O mistério das quatro
5 CAPÍTULO 5 - Vingança
—O que? Por quê? – Eu já não podia mais esconder que acreditava em tudo aquilo.
—Nós nunca soubemos. Apenas nos matou. Como um louco, que mata por prazer.
—Eu não acredito que estou dando corda para tanta baboseira.
Eu andava de um lado para o outro, pensativa. Cada uma das meninas se ocupava com algo enquanto me davam tempo pra analisar o que havia escutado.
—E seus pais e essa família nessa casa? – perguntei intrigada
—Foi tudo nós que fizemos você ver. Nenhum deles está aqui de verdade. São pessoas que já morreram.
—Então podiam me ver ou não?
—Só se nós quiséssemos. Nós controlamos tudo aqui.
—E porque a rosa mudou de cor?
—Isso foi culpa minha – Ana falou chorosa e envergonhada – eu esqueci de me manter concentrada e acabei deixando ela perder a cor – respirou fundo — Não podíamos simplesmente aparecer na sua casa e dizer: Oi, somos almas vagando pela terra e precisamos da sua ajuda para nos vingar de quem nos matou. – completou Ana
—Espera — algo me passou pela cabeça – vocês tem algo a ver com meu pai¿
—Sim!
—Vocês estavam mandando sinais por ele!
—Mas não estava ajudando, vocês tiveram medo e fugiram. Então resolvemos mudar a tática...
—Mas porque eu?
—Não sabemos – falaram me deixando mais confusa — Apenas sentimos quem é a pessoa, e vamos atrás. Mas até hoje somente uma pessoa nos ajudou. E não podemos obrigar a ninguém.
—Vai nos ajudar? –Ana falou chorosa
Eu as encarei ainda assustada, já não tinha mais para onde correr.
—O que preciso fazer?
Estávamos as cinco paradas de frente a um prédio olhando para ele fixamente e eu ainda me perguntava se aquilo realmente não era apenas um sonho.
—É só isso? – perguntei criando coragem para o que iria fazer
—Só!
—Porque nunca fizeram sozinhas?
—Caso não tenha percebido, não podemos tocar em ninguém vivo.
—Mas me explica uma coisa Marina, como o taxista pode ainda estar vivo? Se me disseram que ele tinha trinta anos na época, ele já deveria ter morrido. Ou ele tem 120 anos?
— Quando ele nos afogou, estávamos dopadas, mas a Ana acordou no momento de sua morte e desesperadamente se agarrou ao que podia, e isso foi aos cabelos dele. Ela morreu com um único fio de cabelo dele na mão. Que ficou enroscado em seus dedos.
—E a agua não levou?
—Não, ainda bem! Ele nos tirou da água depois de morta e nos enterrou em algum lugar que nós não sabemos onde.
—E como nós te explicamos – Ana continuou – cada fio de cabelo, equivale a cinquenta anos. E com esse fio de cabelo, nós fizemos a poção e colocamos em seu suco para tirar cinquenta anos dele. Entao hoje, ele pensa ter 120 anos, mas em 1935 ele parou de envelhecer, e só voltou a envelhecer normalmente em 1985. Então sua aparência é de 64 anos.
—Que história maluca! E agora vocês querem que eu pegue todo o cabelo dele que sobrou nessa idade, e traga a vocês para fazerem uma nova poção.
—Que dará a ele, muitos e muitos anos de vida.
—Essa é a vingança de vocês? Que besteira!
—Querida... Você não sabe o que é viver pra sempre.
—É com certeza um castigo muito cruel.
—Agora vá Luana! Nós contamos com você!
Eu estava paraa em frente a porta de número 602 pensando no que deveria falar, que cara fazer e como fingiria aquilo com perfeição. Respirei fundo e bati na porta. Precisei bater algumas vezes até finalmente um velho com cara de quem estava cansado abrir a porta emburrado.
—Que é?
—Senhor, pode me ajudar? – falei com a voz de choro que já havia ensaiado – Alguém estava correndo atrás de mim, eu cai e me machuquei – Mostrei o sangue falso na testa. – Me deixe entrar, por favor, senhor!
—Não vejo ninguém aqui menina, vá pra sua casa.
Droga! Eu ia ter que improvisar.
—Mas senhor, eu estou perdida – Eu olhava em volta como se alguém pudesse aparecer a qualquer instante.
—Não é da minha conta! – e fechou a porta
Voltei a bater na porta me lembrando de um episódio que assistira de AHS.
— Por favor, abra, ele virá atrás de mim.
O velho abriu a porta e me puxou pelo braço para dentro da casa, fechando a porta logo em seguida. O que eu estava fazendo¿ Um velho tarado que havia matado quatro garotas e feito sabe-se lá mais ou que, e eu aqui implorando para entrar em sua casa.
— Vê se limpa isso e sai logo daqui. Tem band-aid em cima da geladeira.
Ele sentou em um sofá de frente a uma televisão. Eu não fazia ideia do eu fazer. Precisava do cabelo dele para a poção e precisava colocar o pó que recebera no copo do velho. Mas ele era tão ranzinza que ela não sabia como fazer isso.
—Meu nome é Luana. Qual o nome do senhor?
O velho olhou como quem reprovasse que eu estivesse falando com ele.
—Julian.
—Legal! Nunca conheci ninguém com esse nome.
Coloquei um band-aid na testa para que ele não visse que o sangramento não tinha origem.
—Bom, — falei enquanto caminhava para a geladeira – o mínimo que posso fazer em agradecimento é um belo suco para o senhor. Qual seu sabor favorito?
—Não deveria ter feito o suco
—Ah senhor, mas eu tinha que agradecer de alguma forma.
Entregou para ele o copo de suco com minhas mãos trêmulas e peguei um para mim também. Esperei que ele bebesse tudo enquanto tagarelava sobre o jogo que passava na TV. E com o coração na mão eu nem se quer ouvia o que ele dizia. Tive medo que aquilo não fizesse efeito.
—Me de seu copo Julian, vou lava-lo.
—Obrigada querida. Faz tempo que não tenho uma companhia para conversar e tomar um suco em paz.
Eu não sabia se sentia pena ou ignorava. Coitado, mal sabia que estava condenado a viver eternamente.
—Eu volto já, não estou me sentindo bem...
Juian levantou-se com dificuldade e caminhou em direção ao quarto, eu aproveitei para ir lavar os copos enquanto isso, porem mal havia começado e ouvi uma pancada forte. Me virei e vi que perto do quarto estava Julian caído.
—Funcionou! – falei sozinha aliviada
Corri até onde havia deixado minha bolsa e peguei a máquina de cortar cabelo que trouxera. Deixei o homem careca, e guardei os cabelos no saquinho plástico que trouxera. Dei uma ultima olhada no pobre velho careca e tarado e desci rapidamente.
— Pronto! O cabelo está aqui, está tudo aqui! Agora quero voltar para casa!
—Nós te devemos uma! Você pode nós chamar quando voce quiser!
—Mas agora que terão sua vingança, a alma de vocês não irá embora¿ Não é assim que funciona¿
—Apenas a alma de uma de nós vai. – Uma delas que eu não me lembrava o nome, falou triste — Precisamos de mais três vinganças. E nós não sabemos ainda quando teremos essa oportunidade.
—Qual de vocês vai embora? – perguntei quase com pena das demais que ficassem
—Nós não sabemos...
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