Na primeira aula de Segunda feira e primeira coisa que Bruna repara é a aliança no meu dedo.
— Não acredito! – ela fala bem alto e quase todo mundo começa prestar atenção em nós duas.
— Shhhh, fala baixo.
— Desculpa – ela dá um sorriso amarelo.
Os olhos de Bruna estão vermelhos, sinal que ela estava chorando. Fico chateada por ela, eu já estou cansada de vê-la triste e chorando pelos cantos.
— O que aconteceu? – eu pergunto.
— Nada – é sempre a mesma resposta – então agora é oficial.
— Parece que sim – falo empolgada.
— Você está feliz?
— Muito feliz.
Respondo com toda sinceridade. Felipe entra na sala e abre um sorriso que me enche ainda mais de alegria.
....

Sexta feira vamos ao boliche com a galera. Já faz algum tempo que não saímos todos juntos e estou nervosa por causa de Felipe. E se não gostarem dele?
— Você ta bem? – Ele me pergunta.
Estamos dentro do ônibus a caminho do shopping.
— Estou.
— Então para de morder o lábio.
Felipe aperta minhas bochechas me fazendo ficar com aquela boca de peixinho.
— Eu sou muito ruim em boliche – falo quando ele solta minhas bochechas. Não vou confessar o verdadeiro motivo do meu nervosismo.
— A gente vai jogar para se divertir, não é uma competição.
— Eu sei, mas depois que você me ver jogando vai se arrepender de ter me dado essa aliança.
— Tenho certeza que eu nunca vou me arrepender disso.
Fico olhando para seu rosto por algum tempo.
— Como você pode ter certeza?
— Porque com você é assim, eu apenas sei.
É nesse momento que eu percebo que eu amo esse garoto e eu enfrentaria qualquer coisa por ele. Quero dizer pra ele que eu o amo, mas não dentro de um ônibus sacolejando. Encosto a cabeça no seu ombro e todo o nervosismo que eu estava sentindo simplesmente desaparece.
Nos encontramos com o pessoal em frente ao boliche, eu apresento Felipe para todo mundo e o João que é meu amigo desde o jardim de infância já começa a me provocar contado todos os meus podres.
— Ela já te contou que chupou chupeta até os sete anos? – ele pergunta para Felipe.
— É mesmo? – Felipe olha pra mim – Eu chupei até os seis.
— Você encontrou mesmo sua alma gêmea – João diz me cutucando de leve.
— Encontrei. Já você.... – olho para Samanta.
João sempre foi apaixonado por ela, eles até tiveram um rolo mas não deu muito certo.
— Golpe baixo.
Eu sei o quanto ele fica chateado com isso e não deveria tocar no assunto, mas pelo menos ele para de tagarelar.
Vamos todos juntos retirar os sapatos, a moça que está pegando os sapatos leva uma eternidade para encontrar todos os números. Nós conversamos ao mesmo tempo, fica difícil entender o que cada um está dizendo.
Quando todos nós estamos com os sapatos começamos o jogo, me colocam para jogar primeiro, segundo João quando eu jogo primeiro dá sorte, eu nem discuto porque eu sei que vou perder de qualquer jeito. Pego uma bola e encaixo os dedos nos buraquinhos de qualquer jeito.
— Espera! – Felipe diz me fazendo parar. Ele se aproxima de mim e pega uma bola – Essa bola é muito pesada.
Troco de bola com ele e Felipe me mostra um jeito melhor para encaixar os dedos e como lançar a bola em direção aos pinos. Faço tudo como ele diz e para surpresa de todos somente um pino fica em pé. Pulo de alegria e dou um beijo nele em agradecimento.
— Felipe, você acabou de fazer um milagre – Samanta diz e todo mundo da risada.
— Ela vai ganhar de todos vocês – ele diz todo orgulhoso.
Samanta é a próxima a jogar, observo ela escolhendo bem a bola. Meu celular vibra no bolso e eu o pego, é uma ligação da mãe da Bruna.
Me afasto um pouco e atendo o celular.
— Alô
— Aline? – Gláucia está chorando.
— Aconteceu alguma coisa a Bruna? – pergunto sentindo minhas pernas tremer.
— Sim.
— Ai meu Deus! – será que aquele desgraçado matou minha amiga?
— Ela precisa de você – respiro aliviada, ela está viva.
— Estou indo – encerro a ligação.
Para a mãe dela me ligar chorando deve ser sério.
Assim que Felipe me vê repara que tem algo errado.
— O que aconteceu? – pergunta analisando meu rosto.
— A mãe da Bruna me ligou chorando e disse que ela precisa de mim. Eu preciso ir pra lá agora – digo com urgência.
— Claro!
