Notas iniciais
preparem o tum-tum .q

SKYE

– E então o que fazemos aqui ? – questionou, sentando-se numa poltrona e observando a sala oval na qual estavam. Era um escritório para lá de incomum, até porque tiveram que passar por uma parede falsa para adentrarem o mesmo.

– O que você acha ? – ele rebateu, friamente. Não a encarara desde o “incidente” na enfermaria.

– Não acho que você vá me matar – respondeu sinceramente, sentindo os primeiros indícios de que seu analgésico estava perdendo o efeito.

– Isso você tem razão, farei algo bem melhor – ele respondeu, enfim olhando-a, ele não parecia bravo, desapontado definiria melhor sua feição – Quando Raina chegar aqui, eu te darei a ela, em retorno, ela matará todos seus amigos e me dará novamente meu complexo – completou sem emoção.

– Por que ela faria isso ? Seria bem mais simples apenas te matar, do que matar mais de trinta agentes – pontuou de forma inteligente, sem se abalar pela ameaça que o homem a fizera. Estava impressionada com a forma que estava conseguindo manter seus poderes sobre controle, não fizera nada tremer em mais de doze horas, seu novo recorde.

– Porque Raina irá me querer como um aliado, nossos objetivos acabaram de convergir – riu, apoiando a mão metálica sobre a mesa de mogno, tilintando o dedo sobre a mesma.

– O que me guia para minha próxima pergunta, como você espera me fazer cooperar com esse plano bizarro ? – indagou, genuinamente curiosa.

O homem sorriu mais largamente, era algo macabro que a deu uma pontada de medo, mas não deixou que ele notasse – O que você faria ? Usaria seus poderes ? – perguntou com sarcasmo e gargalhou alto – Já lidei com muitos da sua laia para me precaver contra isso – anunciou, com certa fúria – Essa sala usa da mesma tecnologia das celas nas quais seus amigos estão, aqui dentro não existem Inumanos, vocês não passam de meros mortais – finalizou e ficou a apreciar a cara de choque da jovem.

Engoliu um seco, realmente não contava com aquele detalhe. Tentou fazer as coisas tremerem, para comprovar se o que ele falava era verdade e, infelizmente, sim. Definitivamente era a pessoa mais azarada do mundo.

KATHERINE E JIAYING

– Skye é muito especial – a chinesa tentou iniciar uma conversa com Kate. Sem muito sucesso, já que Pryde decidira odiá-la.

– Eu sei – respondeu sem muita paciência. Recebia instruções de qual lado tomar de Mark ou Eric, vai saber. May tinha um micro rastreador, e se guiavam através disso, mas antes iriam passar na academia, resgatar os dois gênios.

– Mas você parece brava toda vez que alguém menciona o nome dela – a chinesa pontuou, com certa perspicácia – Por que ? – Jiaying estava tentando analisar Katherine, embora já tivesse tido bons indícios da personalidade dela; Katherine amava Skye, mas era instável, controladora e se culpava por tudo que acontecera na vida da menina.

– Pensei que você fosse a “protetora”, não uma maldita psiquiatra – retrucou com rispidez.

Óbvio, o sarcasmo Skye pegara dela. A chinesa decidiu respeitar o espaço da mulher e parar de fazer perguntas, até porque tinha a impressão de que Kate não iria respondê-las.

Entraram na academia e ela parecia deserta.

– Fitz-Simmons – Kate falou, tendo seu eco a reverberar pelo local.

– Aqui – eles responderam, saindo dos seus esconderijos. Eram os únicos sobreviventes, os outros dois soldados também haviam falecido.

Simmons correu até a mulher e a abraçou, como se vê-la fosse a melhor coisa que a ocorria em muito tempo. Katherine retribuiu o abraço e Jiaying apenas observa a cena, meio abismada com a facilidade que Kate tinha em sair do seu modo assassino e ativar seu lado maternal.

– Wanda os matou e depois levou a May – Jemma falava, com a voz meio engasgada.

– Está tudo bem, iremos achá-la, mas temos que ir, fiquem perto de mim – os recomendou num ar carinhoso e rapidamente se puseram a caminhar novamente.

Dobraram no que parecia o décimo corredor, exatamente igual ao que estavam, Katherine já começava a achar que Eric ou Mark estava se confundindo com as direções, mas nesse em especial havia algo diferente. Jiaying correu, ajoelhando-se ao lado do rapaz, apoiando a cabeça dele sobre sua coxa. Lincoln não respirava. Tentou usar seus poderes para trazê-lo de volta, mas os danos que Wanda causara pareciam irreparáveis. Fitz e Simmons também se precipitaram para ajudá-la, Jemma usava técnicas de ressuscitação no rapaz, sem sucesso.

