Notas iniciais
o Capítulo um! Enfim, podem ter alguns erros na história, porque eu esqueci de revisar.

O filhote branco e cinza estava mais animado do que sempre. Seus olhos verdes brilhavam como as folhas ao sol em uma estação das folhas. Era finalmente sua vez de virar um aprendiz, pois agora tinha seis luas.

— Filhote de Serval! Filhote de Serval! – Miou um gato atrás dele, também animado. Era Filhote de Carvão, seu melhor amigo. Filhote de Carvão sentou-se ao lado do filhote, com seu pedaço pequeno da cauda abanando levemente. – Finalmente é nossa vez. Será que Estrela do Anoitecer vai nos nomear aprendizes hoje? –

– Não sei – Admitiu, olhando além do berçário – onde os filhotes ficavam, junto com as rainhas –. –Tomara que sim! – Sorriu, animado e um pouco hesitante. – Quem você quer seja seu mentor? – Perguntou curioso Filhote de Serval, olhando para a toca dos guerreiros. A toca dos guerreiros é onde os guerreiros dormem e passam o tempo.

– Isso é óbvio! Neve Selvagem é uma boa opção. – Ronronou.

– Neve Selvagem? A representante? Ah! Ela não tem tempo para treinar aprendizes. – Retrucou Filhote de Serval, e percebeu o amigo ficar menos animado. – Mas... – Tentou concertar, mas foi interrompido por uma voz baixa e ríspida.

– Filhote de Carvão, Filhote de Serval, falem baixo! – Era a voz doce de Coração de Açúcar, mãe deles. A rainha se virou para os filhotes barulhentos e os puxou para dentro. – Tirem uma soneca. Estrela do Anoitecer vai vir aqui ao sol alto. – Mas era impossível conseguir dormir com aquela notícia, já que o sol estava quase a pino.

Já era sol alto, e os gatos começavam a se reunir para uma troca de lambidas amigáveis. Estrela do Anoitecer, gatão preto com queixo e ponta da cauda brancos, varreu o acampamento com seus olhos âmbar cálidos e saltou para a pedra grande.

– Que todo gato com idade suficiente para caçar a própria comida se reúnam aos pés da pedra grande – Convocou. Filhote de Serval respirou fundo e estufou o peito, dando um passo para fora da toca. Filhote de Carvão não fez o mesmo, e sim saiu correndo e parou apenas para esperar Filhote de Serval. Com isso, fez o pequeno filhote exibido murchar o peito, sem graça. Coração de Açúcar seguia os filhotes, orgulhosa. Logo, todos os gatos estavam reunidos.

— Filhote de Serval e Filhote de Carvão, aproximem-se os dois – Estrela do Anoitecer chamou, sério. Mas ele está feliz em ter novos aprendizes. Pensou Filhote de Serval. Os filhotes deram um passo a frente, obedientes com o líder. Filhote de Carvão estava animado até demais. Ele arfava baixo, olhando Estrela do Anoitecer, e tinha os olhos brilhantes e trêmulos. O líder começou: – Estamos aqui reunidos para dar a dois filhotes do clã seus nomes de aprendiz. – Ele baixou os olhos e fitou os filhotes, e desviou o olhar para Pluma Manchada, uma guerreira de pelagem cheia e longa, manchada de cor de gengibre, alaranjado e branco. Seus olhos verdes amarelados estavam um pouco arregalados ao perceber o olhar do líder. – Pluma Manchada, você é uma guerreira jovem e experiente. Não deixe de passar seus ensinamentos para Pata de Carvão – Pluma Manchada abriu mais os olhos, e depois de tique taques de coração ronronou e trotou em direção ao seu novo aprendiz. Ambos tocaram os focinhos. – Agora – Continuou o líder. – Neve Selvagem, você será mentor de Pata de Serval. Você é uma representante inteligente e forte. Não deixe de transmitir esses ensinamentos para seu novo aprendiz – Assim, se inclinou e tocou na testa de Pata de Serval e Pata de Carvão, e ambos lamberam o ombro do líder.Estrela do Anoitecer parecia animado com a ideia de ter mais aprendizes. saltou da pedra, indo pegar um pedaço de presa fresca. Viu também que a pilha estava pequena, e organizou a patrulha de caça. O líder negro andou discretamente em direção a representante, e chochichou algo em seu ouvido.

