Acordei antes do sol nascer completamente. O quarto ainda estava envolto naquela penumbra suave da manhã, onde tudo parece mais silencioso do que o normal. Por alguns segundos permaneci imóvel, observando Renesmee dormindo ao meu lado. Ela estava deitada de lado, o rosto parcialmente escondido no travesseiro, respirando de forma tranquila. Havia algo naquele momento que me fazia querer congelar o tempo ali mesmo, longe de problemas, longe de decisões difíceis.

Afastei uma mecha de cabelo do rosto dela com cuidado, deslizando os dedos devagar, quase com receio de acordá-la. Mas eu precisava. O dia que eu tinha planejado não podia esperar.

Inclinei-me um pouco mais e beijei de leve a têmpora dela.

– Nessie… – murmurei baixo.

Ela se mexeu um pouco, resmungando algo inaudível, mas não abriu os olhos. Um pequeno sorriso escapou dos meus lábios.

– Renesmee… – tentei novamente, dessa vez um pouco mais próximo do ouvido dela.

Ela soltou um suspiro mais alto e puxou o cobertor para mais perto do rosto.

– Jake… está cedo… – murmurou, claramente contrariada.

Aproximei-me ainda mais, apoiando o peso do corpo no braço para não pressioná-la, e deixei um beijo leve no canto dos lábios dela.

– Eu sei – respondi com um tom calmo. – Mas a gente precisa levantar.

Ela abriu um dos olhos, me encarando com uma mistura de sono e curiosidade.

– Precisa por quê? – perguntou, a voz ainda arrastada.

Cruzei os braços, fingindo um ar misterioso.

– Porque hoje é um dia especial.

Isso pareceu acordá-la um pouco mais. Ela piscou algumas vezes, agora tentando realmente entender o que eu estava dizendo.

– Especial como? – insistiu, já se apoiando levemente no travesseiro.

Dei um pequeno sorriso, satisfeito com a curiosidade dela.

– Você vai descobrir.

Ela franziu a testa.

– Jacob…

– Não – interrompi, segurando o riso. – Sem perguntas. Só confia em mim.

Ela me olhou por alguns segundos, claramente tentando arrancar alguma pista do meu rosto, mas desistiu com um suspiro.

– Você está gostando disso, não está?

Inclinei a cabeça, sem esconder o divertimento.

– Talvez um pouco.

Nessie revirou os olhos, mas o pequeno sorriso no canto dos lábios entregava que ela estava entrando na brincadeira.

Passei a mão pelo braço dela, ajudando-a a se sentar um pouco melhor na cama.

– Só tem uma coisa que você precisa saber – acrescentei. – Se veste bem. Está frio lá fora hoje.

Ela olhou rapidamente para a janela, como se confirmasse aquilo, depois voltou a me encarar.

– Frio quanto?

– Frio o suficiente para você não reclamar depois – respondi.

Ela suspirou, assentindo.

– Tudo bem… eu confio em você.

Aproximei-me mais uma vez e toquei o rosto dela com cuidado, deixando o polegar deslizar pela bochecha.

– Eu sei que confia.

Antes que ela pudesse responder, encostei meus lábios nos dela. O beijo foi calmo, demorado, ainda carregando aquele calor tranquilo da manhã. Ela correspondeu sem pressa, envolvendo meus ombros enquanto se aproximava mais de mim.

Quando nos afastamos, ela já parecia completamente desperta.

E eu sabia que tinha conseguido exatamente o que queria.

Agora… era só levá-la para descobrir o resto.


O ar da manhã estava frio quando saímos da casa, e pude perceber Renesmee encolher levemente os ombros ao sentir o vento tocar seu rosto. Ainda assim, havia um brilho curioso em seus olhos que deixava claro que, mesmo sem saber exatamente o que estava por vir, ela estava animada. Conduzi-a até o estábulo e preparei o cavalo com calma, enquanto ela observava tudo ao redor, ainda se adaptando àquela rotina tão diferente da que estava acostumada.