Katherine aproximou-se, vendo a cena com certo pesar, Lincoln era um bom garoto, pôde notar isso pelo pouco tempo que passaram juntos naquele quinjet, muito melhor do Miles pelo menos.

– Quem fez isso ? – Pryde questionou, com a voz mais branda.

Jiaying chorava sobre o corpo inerte do jovem, embalando-o como um bebê – Wanda – respondeu, sendo rasgada internamente com aquilo. Não acreditava que criara um monstro, não, sua Wanda não era um monstro, tinha que haver uma justificativa para aquilo.

– Soldados se aproximam da sua posição, agente Pryde – o gorducho falou e Katherine, por mais que não quisesse ser insensível, forçou Jiaying e os gênios a levantaram-se.

– Vamos, estamos correndo contra o tempo – falou baixo, pegando no braço da chinesa, ajudando-a a ficar de pé. Fitz-Simmons por outro lado, não pareciam dispostos a abandonarem o corpo do rapaz.

– Soldados estão chegando aqui – advertiu e já se punha a correr quando notou os geeks e a chinesa ainda parados – É inútil, ele está morto – exclamou num tom frio.

– Vamos ficar – Jemma foi a pessoa a afirmar, pegando o louro pelos braços, contando com a ajuda de Fitz para escondê-lo numa sala, com alguma sorte os soldados não iriam revistá-la, mas aquilo não era garantido.

A mulher tinha que admitir, aquela era uma dupla de fibra e princípios, talvez os mais fortes dali, ou os mais estúpidos, de qualquer forma, os deixou ficar, mesmo não gostando daquilo. Jiaying a seguiu, tinha pressa em encontrar Wanda, mas parecia aliviada por alguém ter permanecido com Lincoln.

– Mande a equipe do Gonzalez limpar essa bagunça e proteger os cientistas, Eric – ordenou, num ar meio impaciente. Aquele lugar não poderia ser tão grande assim, aonde aqueles babacas poderiam estar, salvando papéis e máquinas de ferro ao invés de pessoas ? E ainda se perguntavam porque SHIELD ruiu.

– Mark, Eric está guiando o agente Coulson e sua equipe – o homem respondeu, num ar quase ofendido – E já despachei uma equipe para essa localidade – finalizou.

– Desculpa Mark – Katherine tentou contornar a situação.

– Eu estou brincando com você, sou o Eric mesmo – que Katherine não o visse quando voltasse para aquele avião, no humor que estava, iria matá-lo. Desligou o comunicador, pois a trilha de sangue que May deixara era um bom indicativo de qual caminho tomar, não precisava mais do engraçadinho.

SKYE

Todo seu plano A fora por água abaixo, mas seu cérebro rapidamente formava um plano B. Odiou o tempo que estivera em treinamento na HYDRA, mas não podia negar, o que aprendera estava vindo a calhar. Era uma hacker habilidosa, lutava dignamente, conseguia achar uma saída da maioria das situações ... Estava tão focada em sair desse mundo, mas se pensasse bem, deveria abraçá-lo, possivelmente fosse a única coisa na qual fosse boa.

Passaram um longo tempo em silêncio, podia notar Garrett checar o relógio de pulso a cada cinco minutos e olhar no tablet qualquer coisa que o fazia crispar os lábios em desaprovação.

Duas batidas na “porta”, antes de um dos soldados, que estava de guarda fora do escritório, anunciar que Raina se aproximava, ficou um pouco inquieta na poltrona, fato que não passou despercebido por Garrett.

– Se serve de consolo, eu não queria que terminasse assim – ele admitiu, antes de mandar os soldados embora, ficaria muito suspeito se Coulson chegasse ali e se deparasse com três brutamontes “guardando” uma estante de livros.

Aproveitou o fato de John ir recepcionar Raina na porta do escritório, para gatunamente roubar uma das canetas dispostas sobre a mesa do moreno, escondeu o objeto na manga da blusa. Não era a arma ideal, mas teria que servir.

A mulher logo adentrou ao recinto, arrastando uma May quase inconsciente e uma Wanda que mais parecia um zumbi, bastou ela pôr os pés dentro da sala para imediatamente sair do seu estado de metamorfose. O vestido floral estava bem rasgado e só após ela se tornar uma mulher normal de novo, pudera notar o sangue que escorria do seu nariz e o olho meio roxo, possivelmente uma cortesia de May.

