O nome da flor
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Emília não achava que seu mundo poderia se tornar dessa maneira. Mesmo quando ela foi machucada tanto que não poderia mais olhar nos olhos de Diane, ainda pensou que as estrelas no céu poderiam brilhar para si. Entretanto, ainda que assim pensasse, era como se tudo que sabia antes fosse quebrado em pequenos pedaços a ponto que não poderia enxergar mais nada. Ela sabia disso. Isso foi porque mesmo que negasse seus girassóis morreram.
Luísa estava agindo estranho no passar dos meses. Dessa forma, Diane e ela prometeram uma a outra a respeitar os desejos da filha de Diane e deixá-la ver o pai, porque a garota devia sentir saudades do homem depois do divórcio com a mãe. Emília pensou que essa questão estava resolvida. Contudo, a namorada começou a trancar a filha no quarto e dizer nada além de desculpas.
— O que isso significa? — Emília disse, um dia, com uma voz desconfiada.
— Nada demais, Emília. — Diane disse com um sorriso gentil em seu rosto. — Eu apenas pensei que Luísa poderia aprender um pouco mais com as máquinas do que fora de nossa casa.
— Máquinas não podem ensiná-la tudo o que precisa para ser uma boa pessoa. — Emília disse em um tom calmo.
— E Cássio poderia fazer isso? — Diane perguntou de maneira sarcástica.
— Luísa não tem nada a ver com a história de vocês. — Emília insistiu. — Vamos, Diane, eu duvido que ela está gostando disso. As amigas devem estar preocupadas.
— Se você realmente acha isso, pode falar com ela.
Emília balançou a cabeça em negativa, sem acreditar no que estava ouvindo. Todavia, foi ouvir o lado da história de Luísa. Entretanto, antes que alcançasse a maçaneta da porta, alguém acertou sua cabeça. Emília perdeu a consciência na hora. Apenas soube o que aconteceu quando acordou no meio das latas de lixo. O cheiro não foi a pior coisa que poderia sentir, mas sim a sensação de que havia sido abandonada.
Tempos depois, Emília assistiu Diane beijar outra garota, não ela. Isso a devastou mais do que gostaria de admitir.
Luísa a encontrou, um dia, com lágrimas nos olhos. Isso era algo que tinha se tornado comum para Emília, mas devia ter pego a filha de sua ex-namorada de surpresa, já que sempre tratou de esconder suas fraquezas em público, o que não acontecia naquele momento. Não sabia o porquê de Luísa estar ali, no ponto de ônibus, quando a mãe dela ainda não a permitia ir para o lado de fora. No entanto, ela estava grata quando a garota a abraçou. Estava se sentindo patética, porém, também feliz.
Naquela época, não poderia pedir por mais nada. Porém, as coisas fugiram do controle quando, três anos depois, aquela menina tinha se tornado uma mulher.
Luísa, com seus 19 anos, estava mais envolvida em sua vida do que poderia permitir. Tinha 25 anos, contudo, há 3 anos que lutava contra seu vício em bebida e fumo sem muito sucesso. Não era o exemplo de pessoa de que poderia se orgulhar, pelo menos, não como antes. Até mesmo quase tinha sido presa uma vez por um furto menor. Apenas tinha ficado livre porque o dono do mercado resolveu por dar por esquecido seu crime, devido ao convencimento de Luísa, sua mais nova melhor amiga.
Luísa era um anjo, pois ainda estava ali, mesmo que os girassóis que representavam sua felicidade há tempos tivessem morrido. Luísa lhe entregava tudo, e o retorno de Emília não era o dos melhores. Queria melhorar, pelo menos por ela. Era por Luísa que ainda conseguia seguir vivendo uma vida honesta. Não conseguia ver os girassóis florescendo mais uma vez, ainda não estava em seu tempo. Talvez ele nunca chegassem. Contudo, quem sabe se ela não deveria cultivar uma nova flor?
O nome da flor era incerto, uma vez que Emília ainda mal conseguia enxergar alguma coisa, mas tinha uma noção de como seria a sua cor, o seu cheiro, o seu encanto. Havia a cor quente dos cabelos dela, e um cheiro fraco de um perfume de pouco valor. O encanto era a suavidade com que a tocava, como se suas feridas, dessa forma, fossem apagadas pelo tempo. Pelo menos, poderia ter a ilusão de que elas houvessem sumido por isso.
Poderiam ser rosas, poderiam ser cravos, poderiam ser, no final, para sua surpresa, girassóis outra vez. Emília não se incomodaria com o que fosse. Apesar de tudo, Emília ainda não pediria mais nada.
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