O outro lado do clichê

12 12 - Procura-se emprego


Notas iniciais
Olá queridos leitores! *-* Gente do céu, eu fiquei com certeza chocada, muito animada, dando pulos, com o presente divino da Mih Lima. É sério, belissima surpresa. Principalmente por saber que acha a minha história original, pois sempre me preocupei com esse ponto. Ainda por gostar tanto ao ponto de reservar um tempo para recomendar a minha fic, por isso resolvi postar o capítulo de heroina primeiro que as minhas outras história em 2016. Como foi o ano novo? Conte-me. Eu passei na beira-mar. Muito obrigada a Senhorita Foxface, Lua obscura (no primeiro) e butterfly por comentarem no anterior. Realmente muito me deixa contente mesmo. Significa demais para mim. Aos leitores novos sejam bem vindos, muito me agradou por darem crédito a história, assim como agradeço muito a Fox por sempre acompanhar-me nessa caminhada. Agradeço a Mih Lima por favoritar e Gabi Angel por acompanhar. Realmente adorei demais por saber que mais pessoas deram atenção a minha história. Espero que gostem, pois faço para vocês.

Capítulo doze

Procura-se emprego

“Ser feliz é encontrar força no perdão, esperanças nas batalhas, segurança no palco do medo, amor nos desencontros. É agradecer a Deus a cada minuto pelo milagre da vida.”

(Fernando Pessoa)

Ele ficava me olhando, ainda ajoelhado, e esperando com ansiedade pela minha resposta. Seu sorriso, apesar de fazer com que meu coração disparasse bastante, em nada me deixava mais contente.

Sem falar das pessoas que já começavam a nos rodear.

— Está de brincadeira comigo? — estava realmente irritada com o que disse.

— Não, eu percebi o quanto é maravilhosa, principalmente quando tomou a frente por mim. Se não fosse por você eu não ia fazer as pazes com meu amigo. Por isso acho que te amo e quero muito ter você ao meu lado Audrey. Posso me levantar? — declarou enquanto continuava a me encarar.

“É bonito apenas. Nada mais.” Repetia para mim mesma.

— Logan, você não está confundindo amor com gratidão? Aliás, quero deixar bem claro que fiz pelo Evan, não por ti! — não respondi nada quanto a posição, mas mesmo antes de terminar já estava sentado.

Mirava-me ao negar com a cabeça o que tanto dizia.

— Eu gosto muito de ti, porém só agora notei. Nada do que disse muda o quanto meu coração está batendo por ti ou o quanto sinto vontade de te beijar. Você quer namorar comigo Audrey Campbell? — fez de novo aquela pergunta.

Péssima hora.

— Cala a boca. — esbravejei.

Vi com meus próprios olhos a hora em que os seus ficaram um pouco marejados, fazendo com que as mínimas pessoas que estavam no local fizessem cara feia para mim.

— O quê? — com certeza ficou surpreso com o que disse.

Eu sei, provavelmente gosto dele, mas em nada muda o fato de que ficou com a Catherine, tentou me agarrar e ainda contou ao delegado sobre o que ocorreu. Ainda assim teve a coragem de fazer esse pedido na frente de todos, sendo que se me conhecesse realmente teria o realizado particularmente.

— Vamos para fora. — sussurrei.

Sim, claramente confesso que eu deixei metade do meu sanduiche para ir embora. Sabe o que é isso? É ter a certeza de que me arrependerei e vou querer me matar daqui umas horas.

Só que sem antes do meu possível suicídio o Smith pagou a conta, o que acarretou em mais uma nova rodada de fulminadas por parte dos funcionários do lugar.

— Sente-se aqui. — disse ao bater no assento ao lado do pequeno banco.

Cabiam apenas duas pessoas ali.

— O que tem na cabeça? — comecei.

Neste instante me fitou firmemente, pegando em minha mão e massageá-la com delicadeza em seguida.

— Você. — respondeu-me sem hesitar.

— Não é verdade, pois se me respeitasse e me conhecesse o bastante não teria dito para os policiais sobre o que aconteceu sem a minha permissão. Se tivesse apreço por mim não teria brincado com meus sentimentos ao tentar me beijar quando há pouco tempo quase fui assassinada. E principalmente, não ia pedir na frente de todos quando eu nem sequer te perdoei ainda. — expliquei.

Em seu olhar estava descrito o arrependido.

— Mas se der uma chance posso mostrar que eu muito te valorizo. — pediu.

— Se fosse uns dias atrás talvez aceitasse, mas agora nem pensar nisso quero. — segredei, deixando-o mais chateado ainda.

Por isso mesmo ele entrou dentro do carro e nada disse quando estávamos indo em direção à delegacia, não sem antes me parar quando estava saindo e pronunciar algo que eu não poderia prometer.

— Por favor, lembre-se do que eu falei, com carinho. — murmurou.

— Não é o momento. — disse com sinceridade e frieza.

Sem nem esperar que respondesse passei em direção a porta e conversei com os que estavam no lugar, parando em uma sala bem iluminada. E atrás do gabinete se encontrava um homem sério, com roupa básica e que cruzou os braços quando sentei na cadeira a sua frente.

