O namorado da minha irmã.
11 11.
Notas iniciais
— Então é aquele cara de novo? — Tom bufou, passando as mãos pelos cabelos molhados. Ele tinha acabado de sair do banho, e eu usava a força de todo o meu ser para não olhar para baixo — ou então os resultados seriam catastróficos.
— É, ele não tem muitos amigos, sabe? É só pra ele conhecer a banda — dei de ombros.
— Lá vem você dando uma de “mãe” do garoto. — Tom estalou a língua. — Eu não gosto desse cara.
— É claro que não gosta. Você não gosta de nenhum garoto que chegue a meio metro de distância de mim.
— Tenho motivos, não tenho? Eu te amo. E esse cara é um mauricinho filho da puta que acha que é dono do mundo.
— Não fala o que você não sabe. Eu fiz isso com ele e me arrependi — murmurei.
— Tudo bem, tudo bem Sam — jogou as mãos pra cima. — Faça o que você quiser, mas se ele fizer alguma gracinha pra você...
— Você não vai fazer nada, pois não é mais meu namorado — interrompi irritada. — Eu não vou me envolver com esse garoto. Ele só precisa de ajuda.
~x~
— Então, acho que deveríamos ensaiar essa música de novo do refrão. — Ryan disse, virando-se para a banda. Felipe ainda não falava com ele ou comigo, somente se comunicava com Tom. Acho que o choque era muito grande para ele, mas não podia acreditar que ele deixara de conversar com seu melhor amigo.
— Tudo bem por mim — dei de ombros, recomeçando a cantar os versos de “Love Sick” — outra das três músicas que havia feito com Tom.
“You know that
(Você sabe que)
I can’t let you go
(Eu não consigo deixá-lo ir)
I told you to forget about me
(Eu te disse para me esquecer)
But I can’t forget about you
(Mas eu não consigo te esquecer)”
Odeio, odeio não estar no comando de minhas emoções. Bem, eu sabia que isso iria acontecer uma hora ou outra. Sabia que se voltasse pro Texas, não conseguiria mais esconder tudo aquilo em minha alma. O Texas era a minha cidade, mas não era a cidade pra mim.
“And it kills me
(E isso me mata)
Cause you make me
(Por que você me deixa)
Love sick
(Doente de amor)
I’m addicted to you
(Sou viciada em você)”
A campainha tocou. Deveria ser o Daniel. Mas não parei de tocar. Tom deixou sua guitarra e subiu as escadas até a sala de estar.
“My lipstick is now on your shirt
(Meu batom está em sua camiseta)
Cause baby, baby, baby
(Por que baby, baby, baby)
You make me love sick
(Você me deixa doente de amor).”
— Uau, Samantha! — Tom desceu os últimos degraus da escada batendo palmas, Daniel logo atrás sem nenhuma reação — Eu adorei.
— Eu odiei essa música — bufei.
— Do que você está falando?! — Ryan disse — Acho que essa é a melhor música composta por você até hoje.
— Eu coloquei muito sentimento nessa música. Não posso deixar minha vida pessoal afetar minha vida profissional, dudes! — respondi, sentando-me no sofá poeirento ao lado da escada.
— Eu não me importo. Eu quero essa música no cd — Felipe disse.
— Tanto faz — murmurei. Daniel ainda estava parado no fim da escada como uma estátua.
— E ai Evans, vai ficar ai parado feito uma estátua? — Tom riu, lendo meus pensamentos. Ele sempre fazia isso. Muitas vezes quando eu dizia alguma coisa, ele estava pensando naquilo e vice versa. Outra coisa que me deixava preocupada: parecia que o universo queria que ficássemos juntos, mas talvez não nessa vida. Com certeza não nessa vida.
— Ah, eu nem tinha percebido que você estava aqui — disse eu, virando-me para encará-lo. Ele ainda mantinha aquela expressão de cachorrinho perdido que não sabia o que fazer na minha presença que me deu vontade de rir.
— Tudo bem — riu ele, envergonhado.
—Ryan, seu mal educado, ofereça alguma coisa para a visita — ri, e Ryan me mostrou o dedo do meio.
—Não, não, eu estou bem — respondi.
—Então tá. — voltei minha atenção pra banda. — Precisamos melhorar essa harmonia. Acho que devemos ensaiar essa música até nossos ouvidos sangrarem.
— Bem, na verdade, eu queria dar um tempo — Felipe murmurou. — Eu vou sair com a Laura daqui á pouco.
— Felipe, não... antes de tudo, somos amigos. Não deixe isso estragar nossa amizade. — suspirei, já irritada pelos ataques dele.
— “Isso”, você diz como se fosse normal! — exclamou ele.
— Cara, nós temos visita... — Ryan sussurrou, apontando para Daniel.
— Foda-se! — gritou ele, sentando novamente atrás da bateria e batendo com violência.
— Isso ainda vai acabar com a banda. — sussurrou Tom em meu ouvido.
— Nós precisamos fazer alguma coisa — respondi, voltando a minha posição inicial e pegando minha guitarra. — Vamos do início? — gritei, para chamar a atenção de Felipe. Ele concordou com a cabeça.
~x~
Quando terminamos de ensaiar, era mais de 19 horas da noite. Felipe não conseguira parar de tocar sua bateria, e quando gritei avisando que tínhamos terminado pelo dia, ele jogou as baquetas no chão e subiu como um furacão as escadas da garagem.
— Então eu já to indo — murmurei, levantando-me do sofá. — É uma longa caminhada até a casa de meus pais.
— Eu te levo! — Tom gritou, e eu dei uma risadinha.
— Você não está com seu carro hoje? — Daniel perguntou.
—Não, o Tom tava vindo pra cá e passou lá para me dar uma carona — respondi.
— Então pode deixar que eu te levo — Daniel se ofereceu, sorrindo pra mim e pegando a chave de seu carro.
— Não, não precisa, eu vou levá-la — Tom se intrometeu. Virei-me para Ryan, que estava segurando uma risada, e depois revirou os olhos.
— Não Tom, não precisa se incomodar, eu vou a pé mesmo — murmurei.
— Samantha, você está sendo totalmente irracional. Sua casa fica do outro lado da cidade, portanto você vai chegar lá umas 21:00 da noite. Por outro lado, se você for comigo economiza tempo e não vai me atrapalhar por que minha casa é no caminho.
— Tudo bem Daniel, se importa tanto assim pra você — dei de ombros. — Tchau rapazes.
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