Correu na direção da chinesa, amparando-a já que Raina a derrubou no chão – O que é isso ?! – questionou de forma alterada, sem entender absolutamente nada, principalmente sem entender porquê Wanda estava ajudando aquela mulher, como ela permitira que Raina fizesse aquilo com May ?!

Tentava estancar os cortes de May, comprimindo-os, os arranhões em seu pescoço eram os mais preocupantes. Rasgou um pedaço da própria blusa e usou para fazer um curativo – Você ficará bem – certificava-a, forçando-se a sorrir.

– Não importa o que ela diga, não faça, me prometa – a chinesa sussurrou, cuspindo um pouco de sangue.

Encarou a mulher, sem a responder, sabia que não poderia prometer aquilo e algumas lágrimas já escorriam por seus olhos – Ela precisa de ajuda – exclamou, virando-se para a dupla que conversava num ponto mais distante, enquanto a ruiva apenas observava Skye e May, toda a vida parecia ter se extinguindo da espevitada Wanda.

– Não acredito que minha barganha irá morrer – Raina comentou, num ar entediado. Skye levantou-se por impulso e tinha os punhos cerrados, mais do que preparada para socar a cara daquela verme.

Sua surpresa fora quando Wanda se pusera no seu caminho, a impedindo de atingir Raina – Saia do meu caminho, Wanda, ou eu não responderei por mim – ameaçou entre dentes, mas a ruiva não se moveu, parecia querer apanhar e foi exatamente o que recebeu.

Skye pegou a mão que Wanda espalmou no seu peito e a torceu até a garota ajoelhar-se e num golpe rápido deu uma joelhada em seu queixo, fazendo-a cair para o lado, enxugando um sangramento com o dorso da mão.

Se dirigia para Raina agora, mas quem se pôs no seu caminho foi John, desviou de alguns golpes, mas todas as vezes que ele a atingia era como estar apanhando de um trator. Ele era extremamente forte e parecia a acertar nos exatos locais que Skye estava machucada, lá se ia sua esperança de sarar aquela costela. Ainda usou a caneta para perfurar-lhe a barriga, mas ele arrancou o objeto como se fosse um espinho e a menina notou que não havia sangue na ponta do objeto. Como ?! Após esse movimento ele a deu um forte tapa, fazendo-a cair com as mãos espalmadas no chão e um enorme corte sobre o supercílio, aproveitou sua posição (e a suposição que John fez de que ela não levantaria mais), para chutar-lhe o joelho com toda a força, ouviu o barulho da torção, mas parecia algo mecânico e ele não berrou de dor, embora não tenha parecido nada feliz com o ataque, sério mesmo que ele era todo de ferro e próteses ? John descontou sua raiva ao chutar a barriga da jovem caída aos seus pés e só não prosseguiu com os golpes pois Raina o impediu.

Do outro lado May assistia a tudo e tentava erguer-se, enquanto Wanda a impedia, possivelmente salvando sua vida, como Raina dissera, Skye era uma pessoa “facilmente” manipulável, se tratando de salvar seus amigos, May poderia ser facilmente substituída.

– Mudei de ideia, vou adorar assistir quando Katherine te matar – a menina falou, destemida como sempre. O homem a ergueu do chão, segurando-a pelos cabelos, sustentou o olhar do mesmo e tinha o traço de um sorriso sobre os lábios. Poderia morrer, mas nunca o daria o gostinho de vê-la suplicar.

– Veremos por quanto tempo estará sorrindo – sussurrou e a jogou no chão novamente.

John e Raina a observavam de cima, altivos ... Não tinha mais forças para se erguer, realmente importava ?! Era óbvio que aquilo era inútil.

– Estamos acertados dessa forma ? – Raina questionou, quando enfim a cena havia acabado, realmente estava temerosa com a possibilidade de John vir a matar sua “arma nuclear”. Esse apenas concordou com a cabeça.

– Sempre fomos uma ótima dupla – ele admitiu, mas ainda fitava a menina caída aos seus pés, não parecia feliz com aquilo, mas não via outra opção. Não estava disposto a ser preso e odiava perder.

– Claro que formamos – Raina emendou, abaixando-se na altura de Skye e colocando novamente as pulseiras na adolescente – Iremos numa viagem, não quero contratempos – sussurrou e sorriu, de uma forma meio medonha.

