Eram as minhas primeiras férias realmente felizes, sem o estresse de voltar e reencontrar as mesmas pessoas de sempre, sem a Sooyoung — que felizmente — fora viajar com uma amiga, e sem precisar me preocupar por enquanto em o que vou fazer no futuro. Agora só preciso saber como sobreviver à escola.

Era uma tediosa tarde de sexta, eu me encontrava escondida entre as cobertas da minha cama, com o controle remoto na mão e a TV ligada. A única luz que reinava no ambiente era a da TV. Eu me sentia como um zumbi. Perfeito.

Assistia um dorama — como sempre — e só saía daquela hibernação forjada quando o terminasse. E lá estava eu assistindo My Love From The Stars.

Tudo bem, quando digo assistindo, entenda-se como suspirando pelo Kim Soo Hyung e suas cenas de amor perfeitas como sempre. SBS, invista em mais aliens como esse, por favor.

Eu deveria estar praticando, eu sei. Também deveria estar tentando virar uma pessoa mais feminina para arranjar um marido — segundo meu pai — eu sei. Mas é realmente difícil começar as coisas sozinha.

Ouço um barulho na porta, posso supor ser minha mãe ou um ladrão. Bom, o ladrão não seria esperto o suficiente, existem casas melhores na região.

Passos. A porta se abre.

E reconheço o furacão Kim passando pelo quarto.

Primeiro ela passa pela minha cama, lutando contra os fios de carregadores no chão, vai até a janela e a abre.

Me sinto como um vampiro queimando no sol.

– Omma! — Grito — O que você está fazendo? — Puxo as almofadas até o meu rosto, a claridade excessiva me cegando por alguns segundos.

– Eu não te alimento para ficar vendo doramas em casa. — Respondeu calmamente, abrindo meu guarda-roupa e puxando roupas.

Sim, em meus 17 anos e estou sendo vestida pela minha mãe. De novo.

– E o que vou fazer? — rebati. Talvez eu acho que nunca chegue a pensar em como sobreviver ao colégio, acho que posso morrer agora.

Um olhar, uma Yoona calada.

– Vá tomar um banho, vou deixar a roupa aqui e te esperar lá embaixo, você vai trabalhar comigo a partir de hoje. — E com um tom imperativo, se retirou do quarto.

Trabalhar com a minha mãe significa que….? Eu já sabia a resposta.

Pausei o dorama, saltando da cama, pegando todas as roupas escolhidas e correndo ao banheiro.

Já estava me vestindo e tentando arrumar os traços de vagabundagem e depressão que andava passando. Por que eu não comecei a me arrumar? Por quê?!

Passava um pouco de maquiagem na cara, apenas uma base e um pó para disfarçar as espinhas e olheiras adquiridas após noites de chocolate e manwhas. Analisei a roupa em minha cama, realmente minha mãe é boa no que faz, ela havia escolhido uma cardigan preta juntamente com uma blusa branca e outra xadrez, além de uma calça jeans azul e POR UM MILAGRE, ela se esquecera de colocar os sapatos. Logo eu teria um pouco de independência, só um pouquinho. Sendo assim, pego um all star preto.

Visto tudo rapidamente e suspiro ao me olhar no espelho. Aquela não era eu. Minha pele estava normal devido a milagrosa maquiagem e eu diria que até estava parecendo ‘profissional’. Mas… profissional para o quê?

– Você está fofa! Do jeito que eu imaginei – Minha mãe exclamou ao me ver descendo as escadas, a chave do carro girava entre seus dedos.

Para ser sincera, omma era bem jovem desde que eu me recordava de ter a conhecido, seus cabelos eram curtos e negros, sua pele também não entregava sua idade.

– Devo começar a fazer gwiyomi aqui mesmo? — Perguntei, com as mãos gesticulando as patas de um gato. Uma tentativa mais do que fracassada de fazer aegyo.

– Você realmente não se enxerga, criança.

Pobre omma, mal sabe que eu realmente queria isso. Não me enxergar.

Dessa vez o cenário mudara, omma tomara um caminho oposto ao da BigHit, nos levando a uma praça fechada.

Estacionando o carro em uma rua, andamos até um grupo de seguranças, onde apresentamentos as credenciais (Como assim eu já tinha credenciais?! E aliás, que belo photoshop na minha cara) e assim, sendo liberadas para seguir mais adiante, parando em um stand com várias cadeiras e mesas, juntamente com cabides e entre outros acessórios.

Era um mundo completamente diferente, será que eu estava na quarta dimensão?

Omma não me contara nada sobre o que faria, mas no momento virou-se para mim e explicara todas as minhas "funções".

Eu seria a menina do cafézinho.

Que trabalho difícil.

Não que eu quisesse um trabalho realmente emocionante, mas eu esperava algo mais… aventureiro para o meu primeiro dia de responsabilidades e também meu primeiro dia fora da Yoona caverna durante as férias.

Eram cerca de 14h20 quando a equipe de produção responsável pela fotografia — descobri assim que seria uma sessão de fotos — chegara, então provavelmente eu teria trabalho às 15hr. E o que fiquei fazendo nesse meio tempo? Encolhida em um canto, com o celular nas mãos e jogando Crossys Road.

Talvez não tenha reparado no tempo passando, somente na minha ruindade por não conseguir alcançar mais de 500 pontos.

Sinto uma sombra por cima e também uma mão em meus ombros, me fazendo dar um pulo súbito. Ótimo, demitida.

Mas não era, e meu coração perdera o ritmo ao ver.

Taehyung retirara a mão de meus ombros rapidamente e sorrira amarelo, ao atrás de si, os garotos — vestidos da maneira mais simples que eu sequer imaginaria algum dia — estavam em um círculo, conversando e rindo animados.

