Loid

Ter uma criança em casa resultava em passeios aleatórios pela cidade toda vez que Anya ficava de saco cheio de brincar entre quatro paredes e queria se aventurar por aí, como ela gostaria de dizer. E como negar algo a ela? Com aqueles olhos de cachorro tão fofinhos, que sabia que era o ponto fraco tanto meu, como de Yor.

Foi assim que, em um domingo típico de verão, acabamos no parque mais perto de casa, comemorando o Dia das Crianças.

Foi impossível não sorrir vendo a minha filha, pulando de alegria, vendo o palhaço, ou pedindo para comprar o algodão doce, só porque a cor era rosa, sendo sua cor predileta; ou até os seus olhos brilhando vendo um cachorro e quando o dono a deixou acariciá-lo, quase implorou para que tivéssemos um.

Claro que só disse um: “veremos quando você for mais velha”, mas ela nem se abalou, pois segundos depois, seus olhos captaram outra coisa super legal e foi lá toda feliz participar.

— Papai, mamãe, vamos? — Anya estava nos puxando pelas mãos, claramente empolgada com o que estava em sua frente: um palco com atores cantando aquelas músicas infantis que sabia de trás para frente de tanto que Anya gostava.

Como muitas pessoas chegaram antes de nós, infelizmente não conseguimos um lugar muito para frente do palco. Vi minha filha dando pulos para conseguir ver o que acontecia, mas claro que, com sua pequena altura, nada mudava. No entanto era a coisa mais fofa que vi, por isso que tive que fazer um pequeno vídeo com meu celular para registrar aquele momento tão precioso.

— Papai, vai te ajudar. — Dei um riso antes de pegá-la no colo para depois colocar seu corpo, que não pesava quase nada, em meu ombro.

— Ohh, agora posso ver tudo! Obrigada, papai, você é o melhor pai do mundo! — Minha filha bateu suas mãos toda empolgada, aproveitando a vista privilegiada.

O show se passou por aproximadamente uns cinco minutos, às vezes a pequena mexia em meu cabelo, o que me deixava super relaxado, não iria negar.

— Papai, você poderia me colocar no chão? — minha filha pediu.

Em um pulo, ela estava no chão novamente e bateu na perna de Yor ao meu lado e pediu para sua mãe levá-la no ombro.

— Algo parece errado. — Anya colocou seu dedinho no queixo como se estivesse pensando em alguma coisa muito difícil e não conseguia chegar a uma resposta.

Ela pediu mais uma vez para sua mãe deixá-la no chão, para bater em minhas pernas e mais uma vez, estava com ela em meu ombro.

— É isso! Papai, você tem o melhor ombro do mundo. Espero que continue assim para sempre. — Ela deu um risinho fofo antes de colocar toda a sua atenção novamente no palco.

(....)

— Loid? O que você está fazendo? — Minha esposa até parou, segurando as roupas em seu braço, me vendo puxar ferros pela nossa casa.

— Anya disse que o meu ombro é o melhor do mundo, então farei o possível para continuar assim. — Ela deu de ombros, não entendendo muito minha motivação.

Se Anya queria algo, ela conseguia e não seria diferente com o meu ombro.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!