O orfanato
1 Capítulo 1
1978
Dois gêmeos baderneiros em cerca de 12 anos estavam correndo em cerca da casa, e resolvem entrar no quintal
– Ai Caio, você é um imbecil — diz um dos gêmeos
– Cala boca — diz Caio.
– Ei esquisita — diz o outro gêmeo chamando a atenção de uma pequena garotinha com síndrome de down de cerca de 6 anos que observava a casa, e o gêmeo solta um beijinho no ar caçoando da menina, os gêmeos iam entrando na casa, mas a atenção deles volta com a garotinha os chamando.
– Vocês vão morrer aí... — disse a garotinha.
– Cala boca ou vamos te arrebentar — diz Caio.
– Temos tacos — diz o outro gêmeo, mostrando um taco na sua mão — odeio arvores — diz o mesmo gêmeo e acerta o taco numa arvore, e logo os gêmeos entram na casa.
– Vocês vão se arrepender... vão se arrepender, vão se arrepender — diz a garotinha olhando pra janela da casa.
Os gêmeos na casa começaram a quebrar lampadas, objetos antigos, janelas, televisões, subiram as escadas e fizeram o mesmo lá em cima, não tinham medo que alguém os pegassem ali, pois a casa estava abandonada, soltaram bombinhas dentro da casa, tudo para eles era diversão, o Jonas foi descer as escadas e avistou uma Fuinha no chão morta, mas parecia ainda respirar um pouco.
– Caio, vem ver — chamou o Jonas, e logo seu irmão apareceu.
– Demais — disse o Caio olhando, logo uma das portas dali se abriu, e chamou a atenção dos garotos.
– Vai lá — disse o Jonas.
–Vai você panaca — disse o Caio, e Jonas foi na frente e o Caio o seguindo, eles desceram a escada para oque parecia um porão, dentro no porão eles abriram uma porta no qual tinha vários vidros com experimentos empoeirados, vidros com braços pernas e etc...
– Ei olha só — disse o Jonas apontando para um vidro, o Caio derruba um dos vidros para assustar o irmão.
– Aqui fede — disse o Caio.
– Fede a coco, lembra do guaxinim no ano passado que ficou preso na chaminé? — perguntou Jonas.
– Aham, é esse cheiro — disse Caio.
– Vou sair daqui — disse o Jonas, mas seu irmão Caio o ignorou e ficou soltando pequenas bombinhas estalo no chão, Jonas subiu as escadas, quando ouviu que os estalos das bombinhas pararam — Caio? — perguntou Jonas no topo da escada olhando pra baixo onde ficava o porão — Caio? Quem está ai? — perguntou Jonas com um certo medo, porém tomou coragem e desceu as escadas devagar — Para com isso Caio, pode parar — disse Jonas com sua lanterna tentando achar o irmão, logo avistou uma lanterna no chão, e foi até lá, jogou a luz de sua lanterna a o local e la estava seu irmão com os olhos arregalados e coberto de sangue olhando para um lugar escuro no porão, seu irmão foi olhar e logo viu sua visão escura, tudo oque ele conseguiu fazer foi gritar.

Dias atuais...
Estavam todas as crianças ansiosos para adentrar a casa assim como a Carolina, o Junior estava frente a casa com a Pipoca, logo todos desceram da vã e correram e abraçaram o Junior, depois da Carolina, claro.
– Gostaram da casa? — perguntou Junior sorridente, e todos os pequeninos concordaram com a cabeça.
– Sim — respondeu a Tatiane empolgada.
– Muito — disse o Neco admirando a casa.
– E você Carol? Oque achou? Ela é bem mais bonita que online — perguntou Junior.
– É, interessante — disse Carolina sorrindo.
– Ótimo, trocamos o orfanato raio de luz por isso — disse a Beatriz olhando para a casa um pouco afastada do pessoal.
– Ô resmungona vem pra cá — disse Junior brincalhão — Não gostou da casa? — perguntou Junior, não deu nem tempo da garota responder pois a porta foi aberta pela vendedora e todos a olharam.
– Bem vindos — disse a senhora vendedora, e deu espaço para que todos a acompanhassem — é uma casa vitoriana clássica, construída por volta de 1920 pelo doutor das estrelas da época, é fabulosa, essa são luminárias antigas, como podem ver os antigos donos adoravam essa casa, restauraram tudo — disse a senhora apresentando as coisas, e foram todos a cozinha — você sabe cozinhar? — perguntou a senhora para Carolina.
– A Carolina é ótima cozinheira, fez aula de culinária mas acabou ela ensinando a professora — disse Junior sorrindo.
– Aulas de culinária? Que legal, você é psicologo? — perguntou a senhora vendedora.