— Acho melhor ir sozinha, curte o resto da noite com o pessoal – coloco minha mão no seu rosto – você vai gostar deles.
— Tem certeza?
— Tenho.
Explico para Samanta o que aconteceu e vou embora. Corro pelo shopping até a saída e peço um carro. Durante o caminho eu choro, quero salvar a minha amiga desse relacionamento mas eu não sei como.
Chego à casa da Bruna e seu pai abre o portão para mim, ele está arrasado.
— Obrigado por vir Aline – dou um abraço nele na tentativa de confortá-lo.
— Não precisa me agradecer.
— Ela está no quarto dela.
Sigo para dentro da casa e subo as escadas, está tudo tão quieto, só escuto o barulho dos meus passos.
Bato na porta do quarto.
— Pode entrar – Bruna responde.
Abro a porta lentamente e a vejo, ela está deitada na cama segurando uma bolsa térmica em cima lado esquerdo do rosto. Fico confusa porque ela parece bem. A mãe da Bruna está olhando pela janela e parece não perceber minha presença.
— Vai ficar parada ai na porta? – Bruna pergunta mal humorada ainda com a bolsa no rosto.
Entro no quarto e fecho a porta.
Gláucia olha para mim notando a minha presença.
— Oi Aline – ela dá um sorriso triste.
— O que aconteceu? – pergunto olhando para ela e depois para Bruna.
— Mostra pra ela – a mãe da Bruna fala.
Bruna tira a bolsa térmica revelando o lado esquerdo do rosto. Seu olho está roxo e inchado e o canto boca também.
Coloco minha mão na boca, fico horrorizada ao vê-la daquele jeito. Vejo as lagrimas escorrendo pelo rosto, com certeza a sua dor emocional é muito maior do que a física.
— Eu sinto muito – não penso em mais nada para falar.
O que eu posso dizer ou fazer para aliviar a sua dor? Sento ao seu lado.
A mãe da Bruna sai do quarto sem dizer nada.
— Ela está tão triste – Bruna seca suas lagrimas.
— E você?
— Eu estou me sentindo tão humilhada, não sei por que ele fez isso – ela coloca a bolsa térmica no rosto de novo – Aline, foi tudo tão rápido e horrível, em questão de segundos ele mudou completamente, foi tomado por uma fúria – Bruna me explica.
— O que aconteceu para ele agir dessa maneira? – pergunto.
— Eu falei em terminar nosso namoro
Olho para ela surpresa.
— Você ia terminar?
— Sim.
— E agora?
— Se depender de mim não quero ver ele nunca mais.
— Bruna, você deveria ir na delegacia da mulher abrir um boletim de ocorrência contra ele.
— Eu não quero.
— Por quê?
— Aline, você conheceu o Miguel antes de mim deve saber como ele é – ela respira fundo – ele é uma boa pessoa, só está passando por uma fase ruim.
— Isso não explica o que ele fez com você.
— Eu sei, mas ninguém sabe o que está passando pela cabeça dele e eu não quero complicar ainda mais a vida dele – como ela ainda consegue se preocupar com ele? – nós tivemos momentos ótimos também sabia?
— Você ama o Miguel?
— Não. Mas ele gosta muito de mim e deve estar sofrendo muito!
— Bruna, pelo amor de Deus, se ele gostasse de você tanto assim ele não teria te agredido.
— Você não entende nada sobre relacionamentos Aline. Você começou a namorar agora, mas antes sempre ficou se escondendo com medo de se magoar.
— Tem razão, mas agora quem está se escondendo é você!
Ela da uma risada sarcástica.
— Então me deixa ser covarde pelo menos uma vez na vida.
Eu me levanto da cama e saio do quarto. Encontro seus pais na cozinha tomando um chá. Eles desabafam que estão preocupados com a Bruna e tem medo que ela volte com Miguel. Entendo o receio dos dois pois é bem provável que ela volte, a Bruna já não é a mesma de antes. Tento tranquiliza-los dizendo que vou ficar de olho nela.
Gláucia pede para dormir com a Bruna essa noite e não tenho como negar o seu pedido. Quanto volto para o quarto Bruna já está dormindo, eu choro vendo seu rosto machucado, um rosto tão lindo e delicado, nenhuma mulher no mundo deveria ser tratada dessa forma.
Visto um pijama que deixei em seu guarda roupa há algum tempo. Ela separou um espaço para minhas coisas, tem escova de dente, escova de cabelo, uma camiseta e uma blusa de moletom. Sorrio olhando para minhas coisas lembrando como a gente sempre foi inseparável e como tudo mudou desde que Miguel entrou na sua vida.
Antes de dormir mando uma mensagem para Felipe e para minha mãe avisando que vou dormir na casa da Bruna. Demoro para pegar no sono e tenho sonhos ruins a noite inteira.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.