O namorado da minha melhor amiga!
18 Mentarronada!
Notas iniciais

O dia seguinte foi totalmente monótono.
De manhã em casa: Tomar banho, escovar os dentes, vestir uma roupa, comer e ir para escola com o Alexander que estava um pouco estranho e Susi elétrica como sempre.
Uma manhã maravilhosa. E claro... Nada melhor que a escola – isso é ironia viu? : Sentar nas cadeiras, prestar atenção nas aulas ou simplesmente fingir... E também descobrir que o trabalho de história é para amanhã e eu sei sabe oque?... PORRA NENHUMA... Apesar de que é sobre o país e até que sei algumas coisas...
Depois da manhã maravilhosa fui para casa e minha mãe não estava... QUE SURPRESA! Mas tinha um bilhete na geladeira;
“Fiz o almoço, está no micro-ondas!”
Sábias palavras, mamãe!
Peguei o prato que estava com macarronada e devorei toda a comida, já que de manhã eu não tinha tomado café direito.
Enquanto devorava meu prato, a campainha soou em meus ouvidos.
–MÃE! –Gritei engolindo a comida rapidamente. –ESQUECEU OQUE EM? A SUA CHAVE DENOVO?
Assim que abri a porta lá estava o Alexander com um pote de sorvete na mão, ele sorriu e me empurrou pra dentro fechando a porta.
–Sua boca está muito... –Andou até a cozinha e colocou o sorvete no congelador. –Suculenta!
Procurei algo para ver meu reflexo e lá estava... Minha boca totalmente melada de molho.
–Eu estava comendo... –Me sentei na banqueta e dei outra garfada levando a comida a minha boca. –E pretendo continuar!
Alexander sorriu e se aproximou, quando terminei de engolir o alimento, ele me interrompeu novamente, mas com uma boa razão... Um beijo surpreso, no começo fiquei sem reação e o máximo que fiz foi erguer as mãos e derrubei o garfo e em seguida coloquei minhas mãos em seus ombros percorrendo vagarosamente a seu queixo e em seguida seu corpo.
Foi uma mistura estranha de menta e macarronada, -mentarronada- mas eu estava gostando daquilo.
–Bem... –Ele se afastou com os lábios vermelhos e sorriu cínico. –Vamos, temos um trabalho pra estudar.
–Infelizmente... –Peguei o prato e o talher e coloquei na pia.
Fomos até o quarto escovei os dentes e até ai tudo bem, conseguimos nos concentrar e estudamos, fizemos pergunta um ao outro e estávamos sabendo de tudo.
–Vamos fazer um ótimo trabalho! –Articulei me jogando na cadeira do computador que foi arrastada para longe com o meu peso e acabei levando uma queda arrancando uma risada divertida do Alexander.
–Você é meio retardada sabia? –Falou indo em minha direção para me ajudar.
–Ah é? Isso foi depois de te conhecer! –Revidei estendendo minha mão e ele a pegou me puxando para próximo de si.
–Então você está retardada pela razão de está, de está... –Levou uma das suas mãos ao queixo e fez uma expressão pensativa e ao mesmo tempo confusa. –De está apaixonada por mim! –Exclamou como se estivesse concluindo algo bem difícil.
– Ai eu seria mais retardada ainda por sentir esse sentimento por VOCÊ! –Respondi irônica dando uma ênfase no “você”.
–Unhum! –Respondeu parecendo esconder um tom contrariado. –Melhor irmos estudar mais um pouco. –Se desfez do abraço e puxou a cadeira que eu estava sentada para si e se sentou todo desleixado.
–Vamos dar mais uma lida no trabalho e vamos saber praticamente tudo.
Suspirei revirando os olhos e assenti relutante, eu não estava com um pingo de vontade para estudar, mas como o trabalho era amanhã... Era necessário revisar.
*
Depois de passar horas revisando, discutindo com quem parte ele ou eu ficaríamos, conseguimos decorar... Acho que li tanto a merda do texto que sei tudo do país que convivo e que nunca vou esquecer na minha vida. Revisamos, com e sem papel e quando se passava das sete horas da noite sabíamos de tudo sobre o país, me sentia um site de pesquisa desgovernado, quando Alexander me perguntava algo eu respondia toda descontrolada, mas sem errar nada.
Alexander também sabia responder, só que devagar e calmo.
–Estamos ótimos, vamos nos dá muito bem amanhã! –Joguei-me na cama falando com um tom positivo e ele sorriu como resposta.
–Estou exausto de estudar, nunca pensei que isso aconteceria comigo, posso me cansar de outros jeitos... –Se jogou na cama me olhando sugestivo e continuou. –Mas não estudando.
–Outras coisas exigem mais energia! –Exclamei maliciosa.
–Bem, mas que tal tomarmos sorvete? –Sugeriu acariciando meus cabelos.
–Seria ótimo! –Afirmei.
*
Descemos as escadas e fomos direto a cozinha, abri o congelador, peguei o sorvete, logo depois duas colheres e duas tacinhas.
–OQUE? –Seu tom era de desapontamento e parecia bem sério.
–Que foi? –Perguntei assustada.
–Por que não comer no pote?
–Não sei... Podemos comer no pote se você quiser!
–Seria um prazer! –Tomou a colher da minha mãe abriu o pote com um olhar de gordo e levou uma colherada do sorvete a boca.
