Notas iniciais
Eu precisava fazer isso. Já estava me esquecendo dele.

Pov. Sophie

“Querido Nicola Bonbourne,

Perdoe-me pela demora, mas esta é a primeira oportunidade que estou tendo de ficar sozinha. O relógio da torre acaba de bater 3 da manhã, e todos dormem em seus alojamentos. Mas eu não consigo dormir, devido à ansiedade que eu sinto. Eu preciso conversar com você.

Assim que descemos do trem, o excelentíssimo guarda-caça de Hogwarts, Monsenhor Rúbeo Hagrid, levou todos os alunos do ano inicial para o porto. Os outros alunos se foram para o portão, juntamente com Hermione e Ronald, que se despediram de mim saudosamente, porém devido a fatos ocorridos no trem, Hermione agora tem uma séria antipatia por minha companheira de viagem, Belle Scolfh. Para resumir, Belle fez mágica no trem, e Hermione não sabia como os truques haviam sido feitos.

Tão logo partiram, ficamos eu e Belle sozinhas, paradas perto do trem, sem saber muito o que fazer. Você se lembra, Nico, que da outra vez que estive aqui, eu estava com a nossa escola, e tudo o que precisávamos fazer era seguir as ordens dos monitores e professores e ficar perto deles. Porém, esta escola parece não saber muito bem como tratar os transferidos, e ficamos aqui, à espera de um milagre. O que foi ridículo, na minha opinião.

Vi Malfoy descer sozinho do trem. Tinha a mão direita com um pouco de sangue. Aquilo me arrepiou um pouco, Harry Potter ainda não havia descido do trem. Isto nunca é um bom sinal.

O Monsenhor Hagrid retornou para a estação, para dispensar o maquinista, quando finalmente nos viu. Ele perguntou o que fazíamos ali, sozinhas no breu da noite, e Belle, com toda sua delicadeza, respondeu que estávamos ali, plantadas há séculos, esperando que alguém se dignasse a nos mostrar o caminho, e que isto não era tratamento para duas bruxas de família nobre. Hagrid ficou confuso, mas depois riu, levando-nos até um pátio. Eu conheço aquele lugar, é o Pátio da Transfiguração, defronte à sala da Professora Minerva McGonagal. E o mais interessante, era que o pátio não estava vazio. Deveriam ter bem umas vinte pessoas ali, de idades variadas.

Belle tratou de tentar se enturmar, do jeito meigo e gentil dela. O que significa que ela deu dois passos e esbarrou em um ex-aluno de Beauxbatons. Você se lembra dele, Nico, era o rapaz que vivia pegando no seu pé. O garoto de cabelos cacheados cor de fogo, que tem sérios problemas de peso. Você o chamada de O Ruivo, e acabei por não saber o nome dele. O Ruivo queria acertar o nariz de Belle com um merecido soco, mas um rapaz se meteu.

Ele era alto, de cabelos negros, pele claríssima. Tinha os olhos negros brilhantes, e músculos bem definidos. Não era tão bombado, mas também não era fraquinho. Ele defendeu Belle, e o Ruivo não mais mexeu com ela. O tal rapaz se chama Eric, e é um transferido de Durmstrang. Belle, é claro, se encantou por ele.

A Mademoiselle McGonagal apareceu no início do pátio, juntamente com um professor de cabelos e roupas negras. Seu nome era Severo Snape. Eu sempre fiquei muito feliz por nunca ter tido aulas com ele, pois ele tem a maior cara de professor terrível. Ela se apresentou, e falou sobre os privilégios e regras de se estudar em Hogwarts. Também falou sobre o sistema de casas, e os pontos acumulativos, que rendiam a vitória da casa no final de cada ano. Durante toda a fala dela, eu confesso que não prestei atenção em muita coisa, pois muito eu já sabia. Fui ficar sabendo mesmo do que ela falou, agora há pouco, quando Belle me perguntou e pediu que eu explicasse. Na verdade, eu estava concentrada em uma artefato que o Monsenhor Snape segurava.

Era um objeto curioso, de fato. Parecia ser um chapéu velho e mofado, não muito diferente de tudo o que eu já vi aqui. Estava em um estado deplorável, e também estava manchado e desbotado pelo tempo. Quando McGonagal chamou um rapaz pelo nome e o Snape colocou o chapéu na cabeça dele, eu realmente vi o que era aquele artefato. Eles chamam de chapéu seletor, e seu funcionamento me deixou bastante intrigada, e até um pouco indignada. O chapéu, colocado na cabeça do aluno, começava a analisar sua personalidade, e por fim, colocava-o em uma das quatro casas da escola, denominadas Grifinória, Sonseria, Corvinal e Lufa-Lufa. São nomes muito estranhos para casas.

