O oppa não vai se casar com você.

1 I. O fim de uma antiga vida?


Aquele era meu último — convenhamos, felizmente — dia de aula na Bu Yong High School, uma escola de porte médio nos arredores de Seul. Como sempre no inverno, meus ossos congelavam e eu tremia levemente entre o casaco, dando pequenos saltos para tentar descongelar as partes que — por dentro — estavam por si só, quase quebrando de tão frias.

A BYHS não era um lugar tão detestável de se estudar, se não fosse pelo fato de ser uma escola “recentemente” aberta para garotas, sendo assim, uma maior população de garotos. Agora você me pergunta: “E onde está o erro nisso?” O erro está quando as diferentes facções da BYHS se enfrentam, os meninos ciumentos pois não estão aos olhos das meninas, e as meninas que brigam para que os mesmos parem de tentar ocupar o lugar de seu oppa dos sonhos.

Onde eu estou nessa facção? Bom, estou no meio, tentando não sonhar com um garoto que poucas vezes vai me ver, ok, também estou inutilmente falhando, pois por dentro sonho com ele todos os dias. Que seja, será que já saiu algum MV novo?! OK, FOCO!

Sendo assim, necessitando sair dos intensos devaneios com idols que provavelmente me causariam sangramento nasal caso estivesse em algum anime, me levanto da escadaria da escola em que esperava minhas duas únicas amigas — de apenas 7 meninas na sala, que pelo visto se perderam entre a neve e o edifício (que também é branco).

Confesso, não sou fria o suficiente para atravessar os corredores e não sentir saudades das poucas lembranças que fiz naquele lugar, como a minha primeira declaração rejeitada ou… é, não sentirei falta.

Entro na sala de aula apertada, cujos lugares poucos estão ocupados, provavelmente estão em alguma lan house jogando LoL ou travando uma batalha de guerra de neve, garotos. Enfim, minhas duas amigas — ou traidoras, porque eu morri de frio lá fora — estavam sentadas em seus respectivos lugares, no fundo, com celulares nas mãos e revistas sob a mesa.

– Yoon Ah! Você demorou. — Jung Soo exclamou com seu jeito aegyo de ser,estava realmente linda hoje. Os cabelos estavam presos em chiquinhas com dois prendedores peludos e fofinhos.

– Realmente, foi difícil pegar o último trem vindo do inferno. — Declarei com o sarcamos reinando em minha voz. Poxa, não brinquem com o frio.

– Hã? Você teve outro surto de retardo?

– Como assim outro surto de retardo?

Sabe… como naquela vez você disse que tropeçou no Kim Hyun Joon e ele pegou sua mão de relance… – É VERDADE!

EU NÃO ESTOU TENDO SURTOS DE RETARDO, eu juro que era ele. Como euesqueceria aquele sorriso lindo? – E me recordo do início da minha adolescência, em que ele era meu completo príncipe. Bom… fico feliz que isso tenha mudado, não sou uma princesa que gosta de apanhar.

– Você deve ter se confundido, aquele deus nunca tropeçaria em uma mortal – disse com um falso desdém. Argh, um dia eu mato Jung Soo.

Espera, alguém está meio silencioso nessa conversa, entretida entre as briguinhas com J.S, esqueço que outra pessoa no mundo pode ser minha amiga, assim, me viro para um tufo de cabelos espalhados pela mesa.

– O que houve com ela? — Indaguei, arqueando as sobrancelhas de leve.

– Não sei, quando cheguei estava aí, eu estou com medo, ela não disse nada,não se moveu… apenas tremia e soltava risinhos de vez em quando. – Ok, sua voz já exigia; eu terei que descobrir o que aconteceu.

– Yuki? — Perguntei relutante, tirando aos poucos seu cabelo da frente de seu rosto e também da mesa, aposto que ela estaria com a testa marcada.

– Hii..hi...hi…. — Soltou uma risadinha cruel.

PELOS DEUSES, NINGUÉM PODE SER NORMAL NESSE PRIMEIRO CAPÍTULO?

Ao finalmente tirar seus fios negros da frente de sua cara, me deparei com uma Yuki totalmente… besta. É essa a palavra? Seus olhos brilhavam e sua boca soltava pequenas risadas, ela formava uma perfeita máscara de um espírito traiçoeiro em sua expressão…. socorro.

– Soo, você ainda não se acostumou com essa expressão? — Aquilo era o cúmulo do normal, mas vou explicar, Yuki é completamente tímida e carente desde que chegou do Japão, não entendendo coreano muito bem — mas ainda conversável — sua vida foi totalmente restrita em questão de garotos, sendo assim, provavelmente ela tivera contato com algum.

– Algo novo pelo menos? — Ela balançou a cabeça em sinal afirmativo, estendendo a mão com um papel branco amassado sobre ele.

No papel havia um número de telefone… Yuki tinha conseguido o número do garoto?!

– É um número isso aí? Ohmygosh, nossa garotinha está crescendo! – Exclamou Soo, dando pulinhos de felicidade e ironia.

Pronto, Yuki conseguira um avanço mais significativo com um garoto em 1 dia do que eu consegui em todos os meus 17 anos, bom, fico feliz por ela.

Com um olhar fantasioso para mim e uma breve censura para Jung, Yuki abaixou sua cabeça e voltou aos seus devaneios.

Recobrando a atenção, J.S se volta e me senta sobre a cadeira;

– Você já sabe para qual escola vai?! — Indagou toda ansiosa, e essa era a pergunta que eu menos queria ouvir em todo o dia.

Sinceramente… não. Eu ainda não recebi o resultado das escolas que tentei e ainda estou pensando se vou tentar mais um… — A verdade é que eu já tinha passado em duas escolas técnicas, eram boas, mas não era a que eu queria.

– Eu passei na Guran, meus pais estão tão felizes, eles vão até comprar carne! CARNE, CARNE, CARNE — ela levantava os pés, expressando tanta felicidade que eu sentia uma verdadeira inveja. — Mas… qual você pretende tentar?

– Eu não sei se vou... mas é a Seoul Perfoming Arts School… é bem bobo, né?– Cocei minha nuca, fingindo descontração.

– Eu… não.. creio… nisso. — Falava lentamente. Pelo menos no ramo que conhecíamos, a SOPA aceitava somente os mais talentosos dos talentos, formava a pessoa para qualquer ramo, atuação, canto e da indústria da arte, e é claro, a escola com uma grande quantidade de idols estudando.

– Pois é, nem eu. – Sorri desconcertada. O único idol que eu queria conseguir conversar, eu havia conversado anos atrás, sem mesmo saber quem era. Não posso negar que um desejo íntimo arde para conversar com ele. Apenas canso de ficar olhando os monitores, ou ter uma visão dele com um monte de pessoas na frente. Eu precisava esclarecer, eu precisa lembrá-lo da nossa promessa. E eu o lembraria.

Assim segui o meu último dia como uma pessoa ...normal?

Notas finais
Somente no próximo capítulo é possível ter a presença dos garotos mesmo. :D