A palavra saiu da minha boca no pior momento possível.

Assim que chamei Renesmee de imatura, percebi o erro. Vi a mudança acontecer no olhar dela. A dor que já estava ali se transformou em algo mais profundo. Mágoa. Decepção.

– Imatura? – ela repetiu, soltando uma risada amarga que me fez sentir ainda pior. – Talvez a Lucy seja mais madura do que eu, não é?

Aquilo me atingiu como um soco.

Antes que eu pudesse responder ou me desculpar, ela se virou e saiu da sala. Vi seu corpo atravessar o ambiente em passos rápidos, ignorando completamente minha presença.

– Nessie, espera! – chamei, já indo atrás dela. – Me escuta!

Mas ela não parou.

Subiu as escadas sem sequer olhar para trás. O desespero começou a crescer dentro de mim. Não era apenas uma discussão de casal. Ela estava grávida, emocionalmente abalada, e eu tinha acabado de piorar tudo.

Subi atrás dela.

Quando cheguei ao quarto, encontrei-a diante do guarda-roupa, puxando roupas sem qualquer cuidado. As mãos tremiam levemente enquanto ela jogava algumas peças sobre a cama.

Meu coração afundou.

Ela realmente pretendia ir embora.

Fechei a porta atrás de mim e girei a chave. Não porque quisesse prendê-la, mas porque precisava impedir que saísse daquela casa sem me ouvir.

– O que você está fazendo? – perguntei, tentando controlar a tensão na minha voz.

Ela nem sequer se virou.

– Vou para Seattle. Com os meus pais.

Ver aquela mulher que eu amava arrumando as malas para me deixar trouxe uma sensação horrível. Como se tudo o que construímos pudesse escapar pelos meus dedos por causa dos erros que eu tinha cometido.

Aproximei-me lentamente.

– Nessie...

Quando ela tentou pegar mais algumas roupas, segurei seu braço com cuidado.

Ela se virou imediatamente.

– Me solta.

Eu não soltei.

Não porque estivesse bravo.

Porque estava com medo.

Medo de vê-la sair daquela porta antes que eu pudesse explicar.

– Você não vai a lugar nenhum.

Ela soltou uma pequena risada incrédula.

– Eu não vou?

– Não assim – respondi com firmeza. – Não fugindo de mim desse jeito.

Ela tentou puxar o braço.

– Isso não é fugir, Jacob. É ter o mínimo de respeito por mim mesma.

As palavras dela doeram porque eu sabia que tinha razão para estar magoada.

– Então me escuta primeiro.

– Eu já ouvi o suficiente! – respondeu, e a voz dela falhou no final da frase. – Eu ouvi que você me escondeu algo enorme... e ainda me chamou de imatura quando eu reagi!

Fechei os olhos por um instante.

Eu merecia aquilo.

Respirei fundo antes de responder.

– Eu errei em não te contar antes.

Foi a primeira vez desde que tudo começou que eu admiti aquilo sem tentar justificar.

– Mas eu não fiz isso para te machucar.

As lágrimas começaram a escorrer pelo rosto dela.

E aquilo foi pior do que qualquer acusação.

– Mas machucou.

Não consegui responder imediatamente.

Porque ela tinha razão.

Eu tinha tentado protegê-la.

E mesmo assim a machuquei.

O silêncio que se instalou entre nós parecia carregar o peso de tudo o que ainda não tinha sido dito.

Por alguns segundos fiquei observando-a em silêncio. Ela parecia dividida entre ir embora e permanecer. E eu me agarrava à esperança de que a parte dela que ainda confiava em mim fosse mais forte.

– Me escuta... por favor.

Dessa vez minha voz saiu diferente.

Sem orgulho.

Sem irritação.

Apenas um pedido.

Ela fechou os olhos por um momento e, quando os abriu novamente, percebi que a raiva ainda estava ali, mas havia espaço para eu falar.

Vi quando ela caminhou até a cama e sentou na beirada.

– Fala.

Aquilo era tudo o que eu precisava.

Aproximei-me devagar, tomando cuidado para não invadir o espaço dela.

– Eu errei em não te contar.

Mantive os olhos nos dela.

– Eu sei disso.

Passei a mão pelos cabelos antes de continuar.

– Quando a Lucy me procurou, ela disse que estava grávida. Mas eu não tive certeza de nada naquele momento.

Ela franziu a testa.

– Como assim?

– O tempo da gravidez importa. Muito. Dependendo da data, eu posso ser o pai... ou não.

Dizer aquilo em voz alta me incomodava mais do que eu gostaria de admitir.

– Então você ainda não sabe? – perguntou ela.

Balancei a cabeça.

– Não com certeza.

Ela desviou o olhar por um instante.

– E você achou melhor guardar isso?

A dor na voz dela me atingiu novamente.

– Eu achei melhor ter certeza antes de te colocar no meio dessa situação.

Respirei fundo.

– Porque, se não fosse meu filho, eu estaria te machucando à toa.

Ela permaneceu em silêncio por alguns segundos.

Então fez a pergunta que eu sabia que viria.

– E o que aconteceu entre vocês?

Por mais desconfortável que fosse, eu não podia mentir.

– Foi antes de eu te conhecer.

A resposta saiu direta.

– Não significou nada além disso. Foi uma noite. Só isso.

Vi a forma como ela baixou os olhos.

Vi o ciúme.

Vi a insegurança.

E odiei ser o motivo daquilo.

– E mesmo assim pode ter sido o suficiente – ela murmurou.

Assenti.

– Pode.

O silêncio voltou.

Mas dessa vez não era um silêncio de raiva.

Era um silêncio de pessoas tentando lidar com uma verdade difícil.

Meu olhar desceu até a mão dela pousada sobre a barriga.

Nosso filho.