Ajudei-a a subir primeiro, acomodando-a à frente da sela, e em seguida montei atrás, puxando-a com cuidado para que ficasse apoiada contra o meu peito. Envolvi-a com um dos braços, mantendo as rédeas firmes com a outra mão, garantindo que estivesse segura durante todo o percurso.

– Está confortável? – perguntei, inclinando levemente o rosto em sua direção.

– Creio que sim… – respondeu ela, ajustando-se um pouco. – Apenas não estou habituada a isso ainda.

Sorri discretamente.

– Em breve estará.

Iniciamos o trajeto pela trilha que conduzia às áreas mais elevadas da fazenda. O som ritmado dos cascos do cavalo se misturava ao vento suave e ao canto distante de pássaros. Renesmee parecia absorver cada detalhe ao redor, voltando o rosto de um lado para o outro enquanto observava o campo, as cercas e as árvores.

Logo vieram as perguntas.

– Para onde exatamente estamos indo?

– Ainda estamos dentro da propriedade?

– O senhor costuma passar por este caminho com frequência?

– Este cavalo possui nome?

Não contive um leve riso.

– Uma pergunta de cada vez, Renesmee.

– Estou apenas tentando acompanhar tudo – respondeu ela, com um leve sorriso. – Há muitas coisas novas.

– Sim, ainda estamos dentro da fazenda – expliquei, mantendo o tom calmo. – E, de fato, já percorri este caminho outras vezes.

– E quanto ao cavalo?

– Apollo.

– Apollo? – repetiu ela, demonstrando certa diversão. – Foi o senhor quem escolheu esse nome?

– Não. Ele já chegou com esse nome.

Ela assentiu, como se aquela informação tivesse importância, e permaneceu alguns segundos em silêncio antes de voltar a questionar:

– E quanto tempo ainda falta para chegarmos?

Inclinei levemente a cabeça, permitindo-me um pequeno sorriso.

– Saberá quando chegarmos.

– O senhor está fazendo isso de propósito.

– Estou.

Ela soltou um suspiro discreto, mas logo voltou a sorrir, acomodando-se um pouco mais contra mim enquanto o cavalo prosseguia pela trilha, que agora começava a subir.

A paisagem foi se transformando gradualmente. O campo aberto deu lugar a uma área mais fechada, com árvores mais altas e o ar tornando-se ainda mais frio conforme avançávamos. Renesmee permaneceu em silêncio por alguns minutos, atenta a tudo ao redor, até que finalmente chegamos.

O pequeno chalé surgiu entre as árvores, simples, porém bem cuidado, com uma varanda de madeira voltada para uma vista ampla das montanhas.

Assim que o cavalo parou, senti o corpo de Renesmee se mover levemente, surpresa.

– Jacob… – murmurou ela, olhando ao redor. – O que é isto?

Desci primeiro e estendi a mão para auxiliá-la. Ela aceitou, ainda observando o local como se estivesse assimilando o que via.

– Este… – comecei, aproximando-me um pouco mais – é o nosso refúgio.

Ela voltou o olhar para mim, claramente surpresa.

– Nosso?

Assenti.

– Costumo vir aqui quando preciso refletir… ou quando desejo me afastar de tudo.

Ela voltou a olhar o chalé, visivelmente encantada.

– É um lugar belíssimo.

Sorri ao perceber sua reação.

– E agora… também será seu.

Renesmee levou alguns instantes para processar aquela informação, até que uma nova dúvida surgiu em seu olhar.

– Então viemos apenas para conhecer?

Balancei a cabeça lentamente.

– Não.

Aproximei-me mais, segurando sua mão com firmeza.

– Nós ficaremos aqui.

– Por quanto tempo? – perguntou ela, ainda surpresa.

– Durante todo o final de semana.

Seus olhos se arregalaram levemente.

– Está falando sério?

– Sim.

Observei o sorriso dela crescer aos poucos, misturando surpresa e entusiasmo.

– Jacob…

Inclinei-me um pouco mais, mantendo o olhar fixo no dela.

– Considere isto… uma lua de mel antecipada.

Ela riu suavemente, apoiando a mão em meu braço, ainda assimilando tudo.

E, naquele instante, ao ver aquele sorriso em seu rosto, tive plena certeza de que havia feito a escolha certa.


