O outro lado da Cicatriz
2 Mademoiselle...caminhando!
Notas iniciais
Pela manhã, mal o sol havia raiado eu corri para o lado de fora e comecei a conjurar feitiços contra as árvores. Eu estava com tanta...raiva. Sim, raiva. Não podia acreditar que ela estava fazendo isso comigo. Não, eu não vou praquele buraco de fim de mundo outra vez!
– Accio! Estupperfaça! Petrificus! – eu conjurava feito louca, furiosa.
– Sophie! O que está fazendo?! — uma voz conhecida gritou.
Nicola pulou o muro, entrando em nosso terreno, e correu desesperado, deixando suas pantufas pelo jardim.
– Sophie! Pare! Pare! — ele gritava.
Nicola tirou sua varinha do bolso e conjurou protego sobre todas as árvores. Eu continuei a conjurar, mas ao ver que não surtia mais efeito, parei, cansada. Nicola correu, e me abraçou, prendendo meus braços e jogando minha varinha longe.
– Sophie! Sophie... — ele falou, me abraçando.
Eu comecei a chorar, de raiva, desespero, medo, incerteza, insegurança, e todos estes sentimentos maus e cruéis que confundem nossas mentes quando estamos contrariados. Ele me abraçava, mais para me conter do que para me consolar. mas eu não ligo. Ele está aqui, meu melhor amigo.
– Calma, Sophie, calma... — Nicola sussurrava — Agora está tudo bem...
– Não, Nico. — eu olhei nos olhos dele — Não está nem vai ficar.
– Do que você está falando, Mademoiselle? — ele estava confuso.
Eu me afastei dele, conjurando um feitiço para apagar as chamas que deixei em uma árvore.
– Eu vou para Londres. — eu disse.
– Trés bien! — ele sorriu — Te vejo em Beauxbatons, então!
– Não, você não entendeu! — eu me virei para ele. — Não vai ter amanhã, nem croissants, nem Beauxbatons!
Eu olhei para a árvore, agora chamuscada. Ela soltava fumaça, e tinha um cheiro esquisito de seiva queimada.
– Eu vou para Hogwarts, e parto hoje. Mamie quer que eu vá para lá. Eu até já tenho a lista de materiais. — eu disse, chorando.
– Non, non! — Nico falou — Ela não pode fazer isso! Vai te mandar para o único lugar que você mais odeia! Ela não pensa em você? Em como se sentiria? E nós ainda temos tantas coisas, você agora é a líder no clube de duelos de Noble, e ainda temos o jornal, e o time de quadribol...
– S’il vous plaît, não torne isso mais difícil do que já é! — eu gritei.
Ele parou, e me olhou, assustado. Mas ele é persistente. E eu gosto disso nele.
– Eu vou mandar Jean Pièrre todos os dias, com cartas para você, mademoiselle. — ele sorriu.
– Vou... — eu suspirei, tentando me acalmar — comprar uma coruja, para poder te responder.
– Sophie! — mamie gritou — Sophie! Acorde!
– Eu tenho que ir! Vá antes que ela te veja! — eu disse, empurrando ele para perto do muro.
– Bonjour, mademoiselle! — Nico sorriu, e pulou o muro.
– Bonjour, maluco! — eu ri.
Eu entrei em meu quarto pela janela, e sentei-me na cama. O sol já estava quase todo no céu. Mamie abriu a porta do quarto, e assustou-se, ao me ver sentada na cama.
– Oh! Petite! Achei que você estava dormindo! Mas, que bom que está acordada! — ela disse, pegando minha mala azul de dentro do closet — Eu já fiz sua mala, vista-se, temos que pegar o avião!
– Como quiser. — eu respondi, enquanto ela saía do quarto.

Vesti meu vestido favorito de renda bege, na esperança de ficar o mais confortável possível, ou com uma roupa que pelo menos, me permitisse aparatar para qualquer lugar no mundo; coloquei um casquete de penas brancas na cabeça, bem discreto, e um lenço de cetim de cor azul, e me olhei no espelho. Nada mal.
Após um avião Paris-Londres, e um metrô nojento, eu encontrei uma nova definição para a palavra "desepero". Para onde quer que se olhava, via-se quiosques vendendo todo tipo de porcarias gordurosas, pessoas passando, apressadas, e violações á higiene pública. Uma família inteira de ratos cinzas passou bem perto de meus pés, e eu quase tive um infarto. Essa daqui que é a terra da rainha?
– Sophie! — mamie chamou, quebrando meus pensamentos — Sophie, me ajude!
Ela se esforçava para carregar meu malão azul. É francês, todo de veludo e seda azuis, por dentro e por fora. Eu sei que é praticamente impossível de se carregar, mas eu tenho meus truques.
– Para trás! — eu disse, certificando-me de que não havia ninguém na estação, então peguei minha varinha — Accio Platinum!
A mala começou a balançar levemente e um barulho de corrente se fez audível. A ponta de uma correntinha platinada saltou da mala e se prendeu no meu pulso direito.
– Animus Corpus! — conjurei, ainda com a varinha em punho.
A mala tremeu e vibrou, fazendo mamie ficar com medo. A mala correu em minha direção, latindo e arfando, como um cãozinho ao ver seu dono. Me abaixei e acariciei sua cabeça.
– Olá Louis, mon petit!
Ele latiu e lambeu delicadamente meu pulso. Tem o doce cheiro de Chanel n° 7, meu preferido. Louis (a mala), correu até vovó, e ela o acariciou.
– Que magia adorável! — ela riu — É encantador!
– Aprendi no primeiro ano, em Beauxbatons, com uma professora adorável, e o melhor é que não tem nenhuma inconveniência que um cão comum teria, nem mesmo o cheiro. — eu expliquei.
– E quanto tempo dura? — ela perguntou.
– Vou ter bastante tempo para curtir meu petit, até chegarmos naquele castelo deplorável. — eu disse, rindo com meu cachorrinho.
– Très bien, — mamie se levantou — é melhor irmos andando.
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