O bebê que, há poucos dias, tinha sido o centro de todos os nossos sonhos.

Aproximei-me mais um passo.

– Eu precisava te contar. Eu sei disso.

Ela permaneceu em silêncio.

Respirei fundo.

– Eu sinto muito, amor.

As palavras saíram carregadas de sinceridade.

– Me perdoa. Eu só estava tentando te proteger.

E, naquele momento, eu percebi que não havia mais nada que eu pudesse fazer além de entregar a verdade e esperar que ela acreditasse em mim.

Porque eu nunca tive medo de perder uma discussão.

Mas perder Renesmee...

Aquilo me aterrorizava.


Fiquei observando Renesmee por alguns segundos depois de terminar de falar. A tensão ainda estava ali, eu podia vê-la nos olhos dela, na forma como seus dedos permaneciam entrelaçados sobre o colo, como se estivesse tentando manter o controle das próprias emoções. Mas algo havia mudado.

A muralha que ela havia erguido entre nós já não parecia tão intransponível.

Ela não estava mais tentando fugir.

E isso, naquele momento, era mais do que eu poderia pedir.

Respirei fundo e me aproximei devagar. Quando cheguei perto o suficiente, levei uma das mãos até seu rosto e afastei uma mecha de cabelo que havia caído sobre sua bochecha.

Ela não se afastou.

Aquele pequeno gesto foi suficiente para me dar coragem.

Então a puxei delicadamente para mim.

Renesmee resistiu apenas por um segundo antes de permitir que eu a envolvesse nos braços. Senti seu corpo se acomodar contra o meu peito e fechei os olhos por um instante, absorvendo o alívio que aquela proximidade me trazia. Desde que ela havia descoberto a verdade, eu carregava um medo constante de vê-la se afastar de mim.

Mantive um dos braços ao redor de sua cintura enquanto a outra mão acariciava seus cabelos lentamente.

– Eu ainda estou brava com você – ela murmurou contra minha camisa.

Um sorriso pequeno surgiu em meus lábios.

– Eu sei.

Inclinei a cabeça e deixei um beijo suave sobre seus cabelos.

– E provavelmente vou continuar por algum tempo.

– Eu também sei disso.

Ela soltou um suspiro que fez seu corpo se mover levemente contra o meu. Pela primeira vez desde que aquela discussão começou, senti que ela não estava lutando contra mim.

Estava apenas machucada.

E havia uma diferença enorme entre as duas coisas.

Continuei acariciando seus cabelos enquanto o silêncio se instalava entre nós. Não era um silêncio desconfortável. Era o silêncio de duas pessoas tentando reencontrar o caminho de volta uma para a outra.

Depois de alguns instantes, senti Renesmee se mover.

Ela ergueu lentamente o rosto até me olhar.

Seus olhos ainda estavam vermelhos pelas lágrimas, mas havia algo diferente neles agora. Vulnerabilidade. Amor. Confusão. Tudo ao mesmo tempo.

Por alguns segundos ficamos apenas nos encarando. Então minha mão deslizou até sua nuca. E eu a beijei.

O beijo começou devagar.

Sem urgência.

Sem pressa.

Como se estivéssemos tentando reconstruir algo que havia sido abalado.

Os lábios dela encontraram os meus com uma suavidade que fez meu peito apertar. Fechei os olhos e aprofundei o beijo lentamente, sentindo-a corresponder da mesma forma. Minhas mãos permaneceram firmes em sua cintura enquanto ela se aproximava mais de mim.

Não havia desejo naquele momento. Havia necessidade.

A necessidade de sentir que ainda estávamos ali.

Que ainda éramos nós. Que aquela história não terminaria por causa de um segredo contado tarde demais.

Quando nos afastamos, permaneci com a testa encostada na dela.

Minha respiração estava tão descompassada quanto a dela. Passei o polegar por sua bochecha e sorri de leve.

– Eu amo você.

As palavras saíram sem esforço.

Porque eram a única verdade absoluta que existia em toda aquela confusão.

Os olhos dela se encheram de emoção novamente.

– Eu também amo você.

Ouvir aquilo fez parte do peso que eu carregava desaparecer.

Mas apenas parte.

Porque logo em seguida ela baixou o olhar.

Sua mão deslizou até a barriga, num gesto involuntário.

– Mas eu não consigo evitar... – começou ela, hesitante.

A encarei.

– Não consigo evitar pensar na Lucy.

A dor voltou para sua voz.

– Saber que ela pode estar esperando um filho seu... me incomoda.

Engoli em seco, aquilo era compreensível. Qualquer pessoa sentiria o mesmo.

Aproximei-me mais e segurei suas mãos entre as minhas.

– Eu sei que incomoda.

– Eu tento não sentir ciúmes, mas sinto.

– Eu sei.

Ela desviou o olhar.

– E odeio isso.

Levantei delicadamente seu queixo até que voltasse a me encarar.

– Renesmee, olha para mim.

Ela obedeceu.

– Eu não posso mudar o que aconteceu antes de conhecer você.

Minha voz saiu firme, mas suave. — Não posso apagar uma decisão que tomei no passado.

Passei a mão por seu rosto. – Mas posso escolher o que faço hoje.

Ela permaneceu em silêncio.

– E hoje eu escolho você.

Vi seus olhos brilharem.

– Todos os dias eu vou escolher você.

Inclinei-me e beijei sua testa.

– Então confia em mim.

Ela fechou os olhos por um instante.

– Estou tentando.

– Eu sei.

Puxei-a novamente para meus braços, protegendo-a junto ao meu peito e enquanto a abraçava, fiz uma promessa silenciosa para mim mesmo.

Descobriria toda a verdade sobre a gravidez de Lucy.

Porque Renesmee merecia respostas.

E eu faria o que fosse necessário para consegui-las.