O namorado da minha melhor amiga!
27 Minha vida é uma merda!
Notas iniciais
"Nos afastamos, com os rostos ainda colados, ficamos olhando um para o outro e no meio desse silêncio ele soltou uma frase que nunca pensei que viria dele.
— Eu te amo…"

Eu abri um sorriso enorme e dei um selinho e saí do carro as pressas, tudo dentro de mim revirava, essa frase foi como levar um soco no estômago, não me despedi, apenas entrei em casa, fechei a porta e deslizei vagarosamente apoiada na porta e sentei no chão e única frase que consegui falar foi:
— Tomei no cu!
Respirei fundo, até que não era algo tão ruim… O ALEXANDER DISSE “EU TE AMO”, ELE DISSE, mas como proceder a resposta? Ele namora minha melhor amiga, não posso falar “eu te amo” de volta, tem muita coisa nesse meio.
Peguei meu celular e mandei uma mensagem para o Alexander.
“Me desculpe pela reação, não imaginei que você fosse me falar isso… Que coisa confusa, não?!” -L
Me levantei, ainda pensando naquelas palavras e bebi um copo d’água e levei a conclusão que a melhor coisa a fazer naquele momento seria dormir, pois não existe coisa mais eficaz para os problemas e sem contar que eu estava morrendo de sono.
Subi correndo para o quarto, aproveitar que minha mãe não estava em casa, assim, quando ela chegasse eu já estaria na cama e a discussão seria menor.
Tirei as roupas do Pedro e as escondi em meu guarda-roupa, entrei no chuveiro e tomei um banho rápido e a única coisa que fiz após isso, fui vesti uma calcinha e uma blusa folgada, me joguei na cama, me enrolei e dormi em seguida.
**
Acordei por voltas das três horas da manhã, eu estava me sentindo atordoada. Me apoiei na cabeceira da cama e me levantei e quase que levei uma queda, mas consegui me equilibrar. Caminhei até a cozinha e abri a geladeira a procura de comida, mas não tinha nada, vasculhei o armário e peguei um grande saco de doritos, um tablete de chocolate e uma lata de coca-cola, meu estômago gritava de fome. Me joguei no sofá e liguei a televisão e por pura ironia da vida, em um canal passava o filme “O noivo da minha melhor amiga.”, como estava no começo decidi assisti, já que nunca tinha assistido o filme todo.
Durante o filme, eu só conseguia pensar na merda que estava metida e que minha vida não iria se resolver tão fácil quanto a da garota no filme.
— Dizer que você é minha melhor amiga é o eufemismo do século. Você é a irmã que eu nunca tive. é, muitas vezes, a mãe que geralmente preciso. A razão pela qual posso tropeçar tão destemidamente na aventura, é porque ela sempre está por perto. Ela está sempre, sempre lá.
Lágrimas escorriam e eu as enxugava rapidamente, melando meu rosto de doritos, deve ser assim que Susi pensa ao meu respeito, mas eu não chego nem a metade disso, eu sou uma puta, isso sim, até quando vou continuar com isso? O que tem de errado comigo? Continuei a assistir o filme na maior depressão e quando terminei a doritos me afoguei no chocolate, era o que eu podia fazer no momento.
Antes do filme terminar, fui até o quarto e peguei meu celular, verifiquei as mensagens e tinha uma do Alexander, que preferi deixar fechada. Voltei para sala e terminei de assistir o filme, e adivinha? Eles ficam juntos. Suspirei e dei um ultimo gole na minha coca, caminhei até a cozinha e joguei os papeis no lixo, lavei minhas mãos e minha boca e voltei para o meu quarto querido.
Fiquei sentada na cama pensando em um jeito de consertar isso tudo, tem que ter um jeito.
Olhei o relógio e era 4h30min, decidi dormir mais um pouco até acordar, vai que do nada eu acordasse e uma solução caísse em meus pés.
***
O despertador tocou e me levantei rapidamente, fui para o banheiro e fiz minha limpeza matinal, até que não demorei muito.
Fui para o quarto e vesti um short cintura alta, com uma blusa de alcinha rosa, calcei uma sapatilha, foi meio difícil, por causa do corte, penteei meu cabelo para trás e peguei um pouco de dinheiro, vai que eu sentisse fome na hora de almoçar.
Desci as escadas e olhei no relógio que marcava seis horas e dez minutos, até que me arrumei rápido. Minha mãe estava sentada, ela usava um roupão e seu cabelo estava preso em um rabo de cavalo totalmente bagunçado.
— Sabia que toda mãe merece explicações? — Resmungou enquanto mastigava o cereal. — E não sei se você lembra, eu sou sua mãe, por mais que não fosse voltar no horário determinado, ligava para avisar, eu iria morrer de raiva, mas seria o jeito.
— Me Desculpa, não era pra isso acontecer…
Um silêncio tenso se criou, caminhei até a geladeira e peguei uma maçã, ela parou de comer e começou a me encarar.