Pata de Serval ficou curiso, e observou os dois gatos. Estrela do Anoitecer olhou para Pata de Serval e foi para a toca.

– Pata de Serval! – Chamou Pata de Carvão, indo até o amigo. – Parece que você teve a sorte que eu sempre quis ter. – Observou, um pouco desanimado, mas feliz pelo amigo.

– É verdade. Acho que eu ficaria melhor com Pluma Manchada – Miou. Pata de Carvão ia falar algo, mas foi interrompido pela representante. Ela tinha olhos azuis e focinho e patas levemente alaranjados, e pelagem branca como neve.

– Olá, Pata de Serval. – Cumprimentou Neve Selvagem. Pata de Carvão suspirou discretamente. – Pronto para seu primeiro treino? – Perguntou, calma. Pata de Serval assentiu, animado.

– Bem, Pata de Serval, vou procurar Pluma Manchada – Pata de Carvão miou já saindo dali. Pata de Serval apenas mexeu a cauda como despedida.

– Certo, siga-me – Pediu a gata, saindo do acampamento. Logo, mentor e aprendiz estavam nas Rochas Ensolaradas.

– Aqui – Miou Neve Selvagem – É as Rochas Ensolaradas. É a divisa do Clã do Rio com o Clã do Trovão. Já houve muitas batalhas aqui, e conseguimos finalmente dominar essas terras – Pata de Serval ficou espantado, e imaginou vários gatos lutando contra si, clã contra clã, e sentiu o pelo se arrepiar. A gata sorriu, divertida.

Pata de Serval cheirou as rochas, e sentiu uma enorme onde de calor percorrer seu corpo. Ronronou, com prazer, e pulou na rocha, espichando-se nela. Era a mesma sensação de dormir no berçário, mas um pouco melhor, que estavam com o frio do início da época sem folhas. O aprendiz se levantou e olhou a representante, que tinha um camundongo na boca.

– Uau! Como conseguiu tão rápido? – Perguntou, olhando a presa. Sua boca encheu-se de água, querendo experimentar seu primeiro camundongo.

– É fácil. A floresta está cheia de presas. Observe – Ela largou o camundongo um pouco longe dela, e se agachou. Tinha os músculos resesatos e os ombros e cauda encolhidos, com seus olhos azuis queimando em direção a presa. Pata de Serval observava em silêncio, curioso. De súbito, a gata deu um poderoso salto, e agarrou o camundongo que já tinha caçado antes.

Pata de Serval tentou fazer igual, mas acabou se atrapalhando e ergueu o traseiro demais. Neve Selvagem ronronou, divertida. Sem graça, Pata de Serval empinou as orelhas ao ouvir um farfalhar de folhas. Seguindo os instintos, ele se agachou e colocou todo o peso do corpo no quadril, pisando de leve. Atento, o aprendiz mexeu as orelhas para trás, com o olhar fixo em um melro que estava em uma raiz de árvore, procurando sementes. Ágil, ele saltou em direção a ave, que se assustou e voou. Pata de Serval rosnou e deu um salto incrível, abocanhando a cauda da ave, a forçando a cair. O pássaro deu seu último gincho e morreu.

– Muito bom, Pata de Serval – Miou a representante, surpresa. Ela tinha observado tudo á distancia. – Mas tente ser mais rápido. Nunca deixe uma presa soltar esse guincho. É um alerta. Agora, todos os outros camundongos e pássaros estão escondidos – Suspirou. Pata de Serval abaixou a cabeça, por não ter tal informação antes e ter cometido esse erro.

Os dois felinos caminharam em direção a árvore da coruja, onde Neve Selvagem ensinaria algumas lissões do Código dos Guerreiros. Pata de Serval estranhou, pois todo gato normalmente nascia ouvindo tais regras, mas não retrucou.

