Notas iniciais
Então, gente... Antes de perceber a complexidade do conflito Ladynoir, eu tinha escrito essa fic. Se eu tivesse entendido melhor a problemática da Marinette, talvez a fic não tivesse saído haahahah Mas, ainda, achei um material bacana, e trabalhei com carinho nele. Espero que gostem Digamos que era pra ser, então, em um contexto em que a Mari não tenha ignorado tantas atitudes erradas, e os nossos meninos entraram nessa amizade após os eventos com o Glaciator (pois eu amo as conversas deles quando ele aparecia). Seria tipo isso. Aliás, a canção é a mesma do título do capítulo, cantada em Um monstro em Paris A dança seria bem parecida https://www.youtube.com/watch?v=cZThmW0ZK4w

—_______________________*ADRIEN*___________________________

Eu poderia começar pensando nas semanas anteriores.

Mas acho que é aqui que a parte que mais me impactou começou, de verdade.

A minha mais nova amizade. Ou melhor, a mais nova amizade do Chat Noir

Acho que, quando eu vi, estava voltando pra aquela casa…

Pra casa da Marinette.

Por qual razão seria isso?

Bem, depois de um episódio tão pessoal como o do Glaciator, onde conversamos tanto sobre nossos sentimentos… Meio que essa amizade surgiu.

Natural. Eu já considerava ela uma das minhas melhores amigas na minha identidade civil.

De novo e de novo... Eu me via voltando pra aquela varanda, conversar ou às vezes jogar videogame.

Ou comer o lanche do seu Tom.

Acho que fiquei muito interessado quando vi uma Marinette tão diferente da que eu estava acostumado.

Ela era diferente com o Chat. Mas devo ter começado a perceber o QUÃO diferente só recentemente. Era muito mais segura de si, faladeira… Parecia muito mais natural.

Digo, ela realmente parecia mais, na personalidade, com a líder nata que ela era. E eu... gostei disso. E fiquei curioso sobre quem era aquela garota que eu comecei a sentir que não conhecia tão bem como eu achava.

Infelizmente, não íamos conseguir ter uma amizade pública…

Aprendi com a Ladybug a ser mais cauteloso, e se eu, literalmente, continuasse a ir em um cinema com ela, por exemplo… Seria algo que poderia ter um resultado nada legal pra família dela.

Nunca sabemos o que esperar quando tratamos de um vilão. E quando ele percebe o que nós prezamos…

E esse era um dia em que eu planejei pra fazer uma visita não planejada.

Não estava no meu melhor dia… Queria conversar e levantar o astral.

Fui chegando na casa da Mari, e enfim na confeitaria, olhei em direção ao andar superior, a varanda e o quarto.

Uma das primeiras coisas que percebi foi que as luzes da janela do seu quarto estavam acesas.

Ela parecia estar ouvindo música. Me aproximando, confirmei que estava mesmo, uma música dançante, e estava dançando junto — ao menos um pouco.

Ia de lá pra cá, movia braços, girando, cantava alto.

Estava bem à vontade, pelo visto

Ok, a cena era cativante.

Eu olharia por um tempão…

Eu bati na janela, e ao me ver ela logo abriu pra que eu entrasse.

—Eai, Chat? Entre aí!

Essa era uma demonstração da Marnette que eu não via muito; não como Adrien.

—Você parece muito animada — eu ri.

Logo, ela me puxou pra dançar. Ou melhor, me convidou pra acompanhá-la.

Ela começou batendo palmas, se mexendo ao som da canção.

—Vem comigo!

Nossa… Não acho que via ela tão solta assim, mesmo como Chat.

Se sentir insuportável nunca mais

Mesmo se eu mudar

No fundo eu serei o mesma

Temos tendência a ter vergonha

Deixe-me dizer-lhe como

Me ajude a sair dessa corrente

Hey… Um instante… será que a letra da canção já indicava um pouco do que se passava dentro dela?

Ela movia as mãos e os pés, e eu ia acompanhando, enquanto ela ria.

Oh oh oh

Só um pequeno beijo já vai fazer

—Ai, Cat, estamos quase sincronizados.

—Bora! Vamos lá!

Ela estava alegre e radiante, à vontade, e era uma das companhias mais divertidas que eu tinha em tempos.

Comecei a lembrar de que só haviam poucos momentos em que eu dizia que estava me divertindo, de fato (com a Ladybug). Estranhamente esse era um desses raros momentos em que eu me sentia entusiasmado e me sentia alegre…Sem ela.

E eu havia chegado bem pra baixo, bem chateado. E a música tinha só uns minutinhos!

Eu peguei seu braço e a girei.

Um do lado do outro, cruzando os pés andando lateralmente e voltando o mesmo caminho, batendo palmas ao som do refrão e assim fomos.

