O outro lado da Cicatriz
6 No Beco Diagon-All
Pov. Sophie
Caminhamos pelas ruas do beco Diagon-All, analizando as deprimentes e empoeiradas lojas de artigos mágicos. Tudo ali é coberto de poeira, mofo, pó, até o próprio ar que se respira é seco e empoeirado.
– Escolhe uma carta! — Belle disse, de repente, com um baralho trouxa nas mãos.
Peguei uma rainha de copas.
– Pardón, mas, qual é o nome de sua banda? — eu perguntei.
– Banda? Eu não sou cantora! — Belle riu, enquanto eu colocava a carta devolta no baralho — Por que acha que eu sou? Eu pareço uma?
– Trés bién... — eu falei, observando ela embaralhando as cartas — Você lembra muito uma cantora teen, ainda mais dando autógrafos por aí... Só achei que fosse óbvio...
– Não, não! Eu sou mágica! Tenho meu próprio show em Las Vegas! — ela disse, toda orgulhosa. — Esta é sua carta?
Eu fiz que não com a cabeça. Aquela era um 7 de espadas.
– Achei que não. — ela embaralhou todas outra vez.
– Pardón, mas não é meio óbvio uma bruxa ser mágica em Las Vegas? — eu disse, fazendo ela rir.
– Não quando não se usa magia! — ela ria, e depois me mostrou o baralho — Está aqui?
– Non.
– Deve ser porque está ali. — ela falou.
Olhei para a direção onde ela apontava. Minha rainha de copas estava presa dentro do vidro de um relógio cuco, na vitrine de mais uma loja de antiguidades.
– Magnific! — eu sorri, espantada, e me aproximei da vitrine — Mas você usou magia!
– Não até que se prove o contrário! — ela guardou o baralho no sobretudo, com um sorriso maroto.
Olhei devolta para a vitrine. A carta não estava mais lá. Ela usa mesmo magia. Então, uma imagem me chamou a atenção. Lá dentro da loja, eu vi mamie, com seu inconfundível vestido verde. Mas havia outra pessoa lá. Uma pessoa que lhe entregara um pacote de tecido escuro. Ela guardou na bolsa.
– Sophie, quer ver outro truque? — Belle me chamou.
Entrei na loja. Era uma loja de animais alados, e haviam muitas gaiolas com morcegos, corujas e pombos. Mamie se assustou ao me ver. O homem com quem ela falara era o mesmo homem alto e meio calvo, que falara comigo na vitrine.
– Oh petit! — ela disse, sem jeito — Eu estava procurando Louis, porque...
Louis latiu, sentando ao meu lado.
– Ele esteve comigo o tempo todo... — eu falei, desconfiada — E você sabia disso...
– Bom, Evelyn, — o homem se despediu — eu tenho que ir. — mas ao passar por mim, falou — Cuidado com o brilho que ofusca, mademoiselle!
Eu olhei para mamie. O que ela estava escondendo?
– Nossa, povo, que clima mais deprê! — Belle entrou na loja.
– N...não quer me apresentar sua amiga, Sophie? — mamie desviou do assunto.
– Sou Belle Scolfh! — Belle apertou a mão de mamie. — Vou estudar com sua filha!
– Filha? — mamie disse — Non, non, neta!
– Jura? Nem parece! — Belle fez a simpática.
– Mérci, mérci... — mamie dizia — Puxa, olhem a hora! Se vocês não saírem agora, perderão o trem!
– Então vamos, aposto que ainda dá tempo de pegarmos o metrô... — eu disse, começando a caminhar em direção à porta.
– Metrô?! — Belle cruzou os braços, fazendo cara de nojo — Não mesmo!
E ela estalou os dedos. Um brilho azul apareceu no ar, e cresceu, formando um portal. Por ele, era possível ver a plataforma 9 ³'4, com o Expresso de Hogwarts.
– Então, vamos? — Belle se adiantou, indo em direção ao portal. Mas eu e vovó ficamos paralizadas.
– O quê? Não...não espera que entremos...a...aí...não é? — eu gaguejei.
– Mas é claro que sim! É a única forma de chegarmos a tempo! — Belle disse.
– Belle, os bruxos que tentaram abrir portais, não tiveram um bom fim... — mamie segurou Louis.
– Casos de desmembramento, perda de memória e até desaparecimentos! — eu retruquei — Não vou entrar aí!
– Amor, eles tentaram, eu domino!!!!!! — ela disse, com um sorriso nos lábios.
Ela estalou novamente os dedos. A imagem no portal mudou, e agora mostrava o parapeito da Torre Eiffel, com vista para o Sena e para o centro de Paris. Belle bufou, e atravessou o portal, assustando um casal de namorados que via a paisagem, sentados à mesa do restaurande ao ar livre mais caro do mundo, na companhia de um bom Cheval Blanc 1947
– Feliz agora? — ela sussurrou, olhando para nós.
