O país secreto.

22 Reencontro-os.


Notas iniciais
Oii, desculpem a demora, é que a internet têm estado horripilantemente horrível.

Depois de uma caminhada chata e exaustiva, chegamos a nosso destino. Eu, como sempre, vou direto para o riacho pegar água e ele, caçar o que comer. Como já disse, não me importo de ficar sozinha. Nessas duas semanas, tenho feito isso com mais frequência. Na realidade, até gosto. Me dá tempo para pensar. Afinal de contas, quando se chora debaixo d'água, ninguém pode ver. Larm deve estar certo. Estou carregando mais peso do que posso suportar. Sinto que mais cedo ou mais tarde serei obrigada a deixar tudo para trás. Não posso continuar aqui, como se nada estivesse acontecendo. Devo ir ao resgate de meus primos, de meus irmãos e até mesmo... Bem, Liam não tem muita importância, e talvez...

Minha mão vai instintivamente para minha boca. É verdade, Liam deve estar morto. Não gosto de pensar assim. Não posso. E além do mais, ainda devo pensar em Amélia, por mais que a odeie. Ela também pode ter sido morta. E Júnior. E meus parentes também. Todos.

Abaixo-me para encher a garrafa, sentindo as lágrimas pinicarem meus olhos.

–Eles estão vivos, Emma.- Sussurro para mim mesma, balançando a cabeça.- Arismir não vai matá-los. Não vai.

Mas o pensamento é vago demais, até para mim mesma acreditar. Hoje, especialmente, amanheci com uma depressão incontrolável. Juro que poderia, a qualquer momento, pular no riacho e me matar afogada.

Teoricamente impossível. Digo a mim mesma.

Quando acabo de encher a garrafa e a colocar sobre o solo úmido, uma coisa chama minha atenção. Folhas farfalham atrás de mim, e isso me faz virar o pescoço bruscamente. Meu olhar, agora bem mais atento, vasculha o local, mas nada vejo de diferente.

E para piorar, está enlouquecendo. Sacudo a cabeça, me levantando e pegando a garrafa.

Dou dois passos na direção oposta ao riacho. Não vou tomar banho aqui hoje. Minha imaginação até pode estar pregando uma peça em mim, mas uma parte mais racional do meu cérebro diz para me afastar. Pode haver algum animal perigoso a espreita. Não estou em um paraíso, foi o que dissera Arismir. Talvez, a coisa mais sensata que ele disse em anos.

Quando vou dar o terceiro passo, me detenho. O farfalhar, novamente. Minha respiração começa a pesar, e agora estou com medo. Em meu peito, o coração chacoalha. Tento executar meu poder, mas não consigo concentração o suficiente. O barulho se repete e giro nos tornozelos, procurando o que o causara.

–Já estamos procurando há horas!- Uma voz, não muito longe, diz.

Humanos. É só o que consigo pensar. A voz é masculina, então talvez eu devesse procurar Larm. Mas não vou.

–Não seja idiota, não podemos parar um só instante.- Uma vozinha fina e feminina diz.- A morte se aproxima, tá sabendo?

–Não me trate assim, não tenho culpa.- A voz masculina diz, bem magoado. Eles estão bem perto, agora.

–Querem calar a porcaria da boca?- Uma outra voz, masculina também, diz irritado.

Meu coração acelera mais. Eu conheço essas vozes.

–Talvez, se vocês fossem...- A menina abre caminho entre as folhas, e agora posso vê-la. As palavras vão sumindo em seus lábios e dando lugar a um sorriso animado. Um dos meninos aparece à sua esquerda. E o outro, à direita.

Silêncio. A perplexidade e a alegria é tanta que nem sabemos o que fazer. Começo a rir, aliviada, com lágrimas de emoção soltando-se de meus olhos. Estão diante de mim, Hellena, Liam e Stive- ou a versão bem mais magra deles.- Estão vivos!

–Emma...- Stive mal pode conter a animação. Ele caminha até mim, com um sorriso de orelha a orelha.

–Emma!- Hellena vem correndo em minha direção e se joga em meu pescoço. Está chorando, mas de felicidade. Cambaleamos para trás e quando estamos bem próximas do riacho, quase caindo dentro dele, ela me solta.

–Lena, Lena, você está bem? Você está com fome? Sede?- Digo, segurando-a pelo ombro, falando tudo de uma vez só, estudando-a com os olhos.- E você, Stive? Parece tão magrinho... Bom, isso você sempre foi, mas e essas olheiras aí?

Me aproximo dele, afastando um de seus cachos ruivos de sua testa. Ele me abraça, muito forte, e meus pés se desprendem do chão.

–Eu pensei...- Sua voz falha.- Achei que estivesse morta.

–Eu poderia estar se...

–Meu amor, dá só uma olhada- Larm aparece, concentrado demais em sua caça, que é um esquilo horroroso com a pelagem acinzentada e que parece ter passado a vida inteira numa lata de lixo. Ele já me apresentara aquilo antes, mas do nome eu nem me lembrava mais. Stive me põe no chão e sai do abraço. Todas as atenções estão voltadas para Larm, agora.- Foi o que consegui para hoje. Jumbro. Lembra-se dele não... é.

Ele junta as sobrancelhas quando nota, por fim, a presença dos recém-chegados.

–Jumbro?- Vejo Hellena cruzar os braços sobre o peito e arquear as sobrancelhas.

–Meu amor?- Repete Stive, ciumento.

–Que bicho horroroso.- Conclui Liam, com cara de nojo, referindo-se ao Jumbro.

Não posso evitar um sorriso.

–Quem são?- Ele aponta a harpa de Hellena a Stive e depois a Liam.

