Notas iniciais
Rodada 10. Tema: Episódio 42 - Pingu at the fairground

Meu filho e eu, finalmente, fizemos as pazes. Ele me pediu para passar uma tarde com meus netos, Lucas e Letícia, enquanto ele saía para uma pequena viagem com sua esposa. Eu aceitei e recebi as crianças da melhor maneira que pude. No entanto, não demorou muito para ambos meus netos se sentirem entediados. Por isso, decidi levá-los a um parque onde eu costumava ir com meu filho.

Já não ia há muito tempo lá e, assim que cheguei, senti-me nostálgica porque nada parecia ter mudado. Ainda havia, por exemplo, um músico de rua logo na entrada do parque. Ele tocava com paixão. Amava o que fazia! Eu poderia escutá-lo a noite inteira, mas meus netos estavam mais interessados em brincar. Então, dei algumas moedas para o artista e segui os meus meninos.

O primeiro brinquedo em que pararam foi o clássico balanço. Lucas empurrava Letícia, que sorria enquanto balançava alto. Com seus olhos fechados, ela parecia se concentrar no vento em seu rosto, aproveitando a sensação.

Lucas, por outro lado, desinteressou-se rápido e correu para um brinquedo que testava a força. Ele pegou um martelo quase do seu tamanho e bateu em uma pequena plataforma no chão com o maior esforço que conseguiu, mas o brinquedo não registrou muita força. Mesmo assim, Lucas comemorou, sorrindo e mostrando como ele era forte.

Eu achava engraçado o modo como eles encontravam sempre algo para fazer, sem depender de mim ou um do outro para se divertir: Indo atrás de sorvete, jogos ou algodão doce. E, mesmo sem precisar de ninguém, eles gostavam de dividir sua felicidade com outros para que todos aproveitassem.

Depois de tantas brincadeiras, meus netos insistiram que eu fosse no carrossel. Tentei negar, mas, quando eles me perguntaram o porquê, eu não soube responder. Sem argumentos, cedi e montei num pequeno cavalo, que girou lentamente no carrossel. Era algo tão simples, mas que me fez rir bastante. Era divertido. Era libertador.

Mas o tempo passa e logo chegou a hora de devolver Lucas e Letícia aos seus pais, que estavam nos esperando fora do parque. Devolvi-os, saisfeita com o que tínhamos feito, e voltei para casa de maneira tranquila.

Havia aprendido muito nessa tarde. Eu não sabia o que fazer com a minha vida, mas meus netos me mostraram que era mais simples do que eu esperava. Devo fazer o que amo, não importa quanto tempo demore para descobrir do que gosto. Vou fechar os olhos e aproveitar cada sensação que a vida me proporcionar. Além disso, devo ter orgulho de mim e celebrar minhas conquistas, por menores que elas possam ser. E eu não vou parar. Estarei sempre a procura de coisas novas para fazer, sem questionar minhas vontades mais simples.

Mas, acima de tudo, não farei isso sozinha. Irei compartilhar minha felicidade com alguém. Surpreendentemente, quando chego em casa, vejo o candidato certo para isso parado em frente à minha porta: Gin.

O pássaro que sempre me fez companhia. Há muito tempo, ele construiu seu ninho em minha casa e isso não me agradou no começo, mas comecei a apreciar a linda cor de suas penas e o seu canto afinado. Para retribuir sua companhia, eu colocava comida perto de seu ninho e, ocasionalmente, cantava para ele. Depois de muito tempo, dei-lhe nome de Gin. Uma vez alguém me disse que animais eram a melhor companhia para o ser humano e eu concordei com isso porque Gin passou a ser o meu melhor amigo.

Eu me identifiquei com aquele pequeno pássaro em vários aspectos.

Quando meu filho nasceu, perdi todo meu senso de “eu”. Acomodei-me no conforto de minha casa e fechei-me ao mundo. Esqueci que tinha asas e podia voar. Mas, agora, com o ninho vazio, sei que posso usar minhas asas e, finalmente, descobrir como é o céu.

Notas finais
Bom, essa foi a última rodada do UFC. Espero que tenham gostado da história s2.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!