O namorado da minha irmã.
10 10.
Notas iniciais
— Eu preciso contar tudo pro Felipe — Ryan murmurou, entre lágrimas.
— Tem certeza? Você sabe como ele pode reagir a essa surpresa... — murmurei, fazendo carinho em seus cabelos.
— Como ele vai reagir a essa surpresa — Tom ressaltou, e eu o olhei de modo incisivo.
— Eu sei, eu sei... — Ryan fungou. — Mas, agora que estou namorando o Tyler, não quero ter que esconder quem eu sou, entende? Passei 22 anos escondendo, não posso mais fazer isso.
— Nós te entendemos totalmente, e estaremos aqui para o que precisar — beijei sua testa, e ele limpou as lágrimas com os dedos.
— Vocês precisam me ajudar — disse ele, dando um sorriso triste.
~x~
— Whoa, por que todo essa exasperação pra falar comigo? Tá acontecendo alguma coisa com a banda? — Felipe perguntou, descendo as escadas até a garagem. Estávamos eu, Tom e Ryan esperando por ele, pois sabíamos que Ryan não conseguiria fazer aquilo sozinho.
— Aonde você estava até agora? — Tom virou-se pra ele.
— Na casa da Laura — Felipe deu de ombros. — Ela estava fazendo uma festa do pijama com algumas amigas, se é que você me entende...
— Hum, tudo bem! — bufei. — Nós, ou melhor, Ryan precisa conversar com você.
— Manda bala — Felipe respondeu, cruzando os braços em frente ao corpo e olhando para Ryan.
— Hum... em parte, isso pode ser um problema para a banda. Quer dizer, eu não quero, mas... — Ryan deu de ombros — eu não quero que seja um problema.
— Cara, desembucha de uma vez! — Felipe suspirou.
— Eu sou gay. — Ryan disse, em alto e bom som. Felipe olhou para ele com um misto de surpresa e indignação no rosto.
— O que? — ele sussurrou.
— É. Tom e Samantha já sabem e me dão o maior apoio. — Ryan respondeu. — E como eu te conheço a mais tempo que qualquer pessoa, e você é meu melhor amigo, eu queria te dizer...
— Que merda, cara! — Felipe gritou, passando a mão pelos cabelos, transtornado — Nós já dividimos um quarto juntos, você já me viu pelado! Caralho, eu não acredito, e você é um bichinha de merda... — Ryan já estava com lágrimas nos olhos.
— Isso não precisa mudar nada entre a gente, eu sou a mesma pessoa...
— Não, você não é! Porra, você... você gosta de mim?
— Eu admito que era apaixonado por você, mas isso foi antes de... — pela terceira vez, Felipe o interrompeu.
— Me admira você, Tom, como você pode ser amigo dele, cara?
— Felipe, ele não deixou de ser o Ryan...
— Claro que deixou! — exclamou ele, passando reto por Ryan e subindo as escadas. — Você é uma pessoa totalmente diferente pra mim agora.
~x~
— A questão agora é que você foi sincero consigo mesmo e com todo mundo, se ele não te aceita sendo você mesmo, é por que ele nunca mereceu sua amizade — Tyler tentava consolar Ryan, mas era inútil. Ele ainda estava chorando com o rosto enterrado em seu colo.
— Eu não tenho culpa, quer dizer, eu nasci assim... — murmurou ele.
— Ryan, para com isso — suspirei, segurando em seus ombros e o fazendo sentar-se na cama. — Nós estamos aqui e sempre vamos estar, isso que importa. Nós te amamos. Sabíamos como Felipe ia reagir á notícia antes mesmo de você contá-la. Nós não podemos mudar uma pessoa, por mais que tentemos. Ele perdeu um grande amigo. — ele me abraçou, e Tyler se juntou á nós.
— Obrigado por estarem aqui... eu não sei o que seria de mim sem vocês. — me desvencilhei de seu abraço e limpei suas lágrimas, dando um beijo em sua bochecha.
— Mas o que vocês acham de descermos, pedirmos uma pizza e alugarmos um filme? — sugeri, sorrindo para eles.
~x~
Foi uma péssima ideia, pois lá estava Felipe dando uns amassos no sofá da sala com sua mais nova garota — Laura, eu acho. Quando ele nos viu, olhou para Ryan e sua face ficou vermelha. Me virei para olhar para o ponto que ele estava olhando, e percebi que Ryan e Tyler estavam de mãos dadas. Fora isso que deixara Felipe irritado. Ele levantou-se sem dizer uma palavra, e saiu pela porta da frente, batendo-a com violência.
— O que... o que acabou de acontecer? — a garota sussurrou, para ninguém em particular.
— Eu acho que ele viu vocês de mãos dadas, e isso o deixou irritado — murmurei, e Tyler deu de ombros.
— Não se pode agradar todo mundo, não é?
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