Perdoe-me Nico, mas durante todo o processo seletivo, eu só conseguia pensar na nossa querida Beauxbatons, e no nosso espelho. Lembra-se do espelho? Ficávamos um a um, de frente para ele, e ele refletia a nossa imagem. Refletia tudo, nossos desejos, nossos medos, nossos sonhos, nossas atitudes, tudo, diante apenas de nossos olhos. E então, o espelho brilhava, e sua cor correspondia a da nossa casa, para qual havíamos sido destinados. A luz era tão forte, que refletia em nosso uniforme, tingindo nossas mangas e barras com a cor de nossa casa. Ao me lembrar do espelho, este método do chapéu parecia muito simplório e primitivo.

Segui neste pensamento, e quando dei por mim, meu nome havia sido chamado. Acho ainda mais ridículo o método de chamada deles. Não segue nenhuma ordem! Nem etária, nem alfabética, nem escolar, nada. Simplesmente te chamam. Eu caminhei até ficar do lado de Snape. Ele me analisava, como se ele mesmo fosse o chapéu. Era como se ele me conhecesse, de alguma forma, mas que não sabia dizer de onde. Por fim, seu olhar parou na minha mão direita.

– Não acha curioso usar a luva apenas em uma mão? – ele me perguntou.

– Depende do ponto de vista. – eu respondi – Não acha curioso que ninguém nunca tenha lavado este chapéu, senhor?

Eu logo me arrependi do que falei. Ele olhou para mim, e fez algo que eu jamais podia esperar: ele sorriu.

– É realmente um fato muito curioso.

Minerva limpou a garganta, e ele voltou a assumir sua postura séria de antes. Ele colocou o chapéu seletor na minha cabeça, e eu fiquei com medo de ele me separar de Belle, ou pior, de me colocar junto com o Potter. O chapéu pareceu ler meus pensamentos, e eu me arrepiei ao ouvir ele falar.

– Esta é a segunda vez que alguém quer muito alguma coisa, a ponto de mudar minha opinião. – ele disse. – Sabe que Grifinória é a casa dos heróis e dos corajosos, não sabe?

– Não me importam os heróis. Nunca tive paciência para eles. – eu respondi. Deu para ver novamente um sorriso suave no rosto do professor.

– Então você merece apenas... – ele disse – Sonserina!

O professor abriu um sorriso tão grande que quase não conseguiu disfarçar. Aquilo teria me assustado, mas eu até gostei de ver ele sorrindo. Ele fica menos assustador, e mais humano. Eu nunca me senti tão aliviada em toda a minha vida. Exceto depois, quando o chapéu confirmou que Belle ficaria junto comigo.

Espero conseguir uma resposta sua, apesar do início de aulas.

Com amor para meu Maluco,

Sophie Sullen.”

– O que está fazendo? – Belle disse, me assustando.

– Nada que te interesse. – eu dobrei meus joelhos, em cima do sofá.

– Querido Nicola... – Belle leu a carta, que ela conseguiu tirar da minha mão com um Accio não pronunciado. – Eu pensei que você não tinha namorado.

– Não tenho. Nicola é um amigo meu. – eu cruzei os braços.

– Sei... – Belle caminhou pela sala – O que os monitores fazem se nos pegarem aqui?

– Monitores não vigiam os dormitórios, vigiam os corredores. – eu peguei a carta devolta da mão dela.

Caminhei até a janela, onde minha coruja estava pousada. Ela era castanha, e tinha grandes olhos amarelos. Eu a batizei de Minerva, uma piadinha de quando eu vim para cá.

– Por que está escrevendo para ele, e não para sua avó? – Belle perguntou outra vez.

– Porque eu quero que alguém me entenda. Sinto falta de um amigo nesta escola embolorada. – eu suspirei.

– Pensei que eu fosse sua amiga. – Belle me pegou de surpresa.

Eu entreguei a carta para a Minerva, e ela ergueu voo.

– É... por que não?... – eu suspirei em resposta. – Mas não quero sapos na minha cama, amiga.

– Sapos? Por quem me tomas? – Belle colocou as mãos na cintura.

Eu arqueei a sombracelha.

– Tá bom, vou tirar. – ela subiu as escadas, contrariada.