O olimpiano brasileiro
1 Prólogo
Notas iniciais
Era manhã de uma terça-feira, mais precisamente seis e trinta e cinco da manhã. Percy Jackson estava grunhindo com as frestas de claridade entrando pelos buracos de tiros em sua parede mal rebocada. Sua mãe o havia chamado diversas vezes para a escola, mas sem respostas.
- Oh muleque preguiçoso da mulesta! — trovejou sua mãe para seu padrasto.
- Deixa comigo que eu vo acaba com ele na pexera. — reclamou o velho bêbado.
Ao ouvir a palavra mágica, Percy acordou, abriu as janelas, arrumou a cama, vestiu o uniforme e fez o trabalho de aritimética da semana que vem. É o poder da pexera.
- Tchau mãe, volto logo. — despediu-se um pouco retraído.
Percy estava mal nos últimos dias, sentia que aquela velha inválida estava escondendo algo dele, aquele bebum nem se fala. Mas concentrou-se em caminhar pelas longas ruas de Salvador, subindo cada degrau que levaria a sua escola.
- Bença, meu fi. — acenou uma idosa do outro lado da rua, sentada na calçada e fofocando com Anastácia, a gorda do pelourinha e Berenice Lannister de Barraqueira, o trio das mexeriqueiras do bairro.
- Bença — acenou dando pouca importância para aquela intrometida.
Percy então se aproximava de sua escola, mas se surpreendeu quando a viu queimando em cinzas. Era uma grande ilusão, não que ele se importasse. Uma mensagem, um recado, um caia fora daqui. Ao seu lado viu sua diretora, vestida de Maria Bunita e com aquele traseiro gordo e cheio de rugas aparecendo por debaixo daquela saia fio dental.
- Oh, meu rei, isso é o que vai acontecê se tu ficá aqui, eu preciso te levá pra um lugar seguro, visse? — anunciou despretenciosa.
- É o que muié? — logicamente questionou, estava perplexo.
- Ai dento, leva isso praquela vaca gorda que tu chama de mãe. Aproveita e fala para ela larga meu macho. — entregou um formulário de transferência. Percy não quis trocar nenhuma palavra mais, só deu meia volta e matou aula o resto do dia.
Chegando em casa viu sua mãe com o Seu Gerson da Padaria, e já habituado com a cena entregou parte do papel pra sua mãe, já que a outra metade tinha virado baseado na boca.
Vendo os dois se agarrando, Percy apenas falsificou sua assinatura e saiu dali. Não tinha coisa melhor para fazer, mas não era obrigado a ver aquela pegação toda, assim como todo o bairro sabe da fama de crente do cu quente de sua "progenitora".
- Alameda do Gerço número quarenta e dois... é aqui. — apontou para um grande moquifo, cheio de barracos e com uma pinhata semi-quebrada que a pivetada tinha destruído para pegar as prenda de Cosme e Damião.
- É sério isso? Cortiço meio sangue? Era para ser uma iscola de ensino médio? — reclamou quando avistou a placa. Mas se era para ficar livre daquela renca todo ele estava disposto a pagar esse sacrifício.
Ele atravessou o portão e logo toda a pirralhada olhou para ele, encarando-o das mais diversas formas, o que ele tinha de especial? Perderam o cu na cara dele? Oh, peste.
- Então você é o cabra transferido? — questionou o professor de línguas que na verdade é analfabeto e não sabe nem contar até vermelho.
- Sou sim, Percival Jailson. — respondeu sem muita cerimônia.
- Muito prazer, é bom ver que chegou em segurança, nem todo mundo tem a mesma sorte. Ainda mais filhos dos três grandes... — replicou o mais velho
- Três grandes? Como assim? — continuou o que seria uma longa e maçante conversa.
- Veja bem, essa é uma escola para estudantes filhos de Orixás, seja bem vindo ao Moquifo meio sangue, ou algo assim, nem eu sei mais. Os filhos dos três grandes, Exu, Iemanjá e Iansã, são sortudos por ainda terem suas cabeças.
- Mas o que...
- O novato! Vamo vira a chinela dele! — gritou um veterano vindo dos fundos.
- Ai dento. — e saiu correndo.
E assim as aventuras de Percival começaram, um tanto quanto peculiares, mas era apenas a ponta do iceberg, porque ele haveria de descobrir muita coisa mais.
Notas finais
Erros propositais (Como Pexera, Maria Bunita, etc)
Espero que tenha lhe agradado ^^
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