O número sete

8 Capítulo 6 - Nami


Eu estava paralisada sentindo aquele homem negro passar suas mãos imundas sobre o meu corpo, apalpão uma, duas, três vezes meus seios e se esfregando sobre minha bunda, apertei os olhos com força e abri assim que ouvi o gemido de John ao ter levado um soco. Eu estava me sentindo suja, vulnerável e humilhada até o momento em que o negro me virou para ele e tentou me beijar, automaticamente minha mão foi de encontro a sua face e eu cuspi em seu rosto, um sorriso de escárnio se formou em meus lábios e eu o encarei de igual para igual.

—- Acha mesmo que eu iria trepar com você? -- Eu perguntei e ele se irritou, me puxou pelo cabelos e aquilo doía, meu sangue estava fervendo, eu me seria possessa e decidi que queria aquele homem morto, sentia meus olhos arderem conforme o mesmo me levava para dentro do matagal, imagens do passado vinham como flashbacks em minha mente, meus gritos de socorro, o medo sobre meu corpo e a promessa de que eu não deixaria homem nenhum tocar em meu corpo sem meu consentimento.

Ele seguia me puxando e sem perceber deixou seu coldre livre, uma burrice. Continuei me debatendo, porque realmente doía, minha destra foi de encontro com a arma posicionada em sua cintura e sem pensar duas vezes eu joguei meu corpo sobre o dele, o bastante para faze-lo desequilibrar, meu corpo caiu por cima do dele e eu senti o tapa em minha face, mas não recuei. Sentei em cima do mesmo e apontei a arma, um disparo e aquilo acabaria ali, eu sorri. -- Você tem o pinto pequeno. -- Debochei e ele parecia assustado, implorava pelo meu perdão. -- Tá bom, você ganhou. Vou te dar mais uma chance. -- Informei me levantando, virei de costas mas não baixei a guarda e assim que notei que ele estava de pé próximo a mim, me virei. -- Mudei de ideia. -- Um único disparo foi necessário para que o homem negro que tentou abusar de mim caísse desfalecido. Eu sorri, me senti vingada e aliviada.

Me aproximei do corpo, me baixando para pegar a carteira do mesmo, dei risada, não era policial de verdade. Trágico. Decidi voltar para o carro assim que me lembrei do John, conforme me aproximava da estrada podia ouvir os sons de luta. Visualize aquela cena e atirei, acertando a cabeça do guarda, o corpo caiu por cima do loiro que me acompanhava, segundos se passaram e ele tirou o corpo de cima de si para me encarar. O loiro estava machucado, bem machucado, seu rosto estava com alguns pequenos cortes e com hematomas. O ajudei a levantar e dei risada de suas brincadeiras sem deixar de provoca-lo.

—- Cinco -- Informei vendo que o loiro ao meu lado estava quieto, provavelmente estava se perguntando o que me levou a fazer aquilo, mas ele mal sabe dos demônios que me acompanham. Ele me ignorou e eu segui o meu caminho até uma loja de conveniência, nós estávamos machucados e com fome precisava comer algo, achar alguma coisa para limpar o sangue que havia respingado nos cabelos do mesmo. -- Certamente por um motivo -- Ele comentou com um sorriso no canto dos lábios, eu encarava a loja a minha frente. -- Sempre há um motivo, John. -- Retruquei descendo do carro antes que minhas lágrimas começassem a rolar pelo meu rosto.

Fui rápido para dentro da pequena loja que tinha uma atendente pronunciando algo assim que ignorei, ignorei e fui direto para o banheiro no fim do corredor. O lugar era um pouco sujo, mas possuía um espelho em que parei para me olhar, eu estava um trapo, meu rosto tinha um pequeno machucado na lateral, meus olhos estavam vermelhos ameaçando que eu iria me debulhar em lágrimas, o ocorrido havia mexido comigo, trazido lembranças que há muito eu guardei no meu subconsciente. Minha respiração estava descompassada, lavei meu rosto e sai dali antes que eu fraqueja-se.