–Seu gordo! –Sorri levando uma colherada a boca, e entendi essa reação do Alexander... O sorvete estava uma delicia. –De quê?
–Ninho trufado!
–Sério? Ninho? Nunca pensei que o sorvete disso seria bom!
–Vamos assistir a algum filme? –Fez uma pergunta sugestiva e que adorei.
–Preferência de gêneros? –Perguntei enquanto levava o pote de sorvete comigo para sala.
–Qualquer um... –Lambeu a parte de trás da colher e me encarou malicioso. –Qualquer um mesmo!
Revirei os olhos e sorri.
–Tenho uma coleção de filme dos anos 80, todos originais que amo muito! –Entreguei o pote de sorvete ao garoto e fui até o estante puxando vários filmes. –Aqui temos... Clube dos cinco... Digam oque quiserem... Érr Gatinhas e gatões... Namorada de aluguel...
–Coloca namorada de aluguel... –Resmungou com a boca aparentemente cheia.
Afirmei e coloquei o dvd, eu amava muito aquele filme.
Assim que coloquei o filme sentamos lado a lado como pessoas civilizadas, mas trinta minutos de filme eu estava com minha cabeça apoiada em seu ombro, sua mão em minha perna e um pote de sorvete no chão totalmente vazio.
A cada trinta minutos eu me aconchegava em seu ombro... Tipico de um casal de namorados... O namorado da minha melhor amiga e eu!
Pensamento: Issoooooooo! Vai vadia!... Cala essa boca...
*
Depois de termos assistido o filme começamos a discutir sobre eles.
–Só em filme mesmo que isso vai acontecer! –Resmungou.
–Espero que isso aconteça comigo um dia... Aiai quem dera alguém andar comigo em um cortador de grama comigo! –Murmurei com um ar de garota sonhadora.
–Quem sabe um dia... –Sorriu e afagou meus cabelos.
Inclinei minha cabeça para trás e seu olhar se cruzou com o meu e eu sorri descontraída e ele se inclinou em minha direção, e nossos lábios estavam quase se selando ao escutarmos o barulho da chave na porta.
Nos encaramos assustados e em um movimento repentino e brusco me afastando do garoto, e nesse momento bati minha testa em sua boca.
Minha mãe entrou com uma cara exausta e só minutos depois pareceu notar que estávamos ali, ela me encarou com um olhar exausto.
–Oi crianças... –Resmungou e passou por nós lendo alguns papeis. –Limpe isso! –Falou autoritária e sabia que ela estava se referindo ao pote de sorvete no chão.
–Bem, já aprendemos o assunto, nos vemos amanhã! –Falou sugando o seu lábio inferior.
–Me desculpa... –Sussurrei sorrindo passando a mão na testa.
Ele negou com um ar de “Sem problemas!”.
–Eu já vou, dona Judith! –Avisou acenando.
–Não quer ficar para comer algo? –Perguntou se sentando em uma das banquetas da cozinha.
–Muito obrigado... Mas não...
–Íamos comer alguma porcaria mesmo... –Sorriu pegando seu celular e digitando algo com uma expressão preocupada presente.
–Amo porcarias... Mas vamos deixar para outra hora mesmo, tenho que ir agora.
Ela deu de ombros e eu suspirei aliviada por ele não ter aceitado.
O acompanhei até a porta e dei um abraço “amigável”.
–Tchauzinho! –Acenei sorrindo.
–Até amanhã!
Assim que ele entrou no carro, eu fechei a porta e fui até minha mãe.
–Você está distante ultimamente. –Pigarreei e me aproximei afagando seus cabelos que estavam presos em um coque formal.
–Acontecimentos... Problemas que acontecem repentinamente.
–Não quer desabafar? –Perguntei sentando-me ao seu lado.
–Não... –Suspirou. –Coisas de trabalho.
–Tem certeza? –Perguntei sem acreditar na sua resposta.
Ela assentiu e perguntou oque eu queria comer, eu respondi que não estava com fome, minha mãe pareceu entender e eu fui direto para o quarto.
*
Tomei um banho rápido e vesti uma camisola, peguei meu celular e tinha algumas mensagens de Pedro e Susi, respondi os dois falando que estava ocupada estudando, mas eles não responderam, então coloquei o celular na mesinha do computador e fui para cama e juro que senti um friozinho na barriga só de lembrar a minha tarde com o Alexander. Aquele beijo...
“Então você está retardada pela razão de está, de está... De está apaixonada por mim!”
“Quem sabe um dia!” Sabe nunca pensei que seria ele pra fazer isso comigo e mesmo depois dessa tarde não consigo imaginar, eu fico totalmente cheia de remorsos só de pensar que ele namora minha amiga... Que vida difícil... SENHOR POR QUE VOCÊ SÓ ME MANDA CARAS ERRADOS? EU NÃO BATI MINHA MÃE COM UM BUJÃO NÃO!!!!
Levei minhas mãos ao rosto e chorei silenciosamente... Ai que vida amorosa fodida!
Depois de chorar silenciosamente preguei os olhos entrando em um sono leve que de duas em duas horas eu abria os olhos, transformando minha dormida em uma merda.
Resumindo: O dia seguinte seria beeeeem sonolento e chato!
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