Notas iniciais
História curtinha, espero que vocês gostem. Serão apenas dois capitulos.

| POV GINA |

Chega a ser uma piada a quantidade de vezes que eu e minha mãe nos mudamos, e ela fala “essa vai ser a última, eu prometo”. A promessa dela tem tanto valor, que já estamos na terceira cidade em menos de um ano. O mais engraçado de tudo isso, é que ela continua insistindo que eu preciso fazer amigos. Para que? Se já, já eu vou embora. Prefiro não me apegar.

Como sempre, era noite tínhamos acabado de chegar na casa nova. Bem bonita por sinal. Fico me perguntando como minha mãe conseguia ter dinheiro para tantas mudanças, mas, sinceramente, preferia nem saber. Cada um com seus problemas. E o meu problema no momento se chamava: primeiro dia de aula, ou melhor, terceiro primeiro dia de aula, já que essa era a terceira escola em menos de 12 meses.

Estávamos tirando as coisas do carro, quando sinto alguém me olhando. Me viro e olho em volta, mas nada. Minha mãe olha para mim e ri.

— O que foi? — pergunto desconfiada.

— Nada... Sobe logo com as suas coisas e deixa que o resto eu levo. Você precisa estar descansada para a sua aula amanhã.

— Ok. — Respondo desanimada pegando minha mochila e minha mala. Como já éramos expert em mudanças, eu tinha poucas coisas, justamente para não ter que enfrentar todo o peso das eternas arrumações. Eu já estava entrando em casa, quando o sentimento de um olhar em mim me incomoda novamente. Me viro correndo olhando na direção da outra casa, e vejo uma cortina balançando. Eu estava cansada demais e estava ficando doida, ou realmente tinha alguém me espiando?

— Que ótimo, mal cheguei e já tem um vizinho stalker. – Bufo e entro em casa. Decido que iria olhar a casa no dia seguinte, então vou direto para onde seria o meu quarto. Jogo tudo no chão, tomo um banho rápido e me jogo na cama pronta para dormir.

— Força, Ginevra, você consegue. – Mentalizo para mim e logo em seguida caio no sono.

| POV LUNA |

Eu estava na sala lendo um livro quando ouço barulho de carro estacionando. Aquela rua era sempre muito silenciosa, por isso fico curiosa sobre quem seria aquela hora, ainda mais que a casa da frente estava vazia. Coloco meu livro de lado e me ajoelho no sofá para poder olhar pela janela. Vejo uma menina ruiva de costas e uma moça gordinha, que provavelmente deveria ser a sua mãe. Eu não estava nem a 1 minuto na janela, quando a moça me vê e sorri para mim, eu logo me escondo morrendo de vergonha.

— Que ótimo, agora a vizinha vai achar que você é uma estranha, assim como todo mundo acha. – Pego o travesseiro e coloco na minha cara, dando um pequeno grito abafado. Tiro o travesseiro e respiro fundo. – Não vou mais olhar. – Decido. Mas logo a curiosidade fala mais alto novamente, e eu enfio a cabeça na janela de novo. Dessa vez a menina ruiva já estava quase entrando na casa, quando ela se vira e por questões de segundos não me vê. Fecho a janela correndo me jogando no sofá. Meu coração acelerado. Eu não sabia dizer se era pelo fato de eu quase ter sido pega ou se era pelo fato da menina ser absurdamente linda.

Pego meu livro e resolvo ir deitar-me, já que amanhã era dia de escola e eu não queria me atrasar. Eu sempre tentava chegar primeiro que todo mundo na sala, para não ser o centro das atenções, porque todas as vezes que eu entrava e já estavam todos lá, ouvia piadinhas do tipo “a doidinha chegou” “como foi a viagem do mundo da lua até aqui?” “veio de foguete hoje, lunática”. Suspiro fundo ao lembrar daquelas coisas e aperto meu livro contra meu peito.

— Está tudo bem, Luna, você é uma pessoa especial. — Mentalizo aquilo para mim, e vou para a cama deitar. Não demoro muito e apago em um lindo sonho.

| POV GINA |

Acordo calmamente e me espreguiço. Por um momento esqueço que dia era, e só quando me dou conta que meu despertador ainda não tinha tocado, é que olho para o lado e vejo que o despertador não estava ali.

— Merda! — grito dando um salto da cama. Ontem quando chegamos, esqueci de tirar ele da mochila e de colocar o celular para despertar. Tomo um banho correndo, pois já estava atrasada para escola mesmo, então pelo menos não chegaria fedida. Faço tudo as pressas e quando desço, encontro minha mãe na cozinha fazendo o café.

— Bom dia, cenourinha! – minha mãe fala com um sorriso enorme no rosto, empurrando o prato com waffles para mim e um suco de laranja. Eu bebo o suco todo em uma golada e enfio um waffle na boca, pegando o outro e saindo com ele na mão.