Lá, de súbito o aprendiz branco e cinza diminuiu o passo, alerta. Seus instintos indicavam que algo se aproximava a espreita, e Pata de Serval empinou as orelhas.

– Algo de errado? – Checou a representante.

– Nada, apenas eu... – O aprendiz foi interrompido por um farfalhar de folhas. Foi então que viu um gato sério e forte. Tinha um olho verde muito escuro, e o outro, coberto por uma folha. Era Olho de Folha, um dos guerreiros mais leais do Clã do Trovão.

– Olho de Folha – Neve Selvagem deu um passo a frente. – Estava caçando? – perguntou, percebendo o cheiro de presa no gato.

– Sim. – Concordou, com seu único olhar voltado para Pata de Serval. – Olá, Pata de Serval – Cumprimentou, tocando sua testa com o focinho. – Treinando? –

– Está. – Foi Neve Selvagem que respondeu, desviando o olhar para o aprendiz. – Você pode nos ajudar em seu treino? – O guerreiro assentiu, deitando-se no chão. Sua cauda balançava de lá pra cá.

***

Já era quase noite, e o Tule de Prata estava arroxeado no céu. Neve Selvagem tinha treinado algumas lissões de sabedoria com Pata de Serval. Quando o assunto chegou ao Código do Guerreiros, Olho de Folha pareceu um pouco incomodado.

Agora, voltavam para o acampamento, cada um com sua presa na boca.

– Você pode descansar agora, Pata de Serval. Eu levo as presas para os anciõesbb, e escolha uma presa para se alimentar. –

Foi o que a representante falou, e lá estava o aprendiz, com seu amigo na toca.

– Hoje Pluma Manchada me mostrou as Rochas das Cobras. Lá é bem perigoso, aliás! – Os olhos de Pata de Carvão eram como duas luas cheias. – Uma serpente nos encontrou, e ela quase me picou, se Pluma Manchada não tivesse me puxado para trás. Nós saímos e caçamos alguma coisa. Ah! Ela me ensinou como usar meu tamanho ao meu favor – Ronronou, já mais calmo. Pata de Serval mexeu os bigodes, divertido.

– Eu treinei com a companhia de Olho de Folha – Foi a vez de Pata de Serval relatar. – Ele é um bom caçador. Quer dizer, em tudo! – Exclamou.

– Olho de Folha? Aquele com uma folha escondendo a cicatriz em seu olho? – Pata de Carvão franziu o cenho. Pata de Serval assentiu.

– Por que ele fez aquilo? Você sabe? – Perguntou o felino branco e cinza, curioso. Queria a perguntar a Olho de Folha, mas seu bom senso o alertara.

– Não – Deu de ombros. – Talvez por causa do nome – Ronronou, divertido. Pata de Serval não achou muita graça. Por isso, Pata de Carvão pigarreou e continuou: – Ele deve ter alguma vergonha, ou por que a ferida é tão horroroza que ele resolveu esconder, para não assustar filhotes! –

Pata de Serval soltou um rom-rom e sorriu para o amigo. Quando o aprendiz escuro bocejou, ele resolveu deixá-lo dormir.

– Acho melhor você voltar para o berçário, Pata de Carvão... – Brincou Pata de Serval, porém o amigo lançou um olhar raivoso para o amigo, que se silenciou. Depois de dar um sorriso torto sem dentes, triste com seu próprio tamanho, Pata de Carvão dormiu, e o acampamento tinha apenas o cantar dos grilos como som.

Pata de Serval não conseguiu dormir com a mesma facilidade. Ele continuou deitado, com as patinhas sob o corpo, observando para fora da toca. Por que Olho de Folha não gostou de descutir sobre o código dos guerreiros? Perguntou-se por um instante. Ele via com encanto que a pedra grande estava em um tom azulado escuro, e seu tamanho dava sombra para a floresta atrás dela. Com um susto, Pata de Serval viu um movimento nas sombras. Percebeu que era Estrela do Anoitecer, que era visível seus olhos e seu queixo branco. O gato tinha o olhar fixo em algo. De inícil, o aprendiz achou que era nele. Porém, percebeu que seu olhar se revesava para a toca dos aprendizes e para a toca dos guerreiros, como se comparasse algo.