Percorria pelos corredores pegando algumas coisas para comer e bebidas, mas eu precisava mesmo era de ban-daid, gases e algumas faixas, assim que encontrei peguei tudo e fui para o caixa. -- Posso te ajudar com mais alguma coisa? -- A loira atrás do balcão me perguntou e eu neguei com a cabeça adicionando a compra uma camiseta preta que eles estavam vendendo. Sorri e paguei assim que a mesma me informou o valor. Sai da loja e olhei para o homem que estava encostado no carro, sorri de canto e notei que o mesmo estava ao celular, porém assim que me viu desligou.

—- Estava falando com quem? -- Perguntei deixando a sacola em cima da traseira do automóvel e tirando de lá, uma garrafa d'água, as gases e a caixinha de bandaid. -- Ninguém. -- Ele respondeu de forma ríspida o que me fez revirar os olhos e preciona-lo contra o carro. -- Devia falar direito com quem tá cuidando de você. -- Sorri ignorando a rispidez do mesmo e levando uma fase molhada com água até as manchas de sangue que estava na lateral de sua boca e em seu nariz, limpei aquilo com delicadeza. -- Com a Mimi, estava falando com a Mimi. -- Me informou e eu desviei nosso olhar para pegar o curativo e colocar sobre o pequeno corte na maçã do seu rosto. -- E ela é ninguém agora? -- Indaguei arqueando a sobrancelha antes de levantar a camiseta do mesmo. John me olhava e me ajudou com dificuldade a tirar sua blusa, meus dedos encostaram em sua pele e o mesmo me olhou assustado. -- Eu não vou te morder, relaxa. -- Brinquei molhando a camiseta e passando nos cabelos loiros e sujos do mesmo, nossos corpos estavam próximos e ele levou a destra até a minha cintura. -- Por mim pode morder. -- Sussurrou ao pé do meu ouvido e eu ri. -- Melhor deixar de brincar com fogo. -- Afirmei e ele bufou pegando a camiseta de minhas mãos e continuando o que eu fazia.

Me afastei do rapaz e fui comer, estava o dia inteiro sem nada no estômago estava esvaida de fome. Fim. Eu comia um sanduíche natural que era a única coisa decente que encontrei ali junto com um suco de laranja. Minha atenção estava voltada para a rua e nem notei a aproximação de John. -- Acho que a gente devia passar a noite aqui. -- Apenas acento com a cabeça sem olha-lo. Terminei de comer e ele já devia ter feito o mesmo, peguei meu celular precisava falar com o JP, porém o aparelho havia descarregado, bufei e então olhei para o loiro que vestia a camiseta preta que eu havia comprado, por cima o mesmo usava a própria jaqueta que eu também havia pegado em casa. -- Me empresta seu celular? -- Indaguei com um bico nos lábios, ele apenas sorriu e me entregou o aparelho, saindo dali para me dar privacidade para realizar a chamada.

Meus dedos deslizava pela lista de contrato e sem querer foi para a lista de chamadas, notei que a última chamada nao havia sido para a Mimi e sim pro JP. Ele havia mentido. Meus olhos o fuzilada e eu desisti de ligar indo tirar satisfação com o próprio. -- Sua namorada agora é homem? -- Perguntei jogando o celular para o mesmo que o pegou e revirou os olhos. -- Eu devo satisfação da minha vida pra você, Nami? -- Retrucou revirando os olhos, mordi o meu próprio inferior. -- Não, mas lembra que você tá comigo. Então não faça burrada, porque eu não vou te poupar por ser do mesmo grupo de amigos. -- Cuspi as palavras e dei as costas, fui para o banco de trás do carro e me encolhi ali, precisava dormir e me proteger do frio que estava começando a fazer. Só queria que a noite terminasse, isso terminasse, nosso trabalho terminasse e que eu pudesse concluir meus planos.