— Laurence, eu sei que não sou uma mãe presente e que isso deve afetar você, ou não, mas não quero ficar por fora do que acontece ou não com você.
Me sentei ao seu lado e suspirei.
— Eu entendo a senhora, não se preocupe e oque aconteceu na festa, não foi nada demais, eu apenas me empolguei e dormi lá, mas não aconteceu nada.
Ela sorriu e afagou meus cabelos.
— Certo, eu acredito em você.
No fundo eu senti uma leve culpa, se minha soubesse da metade do que aconteceu na festa, ela me mataria, porém oque acontece em uma festa, fica na festa.
O que faz acordada tão cedo, mesmo?
—Ah, esqueci de dizer, estou participando de uma peça e tenho treino hoje já que a apresentação está próxima.
—Boa sorte, vou dormir mais um pouco até dá a hora de ir trabalhar.
Assenti e fui até a sala e liguei a tv dava tempo de assistir algo e ir, meu celular apitou, era mensagem do Alexander.
“Está pronta? Espero que sim, chego ai em cinco minutos.” -A
Não respondi, não precisava, já que ele estava á caminho.
Caminhei até a porta e levei minha chave comigo, eu poderia correr o risco de chegar em casa e minha mãe não estar.
Ainda esperei uns dois minutos na calçada até o Alexander aparecer. Entrei no carro e fiquei em silêncio, não sabia o que dizer e ele fez o mesmo. O garoto acelerou o carro e no meio do caminho decidiu quebrar aquele climão.
— Como vai a minha Julieta, descansou bem?
— É, ainda sinto vestígios da ressaca, foi uma noite muito trilouca.
—Imagino. — Mais alguns minutos de silêncio e já estávamos no estacionamento da escola. Abri a porta para descer do carro e Alexander me puxou de volta. — Laurence, sobre ontem, esquece, por favor!
Olhei para o Alex sem voz, meu olhar estava morto e eu sabia que estava mais branca que uma alma penada. Só do Alex tocar naquele assunto e pedir que eu esqueça, faz com que eu lembre mais ainda.
— Me desculpa, é que eu fiquei sem reação, querendo ou não você é o namorado da minha melhor amiga e por favor Alexander, não me faça escolher entre você e a minha amiga de vários anos que cometi uma grande burrada.
Quem estava sem reação agora era o Alex, me olhou sem acreditar.
— Se você me ama de verdade Laurence, você escolherá a mim! — Respondeu exaltado e juro que me senti culpada e um pouco assustada. — Ou você só quis me seduzir a acabar com sua vida? Se alguém descobre isso aqui, sua vida está acabada, sua vida com os Linton, já era e eu sei que você é apegada a eles, mas só foi eu, o namorado de sua amiguinha aparecer, que você quebrou a confiança com essa família, por qual motivo você quebrou se não sente nada por mim?
Engoli seco, aquelas palavras acertaram como um soco na minha barriga, não um soco qualquer, mas aquele que você fica sem ar e cai no chão por não consegui respirar.
— Alexander, não me entenda mal, eu realmente não sei o que fazer.
O garoto respirou fundo e me encarou novamente com um semblante mais calmo, colocou sua mão em minha cintura e me deu um beijo.
— Me desculpa… — Sussurrou. — Eu só não consigo controlar mais, você sabe que eu te amo!
Fiquei sem saber o que fazer e lágrimas brotaram dos meus olhos e a única coisa que eu fiz foi passar a mão carinhosamente em seus cabelos.
— Acho melhor nós darmos um tempo… — Falei aos sussurros e rapidamente ele me olhou sem saber o que fazer.
— Se você diz, pode até ser melhor.
Depois dessas palavras ele saiu do carro e eu também, só que ele bateu a porta com uma certa força e demonstrava claramente que ele estava com raiva, respirei fundo e uma hora ou outra isso vai ter que acabar eternamente. Passei apressada por ele e fui direto ao banheiro escolar. Lavei o rosto e fiz força para evitar as lágrimas assim que notei que tinha alguém usando uma das cabines dos vasos sanitários, não foi por opção minha, mas acabei escutando a conversa da garota com outra pessoa, obviamente estava no telefone.
“Nossa, eu sei!” “Vai me repreender por isso agora? Eu não tenho culpa se ele tem namorada!” “Não importa, ele disse que me ama e que largava a namorada dele por mim” “Se ela descobrir, problema dela, eu estudo a tarde mesmo e do jeito que ela é, vai é chorar e não tirar satisfações comigo!”
Percebi que era uma conversa particular e a garota estava passando o mesmo problema que o meu, a grande diferença é que a namorada do rapaz, não era amiga da amante. Saí do banheiro e me sentei um pouco nos bancos próximo ao hall da cantina.
