O olhar das estrelas
15 Dia 7 Part. 2
Notas iniciais
Pedro POV’s
Naquele momento então me virei, respirei fundo, senti o nó da gravata apertar e percebi todos os olhos fugirem do altar onde eu acabara de me posicionar e se concentrarem na entrada oposta da igreja. Nesse instante passaram-se segundos que pareceram horas. Fiquei por algum tempo vislumbrando todas aquelas pessoas que ali estavam para testemunhar nosso momento. Olhei meus pais com os olhos marejados, e meus amigos com aquele sorriso como de quem diz: “eu sabia que sua hora ia chegar”.
Enquanto observava o tapete e todos os arranjos, o trompete começou a tocar e então nada mais pareceu importante. As dobradiças se estremeceram e do portal onde outrora havia um portão dourado eu avistei a cena que esperava ver desde que neste mundo cheguei, mas que até então não sabia disso. O tempo pareceu estar congelado naquele instante em que você adentrava a igreja. Nossos olhos venceram a distância e se encontraram. Aquele sorriso único me fez perceber naquele segundo muitas coisas que até então eram mistério para mim.
Entendi a razão de toda aquela cerimônia e o motivo das pessoas se casarem. Entendi também porque todas minhas outras histórias tinham fracassado, afinal, não poderia imaginar outro rosto ali caminhando em minha direção. Era pra ser ela, sempre foi. E de alguma forma maluca eu sabia disso mesmo antes de te conhecer. Quando a marcha nupcial se encerrou e a nossa música começou a tocar, uma lágrima me escapou pelos olhos. De repente te imaginei menina, brincando com uma boneca e o seu primeiro dia na escol. Episódios que eu não tive a chance de presenciar, mas que de alguma forma te fizeram chegar até ali. Depois lembrei do dia que nos conhecemos e do nosso primeiro beijo. Eu sabia o quanto era importante pra ela, e justamente por isso, passou a ser assim para mim também. Ao som da música você veio deslizando sobre o tapete, de mãos dadas com o pai de Vanessa, bom, tivemos que improvizar. O mais incrível é que ele sorria e me olhava com olhos alegres, a abraçou demoradamente, a deu um beijo na testa e me entregou o seu maior tesouro.
Eu me aproximei, como se fosse tocá-la pela primeira vez na vida. As mãos geladas se encontraram. A euforia de um menino que vê o mar pela primeira vez. Aquela sensação que a minha vida inteira não passou de uma sucessão infinita de ações e reações ideais para que pudesse finalmente chegar até ali. Eu nem podia acreditar que você era minha, e que ao final dos dias eu não precisaria mais me separar de você. Foi quando deixamos de ser plural. Foi quando comecei a construir aquilo pelo qual mais tenho orgulho. Foi o dia do nosso casamento.
Pena que aquele sonho talvez não durasse para sempre...
O padre começou a falar, lágrimas caiam dos olhos de Caroline, que estava com olhares emocionados, quem diria que aquele dia finalmente chegaria, eu senti o nervosismo indo até a minha espinha. Eu estava feliz, mas pricipalmente, eu estava feliz com Caroline.
O final do casamento se aproximava e o nervosismo só almentava, queria que aquele dia nunca tivesse chegado, mas também queria que ele tivesse chegado, quando finalmente eu e Caroline falamos, o nervosismo almentou mais ainda, mas você já deve saber o que falamos, o que era meio obvio.
Quando o casamento acabou, fomos para a festa, aonde ouve uma grande comemoração, aonde havia bolo, salgadinhos e petiscos, entre outros.
Apenas duas horas para o momento, eu não poderia dizer que era especial ou que era importante, só, o momento. O tempo passou mais rápido do que eu esperava, eu tentava me divertir para disfarçar o meu medo, mas não houve muito sucesso. Caroline se divertia mais do que eu, mesmo sendo que ela iria fazer aquilo. Eu não esperava que aquilo desce errado, mas também não esperava que aquilo desce certo, eu só não sabia o que pensar.
Caroline, persebendo o meu estado, veio conversar comigo, e me perguntou se estava tudo bem, eu só fiz que sim com a cabeça, mesmo que meus olhos estejam tristes. Ela me convodou para dançar, mas eu recusei. Ela, sem se dar por vencida, me puxou para a pista de dança tentando me animar.
–Por que você está triste, Pedro? – me pergunta.
–Por que você não está triste?! – falo um pouco auto demais, mas me arrependo e pego a sua mão – me desculpa.
–Eu não te entendo... – pergunta confusa.
–Por que você não está triste? Você pode morrer hoje e por isso vou passar o resto de minha vida lamentando a sua ida.
–Venha comigo – então me puxou para fora, aonde estava totalmente vazio, a não ser uma pessoa que olhava fixamente para um arbusto, meio estranho.
–Então, por que você não teme que talvez irá e eu fique aqui, para sempre, chorando quando penso em você ou faço qualquer coisa que você fazia? –perguntei, tentando falar baixo.
–Olha Pedro, eu sei que eu não posso viver para sempre, por que, se eu não morrer agora, eu posso morrer da algum outrio jeito lá fora. Pedro, eu sei de uma coisa pelo menos, eu sei que eu vou morrer hoje, eu sei que amanhã eu não vou mais estar aqui, rindo com você, fazento massagens na sua mão e zuando com você fazendo comida. Eu sei que eu vou morrer hoje, Pedro... – começa a acariciar meus cabelo molhados.
–Não! – retiro sua mão de meus cabelos desarrumados, e então o homem que obcervava o arbusto olha – eu sei que você vai sobreviver, eu sei que quando eu acordar amanhã você estará ao meu lado!
–Pedro, eu sei e você também sabe que eu vou morrer, você só diz isso por que não quer acreditar na pura verdade. Só assim você vai relaxar, quando eu percebi isso, eu percebi também, que eu tenho que aproveitar ao máximo, até meu ultimo suspiro de vida, até meu ultimo batimento – coloca minha mão em seu coração.
–Isso não é verdade, Caroline. Você está enganada... Você só está dizendo isso por que quer morrer!
–Pedro, só um milagre me faria acordar este momento! Sabe quantas pessoas lá fora me amam, quantas pessoas realmente gostam de mim, quantas pessoas realmente se importam comigo?! Só minha mãe e Thiago! Mais ninguém por que, minha melhor amiga é uma filha da puta traidora que roubou meu ex-namorado e o meu ex-namorado que eu vi se pegando com a minha melhor amigano quintal da casa dele. E é por causa deles que eu estou presa nesse lugar e é por causa deles que eu vou morrer! Você ainda dúvida que eu quero morrer?! Eu prefiro ir para o inferno do que ver aqueles dois de novo!
–Quem é Thiago? – eu pergunto.
–Quem é Thiagio?! Quem é Thiago?! Eu estou querendo me matar neste momento e você ainda pergunta quem é Thiago?! Era o meu melhor amigo, a unica pessoa que realmente se importava comigo e me amava de verdade, por que o filho da puta do Dustin só estava namorando comigo para se aproximar da vadia da minha melhor amiga.
Eu, casade de ouvir Caroline gritar, a beijei, segurando seus braços e a fazendo levantar:
–Eu te amo Caroline, mas não aguento ouvir você ficar falando o tempo inteiro, principalmente quando está gritando... – falo interrompendo o beijo.
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