O dia no chalé passou de uma forma diferente de tudo o que vínhamos vivendo nas últimas semanas. Ali, longe da casa, das conversas tensas e das preocupações que insistiam em nos alcançar, parecia que o tempo desacelerava. Renesmee explorou cada canto do lugar com curiosidade, observando os detalhes, abrindo janelas, caminhando pela pequena varanda como se estivesse tentando guardar tudo na memória. Eu a acompanhei em silêncio por boa parte do tempo, apenas observando, aproveitando aquela tranquilidade rara que tínhamos encontrado.

Conversamos sobre coisas simples, rimos de assuntos sem importância, e por algumas horas foi como se o mundo lá fora simplesmente deixasse de existir. Não havia Heidi, não havia audiência, não havia dúvidas sobre o futuro. Existia apenas nós dois… e o que estávamos construindo juntos.

Quando a noite chegou, o frio aumentou um pouco, mas o céu estava limpo. As estrelas se espalhavam acima de nós com uma clareza que dificilmente se via na cidade. Levamos uma rede até a área externa do chalé, entre duas árvores, e nos acomodamos ali. Renesmee ficou deitada com as costas apoiadas em mim, enquanto eu mantinha um dos braços ao redor dela, sustentando seu corpo com cuidado.

O silêncio daquele lugar não era incômodo. Era confortável.

Fiquei observando o céu por alguns minutos antes de voltar a atenção para ela. Minha mão repousava sobre o ventre dela, e, quase sem perceber, comecei a acariciar de leve o pequeno volume que já começava a se formar. Era um gesto simples, mas carregado de significado.

– Já pensou em nomes? – perguntou ela, quebrando o silêncio de forma suave.

Inclinei um pouco o rosto na direção dela.

– Alguns.

Ela se ajeitou levemente contra mim, curiosa.

– E não pretende me contar?

Deixei escapar um leve sorriso.

– Pretendo… mas queria ouvir os seus primeiro.

Ela soltou um pequeno suspiro, como se já esperasse aquela resposta.

– Eu andei pensando em alguns também – disse, com a voz tranquila. – Mas não sei se combinam com… tudo isso.

– Tudo isso? – repeti.

– Com a nossa história – respondeu ela, depois de um breve silêncio. – Não é exatamente… comum.

Soltei uma leve risada.

– Isso é um fato.

Ela virou o rosto levemente, o suficiente para me olhar de lado.

– Eu pensei em nomes mais simples – continuou. – Algo que tenha significado, mas que não seja pesado demais.

– Como quais? – perguntei, interessado.

Ela demorou alguns segundos antes de responder, como se estivesse organizando as ideias.

– Eu gosto de nomes que tragam uma sensação de calma… de recomeço.

Assenti lentamente, absorvendo o que ela dizia enquanto minha mão continuava a deslizar suavemente sobre a barriga dela.

– Isso faz sentido – murmurei.

Ela permaneceu em silêncio por um momento, olhando novamente para o céu.

– E você? – perguntou. – Pensou em algo específico?

Respirei fundo antes de responder.

– Eu pensei em nomes que representem força.

Ela sorriu levemente.

– Isso também combina.

Ficamos em silêncio novamente, mas dessa vez era um silêncio diferente, mais cheio de significado. Eu continuava acariciando o ventre dela, ainda me acostumando com a ideia de que ali estava alguém que dependia de nós dois.

– É estranho… – disse ela de repente.

– O quê?

– Pensar que, daqui a alguns meses, ele vai estar aqui com a gente.

Olhei para o céu por um instante antes de responder.

– Não é estranho… é real.

Ela não respondeu, apenas se acomodou um pouco mais contra mim.

Aproximei meu rosto do dela, deixando um beijo leve em sua têmpora. Ela virou-se levemente, encontrando meu olhar na penumbra iluminada pelas estrelas. Não havia pressa naquele momento, nem tensão.

Apenas proximidade.

Inclinei-me um pouco mais, encostando meus lábios nos dela em um beijo lento, tranquilo, como se estivéssemos selando aquele instante longe de tudo o que ainda nos esperava.