresca e temperos italianos.


Nos sentamos perto da janela, e assim que o cardápio chegou, meus olhos foram direto para as massas mais pesadas. Ravioli recheado de carne, lasanha… coisas que normalmente eu evitaria em plena segunda-feira. Mas agora, era como se meu corpo implorasse por aquilo.


Alice me observou, sorrindo de canto.

— Nossa, Nessie, você sempre foi a mais controlada… vai pedir lasanha com extra de queijo?


— Ah… estou com vontade hoje — respondi, tentando soar casual.


Rafaela riu, apoiando o queixo na mão.

— Até parece. Você nunca pede nada pesado.


Fiz questão de dar de ombros e morder o lábio para disfarçar. Elas não sabiam de nada, mas já começavam a notar.


Comemos, rimos, falamos de aulas, de moda e até das trapalhadas do Antony no laboratório. Eu tentei me distrair, mas a cada garfada sentia que algo em mim estava mudando.


Quando terminamos e saímos do restaurante, o sol da tarde caía entre os prédios, aquecendo o ar fresco. Caminhávamos rindo pelas calçadas quando um cheiro me atingiu em cheio: pastel frito.


Olhei para o outro lado da rua e vi uma pequena pastelaria com uma fila curta. O cheiro de massa frita, queijo e carne me fez engolir em seco.


— Nossa, Nessie! — Alice riu alto. — Eu não sabia que você comia tanto assim!


— É só hoje, eu juro — respondi, rindo também, mas sentindo minhas bochechas queimarem. — Vou só pegar um rapidinho. Não vai demorar.


As duas se entreolharam, ainda sorrindo, e eu atravessei em direção à esquina.


Meu celular vibrou no bolso, e ao puxá-lo, meus olhos foram direto para a tela. Não percebi o degrau da calçada nem o barulho dos carros. Desci sem olhar para os lados, distraída, e foi então que tudo aconteceu de uma vez.


Um som agudo de pneus travando. Um farol brilhante invadindo minha visão. Meu corpo travou, e em seguida fui ao chão, caindo sentada no asfalto frio.


O coração parecia explodir no peito.


Uma porta de carro bateu e passos apressados se aproximaram. A voz grave, carregada de urgência, ecoou sobre mim:


— Ei! Você está bem?


Levantei os olhos devagar. Um homem alto, de ombros largos, estava de pé diante de mim. Ele estendeu a mão firme na minha direção, o olhar cheio de preocupação.


Meu mundo parou.