— Obrigada por me acordar, hein! — Reclamo e dou um beijo nela corrido, me apressando para sair de casa logo. Pego minha bicicleta e para a minha sorte a escola não era tão longe assim. Chego lá, prendo a bike e sigo procurando a minha sala. 1A. Paro em frente a porta e respiro fundo a empurrando. Na hora em que eu entro, a sala inteira fica em silêncio e a professora para de falar, virando em minha direção. Sua aparência era severa, porém, para minha surpresa, sua voz era gentil.

— Oh, olá! Você deve ser a senhora Weasley, estou certa? Eu sou a professora McGonagall — Era uma mulher alta de cabelos grisalhos preso em um coque. Eu aceno com a cabeça concordando e provavelmente meu rosto estava da dor de meus cabelos: vermelho. A professora olha para a sua frente, passando os olhos pela sala. — Ali! Sente ali, por gentileza – ela me indica uma cadeira vazia ao lado de um lindo menino. Vou caminhando o mais rápido que posso até a cadeira, mas sem parecer desesperada, e sento ali sentindo todos os olhares sobre mim. O menino ao meu lado ri baixo e eu me viro para o olhar.

— Bem vinda, novata. – O sorriso do garoto era absurdamente encantador e eu me perco ali por alguns segundos. – Eu sou Dino Thomas. – Ele me estende a mão em um cumprimento e eu retribuo, a segurando brevemente.

— Obrigada, Dino! — sorrio gentil e me ajeito, pois, a aula já tinha voltado a acontecer. Todos estavam virados na direção da professora e ninguém mais parecia prender o olhar em mim, ou era o que eu pensava, até ouvir um barulho no fundo da sala e ver um monte de lápis voar no chão.

| POV LUNA |

Ah não, a vizinha é da minha sala. Bom, ela não me olhou com cara feia, então provavelmente não deve ter me visto na janela ontem e se assustado com isso. Mas, nossa, como ela era bonita. Mordo meu lábio quando a vejo sentando ao lado do Dino e ele lhe dando aquele sorriso enorme. Droga, como eu poderia competir com Dino Thomas? Ele além de gato, é absurdamente legal. Quer dizer, pelo menos de todos os idiotas dessa turma, ele é o único que não me trata mal. Eu estava tão distraída olhando para a ruiva, que esbarrei no meu estojo derrubando todos os lápis de cores no chão.

— Droga. — Sussurro baixinho, já abaixando a cabeça, sabendo o que vinha a seguir.

— Novamente desenhando em minha aula, senhorita Lovegood? Quantas vezes eu tenho que te dizer que a hora da minha aula não é para isso. Direção, agora. — a professora manda, eu obedeço. Junto meu caderno e minha mochila, e saio da sala de cabeça baixa. Eu odiava chamar atenção, mas eu era um desastre ambulante e sempre acabava atraindo olhares.

Enquanto vou passando até a porta, ouço os cochichos, mas quando já estava do lado de fora pronta para a fechar, levanto a cabeça e meus olhos se encontram com a ruiva, que parecia me olhar curiosa. Meu coração acelera e eu fecho a porta correndo. Para a minha sorte o corredor estava vazio, então vou andando calmamente até a sala do diretor. Não tinha ninguém na mesa do lado de fora, então bato na porta e ouço ele mandando eu entrar.

— A senhorita novamente... – o velho diretor Dumbledore, por trás de seus óculos de meia lua, me lança um olhar fraternal seguido por um sorriso — Colocando a imaginação no papel na aula da professora McGonagall, imagino eu. Sento-me na cadeira e me encolho um pouquinho, sem graça.

— Sim, diretor. Me desculpe, é só que... a minha cabeça parece sempre um grande caos, e quando está insuportável, a única forma que eu consigo aliviar é colocando ideias no papel e...

— Querida... — diretor se inclina para frente na mesa e coloca a mão sobre a minha, gentilmente. – Você não precisa me explicar nada. Quantas vezes você já veio para cá e tivemos essa mesma conversa? Eu te entendo, está tudo bem. Só não mergulhe em seus sonhos e esqueça de viver. — Ele sorri e solta a minha mão, ajeitando o seu óculos meia-lua. O diretor Dumbledore tinha sempre essas palavras sábias que ficavam soltas pelo ar, assim como seus cumpridos cabelos brancos. Não me surpreenderia se, por acaso, eu viesse a descobrir que ele era um bruxo – agora vá respirar um pouco lá fora, o dia está lindo.

Sorrio tímida agradecendo, pego minhas coisas e saio, conforme ele tinha mandado. Eu só poderia voltar quando a aula da professora Minerva acabasse, e em seguida teria o intervalo, então era bastante tempo para eu ficar no jardim. Eu gostava daquele espaço, porque quase ninguém ia, então sentia como se fosse o meu cantinho particular. Tiro meu caderno da bolsa e volto a desenhar o que não saia do meu pensamento desde a noite anterior: aquele cabelo ruivo.

Notas finais
Obrigada por lerem! Beijos.