Notas iniciais
Olá, estou de volta, obrigado pelos comentários! Amo vcs!

Naquele dia, mais tarde, Will acordou. Ele está tão perdido quanto eu. Não, está mais perdido que eu. Quando ele viu Myafa pela primeira vez, com aqueles olhos inteiramente prateados, gritou como uma menininha. Hellena me fez jurar que não esqueceria aquilo nunca. Stive e o babaca do Liam, pelo contrario, ficam babando toda vez que veem ela. Dianna até mesmo colocou um balde aos pés de Stive naquela tarde mesmo, dizendo que seria muito constrangedor ter que limpar a baba dele do chão, então que babasse no balde, já que ela e eu temos ajudado Myafa com as tarefas domésticas.

Agora de noite, como Will já está de pé, Arismir nos reuniu na sala, que é bem ampla e redonda, com três poltronas, de modo que sete de nós tivemos de nos acomodar no tapete, que, desconfio eu, é feito da pele de algum animal que não conheço. Talvez seja o tal do Kirq que Myafa havia me dito.

Arismir está sentado na poltrona do meio, e Birc à sua esquerda. Myafa insistiu para que um de nós se sentasse em seu lugar, mas todos negamos, alegando estarmos confortáveis onde estamos.

Estou sentada entre Will e Dianna. Arismir pigarreia antes de dar início à história.

–Primeiro, eu gostaria de perguntar como vieram parar aqui.- Ele diz, num tom tão sombrio que chega a dar medo.

–Curiosidade, senhor.- Diz Amélia.- Coincidência.

–Não, minha jovem.- Ele balança a cabeça.- Coincidências não existem.

Ele está me assustando falando desse jeito. Será que ele quer me matar como, afirmara Myafa, ele faz com Kirqs?

–Ele quer saber onde o portal apareceu para vocês.- Diz Birc.

–Numa casa velha, por que?- Diz Hellena, rápido demais.

A julgar pela forma que Stive olha para fora, pela janela constantemente, eu diria que ele já está considerando a ideia de fugir.

Birc e Myafa ficam boquiabertos com a resposta de Hellena.

–O velho portal...- Murmura Birc.

–Não, o portal não é velho.- Diz Will.- A casa que é.

–Agora fala logo a droga da história, que eu não tenho a noite inteira.- Hellena diz mal humorada.

Arismir, como sempre, ignora o comentário dela.

–Olha, só não se apavorem.- Diz Birc, o que me faz apavorar instantaneamente.

–Há muitos anos atrás havia um rei que mandava em tudo isso aqui.- Diz o velho se levantando e indo até a janela.- Dotado de poderes especiais, como todos os moradores desse pais, porém mais forte. Muito mais. O lugar era lindo, divino! As casas viviam em paz absoluta.

–Hm, senhor.- Will o interrompe.- Se todos do país tem poderes, então qual é o de vocês três?

–Isso não vem ao caso.- Diz Arismir, afim de continuar a história.- O rei daqui era forte, indestrutível. Mas nem tanto assim. Sua esposa, mãe de seus filhos, não teve pena dele nem das crianças quando se aliou ao principal rival do rei. Ele era forte também, e com a aliança com a esposa do rei, se tornou mais forte que ele. O rei fez o máximo para proteger as crianças das mãos dele, mas só houve uma solução: Mandá-las para o mundo de onde vocês vieram. Ele conjurou o portal no porão de sua casa, pois tinha forças suficientes para isso, e as mandou para longe.

–E... o rei morreu?- Pergunta Dianna, comovida com a história, observando o velho parado de frenta para a janela.

–E é aí que está o perigo. Ele não morreu.- Diz o velho se virando para nós.- Ele se isolou de todos para se fortalecer e tomar seu lugar no reino.

Minha cabeça está girando. O que nós temos a ver com essa história? Um rei... filhos mandados para o nosso mundo... Então sinto um arrepio percorrer minha espinha. E se...

–Senhor, quantos filhos eram?- Pergunto desconfiada.

–Não sei. Há boatos que sejam três, outros que sejam dois, mas não se sabe ao certo.- Ele diz e me levanto um pouco nervosa.

–E... qual era o nome do rei?- Pergunta Dianna, que parece tão incomodada quanto eu.

–Doquo.- Ele diz, se virando para mim sombrio.- Doquo Bouringor.

Meu coração dispara e todos os que estão sentados se levantam, tão apavorados quanto eu.

–O que isso quer dizer?- Will pergunta apavorado, me abraçando.

–Quer dizer que os filhos do rei são seus pais. Vocês são primos, não é mesmo? Quer dizer que o principal rival do rei, Vindre, o que tomou seu trono e agora governa, deixando nosso país em ruínas, chamou vocês aqui, podem ver?- Sua voz está alterada, e seus olhos normais na medida do possível. Agarro-me a Will, sentindo meus olhos marejarem.- Ele quer que vocês, netos do rei, dotados de uma magia tremenda, se unam a ele!

–Eu quero ir embora.- Choraminga Will.

–Ele está com seus primos e irmãos!

Até Myafa e Birc parecem apavorados.

Silêncio. O velho se acalma um pouco e torna a se sentar em sua poltrona.

–O que vamos fazer?- Pergunta Dianna, pálida de susto. Ainda não soltei meu irmão, e nem soltarei tão cedo.

–Primeiro descubram seu dom.- Diz o velho controlando a voz.- Depois começarão a jornada para resgatar seus parentes.

Acho que metade de nós está choramingando, inclusive eu.

–Se preparem meus jovens.- Ele sorri estranhamente.- A aventura começou.

Notas finais
Bjs, desculpem pela escrita, é que hoje eu estou bem destraida