–Meu irmão e minha prima e... meu amigo.- Digo.

–É seu namorado?- Hellena pergunta, sem mais delongas, erguendo o queixo em direção a Larm.

–Não.- retruco.- É só o cara que salvou minha vida.

–Agradeço por isso.- Diz Stive, secamente.

–Você é uma gracinha, sabia?- Ela se aproxima de Larm e dá um empurrãozinho em seu ombro.

–Sabia.- Ele diz, lentamente, com as sobrancelhas ainda juntas.

Ficamos os cinco em silêncio. Stive, Liam e Hellena bebem um pouco da água do riacho e depois se sentam no chão, à margem.

Larm e eu ficamos mais afastados.

–Doquo vai gostar de saber que mais dois de seus netos estão vivos, não acha?- Diz Larm para mim e balanço a cabeça em concordância.

–Estou tão alegre que nem sei como reagir.- Digo, sorrindo animadamente.

–Aja normalmente.- Ele dá de ombros.- Os conhece a anos. A propósito, seu irmão não parece ter gostado de mim.

–Ele é legal, só está com ciúmes.- Digo, rindo.- É meu irmão mais velho. Isso é normal.

–Mas não há motivos para isso.- Ele diz, ressentido.- Sou seu amigo, apenas. Seu herói, na verdade.

–Exato.- Pondero.- Agora, se me der licença.

Me aproximo de meus queridos parentes e do meu, não tão querido assim, “conhecido”. Minha única ligação com meu mundo. A chegada deles, causou em mim uma alegria muito intensa. Mas como vieram parar aqui? Arismir não pode tê-los libertado assim, tão fácil. E agora, noto como estão abatidos. Principalmente Stive. É como se tivesse presenciado um assassinato. E talvez tenha sido mesmo isso. A ideia me entristece, então a deixo de lado. Quando Hellena resolve pular no lago, Liam some por entre as árvores da floresta e fico sozinha com meu irmão, decido perguntar.

–Stive, o que está acontecendo?

Ele desvia o olhar para as mãos.

–Todos estão vivos ainda, Emma.- Ele diz, como se tivesse lido meus pensamentos.- Mas...

Ele cobre o rosto com as mãos.

–Stive...- Puxo suas mãos de seu rosto e vejo seus olhos marejarem. Apesar dos dezoito anos, Stive sempre fora muito sentimental.

–Eles não vão aguentar.- Sua voz está abafada e ele aperta minhas mãos com força.- Ela não vai... Arismir têm usado nossas fraquezas contra nós. Ele nos obriga, Emma. E... Mandou Dianna para lá. Para o castelo. E descobriu minha fraqueza e a usou contra mim. Me recusei a usar meus poderes e ele a chicoteou na minha frente, Emma. Eu fui obrigado a ver aquilo. Queria libertá-la, mas estava amarrado. A cada chicoteada, um grito dela e meu. Foi horrível... ela não vai aguentar...

–Espere, está me confundindo.- Inspiro para me concentrar.- Ele chicoteou Dianna?

–Não, não, ele não fez isso. Dianna está no castelo.- Ele sacode a cabeça.- Chicoteou Myafa.

Minha surpresa está estampada em minha face. Como assim? A fraqueza de meu irmão é ver Myafa sofrer?

–Desde quando se importa com Myafa?- Pergunto.

Ele franze o cenho, magoado.

–Você sumiu por mais ou menos vinte e dois dias. Não tinha como saber que eu amo Myafa.- Ele diz.

–Você o quê?- Ergo as sobrancelhas. E como assim vinte e dois dias? Em meus cálculos, não sumira por mais que dezesseis. Por quanto tempo eu tinha ficado desacordada, quando Arismir me enviou para cá, pelo portal? Aí que está. Eu não faço ideia.

–Emma, pare de me deprimir ainda mais!- Ele reclama.

–Falando de Myafa?- Hellena aparece atrás dele, ainda dentro do riacho, se segurando na margem.- Acredita que os dois se beijaram na minha frente? Juro que não merecia ter visto a cena.

Stive cora e se levanta dali, afastando-se de nós. Hellena dá uma risadinha, mas permaneço séria e perplexa demais.

–Os próprios pai e irmão chicotearam-na? Que coisa horrível.- Digo, penalizada.

–Eu disse que aquele baixinho não era flor que se cheirasse.- Diz Hellena.- Mas e se eu te contasse que a patricinha da Amélia virou escrava, você acreditaria?

Escrava? Então está viva. Mas receio que não seja por muito tempo.

–Lena... O que usaram contra você, para te forçarem a usar os poderes?

Seu sorriso some rapidamente. Seu olhar agora está vazio.

–Confusão.- Ela diz, sombria.- É um poder que acabou caindo em mãos erradas.

Birc. Primeiro, eu achei que era um poder inocente. Mas agora vejo que não é bem isso. Que é um meio de tortura.

–A voz de Luize me perturba. Sons e gemidos atordoantes. Birc teria me enlouquecido, se não fosse por Myafa. Nem andar direito ela não conseguia, mas fez um esforço. Nos salvou. E então, beijou Stive.

–Myafa, novamente.- Digo, baixinho.

Adquiri uma admiração enorme por ela. Primeiro, salvou o cara que futuramente salvaria minha vida. E agora, salvou dois de meus entes amados e Liam, que embora eu não suporte, não gostaria de saber que havia morrido de forma cruel. Queria tanto retribuir, mas temo que isso nunca acontecerá.

Notas finais
Bjos, anjinhos, postarei o próximo assim que conseguir. Eu sei que esse cap. não ficou muito bom, perdoem-me por isso. É a falta de tempo que faz isso rsrs. Corrijam-me se algo estiver errado, por favor.