— Daqui uns dias isso aqui vai virar um puteiro, literalmente, arranja mais putas do que alunas centradas nos estudos, e claro que a primeira colocação viria a mim! — Ironizei e senti uma onde de culpa e tristeza dentro de mim.
— Laurence? — Era uma das garotas que fazia parte da peça e também era a garota que estava no banheiro e também uma das garotas mais cobiçadas do colégio, enormes cabelos castanhos claros, olhos verdes, pele branca e algumas sardas no rosto e um corpo muito bem feito. Quem será o garoto comprometido que essa daí ta pegando? Um pensamento veio a minha cabeça, mas não seria possível, ele mesmo disse que me ama!
— Sim?!
—Não vai ao ensaio? Já vai começar.
— Vou sim!
— Vamos então! — Ela me puxou pelo braço e fui arrastada até o palco onde se encontrava a galera e a professora.
— VAMOS COMEÇAR, GALERA!
A professora cortou várias partes, mas deixou as mais importantes e fez algumas mudanças e adaptações. Ela pediu primeiro que Alexander e eu fizesse a cena do baile, onde Julieta e Romeu se encontram, com o clima pesado entre Alexander e eu, fiz de tudo para não afetar nos ensaios da peça.
O ensaio foi bastante árduo e a professora fez com que decorássemos grande parte da peça só naquela manhã. Quando já estávamos desmaiando de fome ela deu a todos um tempo de trinta minutos para descansar e almoçar.
Fui sozinha até um dos restaurantes que ficavam na frente da escola e como era self-service, barato, bom e tinha macarronada enchi meu prato sem dó nem piedade, mas para ficar light pedi um copo de suco de limão sem açúcar de 500 ml, quero ver a fome me atacar tão cedo!
Comi devagar aproveitando cada pedacinho e meu estomago ia aproveitando também e aos poucos a fome ia indo embora. Assim que terminei a refeição, ainda sentada senti uma preguiça enorme e antes que eu dormisse ali mesmo me levantei, paguei a conta e saí do restaurante. Próximo ao estacionamento vi o Alexander e ele estava conversando com alguém, mas não deu para ver por causa de uma maldita arvore, pensei em ir até lá, mas desisti, fui até o anfiteatro e fiquei atrás do palco onde tinha espaço para camarins, equipamentos e várias outras coisas. Fiquei sentada próxima a escada que dava ao palco e aquelas palavras de Alexander vieram a tona, preciso acabar com isso tudo, não dá mais, preciso acabar com isso antes que alguém descubra.
Respirei fundo e notei que o povo já estava de volta, fui até o palco e assim que a professora chegou ela intercalou as cenas e pediu que fingíssemos que estávamos apresentando para toda a escola e que tentássemos usar o papel com as falas pouquíssimas vezes.
Bem, a tentativa da professora foi um sucesso, a maioria já estava com as falas na ponta da língua, certamente treinaram em casa. Depois desse ensaio ela nos liberou e eu me senti totalmente aliviada.
Pensei em ir de carro para casa com o Alexander, mas deixei pra lá, saí do colégio sem que ninguém me notasse, não queria parar pra conversar.
Fui caminhando em passos vagarosos por causa da preguiça e o sol quente também não ajudava.
Assim que cheguei em casa notei que ela não estava vazia, vi uma mala jogada no carpete da sala e fiquei assustada, escutei passos no andar de cima e nas pontinhas do pé fui andando sem fazer barulho nenhum, assim que cheguei no último degrau vi a imagem da pessoa que que eu repudio até hoje pelos seus atos. Seus cabelos estavam quase na altura do ombro, penteados para trás e continuava sendo o mesmo castanho de sempre, seu porte físico estava mais “magro” comparado a antes, assim que ele olhou pra mim seus olhos brilharam de felicidade, será? Mas eu retribuí com um olhar de imenso desgosto.
— Pai?! — Exclamei em tom surpreso, mas ao mesmo tempo de raiva, me lembrei do dia em que saí com o George e ele estava lá,o medo tomou conta de mim, vai que ele diz algo a minha mãe? Eu sabia que ele estava aqui, mas não sabia que viria até a casa da minha mãe na maior cara de pau pedir desculpas, o medo logo passou e a raiva tomou conta de todo o meu ser, minha vontade era de descontar tudo nele, tudo! As noites de choro da minha mãe, os dias em que eu ficava sentada na porta esperando que ele voltasse, descontar por tudo que ele nos fez passar no seu tempo de bêbado e depois que foi embora.
— Filha! — Disse entusiasmado e em seguida correu para um abraço, fiz cara feia e antes que seus braços me envolvessem corri para o quarto e tranquei a porta e notei um silêncio enorme no corredor. Me deitei na cama e vi a merda que minha estava, não preciso do meu pai agora, não precisei dele na minha infância, não teria importância dele na minha adolescência e minha amizade com a Susi está a um fio por causa de um trouxa.
— Ai meu Deus, minha vida é mesmo uma merda!
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