– Psiquiatra, fiz cursos, e como você me disse antes que tinha um lugar aqui pela casa que dava pra montar um escritório, vou trabalhar aqui em casa, pra passar mais tempo com o pessoal — disse Junior, e a Pipoca começou a latir, porém ela não estava na cozinha como o resto do pessoal.
– Pequena vai ver onde a Pipoca foi? — perguntou a Carolina para a Tatiane, e a Tati concordou com a cabeça — Obrigada — disse Carolina sorrindo, e a Tatiane saio correndo em busca da Pipoca, e logo a encontrou em frente a uma porta latindo.
– Está latindo por que? — perguntou Tatiane olhando para a cachorrinha, Tati tentou abrir a porta, uma, duas, três vezes mas não conseguiu, quando desistiu a porta se abriu, e logo a pequena desceu as escadas que continha atrás da porta, sentiu-se observada, olhou de um lado para o outro, e subiu as escadas correndo e fechou a porta, e correu para a sala de estar, onde estavam todos.
– O papel de parede parece estar saindo, tem um mural aqui abaixo? — perguntou Carolina.
– Ah... os últimos donos devem ter coberto, eles eram modernistas — disse a vendedora — falando nos últimos donos, a lei exige que eu conte oque aconteceu a eles.
– Ai meu deus, eles não morreram aqui, morreram? — perguntou a Carolina, e as crianças olharam assustadas para a vendedora.
– Morreram sim, os dois, suicídio e assassinato, eu vendi a casa a eles eram doce, mas nunca se sabe — disse a vendedora.
– Isso explica por que a casa esta na metade do preço — disse Junior.
– Onde aconteceu ? — perguntou Beatriz.
– No porão — disse a vendedora.
– Ficamos com a casa? — perguntou Tatiane contente, parecendo que não tinha escutado nada.
A vendedora ficou contente por vender a casa e trocou a placa da casa de "Vende-se" para "Vendida". Tempo depois chegou o caminhão de mudanças, arrumando os moveis na casa.
– Vamos descansar um pouco amor, amanhã arrumamos o resto — disse Junior entrando no quarto dele e da Carol.
– Estou preocupada com as crianças, o pessoal dessa região são bem diferentes — disse Carolina, e Junior sorriu — Não acredito que esse lugar não te assusta pelo que houve — disse Carolina o olhando.
– Meu bolso esta super feliz por essa casa ser a metade do preço, então vamos esquecer isso — disse Junior risonho.
– Esse é seu conselho profissional? Negação? — perguntou Carolina, e o Junior sorriu e a beijou.
–
As crianças estavam rumo a escola, os mais velhos Mosca e Milena guiaram todos, Beatriz estava viciada no livro a Culpa é da estrelas e comprou um cigarro para imitar o Augustus e ver a reação do pessoal, ela não acendeu o cigarro só o pois na boca, Milena a olhou assustada e mandou a amiga tirar aquilo, porém a Beatriz não deu ouvidos.
– Aí, o conselho escolar montou uma regra para não fumar em espaços públicos — disse uma garota acompanhada de mais 2, e a Beatriz jogou o cigarro no chão — Você tá maluca garota? As pessoas sentam aqui, comem aqui — disse a mesma garota.
– Você não me conhece, por que esta fazendo isso? — perguntou Beatriz.
– A avó da Mira morreu de câncer no pulmão, ela leva essas coisas a sério — dise outra garota a o lado dessa Mira.
– Come, come ou eu vou te bater — disse a Mira mostrando o cigarro e ameaçando a Beatriz.
Oque? — perguntou Beatriz.
– Mira chega — disse uma outra garota a o lado da Mira.
– Não, eu quero ver-la engolir — disse Mira e avançou na Beatriz com um cigarro na mão tentando a fazer comer, Beatriz cuspiu na cara da garota que logo deu um grito — Você tá ferrada, você tá ferrada — gritou a Mira
–
Carolina estava na casa tirando o papel de parede num local e viu que ali tinha um quadro, Carol observava lentamente cada detalhe ao escutar uma voz que a assustou e a Carol se virou rápido para ver quem era.
– Você vai morrer aqui — disse uma garota com síndrome de down que aparentava ter 15 anos.
– Meu deus, quem é você? Oque está fazendo aqui? — perguntou Carolina um pouco assustada, e logo viu outra pessoa entrando na sala de estar uma mulher que aparentava ter seus 38 anos de idade.
– Dora? Dora? — chamava a senhora entrando na sala de estar — Coloquei você lá sentada pra assistir dora a aventureira — disse a senhora falando com a garota.
– Era go Diego go, eu não gosto — disse a garota.
– Personagens de desenhos marrons, você não sabe a diferencia — disse a senhora.
– Com licença — disse a Carolina chamando a atenção delas.
– Oi? Sou sua vizinha Constance e essa é minha filha Dora — disse a Constance.
– Ah... — disse Carolina.
