Notas iniciais
Já havia se passado meses desde a morte de Gus, mas mesmo depois desse tempo todo, ainda me sentia um tanto.. sozinha. Eu e Isaac, havíamos nos aproximado mais durante esse período, então isso quer dizer que eu estava frequentando o grupo de apoio para crianças com câncer regularmente, aguentando a velha historia de Patrick e suas bolas e vendo mais e mais a lista de mortos pelo câncer, imaginando quando seria a vez do meu nome aparecer naquele papel e as pessoas sentindo pena da pobre Hazel e seu cilindro de oxigênio ambulantes.
Hoje era o dia especialmente chamado de '' Dia do nada '', então mamãe não iria aparecer gritando e me obrigar a balançar bandeirinhas ou a sei lá.. Cantar o hino nacional. Isso era tipo, ÓTIMO. Eu havia levantado cedo, devido a uns pesadelos sobre estar me afogando, sentia um dor desconfortante no peito, talvez fosse um aviso de mais câncer ou então meu psicológico tentando me convencer disso.
Quando mamãe apontou na cozinha, eu estava com uma tigela de cereais e leite.
– O que faz acordada a essa hora?
– Perdi osono.
Mamãe me olhou preocupada e suspirou.
– Hazel, eu entendo que está triste pelo Gus, mas você precisa seguir em frente e lutar, ele não vai querer te ver assim.. Tão depressiva.
Claro, meu namorado acabou de morrer e eu tenho que rir para as paredes como se estivesse conformada.
– MÃE. EU. NÃO. ESTOU. DEPRESSIVA. Apenas perdi o sono, só isso. – Disse em tom de irritação - Agora vou me arrumar, tenho que passar na casa do Isaac, vamos ao grupo de apoio.
Ela não disse nada, apenas me olhou sair da cozinha arrastando o cilindro. Desde que Gus se foi, mamãe tem sido razoável e me deixado fazer tecnicamente tudo o que eu queira e eu aposto que isso não iria durar por muito mais tempo, então eu precisava aproveitar.
Me arrumei em questão de minutos, bom e velho jeans combinado com uma camisa azul e All Star. Passei na casa de Isaac e a mãe dele conduziu-o até meu carro.
– Olá Hazel!
Assenti com a cabeça sorrindo, logo que ela fechou a porta, deixando eu e Isaac a sós eu disse:
– E aí ciclope?
– Só que ao invés de lazer tenho câncer. – Respondeu ele rindo.
O transito estava calmo, tudo fluindo corretamente. Chegamos rapidamente ao local de encontro e eu estacionei o carro, seguimos para o elevador e adentramos o sagrado coração de cristo. Conduzi Isaac até uma das cadeiras e me sentei ao seu lado. Patrick não havia chegado, corri os olhos pelo local reconhecendo cada pessoa presente e seus efeitos colaterais grudados em seus rostos, menos um.
Havia um cara novo, não parecia ser muito velho, estava conversando com uma garota cujo nome eu não me recordo, assim de cara ele parecia SEC, não parecia doente, mas nem todo câncer é como o meu, que você carrega evidencias da existência dele para todo lugar e para todos verem. Estava absorta em pensamentos, quando o mesmo se virou levei um susto, enquanto me deparava com aqueles olhos azuis tão conhecidos.
– Ah. Meu. Deus.
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