Notas iniciais
— Good morning, babe! — Ryan sorriu pra mim, abrindo as cortinas do quarto.
— Bom dia... que horas são? — perguntei, sentando-me na cama e me espreguiçando.
— Oito e meia — arregalei os olhos, procurando pelo meu celular na cabeceira da cama.
— Como assim? Eu perdi o primeiro tempo da faculdade? Merda! — levantei-me correndo, tropeçando no cobertor caído no chão. — E você nem pra me acordar?!
— Eu acabei de chegar, Sam. Dormi no apartamento do Tyler ontem á noite. — virei-me pra Ryan.
— Tudo bem. Agora eu vou para a faculdade, mas, quando eu voltar, quero todos os mínimos detalhes — pisquei pra ele, e corri para o guarda-roupa.
~x~
Estávamos no intervalo do primeiro período, então estava correndo entre a multidão para poder chegar até meu armário quando vi Josh e Daniel conversando.
— Cara, olha só. Se seu pai descobrir que você terminou com a Paloma... — Josh dizia. Daniel havia terminado o namoro com a minha irmã?!
— Ele vai descobrir uma hora ou outra. — disse ele. — Tenho certeza que a primeira coisa que Paloma vai fazer ao chegar em casa hoje é contar ao pai que eu terminei com ela. E pronto.
— Você tem que voltar com ela! — Josh exclamou.
— Eu não vou voltar com ela! — gritou Daniel em resposta. — Cara, essa é a primeira vez na vida que faço algo que eu realmente quero. Eu não vou voltar com ela só porque meu pai quer virar sócio do Jones e desviar milhões de dólares pra conta dele. Eu não quero ser o ingresso do meu pai para a vida pública cheia de merda que ele vai se meter. Eu não quero ser o reflexo do meu pai. — aquela conversa realmente me fez pensar. Talvez eu o tenha julgado mal... corri para meu armário e mandei uma mensagem para Ryan.
“Hey, será que você pode pedir ao Roger o número do celular do Daniel pra mim?”
“Hum... claro. Por que?!”
“Acho que o julguei extremamente mal. Te conto mais tarde.”
~x~
"Oi Daniel, tudo bem? É a Samantha!"
"Oi Samantha. Como descobriu meu número de telefone?!"
"Eu tenho meus meios ;). Então, eu fiquei sabendo que você terminou com a minha irmã. Na verdade, todo mundo está comentando sobre isso."
"É, bem... Ser o "rei" do colégio ás vezes não é a melhor das coisas."
"'Rei?' nossa, me perdoe pela má educação Vossa Majestade. HAHAHA"
"HAHA. Eu não gosto muito desse status de qualquer maneira. Enfim, porque está me mandando mensagem?"
"Hum, eu... eu sei que não há muitos lugares reservados nesse universo para nos encontrarmos, Majestade, já que seus súditos te seguem para todos os lugares, mas, estava pensando se você não gostaria de ver o ensaio da minha banda na casa do Ryan sexta á noite. Vai ter comida e bebida :)"
"Eu adoraria!"
"Ótimo. Amanhã á noite eu te passo o endereço. A gente se vê."
~x~
— Isso realmente não me surpreende — Ryan murmurou. — Quer dizer, o pai dele sempre está tentando ganhar mais dinheiro. Apostas, robalheira...
— Eu fiquei tão mal ouvindo aquilo tudo. — suspirei. — Ele o trata como se fosse um peão, sabe, procurando pela jogada mais apropriada no momento certo para dar o xeque-mate? É até pior que meus pais.
— Eu até reparei em alguns machucados, talvez sejam cortes, em seu pulso, quando o via no Mr. McClaire... — Ryan comentou, imerso em pensamentos.
— O quê? Você acha que ele se corta?
— É uma possibilidade. — Ryan deu de ombros.
— Como alguém pode ser tão ruim a um filho? Quero dizer, meus pais não são um modelo de pais perfeitos, me expulsaram de casa depois daquele acidente mas... nunca tentaram me transformar num robô.
— Não sei, Sam. O que você está pensando em fazer? — Ryan perguntou.
— Eu já fiz. O convidei para o ensaio da banda na próxima sexta. Tudo bem?
— Por mim tá tudo bem, mas você sabe que o Tom vai ficar com ciúmes, não? — disse ele.
— Não é como se fôssemos namorados ou coisa do tipo. Só quero ser amiga do garoto, para tentar ajudá-lo. — respondi. — Mas, mudando de assunto, me conta como foi lá no apartamento do Tyler.
— Então... — Ryan se aprumou, sorrindo. — Ele é 100% gay.
— Ah é? E como você descobriu isso?
— Como você acha, querida? — riu-se ele, e eu o acompanhei.
— Hum... e o que vocês são? Namorados?
— Não sei. Ainda não conversamos sobre isso. Seria muito estranho, eu o conheço a menos de dois meses, entende? — concordei com a cabeça. — Mas eu gosto muito dele, e ele parece gostar muito de mim também, o que é bom.
— Se tiver casamento, quero ser a madrinha. — Ryan me deu um tapa no braço de brincadeira.
— Você é a melhor — disse ele, me abraçando.
— Eu tento — murmurei, sorrindo pra ele.
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