— É Audrey Campbell? — comentou.

— Sim. — e para comprovar passei a minha carteira de identidade.

Ficou olhando o computador, para depois me fitar com uma expressão mais suavizada. Só que dava de notar que aparentava estar mais triste também.

— Logan Smith contou que estavam em uma balada antes do ocorrido. É verdade? — iniciou.

— Correto. — confirmei.

— Onde? — seu rosto me assustava um pouco, mas não passava perto do horror que sentia ao ficar perto de James Carter.

— Na casa de um colega da escola, mas não sei o nome dele.

— Em que local foi abordado pelo suspeito? — quis saber.

— Sabe dizer que horas eram aproximadamente? — a questão fez-me voltar ao terrível passado.

— Mais ou menos duas quadras da casa onde estava festejando. — expliquei.

“Já passou das dez, tem de dormir.”

Era o que James dizia para que fosse até meu quarto e tentasse a todo o custo me estuprar. É claro que passou a mão em minha intimidade, no entanto nada que chegasse a penetração – porque eu fugia antes desse momento. Só que era como se eu tivesse sido violada, pois a cada momento lembrava daqueles cinco meses que estive no mesmo teto que ele.

— 2h40. — em um tom baixo, porém sabia que tinha escutado ao ver o escrivão continuar a teclar após eu falar.

— Ele estava te seguindo?

— Sim. — meu nervosismo não deixava-me esclarecer mais.

— Conte-me o que aconteceu depois. — pediu.

— Quando estava há duas quadras da minha casa eu resolvi parar em um beco para que não soubesse o meu endereço, pois em uma outra vez já me perseguiu. — cortou meu depoimento antes da próxima parte.

— Desculpe-me interromper, mas quando isso ocorreu? Por acaso nos avisou? — quis saber.

— Foi há três semanas. Eu liguei para a polícia anonimamente quando já não corria perigo e o prenderam, mas ele fugiu. — depus.

— Agora compreendo. Pode continuar a relatar o que ocorreu ontem. — pediu.

— Alguém me puxou pelo braço e eu pensei que era ele e fiquei desesperada, mas por sorte Logan me encontrou antes. Se não tivesse ficado preocupado e me seguido não sei se sairia viva, pois quando o homem nos achou e me atacou com uma faca o meu colega deu um soco nele. Depois disso ele chamou a polícia ao notar que estava inconsciente e vocês vieram. — confessei.

— Então esse curativo é por causa do corte? — disse.

— Isso. — tirei e revelei o minúsculo machucado.

— Mas por que acha que ele estava tentando te matar? Porque poderia ter tentado te atacar para roubá-la. — quis saber.

— O que irei falar pode ficar em segredo? — propus.

— Vai ficar em sigilo. — declarou.

— Há três anos meu pai morreu, sendo que quase um ano depois minha mãe apresentou-me seu namorado. Era James Carter. No começo comportou-se de maneira educada, mesmo que suas tatuagens e a sua expressão sempre irritada me fizesse ter medo dele na primeira vez que o vi. Com o tempo as coisas pioraram, ele começou a visitar meu quarto e passar a mão em mim, tentando me estuprar. — interrompeu-me nesse instante.

— Tinha quantos anos na época? — quis saber.

— 14 anos. — respondi.

Digitou algo e fitou-me novamente em seguida.

— Mas ele não está enquadrado pelo artigo 213, §1º do CP. — parecia realmente surpreso.

— Eu não o denunciei. — sussurrei.

— Por quê? — seu rosto denunciava o quanto sentia raiva do caso.

— Tive vergonha, mas agora não posso mais esconder o que fez. — declarei enquanto lágrimas desciam pelo meu rosto.

— Então continue. — praticamente implorou.

— Quando minha mãe tentava intervir ou fazia algo que gostava batia nela, sendo que eu também apanhava quando negava fazer sexo com ele e não conseguia fugir. Como era viciado em drogas passou a ter dividas com os traficantes, tendo de vender maconha e obrigava a minha mãe a se prostituir ao ameaçar que ia matar a nós duas. Se eu não tivesse denunciado ao conselho tutelar o que acontecia nem teria sido preso há dois anos. O meu ex padrasto soube disso e quer se vingar de mim. — expliquei sem nem titubear.

Escondi meu trauma, mesmo que estivesse tremendo e chorando copiosamente apenas por ter de contar e relembrar o fato que me fez ter várias noites de pesadelo.

— Vejo que em nada diz sobre a ameaça que fez para que sua mãe se prostituisse. É crime mesmo também. — declarou.

— Agora acredita que ele quer me assassinar? Estou liberada? — saber que aquele demônio estava perto de mim, preso na cadeia do lugar, me fazia querer sair dali o mais rápido possível.

— Está com medo dele?

— Sim. — fui sincera, pois fazer-me de valentona não era necessário nesse instante.