O que isso significava? Será que estava imaginando os aprendizes na toca dos guerreiros? Ou apenas estava comparando as tocas, avaliando sua proteção? O aprendiz ficou na dúvida, pois antes de perceber, já mergulhava no sono.

Uma felina negra estava na floresta. Seus olhos verdes estavam duros, e não expressavam nada, ou algo que não conseguiu ler. Ela entrou em uma caverna escura, onde mesmo usando sua melhor visão felina, ainda era escura. Assim que ela entrou nas sombras, murmurios e sussurros ecooaram pelo local, invadindo o ouvido de Pata de Serval, o pertubando.

Um silvo silenciou todos os murmúrios, e o aprendiz percebeu que estava do tamanho de um filhote novamente, e estava sendo coberto de lambidas por uma gata. Ao se virar, viu que ela era cinza-prateada.

De súbito, tudo se desmanchou, e tudo o que ele viu foi a escuridão.

Ao abrir os olhos, Pata de Serval ouviu a voz agressiva de Pata de Carvão:

– Você tem cérebro de camundongo?! Caiu em cocô de raposa e ainda se encosta em mim! Eca! – Pata de Carvão bufou. Pata de Serval arregalou aos olhos, e viu que ele brigava com Pata de Neve. A gata estava encolhida, culpada, escondendo o rosto. Realmente, ela estava fedendo. E como estava.

Pata de Serval se levantou, ficando, normalmente, maior que Pata de Carvão.

– Pata de Carvão, acho melhor você não fazer isso... – Suspirou, mexendo as patas, percebendo o cheiro de medo circular a gata.

– Oh – Miou, observador. Ele mexeu os bigodes. – Desculpe, Pata de Neve, sei que foi sem querer. Foi até divertido! – Ronronou.

A gata suspirou e ergueu seus olhos azuis cristalinos. Pata de Serval se viu hipnotizado por aqueles olhos. O aprendiz branco e cinza lambeu a cabeça da gata, que estava livre de cocô.

– Que tal uma corrida?! – Perguntou Pata de Carvão tocando no ombro do amigo, se preparando para correr. Pata de Serval se virou e sorriu, com os olhos concentrados.

– Espere, é até aond... –

– Já! –

Ambos os aprendizes correram. Quando Pata de Serval percebeu que ia perder, pulou em cima de Pata de Carvão, o atrasando e pegando impulso. Depois de um “Não vale” a corrida foi acabada.

– Ei, vocês dois – Disse uma voz atrás deles. Quando viraram, viram um gato de peito e patas brancas, o corpo malhado de castanho. Era Presa de Falcão. – Neve Selvagem disse que os espera no vale de treino. – Grunhiu, saindo dali. Presa de Falcão não era um gato de conversa, ele apenas falava com os guerreiros mais experientes do clã. Estava aborrecido em ter que mandar essa mensagem.

***

Pata de Carvão parecia animado e pronto para dar seu melhor. Ele queria que Neve Selvagem, a representante, fosse sua mentora. Porém, quem teve essa sorte foi Pata de Serval, seu melhor amigo.

Quando chegaram lá, Neve Selvagem começou:

– Muito bem. Espero que não estejam cansados, porque vamos aprender a caçar hoje – Ronronou, olhando para Pata de Serval, que já tinha caçado uma vez por puro impulso.

– Agora: Camundongos sentem antes de ouví-los. Por isso, pisem leve no chão. Pássaros são voadores, então uma vez assustado, ele irá fugir. Se camuflem ao máximo e não mexam nem uma samambaia, se não quiserem perder uma presa. – Alertou a representante. – Agora, prestem atenção – Ela se agachou na grama, com a cauda e traseiros baixos. Tinha seu peso todo concentrado no quadril, e pisava de leve. Os aprendizes a imitaram, decididos.

Enfim, era a vez de por os ensinamentos em prática. Pata de Serval foi para as Rochas das Cobras, e Pata de Carvão foi para o grande plátano.