– Você está fazendo errado. – Comentou, indicando com o dedo para a tela do meu celular.

Há quanto tempo ele está me observando?!

– Ah… eu realmente não sou muito boa. –Imagino que meu sorriso saíra meio débil.

– Se me permite. .. – Não tive nem tempo de afirmar, ele já tirara o celular da minha mão – Eu pretendo ser o mito desse jogo! – E começara a jogar.

Eu apenas pude rir, o quão estranha essa situação era? Quantas vezes tinha me imaginado ao lado do meu idol, onde eu seria uma pessoa completamente legal e sem nenhuma vergonha, onde nós conversaríamos como bons amigos e talvez até algo a mais. Como eu era sonhadora.

Pois não, eu não era a pessoa mais legal. E eu estava morrendo de vergonha também.

Com nós dois entretidos, nem me deparei com outras presenças nos observando, contendo sons como “Oh” e “Ele é bom nisso!”.

Após perder, com 570 pontos, ele me entregou o celular com um sorriso.

– Eu acho que roubei seu celular.

– Tudo bem, ele era ruim mesmo. — Sorri, recolhendo.

– Acho que o V nunca vai alcançar seus 601 pontos. – J-Hope, que estava em ao lado do mesmo, falou com a voz arrastada, imitando um tom lamentoso.

V faz uma cara arrastada, olhando para o seu hyung.

– Você era a garota daquele dia, certo? — Uma voz profunda falou ao lado, me fazendo arrepiar, após ouvir tantas músicas, tantas as vezes, nem precisei me virar para saber que era o Suga. – Por acaso está nos seguindo? — Ironizou.

Quem dera.

Fiz uma reverência, pois eles eram meus “chefes”, e me voltei para Suga:

– Sim, eu peço seu perdão pela intromissão naquele dia.

Os outros apenas observaram e vi pequenas sobrancelhas arqueadas. “Intromissão?”

– Como eu disse, eu concordava com você, não sei o porque de insistir em algo que sabia que não daria certo. — Deu um sorriso radiante, eu estava de frente ao sol? – Muito obrigado…? — Interrompeu, estava perguntando meu nome?!

– Kim Yoon Ah – completei – Estou ao seus serviços por hoje — me curvei à roda que se formava ao redor.

Rapmon, o único que não se encontrava na roda, veio com passos apressados até o grupo. Não pude deixar de notar em seu jeito sério e também infantil quando quer, seus cabelos reluziam em um prateado que combinava com sua postura.

– Temos que ir, é hora de nos preparar para o ensaio. – Disse, se virando para mim e ambos nos cumprimentando através de uma reverência.

Os meninos, decidindo seguir seu líder, me desejaram tchau um por um, e eu pude ouvir a voz dos outros não-tão silenciosos membros.

– Parabéns por ter ingressado na SOPA — Kook me disse ao passar, soltando um sorriso tímido. – Espero que você aproveite bem a escola! – E com um esforço, passou a vez aos outros membros.

Espera, como ele saberia da minha aprovação ao SOPA? Talvez minha mãe deva ter cantarolado até demais.

Jimin e Jin me disseram para vencer V em outra oportunidade e que cuidariam disso se fosse preciso – trapaceiros, dei uma risada J-hope abriu um largo sorriso.

– Se ouvi bem, você vai para a mesma escola do nosso Kook. — Assenti — Cuide do nosso Kook então, conto com você! — E gesticulou como uma mãe, tornando a situação em si, cômica.

Suga parou a minha frente e nada disse, apenas ficamos nos olhando e logo percebi o quão desconcertante era a situação. Pigarreando, encontro algum assunto.

– Ótimo desenho, e também aposto que a música era ótima! — Acrescento. O que diabos estou falando? Ele vai me cortar….

– Eu acho que estava ficando louco sem uma opinião, e foi surpreende vindo uma de fora, eu acho que tenho quete agradecer… – Colocou uma das mãos em sua nuca, meio sem graça. Acho que meu lado fangirl começava a apitar sobre aquela visão, era tão fofa e tão real dele, porém eu não estava falando com um idol, apenas um garoto que gostava de escrever.

– Ah… — Sinto minhas bochechas esquentarem — Suga-sshi… — E sou interrompida por uma voz distante, provavelmente da alguém da staff, o chamando. – Você tem que ir. – Por que estou aliviada? Talvez o olhar penetrante que ele me lançava tornava difícil o ato de respirar, talvez por observar seus lábios cheios a cada palavra pronunciada, ou talvez porque era a primeira vez que eu havia conhecido esse lado meio confuso de si.

– Estou indo então, até mais, Srta. Kim. — E partiu com um sorriso no rosto.

Acho que finalmente senti o que Boy in Luv queria dizer.

Por que você está fazendo meu coração tremer?

Por que tremeu?

O resto do dia segui pacificamente, entregava cafés para os empregados e ajudava minha omma a carregar caixas, cabides e roupas. Eu me pergunto quantas fãs queriam estar no meu lugar, próximas de seu idol, apoiando de tão perto. Eu tinha sorte.

Em um breve tempo, consegui me esconder entre os funcionários e observar o ensaio dos garotos. Me impressionava o fato de serem tão talentosos, mas também tão esforçados, a cada erro — que eram poucos -, pediam desculpas e o faziam melhor. J-hope era tão alegre, Suga era tão calmo, Jin era tão amável, Rapmon tão responsável, JK tão esforçado, Jimin era tão charmoso e V tão...estranho e energético. Era uma visão que me dava orgulho.

E eu acho que podia ficar para sempre vendo aquilo...

Mas meu coração ainda tremia.