A música preenchia o jardim enquanto a conversa ao meu redor seguia em um ritmo mais tranquilo, quase como se estivéssemos em uma reunião comum, e não no meio de uma festa de casamento. Edward, Emmett, Jasper, Antony e eu estávamos reunidos próximos a uma das mesas, e, como era de se esperar, o assunto tinha chegado aos cavalos.

– Eu ainda acho que você subestima o mercado – disse Emmett, apoiando os braços na mesa, com aquele ar confiante de sempre. – Não é só sobre criação. É investimento.

– Depende da raça – respondi, mantendo o tom calmo. – Nem todas têm o mesmo valor ou a mesma demanda.

Jasper assentiu levemente.

– Ele tem razão – disse, analisando a conversa com atenção. – Algumas linhagens são mais valorizadas, principalmente quando há histórico de competição ou resistência.

Antony, que até então apenas observava, inclinou-se um pouco mais para frente.

– E quais seriam essas raças? – perguntou, curioso. – Porque, se for um bom investimento… eu estou interessado.

Soltei um pequeno sorriso.

– Quartos de milha são os mais procurados por aqui – expliquei. – Resistência, velocidade, facilidade de adaptação… são ideais tanto para trabalho quanto para competição.

Edward cruzou os braços, pensativo.

– E quanto aos árabes? – questionou. – Sempre ouvi dizer que têm um valor alto.

– Têm – respondi. – Mas exigem mais cuidado. São mais sensíveis, mais seletivos. Não é qualquer um que consegue manter uma criação estável.

Emmett soltou uma pequena risada.

– Ou seja, não é para amadores.

– Exatamente – confirmei.

Antony passou a mão no queixo, claramente interessado.

– Ainda assim… parece um negócio promissor.

– É, se for feito do jeito certo – acrescentei. – Não é algo que dá retorno imediato. Leva tempo.

– Tempo a gente tem – disse Emmett, trocando um olhar rápido com Antony. – Dinheiro também.

– Isso me preocupa mais do que tranquiliza – comentei, em tom leve, arrancando algumas risadas.

Enquanto a conversa seguia, meu olhar acabou se desviando por um instante.

Do outro lado do jardim.

Renesmee.

Ela estava sentada com Bella, Esme, suas primas e tias. O grupo estava animado, rindo, completamente envolvido em uma conversa que parecia leve. Mas o que realmente me prendeu não foi isso.

Foram os gestos dela.

A forma como, de vez em quando, a mão dela repousava sobre a barriga, quase de forma inconsciente, como se já estivesse criando um vínculo silencioso com o bebê. O pequeno volume começava a se tornar mais evidente, e vê-la daquela forma… tranquila, sorrindo, pertencendo àquele momento…

Aquilo me trouxe uma sensação de paz que eu não esperava.

Por alguns segundos, eu me perdi ali, apenas observando.

Como se tudo o que eu precisava estivesse exatamente naquele ponto.

Foi então que ela se levantou.

Notei quando ela se despediu do grupo e começou a caminhar em direção à casa. Meu corpo reagiu instintivamente, como se quisesse segui-la, mas me contive. Não havia motivo aparente para preocupação.

Ela apenas precisava de um momento.

Respirei fundo e voltei a atenção para a conversa, tentando retomar o foco.

Edward ainda falava sobre possíveis investimentos, enquanto Emmett e Antony já discutiam valores e possibilidades com um entusiasmo que eu conhecia bem.

Inclinei levemente a cabeça, voltando ao assunto.

– Se vocês realmente estiverem pensando em investir – disse, com mais firmeza agora – então vão precisar de alguém que entenda do negócio.

Emmett sorriu.

– Por acaso você conhece alguém?

Balancei a cabeça, sem esconder o leve sorriso.

– Talvez.


NARRADO POR JACOB

A conversa sobre cavalos já tinha tomado um rumo mais técnico quando Carlisle se aproximou, com aquele olhar atento e sereno que ele sempre mantinha, seguido por Billy, que vinha em sua cadeira, sendo conduzido com tranquilidade até perto de nós. A presença dos dois trouxe um novo peso à conversa, como se, de alguma forma, o assunto pudesse ir além de um simples investimento.

– Estão falando de negócios ou apenas de paixão por cavalos? – perguntou Carlisle, com um leve sorriso.

– Um pouco dos dois – respondeu Edward. – Mas parece que estamos prestes a nos meter em algo maior do que imaginávamos.

Billy soltou um pequeno riso.

– Conhecendo vocês… isso não me surpreende.

A conversa continuou por mais alguns instantes, mas minha atenção já não estava completamente ali. A imagem de Renesmee se afastando em direção à casa ainda permanecia na minha mente, junto com tudo o que Lucy tinha dito mais cedo.

Eu precisava resolver aquilo.

– Com licença – disse, interrompendo o grupo. – Eu preciso falar com a Rebecca.

Edward assentiu de imediato, entendendo que não era apenas um assunto casual.

Afastei-me do grupo e atravessei o jardim até encontrar minha irmã. Rebecca estava conversando com algumas amigas, envolvida em uma conversa animada. Esperei um momento oportuno antes de me aproximar e, sem muita cerimônia, segurei levemente o braço dela, puxando-a com um sorriso.

