O mistério do Egito
3 A viagem
Notas iniciais
Depois daquela carta fiquei sem dormir, tentando descobrir o que queria dizer. Quem seria a princesa? Ou a imperatriz? E o mais importante porque o invasor deixaria algo que parece ser tão importante para trás? Resolvo esquecer a carta por um tempo, deveria contar para alguém sobre ela, mas sinto que não é o certo. E com essa decisão fico pelas próximas semanas sem contar a ninguém sobre a carta e a invasão.
Chega o dia que mais esperava, o dia em que iria para o Egito, meu sonho de criança se tornando realidade. Levanto cedo para ir ao museu, ver se tinha deixado algo pendente e me despedir dos amigos, especialmente de Jason. Coloco um vestido florido, uma sandália e uma jaqueta jeans. Por fim, me olho no espelho e aprovo a roupa.
Chegando no museu, vou em direção ao meu pequeno escritório, alguns amigos passam e já me despeço, até que um deles me para e diz:
— Alguém veio aqui esperando te encontrar e como você não estava, deixou uma carta, está no seu escritório.
— Obrigada – digo e vou até meu escritório, e lá estava a carta na mesa. Com toda pressa, porque já estava atrasada, abro a carta e fico surpresa ao ver que a carta era muito parecida com a carta que tinha sido deixada em casa. Como carregava a carta na bolsa resolvi comparar as duas e percebo que as duas tinham a mesma caligrafia, ou seja, eram do invasor. Leio o que está escrito e mais uma vez penso que a carta não era pra mim.
“Princesa, descobri que você está vindo, fico muito feliz, afinal há esperança para nosso povo”
Fico chocada quando chego em uma parte da carta.
“Essa roupa fica linda na senhorita, mas acho que não é adequada para uma batalha.”
Antes de terminar vou até o final da carta. Anônimo. Não sei se grito, se choro de desespero ou se ligo pra polícia dizendo que tem um stalker atrás de mim. Mas antes que pudesse fazer algo, me chamam para ir ao aeroporto. Guardo as cartas e logo vou em direção ao táxi.
Logo estou voando em direção aos meus sonhos, eu sei frase horrível, mas é a verdade. Enquanto lia um livro sobre deuses egípcios, me vejo pensando na carta e sobre o que tinha lido. Lembro que não terminei de ler. Olho nos bolsos da jaqueta e finalmente a encontro.
“Princesa, você deve ajudar seu povo, é sua responsabilidade salvá-los da destruição que a imperatriz está comandando. Apesar de viver sua vida sem ser ligada ao seu povo, espero muito que se volte ao seu dever. O povo egípcio está em suas mãos, afinal os deuses não podem fazer nada, você foi a escolhida desde seu nascimento a liderar a guerra, quebrar a maldição.”
Apesar da letra horrível, consigo decifrá-la, mas o que estava acontecendo? Não sou uma princesa e muito menos egípcia. Perdida em pensamentos, acabo dormindo.
Acordo desesperada, mais um pesadelo. Olho para o celular, 2h e 9 min. Suspiro e tento lembrar do pesadelo e o porquê de ter acordado, afinal não sou de me assustar fácil, como podem perceber, não consigo pegar nenhuma lembrança até que meus lábios formam uma frase que até então não tinha recordado.
“A imperatriz desuniu os irmãos.”
Logo que percebo o que falei, olho para os lados assustada, mas ninguém acorda. Então olho para frente e vejo olhos tão escuros quanto a noite me encarando, um rapaz que aparentava ser da minha idade, com cabelos tão pretos quanto um cavalo friesian, e também de pele morena. Quando percebo estou encarando já faz um tempo. Abaixo a cabeça envergonhada e ele percebe.
—Não se preocupe, pode me olhar a vontade – diz o rapaz rindo baixinho, ia responder, mas então reconheço a voz como sendo a do invasor. Olho para cima tão rápido que machuco meu pescoço e, por isso começo a massageá-lo com a mão, enquanto o rapaz dá um risinho cínico na minha cara, mas logo o encaro com meu penetrante olhar de raiva, esqueço o machucado e abro minha boca para falar algo, mas ele se adianta.
—Prazer, acho que não me apresentei antes: sou Khalid. E você é Emma Gray, filha de pais adotivos que eram arqueólogos.
—Como você me conhece? E por que invadiu meu quarto?
—Calma, a princesa terá as respostas logo. Acho melhor voltar a dormir.
—Que dormir o que! Vou ligar pra polícia isso sim!
—Amyrti, vai ligar como se estamos voando? — diz com aquele sorriso cínico que me faz ter vontade de arrebentar seu belo rosto. “Não acredito que pensei nisso! Rosto mais feio! Capaz de quebrar um espelho!”
—Pode estar certo, mas quando pousarmos irei denunciar você por stalkear a minha pessoa.
—Como desejar, amyrti.
—O que isso significa? Quer saber, não precisa falar, não quero saber de mais nada seu invasor! — digo apontando o dedo. Lógico que queria saber, mas não daria essa satisfação. — E o que significam essas cartas? Está tentando me ameaçar?
—Em momento nenhum, como poderia ousar ter tal atitude? — diz ele com um olhar de respeito, além de invasor agora também é ator. — Sinto muito amyrti, agora, tenha bons sonhos.
Então vejo sua mão alcançando meu rosto e depois minha visão escurece e logo perco os sentidos. Quando finalmente acordo, percebo que o banco da frente está ocupado por um idoso, mas como isso seria possível? “Não era o belo rapaz? Quer dizer o invasor Khalid? Não pode ter sido um sonho! Disso tenho certeza, ele até me tocou! Já sei, ele deve ter me drogado e estou imaginando coisas!” Interrompendo meus pensamentos, uma aeromoça vem ao meu lado e diz para eu sair, quando percebo só está eu no avião.
—Moça, poderia me dizer se havia um rapaz sentado na minha frente?
—Desculpe senhorita, mas são tantos passageiros que não tenho como lembrar – diz em inglês com um forte sotaque árabe.
Por fim resolvo esquecer essa situação e me concentro em sair dali e ir para o hotel.
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