O aprendiz branco e cinza estava agachado, por entre as folhas. Sua pelagem estava imóvel, para enganar a presa. O rato silvestre roía uma semente perto de raízes de plantas. Ágil, Pata de Serval saltou, agarrando a presa, porém tropeçou e rolou pelo chão, com a presa guinchando entre suas garras. Ele esticou as garras e perfurou o pescoço do bicho, o matando. Pata de Serval parou apenas quando bateu em uma árvore. Sacodindo a cabeça, ele suspirou, e um cheiro acre e ardente penetrou seu focinho, o fazendo lagrimejar. Curioso, seguiu o odor.

Ele se viu em frente a um caminho duro e ardentente, fedorento. Suas almofadinhas das patas ardiam ao pisar naquilo.

De súbito, uma criatura sem patas passou rugindo. Era fedorento e soltava fumaça, e seus olhos mortos logo á frente olhavam apenas para seu caminho. Pata de Serval pulou para trás, com um susto. Tossindo, ele pegou a presa e saiu dali.

Os gatos se encontraram no mesmo local de antes. Pata de Carvão tinha na boca um coelho e dois camundongos. Isso fez com que Pata de Serval se constragesse com seu pequeno rato silvestre que ele caçara. Com sua curiosidade, não deu tempo de pegar outra presa. Porém, como a representante não vinha ele resolveu pegar mais algumas presas. Por fim, tinha mais um pombo na boca.

***

Já era quase noite quando eles voltaram para o acampamento. Neve Selvagem parecia satisfeita com os aprendizes, e mandou eles entregarem as presas para os anciões, e se sobrar, para o curandeiro.

– Pata de Carvão! Pata de Serval! – Alguém chamou os dois. Quando se viraram, viram que era Pata de Neve. A aprendiz tricolor trotou até eles, que tinham parado.

– Olá, Pata de Neve. – Saudou o aprendiz escuro. – Estamos indo dar alguma presa para os anciões. Quer vir? Podemos também ouvir alguma história. – Miou em tom normal. Pata de Serval observou os olhos da gata. Eram lindos e de um azul frio reconfortante.

– Está bem. – Aceitou.

– Vamos pedir para Meia Cara, ele conta as melhores histórias. – Disse Pata de Serval, olhando para a toca dos anciões.

– Deve ser porque é velho! – Riu, divertido, Pata de Carvão. O gato apenas se silenciou com o olhar de censura de Pata de Neve.

***

Os aprendizes já estavam na toca. Dois dos anciões dormiam, Orvalho e Arrepiada. Meia Cara contava uma história antiga dos antigos guerreiros da floresta, e como foram expulsos pelos Duas-Pernas.

– É por isso que eles são tão reppugnantes! Não entendo os gatinhos de gentes. Egoístas! – Pata de Carvão miava com reprovação, horrorizado. O aprendiz escuro não gostava deles, Pata de Serval percebeu. Ele grunhia, e Meia Cara bateu com a cauda em sua pata, o calando.

– Agora vão em bora, e não se esqueçam de dar algo para Dente Manchado. – Dente Manchado é o curandeiro do clã, um gato de face preta com estrias alaranjadas, e seu corpo era manchado de preto e laranja.

Os aprendizes saíram com um movimento de respeito, e Pata de Carvão e Pata de Neve foram para a toca, deixando todo o trabalho para Pata de Serval, que não reclamou.

O gato preto e branco caminhou até a toca do curandeiro pelo acampamento silencioso, e Pata de Serval percebeu como estava tarde. Nem tinha percebido que a história de Meia Cara tinha demorado tanto.

– Dente Manchado? – Chamou o aprendiz com a foz abafada pela presa. Como não obteu resposta, entrou. O aprendiz encontrou o curandeiro de uma forma imprevista. O gato estava com as patas da frente esticadas e abertas, e as de trás, dobradas. Ele tinha os olhos arregalados. Dente Manchado virou a cabeça e olhou para o aprendiz.

– Recebi uma profecia do Clã das Estrelas!