– Vá para casa — ordenou a Constance para a filha, que logo se foi — essa garota é um monstro, eu a amo, sou uma boa cristã mas jesus cristo, se tivessem me falado que... — ia dizendo a senhora mas Carolina a interrompeu.
– Como entrou aqui? — perguntou Carolina.
– Deixou a porta dos fundos aberta, apesar da Dora sempre conseguir entrar aqui, ela tem uma sisma com essa casa, ela sempre vem — disse a Constance, e logo a Constante olhou para os objetos da sala- Você tem objetos lindos.
– Obrigada — disse Carolina um pouco assustada ainda.
– Tem cachorro? — perguntou Constance.
– Tenho uma cachorrinha — disse Carolina.
– Tem um canil do lado da minha casa, uma creche para cães — disse Constance.
– Legal — disse Carolina.
– Prefiro raças puras, adoro as belezas das linhagens, mas sempre a espaço na minha casa para vira-latas — disse a Constance
– Hum — disse a Carolina guardando seu celular no bolso.
– E olha só esses seus brincos, são diamantes? Não aqueles lixos que vendem na tv — perguntou Constance se aproximando.
– Não — disse a Carolina sorrindo
– Eu tinha diamantes assim, um par para cada dia na semana, foi seu marido que deu? — perguntou Constance.
– Foi sim — disse Carolina.
– Hum... Sempre dão quando se você é jovem e bonita — disse Constance — Avise se precisar de ajuda com a cachorrinha.
– Ah claro, tudo bem, e sou Carolina Correira — disse Carolina.
– Emfim, relaxe e aproveite, que bom que se livrou daquele papel de parede, achei que as antigas pessoas tivessem estilos — disse Constance, e entregou uma caixinha para Carolina, que logo abriu a caixinha — É salvie para limpar os espíritos da casa, a muitas lembranças ruins aqui — disse Constance e logo saiu da casa.
Carolina pegou aquele salvie da caixinha acendeu um pouco de fogo na salvie e caminhou pela casa atentamente.
–
Horas depois as crianças já aviam chegado do colégio e era hora do Junior atender seu primeiro paciente um garoto que aparentava ter uns 17 anos, seu nome era Daniel.
– E então Daniel? Essas fantasias começaram oque? A dois anos? Três anos? Quando? — perguntou Junior olhando atento a o garoto.
– A dois anos, é sempre igual, começa do mesmo jeito — disse Daniel.
– Como? Me conta? — perguntou Junior.
– Eu me preparo para a guerra nobre, estou calmo, sei o segredo, sei oque vira e sei que ninguém poderá me impedir, nem eu mesmo — dizia Daniel.
– Você liga pras pessoas que foram más, ou mau educadas? — perguntou Junior.
– Mato as pessoas que eu gosto, alguns imploram pela vida, não me sinto triste, não sinto nada, nos vivemos num mundo sujo, é um mundo desgraçado sem solução, sinceramente sinto que os estou ajudando a livrar das fezes, dos vômitos que correm pelas ruas, eu os ajudo para ir a um lugar limpo e gentil, tem alguma coisa naqueles sangues todos, me afogo neles, os índios acreditavam que o sangue contia maus espíritos, e então em cerimonias eles se cortavam para que os espíritos maus saíssem, alguma coisa muito inteligente, gosto disso — diz Daniel que se assusta com algo atras do Junior, mas fingi ignorar- Acha que sou louco? — pergunta Daniel.
– Não, acho que você é criativo, acho que tem muita dor que não enfrenta — diz Junior.
– Minha mãe deve estar preocupada não é? — pergunta Daniel.
– Tenho certeza que sim — diz Junior.
– Ela é louca, minha mãe traiu meu pai com o vizinho, meu pais soube e se separou dela, da pra imaginar? Que loucura é essa? — perguntou Daniel
– Já ouvi coisas piores — diz Junior.
– Pode me contar algumas? Adoro historias — perguntou Daniel.
– Não, não posso — diz Junior.
– O mundo é um lugar muito sujo, é um show de horrores doente e nojento, a tanta dor por ai sabia? Tanta dor — diz Daniel, e continuou a conversa...
–
Horas depois quando todas as crianças desceram pro lanche, Beatriz aproveitou pegou no quarto uma lamina, e começou a fazer pequenos cortes no braço.
– Está fazendo errado sabia? Se quer se matar faça um corte vertical, não tem como suturar — disse Daniel aparecendo do nada na porta do banheiro que estava entreaberta.
– Como entrou aqui? — perguntou Beatriz olhando assustada pro garoto.
– Se quer se matar de verdade teria que fechar a porta — disse Daniel, e logo saiu e fechou a porta deixando a garota sozinha.
–
Dia seguinte...
Carolina estava no quintal da casa observando o Jardim, e logo viu uma senhora desconhecida se aproximando.