— Então irei exigir uma prisão preventiva e, se for solto, medidas protetivas urgentes para se afastar de você e sua mãe. Tudo bem? — sua palavra definitivamente confortou-me, mesmo que pouco.

— Obrigada.

— Mas peço que passe na perícia para fazer um laudo a respeito da agressão. Pelo jeito esse sujeito terá uma lista imensa.

Fiquei contente pelo que ouvi da autoridade. Só que quando fui para a casa com o Logan e vi que só o melhor que tínhamos para o jantar desde quando eu entrei no ensino médio seria o ovo, miojo ou aquela bolacha salgada eu decidi que teria de começar a trabalhar.

— Filha, abre a porta. — sua ordem foi atendida prontamente.

Até porque ainda sentia-se tonta.

— Cadê os nossos R$200,00? — disse um casal, entrando no lar em seguida.

— Por acaso é um roubo? — gritei.

— Não, apenas estamos cobrando por duas horas de serviço.

Dever não ia de jeito nenhum. Meu estomago embrulhava por tudo que ocorreu por conta do mínimo dinheiro que tínhamos com aquelas dividas de drogas. Sorte a nossa foi que os traficantes apenas cobravam dele.

— Tenham um bom proveito. — disse sem ânimo antes que saíssem aos pulos.

E lá se foi o dinheiro que restava.

— Vou fazer um miojo a carbonara sem bacon e queijo. — e riu de sua própria fala.

— Pelo menos tem cebola, pimenta moída e creme de leite. — com uma falsa animação eu comentei.

— Desculpe-me por dificilmente termos algo bom para comer.

— Feijão, arroz e carne eu nunca mais vi nessa casa, mas pelo menos um sanduiche consigo depois da escola. — confessei.

— Daqui a pouco vai ficar gorda. Pelo menos suas amigas te acompanham? — fez um sermão.

Em pensamento tirei o plural e dei um sorriso pela mentira ser mais pequena dessa vez. Até porque tenho a amizade da doce e popular Catherine.

— Sim. — respondi em alto e bom som.

O silêncio me fez presente, fazendo-me pronunciar meu desejo.

— Vou trabalhar. — declarei.

— Você sabe que não precisa.

— Não? Eu esperei muito para que cumpra sua promessa de parar de beber, de não contratar mais garotos de programa, de economizar dinheiro para termos uma alimentação mais descente. Sendo que no final do mês nem ovo terá mais, só biscoito e suco em pó. — briguei.

— Tudo bem, desde que fale-me onde é e o horário antes de começar o emprego. — declarou.

— Com certeza. — dei aquele sorriso fraco e fui até o meu quarto.

Procurei uma roupa descente e coloquei no cômodo, para depois comer um pouco e deitar-me. Mesmo sendo cedo eu não tinha mais vontade de ficar vendo filme com a mãe ou ouvir suas lamentações.

Usei a internet do vizinho para ver minhas redes sociais, recendo umas mensagens no celular quando o liguei. Até porque tinha o deixado inativo ao entrar na delegacia.

“Desculpe-me e tenha uma boa noite. Sonhe comigo.” – Logan.

Rolei os olhos e passei para o outro recado.

“Por acaso é amiga da Roberta e eu não sabia?” – Evan.

Eu ri com essa frase.

“Sim. Minha outra identidade é de uma aluna linda e popular, cheia de amigos. Você até deu em cima de mim um dia, mas não dei bola.” – Audrey.

Não aguento, tenho de ironizar.

“É a Catherine?” – Evan.

Sempre tem de falar nela.

“Não. Nem quero mais brincar.” – Audrey.

Vi em um grupo que estavam procurando funcionário para entregar panfleto em um parque e no mesmo momento passei o número particularmente para o dono da postagem.

“Logan também não quis mais, ficou conversando sobre ti o dia inteiro. Até me contou que te pediu em namoro e recusou. É verdade?” – Evan.

O sono estava me consumindo por isso apenas respondi um "sim" e fechei os olhos. Só que o pior de tudo é que tive um pesadelo de que o Carter veio atrás de mim e ficou passando a mão pelo meu corpo, tirando minha roupa, enquanto eu estava petrificada e não conseguia me mexer.

Acordei antes da parte final e gritei tanto que minha mãe veio rapidamente, sabendo na hora o que havia acontecido. Tive de tomar água e dormir com ela, sendo que apenas assim eu poderia ter sonhos.

Sim, meus caros, infelizmente com o Smith.

Notas finais
E ai? Que acharam? Sei que foi muito grande a parte da delegacia, mas achei importante destacar. Será necessário depois os detalhes, pelo que planejo, claro. A imagem não é minha, se tiver erros desculpem-me (dando uma de Logan kkkkk). Quem quer comentar que nem a linda da Mih Lima? Ela me deu um lindo de presente de final e começo de ano. Realmente muito me deixou contente. E é claro que ficarei muito feliz se comentarem e darem a opinião. O que acham que vai acontecer, do capítulo, o que estiver ruim na escrita, no enredo. Enfim, não custa nada recordar por aqui do quanto estão me motivando. Obrigada, até a próxima, beijos.