A energia da musica já tinha contagiado demais, não tinha volta

Você não sabe, é o suficiente para acreditar

Que todo copo d'água voltará ao mar

É muito fácil e você pode não saber

Não é mais complicado do que um simples olá

Oh

Então, meu amor, et voilà

Então meu amor pode ser

Estar apaixonado

Por um dia, dois dias, três dias

Todos os dias

Nessa hora estávamos praticamente de frente um pro outro. De uma forma que não era lá usual.

Eu acho que eu gostava de estar perto dela, pensei ao lembrar de outras situações em que tivemos esse tipo de proximidade… Era… Agradável?...

Sim. Parei pra pensar, e talvez, inconscientemente, sempre quisesse estar perto dela…

Nos encaramos, os dois deviam parecer incertos, acho que percebi ela corando um pouco enquanto ria pra mim, meio sem graça.

Bem…Acho que eu também.

Oh oh oh

Só um pequeno beijo já vai fazer

Só um pequeno beijo seu

Só um pequeno beijo

Só um pequeno beijo

Só um pequeno beijo seu

Então…

Enquanto a canção terminava, estávamos perto demais…E era como se algo mais do que a energia da música pairasse no ar… E… Acho que nós dois percebemos… A letra…

E estávamos sozinhos … No quarto dela…

Disfarçamos rapidamente.

Algo estava querendo sair pelos meus lábios…

—Você…

…Cozinha tão bem quanto dança.

Deixei isso em minha própria mente.

Não era hora. Ela ia me reconhecer, com certeza se eu dissesse isso.

Mas… Eu queria … Talvez logo mostrasse a verdade pra ela. Eu confiava nela

Mudando de assunto, decidi brincar pra quebrar o constrangimento, arqueando a sobrancelha de forma maliciosa

—Hey, princesa...você está me dando indícios pra que eu te beije, será?

Ela torceu o rosto exageradamente.

—Nem! -e começou a rir — Isso só faria sentido pra mim se fosse com quem me ama

Não respondi nada.

Mas talvez tenha engolido seco

Tentei, mas nada saia de minha boca...

Os olhos azuis estavam bem na minha frente.

Que engraçado… Eu não me sentia desconfortável com a ideia… Se ela dissesse que isso se aplicava a mim… Estar amando ela.

Isso parecia bem agradável, também…

Nossas mão estavam perto uma da outra. Toquei levemente os dedos dela, e percebi que já sentia sua respiração.

O fato dela parecer mais receptiva do que eu esperava…

O que estava acontecendo comigo...?

Eu me perdi no rosto dela… Me perdi no quanto tudo aquilo parecia certo.

Acho que eu estava frito…

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Meus pais chamaram bem nessa hora…

Desviamos o olhar… Acho que nós dois ficamos bem constrangidos, e disfarçamos… e ele foi embora…

Provavelmente não era a intenção dele ficar tão pouco, mas eu que não ia dizer que não teria feito o mesmo, eu pensava enquanto ele ia se despedindo

Por qual razão ele não negou?... Por qual razão EU não neguei nada…? Por qual razão me hipnotizei dessa forma? Devem ter sido aqueles olhos verdes… Pareceram de uma… gentileza e honestidade tão acolhedoras…

E familiares…

Mas… Por qual razão ele me olhava, por um instante, quase com o mesmo olhar com que me olhava como Ladybug? Isso significava algo?

Enquanto eu ficava toda confusa, me vinham algumas memórias de alguns dias atrás.

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Depois de jogarmos vídeo game, estávamos olhando nossos resultados, comparando o desempenho.

Eu pensava em como ele era uma pessoa bem transparente, pelo que eu via. Espontâneo…

—Você é bom jogando, viu? Deve fazer isso bastante.

Ele deu uma risadinha.

—Ah, é mais aqui, mesmo, que eu jogo. Não tenho tanto tempo pra ficar nos video games.

Me senti arqueando a sobrancelha.

—Sério? O gatinho é uma pessoa ocupada, é…?

Ele deu outra risadinha. Agora bem sem graça, coçando a nuca

—Acho que eu, na identidade civil... sou só metade eu mesmo.

Eu estranhei isso que ele disse. Isso me chamou a atenção.

Eu podia estar um pouco equivocada…

O Chat... como ele era sem a máscara?

Ele disse que era diferente?

— Como assim "metade" você mesmo?

—Eu não sei... Tipo, se você me visse sem a máscara ficaria surpresa, provavelmente... Claro, eu não diria que é uma atuação, eu mostro algo muito real no meu dia-a-dia... Mas não tenho o luxo de ser tão espontâneo e fazer tanta brincadeira como faço quando sou Chat Noir.

