O país secreto.

12 Birc invade meus pensamentos


Notas iniciais
Bom, obrigado pelos comentários. Desculpem se, nesse capitulo, minha eu exagerei na hora de imaginar.

No outro dia, bem de manhãzinha, me levantei cedo para o tal do trinamento. Assim que saio do quarto, levo um susto com Birc, parado à porta com aqueles grandes olhos completamente dourados.

–Você está atrasada.- Ele diz, torcendo um nariz de uma forma esquisita.

–Como assim? Ainda nem está claro direito!- Digo, irritada.

Birc usa um macacão cinza bem engraçado, confesso, e seus cabelos verdes parecem nunca terem visto uma escova.

–Exato.- Ele segura meu braço mas eu o puxo bruscamente da mão dele.- Era pra estar acordada antes do dia ameaçar clarear.

–Então me dá um tempo para trocar de roupa.- Digo girando os olhos.

Entro no quarto e vou até uma cadeira. Sobre ela, se encontram algumas das roupas que Myafa me emprestou. Ela teve de dividir suas roupas com quatro meninas, o que deve ter sido difícil.

Visto uma blusinha roxa que cabe perfeitamente em mim, e uma jardineira patética cor-de-rosa. Me sinto de volta aos cinco anos de idade, quando minha mãe me enfeitava igual à um poodle rosa.

Minha mãe. Suspiro com a lembrança dela.

Saio do quarto já arrumada, mas com os pés no chão. Birc me olha maravilhado, e resisto ao impulso de virar-lhe a mão na cara.

Ele caminha comigo até a tal da sala de treinamento, que fica em um porão. Quando desço as escadas, percebo que todos, inclusive Liam e Amélia estão lá.

O lugar é espaçoso, e incrivelmente limpo. Não é arredondado como o resto da casa, mas tem um formato cubico normal. E as cores não são tão chamativas. Está completamente vazio, com exceção das pessoas.

Avalio cada um dos presentes.

Dianna está sentada no chão, roendo as unhas. Parece a menos enfeitada dentre todos, com uma blusa verde e um short amarelo. Hellena, parece querer enfiar a cabeça dentro da terra de vergonha, afinal, seu vestido com as cores do arco-íris não é lá muito discreto. Todos os meninos estão usando macacões ridículos que deveriam ser de Birc e resisto ao impulso de cair na gargalhada com a figura de meu irmão Will usando um macacão amarelo com um sol sorridente estampado. Ele está dez vezes mais patético que o próprio Birc. Amélia e Liam estão largados em um canto, vestidos ambos de laranja, e parecem esperar o espetáculo começar. Não sei que espetáculo.

Sento-me entre Stive, cujo macacão é vermelho sangue e Dianna.

–Sugiro uma meditação.- Myafa diz. Ela está usando um vestido cor de fogo, e sua cabeleira verde combina perfeitamente com as sandálias da mesma cor.

–Como assim?- Pergunta Stive.

–Se concentrem.- Explica Birc, ao lado da irmã.

–Acreditem que são capazes de controlar seus poderes, para que eles aflorem.- Completa Myafra.-Birc vai ajudar vocês.

–Por que ele?- Pergunta Hellena indignada.

–Porque sou capaz de penetrar sua mente.- Ele diz.- E passar informações para ela.

O observo boquiaberta, mas Hellena apenas cai na gargalhada. Seu riso vai se perdendo aos poucos, quando Birc começa a encará-la, e seus olhos a ficarem mais brilhantes.

–Okay.- Hellena diz, e posso jurar que o que Birc acaba de fazer foi mandar uma mensagem para a mente dela.

–Fechem seus olhos.- Diz Myafa.

Obedecemos.

–Agora não ousem abri-los. Nem espiar.- Myafa alerta.

Com os olhos fechados, penso em tudo o que me ocorreu até aqui, nos meus pais, na minha vida. Então é como se estivesse dormindo e sonhando. Uma lembrança me vem à cabeça: Eu na barraquinha naquela noite chuvosa, ouvindo Stive contar a história, agarradas à Annabely e Hellena, ambas tremendo de medo das trovoadas, mas de repente, alguém entra na barraca todo molhado por conta da chuva, com os cabelos verdes pingando e os olhos inteiramente dourados brilhando.

“Se concentre. Esqueça suas lembranças.” Birc diz, puxando Annabely dos meus braços. De repente a lembrança se desintegra, e agora estamos apenas Birc e eu, andando no meio de uma densa escuridão. Só o que vejo dele, são seus olhos dourados.

“Você pode controlar seus poderes?” Ele pergunta, ou melhor, seus olhos flutuantes perguntam.

Continuo caminhando, como se ele fosse uma mera sombra. Aquilo tudo é como um sonho. Melhor, como um coma.

“Você pode controlar seus poderes?” Repete, insistente.

Começo a chorar, o que é algo sem o menor sentido.

“Você é capaz de controlar seus dons?” Ele diz com uma voz monstruosa, que me faz estremecer e chorar ainda mais.

“Sou.” Digo em meio a choradeira. “Eu posso controlar meus poderes!”

A cena desaparece, e acordo do transe.

Sou a única com olhos abertos. Myafa, Liam e Amélia me olham assustados. Birc está, agora, virado para Dianna. Meus olhos estão inundados e suo como nunca suei antes.

Não entendo o por que dos olhares assustados. Então baixo os olhos para meus dedos que estão dormentes e me assusto com o que vejo.

Minhas mãos pegam fogo.

Notas finais
Caso qualquer coisa esteja errada, me avisem para que eu mude, obrigado.