– Posso ajudar? — perguntou Carolina.
– Sou Dalia, a empregada da casa — diz Dalia.
– Não sabia que o lugar vinha com empregada — diz Carolina sorridente — Mas me desculpe, não sei se precisamos de uma empregada.
– Oque usa para limpar o chão de madeira? — pergunta a Dalia.
– Lustra-móveis — diz Carolina.
– Ah não, vinagre branco, lustra-móveis mata madeira — diz Dalia.
– Eu gosto assim, é mais natural — diz Carolina.
– Já teve uma casa velha assim? — pergunta Dalia.
– Não — diz Carolina.
– Tem personalidade e sentimentos, se não a tratar bem vai se arrepender, eu posso entrar, meu táxi foi embora — pergunta Dalia.
–
Horas depois Daniel aparece para conversar mais uma vez com Junior em seu escritório.
– Tem problemas se eu gravar? — pergunta Junior
– Não — responde Daniel.
– Esta tomando seus remédios? — pergunta Junior.
– Sim — diz Daniel.
– Algum efeito colateral ? — pergunta Junior.
– Eu estava tomando a noite, mas não conseguia dormir — diz Daniel.
– E oque você fez? — pergunta Junior.
– Comecei a tomar de manhã — diz Daniel.
– A sensibilidade a luz é bem comum — diz Junior.
– Talvez, éh... Acho que sim — diz Daniel.
– Quando eu estava na faculdade chamamos um argente da cia para ver quem estava mentindo, o cara tinha mais ou menos uns dois metros, era militar, deve ter sido um interrogador e tanto, por que vou te contar morria de medo de mentir pra ele — diz Junior.
– Acha que estou mentindo? — perguntou Daniel.
– Sensibilidade a luz é um efeito colateral desse remédio Daniel — disse Junior.
– Você mentiu pra mim — disse Daniel
– O importante é que que não mentiu sobre oque quer fazer com seus colegas, se realmente é um perigo pra sociedade a lei diz que tenho que denunciar você a policia — diz Junior.
– Ligou pra eles? — perguntou Daniel.
– Ainda não, eu já tratei psicóticos com a combinação certa de desequilíbrio químico e dano psicológico e não teve jeito — disse Junior.
– Acha que sou assim? Que não posso melhorar? — pergunta Daniel.
– Você? Tá brincando? Você não tem jeito — diz Junior num tom brincalhão que faz Daniel rir — Todo mundo pode melhorar Daniel, todo mundo, acho que você só tem medo, só não sei ainda do que, talvez seja rejeição, por causa do que seu pai fez com você — dizia Junior e Beatriz observava a conversa dos dois atrás da porta juntamente com Milena que estava a puxando para ela deixar de ser bisbilhoteira.
–
Depois de um tempo as crianças estavam brincando de esconde-esconde, Beatriz viu uma pequena abertura que dava no porão de cima, da casa, o Daniel subiu e ela estranhou por ele ter entrado ali, afinal ele não mora junto com eles todos, ela o seguiu até lá acima, ele se virou para ela e olhou o braço da garota, e mostrou seu braço que também tinha alguns cortes.
– Esse corte fiz na época que meu pai foi embora, eu tinha dez anos — dizia Daniel apontando para seu braço.
– Dias atrás, primeiro dia na escola — disse Beatriz apontando para seu corte — Um saco.
– Colégio Last Field né? A pior, fui expulso de lá — disse Daniel.
– Eu odeio aquilo, odeio todo mundo, a costa leste era melhor — disse Beatriz.
– Adoro quando as folhas caem — disse Daniel.
– Também — disse Beatriz.
– Por que veio morar aqui? — perguntou Daniel.
– O orfanato de onde vim assim como o resto do pessoal foi fechado, dai o Junior e a Carol pegaram todos nós e compraram essa casa para vivermos — disse Beatriz.
– Triste — disse Daniel.
– Por que está se tratando com o Junior? — perguntou Beatriz.
– Se já sabe por que resposta? Você é bem inteligente — disse Daniel.
– Quer ouvir musica? — perguntou Beatriz tirando o celular do bolso.
– Oque está fazendo aqui? — perguntou o Junior chegando no local e referindo-se a Daniel.
– Ouvindo música Junior — disse Beatriz.
– Você tem que ir Daniel, você só faz consultas e não pode andar por minha casa, sabe disso — disse Junior, e o Daniel obedeceu e caminhou até o Junior
– Acha que tem medo de que? De rejeição? — pergunta Daniel e saiu.
– Fica longe dele — diz Junior.
– Mas Junior, a gente só tava...-ia dizendo Beatriz, mas é interrompida por Junior.
– Você me ouviu — disse Junior e logo saiu dali.
Daniel desceu as escadas irritado, com raiva.
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