Isso... era uma coisa bem curiosa... Achei que se eu visse o Chat na identidade civil eu saberia rapidamente. Tipo, que o reconheceria com os trocadilhos dele…

Ou algo assim

Ele não era dessa forma?

Então não era uma falsidade, nenhum desses lados dele, mas uma… Adaptação?

E por qual motivo? Ele não podia?

—Mas... Você não é assim, normalmente? Por que? Algo te atrapalha, te prende? O que acontece?

...Droga... Eu não devia ter perguntado isso...

Era pessoal demais e eu não devia saber demais sobre ele...

Ele me olhou e acho que rapidamente entendemos que era uma pergunta delicada de se responder assim.

—Eu sei, pergunta boba, não precisa responder, eu não devia ter falado isso

—Não, tudo bem...

Ele ficou calado um pouco

—Eu... tenho muitas... responsabilidades. Há expectativas, coisas que esperam de mim... Por isso sou, sim, eu mesmo, quando no dia-a-dia, eu acho... mas ... Acho que, exatamente quando ganhei meu miraculous percebi tudo que eu não podia fazer, não podia dizer ou ser quando... Era só eu. Chat Noir é um herói que pode rir alto, falar besteira... Relaxar… Mostrar o quão frustrado eu fico às vezes. Posso ser um bobo. E ninguém me julgaria. Não quebraria as expectativas de… uma certa pessoa que respeito… Sabe.. meio que é a melhor parte do meu dia. Ser o Chat. Acho que sou meio que cameleão, naturalmente…

Isso foi tão inesperado.

Eu passava tempo com esse garoto fazia meses... E não imaginava...

Eu só me divirto assim quando estou com você

Acho que não tinha prestado atenção nessas palavras antes… Agora fazia mais sentido.

Será que era como uma terapia pra ele?

Parecia ser isso. Será que ele estava sempre tentando agradar alguém importante pra ele, e acaba quase se sufocando? Ao que eu via, ele estava dizendo que o Chat Noir era o escape dele. No mínimo, pra mostrar a identidade que ele pouco trazia à tona antes.

Eu engoli seco… Acho que não estava sendo uma boa amiga… Pois nunca percebi o quão importante pra ele era a vida como herói. Meu amigo podia, pelo visto, respirar e se divertir nessas horas, e acho que ele precisava mesmo disso…

E eu nunca havia percebido…

Olhei pra ele enquanto ele parecia distante.

Como seria ele, então?

Sabia que era a pessoa em quem eu mais confiava... Bondoso, engraçado, espirituoso, se importava com todos, me protegia sempre...

Fiel... E...

Um verdadeiro cavalheiro moderno.

Comecei a me perder naquele perfil

Na rebeldia daquele cabelo loiro

Naquela esmeralda no seu olhar

E...

PARA!

Me levantei rapidamente.

Eu estava ficando louca

Para com isso!

Se lembre de tudo pelo qual você está lutando, eu repetia pra mim mesma

Ouvi algo lá embaixo, e, consegui usar isso como desculpa pra sair.

Sair e me recompor…

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Esses momentos passavam pela minha cabeça. E eu não estava entendendo mais nada…

Eu havia escolhido quem eu amava... então... O que raios era isso dentro de mim?

Eu não estava conseguindo agir racionalmente como eu devia...

Estava deixando minha guarda baixa... Minha guarda baixa perto dele... Isso não parecia certo

Não parecia certo....

Eu já havia feito tantas decisões há tempos, sobre ser guardiã, sobre onde meu coração devia estar, sobre como proteger todo mundo ao meu redor.

Sobre o Chat

Eu devia manter certa distância...

Mas eu gostei tanto de poder ser mais honesta com ele...

Era bom, eu era eu mesma, não a guardiã nem a heroína que estava sempre longe pensando no melhor pra todos — melhor dizendo, a Ladybug sempre distante, pois tinha que manter o foco, fazer a estratégia, proteger todos e impedir que minha identidade fosse revelada. Mas agora eu podia ser só a Marinette. E ponto.

E... era tão surreal conseguir falar tudo sobre meus sentimentos com ele... eu me sentia à vontade. Ele era um bom ouvinte. E eu sabia que podia contar com ele, dividir isso, e já nos aconselhamos, já trocamos as dores da distância de quem amamos… Ele me entendia.

E... Aliás, essa parte também me assustava... E se a nossa revelação das identidades ocorresse logo?... Ele ia me perdoar por tudo que nós trocamos, abrindo o coração... E ainda assim eu continuava sendo a mesma Ladybug distante na frente dele...?

Mas ultimamente isso tudo, as defesas e justificativas que eu fazia... Todas essas coisas que me diziam que isso era uma má ideia... pareciam ruir. Quebrar mesmo.

As minhas defesas estavam ruindo