Eu e mamie nem nos mexemos. Jamais vou atravessar esse portal aí.
Ela bufou outra vez. Parecia não ter jeito de nos convencer.
– Perdão... — ela se aproximou da mesa do casal — Isso é vinho branco?
Ele acenou com a cabeça, assustado. Belle sorriu, pegou a taça da mão dele e bebeu-a toda, em um único gole. Depois, comeu o croissant do prato da moça. Belle pegou uma flor do vaso de enfeite da mesa, e colocou na sua lapela. Então, deu um beijo no rosto da moça, se aproximou do rapaz e deu um belo beijo nos lábios dele.
Belle atravessou o portal devolta.
– Viu? — Belle entregou a flor nas mãos de mamie — Não há o que temer, a flor está intacta!
– Bem... — eu disse, apontando para o portal.
Belle virou-se, a tempo de ver a moça dar um belo e estalado tapa no rosto do rapaz. A garota pegou a bolsa, virou-se furiosa e saiu. O rapaz segurou o braço dela carinhosamente, pois ele a amava, e estava tão assustado quanto ela.
– Oh! — Belle riu, caminhando até eles — Já estava esquecendo.
Ela atravessou o portal.
– Hey, vocês dois!
O casal olhou para ela, assustado.
– Obliviatti! – Belle lançou o feitiço, sem a varinha, o que me impressionou.
Ela retornou, enquanto os dois olhavam um para o outro, sem entender nada. Nada diferente do início.
– Eu disse que a flor estava intacta! — Belle estalou os dedos, e a imagem do portal voltou para a estação — Vamos?
Mamie atravessou o portal lentamente, e logo estava do outro lado. Belle cruzou os braços, olhando para mim.
– O quê? Eu não vou entrar aí, se é o que você quer! Tem ideia de quantos magos morreram nessa enrascada? Ou pior, perderam suas varinhas? EU VOU FICAR BEM AQUI! — eu disse, batendo o pé.
– Certo... — Belle atravessou o portal.
A gata que ela comprara atravessou o portal, caminhando ao lado de sua dona. Louis abanou o rabo freneticamente, doido para se juntar à sua amiguinha de quatro patas. Belle notou isso, e sorriu maliciosamente.
– Vem cá, garoto! – Belle chamou ele, se abaixando.
– NÃO. SE. ATREVA.
Mas era tarde demais. Louis correu na direção dela, e me arrastou, desvairado. Ele correu e correu, e só parou quando estava do lado dela, me deixando no chão.
– Quem é o bom menino??? – Belle fazia carinho na barriga dele de renda francesa – É você!!! É sim!!!
– Maldição de cão fiel! – eu esbravejei, me levantando – Fiel a todos, menos a mim! Ah, meu Chanel! Meu lindo vestido!!!
– Calma, estressadinha! – uma voz inconveniente disse atrás de mim – Finalmente achei vocês!
Draco se aproximou de Belle e beijou seu pescoço. Ela fez uma careta de nojo para mim, mas virou o rosto, sorrindo para o namoradinho. Os americanos são tão cínicos!
Eu bati a poeira de meu vestido Chanel bege de renda. Mesmo depois de tudo, eu preciso estar bonita. Sou francesa, o que posso dizer? Uma placa lá no alto me chamou a atenção. Lia-se “Plataforma 9 ³/4”. O local certo, mas isso não quer dizer que eu queria estar aqui. Para onde quer que se olhe, é possível ver alunos com malas e corujas, caminhando apressadamente, para tentar conseguir seu lugar em uma das cabines do expresso.
De repente, meu coração gelou. Hermione e Rony colocaram suas malas junto da dos outros alunos, e entraram no trem. Harry pegou sua mala e a colocou também. Caminhou lentamente, dirigindo-se à porta do trem. Pois é, Sophie, agora não dá mais para fugir. Agora, é para valer. Mas então ele parou. Ele olhava para todos os lados. Senti meu coração bater mais forte, ao mesmo tempo que um choque leve mas incômodo me cauterizava a cicatriz. Ele estava me procurando.
– Sophie? OOOOi?!! Sophie? – Belle passou a mão direita sobre meu rosto, cortando o contato visual.
– O que? – eu olhei para ela, acordando do transe.
– Precisamos pegar o trem... – ela falou, olhando na direção que eu olhava – O que foi? Viu fantasma?
Eu olhei devolta para a porta do trem. Ele não estava mais lá. Eu respirei, aliviada.
– Foi... – eu olhei para Belle – só uma lembrança.
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