O pai do meu bebê
5 Jacob
Fiquei parado, encarando Heidi como se tivesse ouvido um absurdo.
— Grávida? — repeti, rindo sem humor. — Isso é impossível, Heidi. Estamos tentando há quatro anos, quatro! Se não conseguimos até agora, não vai ser de repente assim.
Ela desviou o olhar, mordendo o lábio inferior, nervosa.
— Espera… — continuei, a voz firme, quase um rosnado. — O que você foi fazer em Seattle há dois meses? Não foi uma simples consulta de rotina, não é?
O silêncio dela disse tudo.
— Responde, Heidi! — bati com a mão na mesa, fazendo as garrafas sobre ela tremerem.
Ela respirou fundo, com os olhos marejados.
— Eu estava desesperada, Jacob. Você estava se afastando de mim… Eu tive medo de te perder. Pensei que… que se tivéssemos um filho, as coisas mudariam.
Minha raiva ferveu.
— Você fez a inseminação sem a minha autorização? — avancei um passo, incrédulo. — Heidi, isso é a nossa vida, o nosso casamento! Você não tinha o direito!
— Eu só queria salvar a gente… — murmurou, mas sua voz se perdeu quando bati a mão contra a parede.
O barulho atraiu gente. A porta se abriu de repente e minha mãe, Sarah, entrou seguida de Rachel, Rebecca e meu pai, Billy, que ainda estava de cadeira de rodas, mas tinha os olhos cheios de firmeza.
— Jacob! — minha mãe se aproximou rápido, tentando tocar meu braço. — Filho, calma.
— Calma? — olhei para todos, com a respiração descompassada. — Ela mexeu na minha vida pelas minhas costas! Decidiu por nós dois, como se eu não tivesse voz nenhuma!
Rachel segurou meu ombro, tentando me trazer de volta.
— Jake, não resolve gritar. Vamos respirar, ouvir…
Rebecca, que até então não falara nada, olhou para a irmã com um misto de choque e decepção.
— Heidi… me diz que não é verdade.
Heidi baixou o olhar, derrotada. O silêncio dela foi a confirmação.
Meu pai pigarreou, sua voz firme mesmo na fragilidade da idade.
— Filho, eu entendo sua revolta, mas agora precisamos pensar com a cabeça. Se houve um erro nesse processo, todos vão sair machucados. Inclusive você.
Eu fechei os punhos, o coração batendo descompassado. Sabia que eles estavam certos. Mas a verdade era que nada poderia apagar a sensação de traição que ardia dentro de mim.
O sangue fervia nas minhas veias. Caminhei de um lado para o outro, sentindo meu peito arder, até que não aguentei mais.
— Ela fez a inseminação sem a minha autorização! — gritei, encarando todos. — E você, Rebecca… — virei o olhar para minha irmã — como pôde ajudar a Heidi a agir pelas minhas costas?
Rebecca ergueu o queixo, séria.
— Jacob, eu acreditei que você sabia. Ela levou documentos assinados. Você mesmo assinou os papéis!
— Eu assinei?! — interrompi, furioso. — Se está insinuando que eu dei aval, vou te dizer uma coisa: posso denunciar você por ter permitido isso. É antiético, é crime!
Minha mãe, Sarah, correu até mim, tentando segurar meu braço.
— Jacob, por favor, não fale assim com a sua irmã! Você está nervoso demais para pensar com clareza.
Olhei para ela, ainda respirando fundo, mas não conseguia ceder. Minha própria família tinha virado contra mim.
Heidi deu um passo à frente, o rosto endurecido.
— Já está feito, Jacob. Se você quiser brigar, brigue comigo. Eu só preciso esperar os exames confirmarem a gravidez.
Rebecca suspirou fundo, cruzando os braços.
— Heidi… chega. — A voz dela saiu firme, como um corte. — Você não está grávida.
O silêncio caiu como uma bomba. Eu a encarei, confuso, e Heidi arregalou os olhos, balançando a cabeça.
— Como assim… não? — ela sussurrou. — Eu… eu senti…
— Você não está grávida — repetiu Rebecca, sem vacilar. — E eu posso provar.