– Com licença, senhoras… – disse, em tom leve. – Preciso conversar com a obstetra da família.

As mulheres riram na mesma hora, trocando olhares divertidos.

– Vá lá, doutora – disse uma delas. – Parece urgente.

Rebecca revirou os olhos, mas veio comigo, já desconfiada.

– Isso não tem nada de casual, não é? – comentou enquanto caminhávamos pelo jardim, afastando-nos das outras pessoas.

Balancei a cabeça.

– Não.

Ela cruzou os braços, esperando.

– A Lucy… – comecei, escolhendo as palavras com cuidado – disse que está grávida.

Rebecca parou de andar imediatamente, voltando o olhar para mim com atenção redobrada.

– Disse? Ou confirmou?

– Disse – respondi. – E está disposta a fazer um teste de DNA.

Ela ficou em silêncio por um instante, processando a informação.

– E você acha que é seu?

Passei a mão pelo rosto.

– Existe essa possibilidade.

Rebecca respirou fundo, assumindo automaticamente uma postura mais profissional.

– E o que você quer que eu faça?

– Eu preciso que você examine ela – disse, direto. – Preciso saber o tempo de gestação. Isso pode esclarecer muita coisa.

Rebecca franziu levemente a testa.

– Jacob… eu não posso obrigar ninguém a fazer exames.

– Eu sei – respondi, sem hesitar. – Mas essa parte eu resolvo.

Ela me olhou com mais seriedade.

– O que você quer dizer com isso?

– Amanhã, antes de eu ir para Seattle com a Nessie… eu vou convencer a Lucy.

Rebecca manteve o olhar fixo no meu, claramente preocupada.

– Jacob… cuidado com a forma como você faz isso. Essa situação já está delicada demais.

Assenti, mesmo sabendo que não seria simples.

– Eu sei. Mas eu preciso de respostas.

Ela suspirou, ainda relutante.

– Só… vai com calma, está bem? Não toma nenhuma decisão precipitada.

Antes que eu pudesse responder, uma voz nos interrompeu.

– Jacob.

Virei-me e vi Leah se aproximando, com uma expressão que imediatamente me colocou em alerta.

– É melhor você ir até a casa – disse ela, direta.

O tom dela não deixava espaço para dúvidas.

Algo estava errado.


Entrei na casa com passos rápidos, ainda sentindo o peso do aviso de Leah. O som da festa ficou para trás no momento em que atravessei a porta, substituído por um silêncio estranho, quase denso demais para aquele ambiente que, até pouco tempo, estava cheio de vida.

Foi quando eu a vi.

Renesmee estava na sala.

O olhar dela encontrou o meu imediatamente, e não precisei de muito para entender que algo estava errado. Havia tensão na forma como ela se mantinha, na postura rígida, no brilho diferente nos olhos. Não era apenas nervosismo.

Era confronto.

– O que aconteceu? – perguntei, caminhando na direção dela, tentando entender o que tinha acontecido naquele intervalo de tempo.

Ela não respondeu de imediato. Apenas me observou por alguns segundos, como se estivesse medindo cada palavra antes de dizer qualquer coisa.

Então falou.

– É verdade?

A pergunta veio direta, sem rodeios.

Parei a poucos passos dela, sentindo o corpo enrijecer.

– É verdade que a Lucy está grávida… de você?

O silêncio caiu pesado entre nós.

Por um instante, desviei o olhar, buscando Lucy com os olhos. Ela estava ali. E aquilo foi o suficiente para confirmar que a conversa já tinha acontecido sem mim.

– O que você disse a ela? – perguntei, olhando diretamente para Lucy.

– Não foi nada planejado – respondeu ela, tensa. – Ela ouviu a conversa… foi acidental.

Voltei o olhar para Renesmee.

Ela não precisava ouvir mais nada.

– Então é verdade… – disse ela, com a voz mais baixa.

Dei um passo na direção dela.

– Nessie… nós precisamos conversar.

Mas ela se afastou de mim, como se a proximidade fosse demais naquele momento.

A sala começou a se encher novamente. Bella, Edward, Rebecca… todos ali, observando, esperando uma explicação que eu ainda não tinha conseguido dar.

– Eu só quero a verdade – disse Renesmee, agora com mais firmeza, olhando diretamente para mim.

Respirei fundo, passando a mão pelo rosto antes de responder.

– Me escuta… eu vou te explicar.

Ela balançou a cabeça, claramente ferida.

– Explicar o quê, Jacob? – perguntou. – Quando você ia me contar isso?

As palavras dela me atingiram com força.

– Eu estava tentando te poupar disso – respondi, mantendo o controle.

– Poupar? – retrucou ela. – Me esconder a verdade é te poupar, não a mim!

A tensão aumentava a cada segundo.

– Não era o momento! – disse, sentindo a paciência escapar.

– Não era o momento para quem? – rebateu ela, com os olhos marejados. – Porque para mim, esse momento chegou do pior jeito possível!

Fechei os olhos por um instante, tentando me manter firme.

– Você está sendo imatura.

Assim que as palavras saíram, eu soube que tinha piorado tudo.

O olhar dela mudou.

E naquele instante… eu percebi que não era mais só sobre a verdade.

Era sobre a confiança que eu tinha quebrado.