E eu estava lá, de pé, sentindo um vento denso em meus cabelos. Pisando novamente em Solaria. Está vazio. A grama sem vida, as árvores quase sem folhas. O sol em uma luta constante consigo mesmo para continuar a brilhar.

Meus punhos, cerrados, rígidos, gélidos. Carregam em si tanta raiva e medo que seriam capazes de quebrar até aço. Mas eu percebo que tenho que me controlar. Não posso parecer commedo ou preocupada. Então começo a andar em direção ao castelo, vendo flores mortas, grama seca, árvores destruídas pelo tempo.

Começo a ficar tonta, e meus amigos atrás de mim estão me chamando, conversando. E eu não consigo distinguir o que eu escuto. Talvez seja meu nome que eu esteja ouvindo ou não.

–Stella, não vá sozinha, pode ser perigoso. -Aisha agarra meu pulso.

–Eu sei desculpa. -Eu me senti aliviada a perceber que eu não estava só.

–Vai dar tudo certo.- Trocamos sorrisos, essa é uma frase que estou com medo de acreditar.

Avisto uma guarda de meu pai. Sim uma guarda, está com o uniforme real. Ela deve saber onde está meu pai. Esse é meu impulso.

–Pessoal olhem lá, a guarda real. -Aponto em direção á guarda.

Começo a correr, desesperadamente, sem medo de nada, nem mesmo de quebrar meu salto 15 centímetros. Nem no dinheiro que eu paguei por ele. Se ele quebrar posso comprar um novo, quer dizer sapatos nunca são demais. Mas daqui alguns dias eu nem esteja viva pra usar salto. Isso me assustou.

Caindo no chão vejo a minha vida passar diante de meus olhos. Chegou minha hora? Não. Eu só não sou a Aisha, não sou boa em corrida. Sinto meus braços fracos, me machuquei. Meu queixo aliviou o impacto, mas está sujo de terra e ganhei uma barbicha de grama seca. Começo a soluçar de pavor.

Esse é um momento onde seu medo se espalha, e você não sabe o que fazer, sua angústia toma conta de você. Então comecei a chorar, e todas minhas emoções vieram para meus olhos, em forma de lágrimas.

–Stella se acalme. -Brandon me abraça.

Ele se aproxima lentamente, então eu não resisto o beijo. Sinto aqueles lábios carnudos e quentes em contato aos meus. Sinto meu corpo se aquecendo. Levanto minha mão e levo ao seu tórax, aqueles corpo musculosos estava quente. Tive que afastá-lo mesmo sabendo que poderia ser nosso último beijo.

–Eu te amo.- Pronunciei essas palavras com calma, suavidade e doçura.

–Eu também te amo.- Essas palavras eram tudo que eu precisava ouvir.

Lágrimas descem de meus olhos, enquanto Brandon tira a grama seca de meu queixo. Eu dou um leve sorriso. Então me levanto ao ver que a guarda de meu pai caminha em nossa direção.

–Princesa Stella?-Ela indaga com firmeza.

–Sim sou eu.- Afirmo com a dignidade que me resta.

–Quarto 0073, ala hospitalar Luz Oculta, andar emergência setor 3. Adeus. -Ela fala de maneira rude.

–O que?- Indago sem conseguir pensar nas palavras exatas.

–Princesa por favor arrume roupas descentes. Se você quer um dia governar Solaria aprenda o que isso quer dizer. Adeus. -Ela sai de modo grosseiro.

–Olha aqui sua ... -Aisha tapa minha boca.

Bloom, Flora, Musa, e Tecna seguram meus braços e pernas e com ajuda dos especialistas me seguram, enquanto Aisha tapa minha boca. Demoro 5 segundos pra me acalmar.

Todos me soltaram. Saio correndo em direção a guarda que voltou ao seu lugar de trabalho, ela me deixou furiosa e o fato de ela estar de costas me irrita ainda mais. Ela lança algo que vem na minha direção e acerta minha cabeça.

Um pergaminho que diz todos os dados que ela me descreveu. Mas é um pergaminho Solar que serve como portal, talvez isso me leve até meu pai... Apesar que este pergaminho tinha um broche de metal e ouro que deve ter deixado marca na minha cabeça.

Então coloco o pergaminho no chão, e ele se transforma em luz, e leva todos nós, winx e especialistas para dentro. Vejo um corredor imenso sem fim, subimos escadas, passamos por milhares de alas hospitalares, quartos. Somos carregados até a porta do quarto de meu pai.

–Stella ficaremos aqui te esperando, força.-Bloom me acalma.

Abraço todos meus amigos, respiro várias vezes, não sei o que tem atrás desta porta. Eu abro com um chute para tirar a raiva que estou sentindo. Dou três passos. A porta se fecha.

Um quarto com um tapete real vermelho imenso, uma janela de vidro sem igual, e a cama de meu pai. Ele está sentado, tomando sopa. Ele me chama com um gesto de mãos afetuoso. Eu corro até ele e deixo a sopa cair no chão.

Eu abraço ele como se não visse a anos o seu rosto. Ele retorna o abraço e acaricia meus longos cabelos.

–Stella se acalme. -Ele tenta me relaxar.

–Pai está tudo terminado, você melhorou,, agora tudo voltara ao normal, estou tão feliz.- Continuo o abraçando.

–Stella essa ala hospitalar é restrita para a família real, estou muito mal querida, recuperei as forças por tempo limitado, por sua causa. -Ele retruca.

–Minha? -Indago.

–Sim ao achar a "Pérola Obscura" a joia do reino de Obsidian. -Ele sorri.

–Me explica. -Peço.

–Não da tempo, minha energia está no fim e eu preciso dela para algo importante.

Suas mãos se mexem em formas de estrelas, constelações, e criam uma caixa. Meu pai desmaia.

Meus olhos ficam arregalados, o quarto é invadido por 5 enfermeiras. Três delas vão até meu pai ajudar ele a se recuperar, e as outras duas me tiram a força do quarto. Ao ser removida meus amigos me abraçam, e eu começo a ouvir: "Ele precisa de oxigênio." "Rápido, rápido..." "Precisamos salvar o rei." e eu começo a chorar.

Em prantos o portal se fecha estou sobre a grama com meus amigos novamente, me jogo de joelhos no chão e choro. Meus punhos começam a bater na terra, de raiva e desespero. Eu olho para a caixa. Eu abro ela.

Um bilhete.

"Stella, sei que é complicado, mas os meus dias podem ter chegados ao fim ao você ler essa carta, precisaria de um milagre para viver. Preciso que você viva e salve este reino. Você princesa de Solaria receba a caixa da Luz Infinita, um dos objetos antigos de Solaria, guarde as 3 joias aqui, e ela ficaram seguras. Comece a busca definitiva pela segunda pedra, queria te dizer onde começar a busca mas ninguém sabe. O tempo está acabando, e o nosso reino é vital para toda dimensão mágica. Boa sorte minha filha. Te amo. -Seu rei, seu pai, seu amigo. Um beijo minha eterna filha."

Começo a chorar, e percebo que li a carta para meus amigos e não só pra mim. Então me levanto.

–A busca começou. -Minhas palavras finais.

Gritos de desespero sem sentido surgem de todos os lados... E meus olhos veem uma luz em minha direção.