KATHERINE

– Tire suas mãos dela – a voz de Katherine irrompeu pelo cômodo, usara sua habilidade para atravessar a parede mas a essa altura já havia notado que sua intangibilidade não iria funcionar mais, mas aquilo era a menor das suas preocupações.

– Dear Katherine ... Eu estava mesmo me perguntando quando você chegaria, se lembra da promessa que eu te fiz ? Hora de cumprir – Garrett apontou a mão biônica na direção da Inumana e de lá saíram três mini-mísseis que explodiram a parede às costas de Katherine, por sorte ela desviou a tempo, sacando sua arma e disparando na direção do homem.

– Tire-as daqui – o homem ordenou para Raina, enquanto aproximava-se de Katherine, sem se importar com os tiros, eles apenas ricocheteavam no seu corpo metálico.

Raina logo começou a se mover e mandou Wanda pegar May, mas quando virou-se para puxar Skye do chão, fora surpreendida com uma cotovelada forte no rosto, que a fez se desequilibrar para o lado. Skye se jogou sobre ela, usando o cadarço, que agilmente tirou do tênis, para enforcá-la, a mulher tentava lutar e com certeza era mais forte do que Skye, ainda mais se considerasse o quão fodida Skye já estava, não conseguiria segurá-la por muito mais tempo. Olhou de forma suplicante para Wanda, que pela primeira vez pareceu disposta a fazer algo, a ruiva correu na direção de Raina e iniciou socos e mais socos no rosto da morena, parecia estar descontando todo seu ódio e gritava enquanto o fazia, só parando quando a mulher deu seu último suspiro. Skye jogou o corpo da morena para o lado, sendo acometida por uma dor que a fez se contorcer no chão, já Wanda iniciou um choro copioso, encarando as próprias mãos, repletas de sangue.

– Tire May daqui! – ordenou com a voz meio falha – Wanda! – gritou e só então teve a atenção da ruiva – Tire a May daqui! – ordenou mais uma vez e apoiou as mãos no chão, lutando para ficar de pé.

Finalmente a ruiva pareceu compreender e levantou-se, levando May para a passagem que Garrett utilizaria para fugir.

PHIL

Jiaying não fazia ideia de como abrir aquela estante, além de uma senha, ainda precisava da digital de John, estava de mãos atadas e ficou realmente feliz quando Coulson chegou.

– Elas estão aí, Katherine já entrou – a mulher falou e o mostrou o painel.

– Você pode atirar – um dos inumanos que seguiu Coulson falou, e o homem apenas o encarou com confusão. Não estava disposto a usar uma arma de plasma sem ter visão do que pudesse atingir.

– Consigo ver através de objetos – o Inumano explicou num ar confiante.

– Me lembre de contratar todos vocês quando terminamos aqui – o moreno brincou antes de atirar, formando uma enorme cratera no lugar onde antes havia uma porta.

Rapidamente adentraram ao recinto, vendo Garrett lutando com uma Katherine que resistia bravamente, mas não estava num estado tão bom, do outro lado estava Skye tentando derrubar um aparelho estranho, meio quadriculado, ela já havia destruído dois desses aparelhos e só faltava mais aquele.

Coulson sacou sua arma e atirou no objeto, só então ela pareceu notar a presença deles, “como assim ela perdera a parte da explosão de uma arma à plasma ?”, mas bastou ela virar-se para terem pelo menos algum indício do porquê ela estava tão aérea, quase caiu da cadeira na onde se equilibrava para conseguir alcançar o negócio. Todo seu rosto estava banhado em sangue, assim como suas roupas.

Jiaying e Mike se precipitaram para ajudá-la, enquanto Phil ia na direção de Garrett. Ele aproximou-se o suficiente para colar a arma na nuca do seu arqui-inimigo, o homem enfim soltou Katherine, levantando as mãos de forma cínica, para num golpe rápido roubar a arma das mãos de Phil, eles realmente queriam cumprir com o antigo desejo de Skye, pois tiveram duas chances de matar Garrett e não aproveitaram.

Katherine ainda estava no chão, os demais inumanos estavam lutando contra os soldados que resolveram voltar num momento pouco oportuno, e Coulson estava na mira da arma, mas John parecia pouco interessado em matar qualquer um dos dois, pois apontou a arma na direção de Skye e puxou o gatilho.

Notas finais
Como esse capítulo foi dela ... Zoey Deutch - Skye ♥ Só porque eu a amo muito, vai com direito a foto: http://www.polyvore.com/cgi/img-thing?.out=jpg&size=l&tid=85967024 Agora sobre o capítulo, genty, tô perversa .q