Minha respiração travou. O chão pareceu escapar sob meus pés. A raiva deu lugar a uma sensação estranha, uma mistura de incredulidade e medo.
Heidi me olhou, perdida, como se tivesse levado um soco no estômago.
E eu só conseguia pensar: se ela não estava grávida… então o que diabos tinha acontecido naquele hospital? Heidi arregalou os olhos e deu um passo em direção à minha irmã.
— Como assim eu não estou grávida? — a voz dela tremeu. — Eu fiz o procedimento! Estava lá, senti, passei por tudo…
Rebecca manteve a calma, mas sua firmeza cortava como gelo.
— Heidi, eu tenho certeza. Não houve inseminação em você.
— Não… não pode ser! — ela balançava a cabeça, a respiração acelerada. — Eu entrei na sala, deitei, me prepararam… você está mentindo!
Eu, por minha vez, me sentia cada vez mais perdido. Passei as mãos no rosto, tentando juntar os pedaços.
— Espera aí. Então houve ou não houve procedimento? — perguntei, minha voz soando mais rouca do que eu queria.
Rebecca respirou fundo, fechou os olhos por um instante, e quando voltou a nos encarar, sua expressão estava séria demais.
— Jake, é melhor você se acalmar… é melhor todos se sentarem. Porque eu tenho uma bomba para soltar.
Rachel puxou uma cadeira, minha mãe apoiou a mão no braço do meu pai, que parecia cada vez mais desconfortável com o rumo da conversa. Eu mesmo só conseguia sentir o coração socando contra o peito.
Rebecca apoiou as mãos na mesa, como se precisasse se firmar.
— Houve um erro. Um equívoco nos prontuários. Heidi, você não foi inseminada.
Por um instante, senti um peso imenso sair das minhas costas. O ar entrou no meu peito com mais facilidade, como se tivesse finalmente espaço para respirar.
— Graças a Deus… — murmurei, quase sem perceber.
Mas antes que eu pudesse absorver esse alívio, Rebecca continuou:
— Heidi não foi inseminada… mas outra mulher foi.
O silêncio caiu como uma pancada. Olhei para ela, tentando processar. Heidi levou a mão à boca, e até meu pai, que raramente se deixava abalar, pareceu petrificado.
E, no fundo do meu peito, uma sensação estranha começou a se formar. Uma mistura de medo e presságio.
Rebecca respirou fundo antes de continuar. Eu conhecia bem aquele olhar — o de quando ela sabia que estava prestes a destruir o chão sob nossos pés.
— No mesmo dia em que atendi a Heidi — começou devagar — eu também tinha consulta marcada com outra paciente. Renesmee Cullen… filha de Edward Cullen, o dono do hospital.
O nome fez todos na sala trocarem olhares. Eu franzi a testa, confuso.
— E o que essa garota tem a ver com tudo isso?
Rebecca umedeceu os lábios, hesitando.
— Há dois dias, Renesmee descobriu que estava grávida. Mas… ela alegava que era impossível. Inclusive disse isso diante dos pais.
Meu coração disparou, uma pressão estranha no peito.
— Impossível como? — perguntei, a voz saindo mais dura do que eu pretendia.
— Porque ela jura que nunca esteve com ninguém — Rebecca disse sem rodeios. — Então investiguei. Voltei aos registros daquele dia. E foi aí que descobri: houve uma troca de prontuários. O material destinado a Heidi… foi usado em Renesmee.
O mundo parou.
Eu fiquei olhando para ela, tentando processar. Minha respiração falhou. Minha mãe levou a mão ao peito, Rachel prendeu o ar, e Heidi simplesmente empalideceu, como se tivesse visto um fantasma.
— Espera… — minha voz saiu baixa, quase um sussurro. — Você tá me dizendo que… que outra mulher… espera um filho meu?
Rebecca me encarou firme, sem desviar.
— Sim, Jacob. Uma mulher que você nunca viu na vida.
Por um instante, o silêncio reinou. Eu só ouvia o som do sangue pulsando nos meus ouvidos. A cerveja, a festa, as vozes do lado de fora… tudo parecia distante.
E então, pela primeira vez em muito tempo, eu não soube o que fazer.
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