Albus Potter era terceiro filho, segundo irmão e príncipe. Ele também era apaixonado por Scorpius Malfoy. E, pelo visto, não era mais o único a saber disso.

—-Como o Profeta Diário descobriu?!--Seu grito reverberou pela Sonserina, assustando alguns primeiristas que correram rumo à saída.

Cornelius Zabine, sentado no sofá e segurando o Profeta onde Albus lia o inevitável, largou o jornal no sofá e levou as mãos para o alto.

—-Eu descobri hoje, Potter.

Albus sentia que iria enlouquecer. Ele não havia contado para ninguém, nem para os seus pais. Será que ele falava dormindo? Não era impossível, seu pai falava durante o sono e sua mãe vivia reclamando.

A Sala Comunal estava cheia e todos olhavam para ele como se ele fosse doido, alguns, porém, estavam com nojo. Ele seria obviamente taxado de o herdeiro perdido de Harry Potter. Já não bastava ter sido o abordo Potter durante seus primeiros anos. E, para piorar, seu melhor amigo não olharia mais para a sua cara.

Como se o destino estivesse contra ele, Scorpius adentrou a Sonserina na mesma hora. Segurava um Profeta Diário nas mãos e lia (claro) a primeira página. Não deu nem dois passos e Albus correu rumo aos dormitórios e trancou a porta.

Estava a um passo de começar a chorar. Seu pai estaria agindo como? Provavelmente estava enlouquecendo pelo novo problema em que havia se metido. James logo apareceria para conversar e Lily faria colarzinhos de contas com o nome de Scorpius para ele. A sua mãe, claro, tentaria o consolar com chocolates. E nada disso o ajudaria.

Batidas soam vindas da porta e a voz de Scorpius pede para ele abri-la. A voz do Malfoy não parecia indiferente, tampouco perto de algum sentimento parecido com a raiva. Albus, porém, não estava com coragem para olhá-lo naquele momento.

—-Albus, eu só quero conversar.--Agora a voz parecia... Preocupada?—-Eu não estou irritado, Albie. Eu estou preocupado com você.

Albie. Ele não o chamaria assim se estivesse. Respirando fundo, Albus destrancou a porta e girou a maçaneta. Scorpius estava no outro lado, parado com as mãos ao lado do corpo e o Profeta caído no chão. Parecia corado, o que não passava longe de ser visto em sua pele pálida.

—-Precisamos conversar sobre isso.--Scorpius apontou para as páginas caídas e adentrou o quarto. O recinto parecia estranhamente pequeno com os dois aí dentro.

Albus fechou a porta e andou até Scorpius, que não demorou a se colocar sentado em sua cama. Albus não teve coragem de se sentar, não tão perto. Permaneceu parado, com os olhos grudados no cabelo loiro e na pele pálida avermelhada.

—-Eu me assustei um pouco quando li o Profeta.--Scorpius começou a falar, num tom calmo e aceitável, como se Albus fosse algum animal arisco, que a qualquer tom fora do normal, correria para longe.--Mas eu tenho que ser sincero, Albie.

—-Sincero?--Albus teve que se intrometer, assustado com a mudança brusca no tom de Scorpius. Não era mais tão calmo, porém não era um tom irritado.

—-Eu tenho que dizer, que eu já sabia que você sentia algo diferente por mim.

E todo o mundo de Albus foi resumido a uma cereja. Ele foi forçado a se colocar sentado ao lado de Scorpius, porque cairia se permanecesse em pé.

—-Como?--Sua voz não passou de um sussurro.--Eu pensei estar escondendo bem.

Scorpius riu alto e claro o suficiente para alguém escutar no corredor, porém, não foi um riso que o assustou, tampouco o deixou triste. Era difícil algo em Scorpius deixá-lo infeliz.

—-Você nunca reparou na forma como me olha, nos presentes que me dá e de tudo que você faz por mim, mesmo odiando?--Albus não se dá ao trabalho de negar.-- Você briga com o seu pai por minha causa, arruma minha gravata quando acha que ela está bagunçada demais, cora para mim e ainda por cima, morde os lábios.--Ele para, pensa um pouco e termina.--E ainda briga comigo quando está com medo de eu me meter em problema, mesmo que você se meta em mais problemas do eu.

Não havia como negar, Albus Potter era óbvio demais.

—-Você não contou para a impressa, contou?--Albus sentia que suas orelhas estavam tão vermelhas quanto as de seu tio.--Por favor, fala que não fez isso.

Isso, sim, o deixaria infeliz.

—-Não, é óbvio que não!--Scorpius parece ultrajado.-- Mas eu já sei o que entregou.--Scorpius franziu as sobrancelhas, como se desafiasse Albus a descobrir. O Potter, porém, não fazia a mínima ideia.

—-O quê?

—-Ontem, quando eu te dei o seu presente de aniversário, você beijou a minha bochecha na frente da Sonserina inteira.

Albus queria enfiar a cabeça em um buraco, queria escavar bem fundo e se enterrar vivo. Seria uma morte terrível, mas aceitável perto de todo aquele terror.

—-Eu queria agradecer.--Ele se segura para não jogar as mãos para o alto.--Foi apenas um agradecimento!

—-Amigos homens geralmente agradecem tanto tapinhas nas costas, um abraço breve, aperto de mãos. Não com um beijo na bochecha.--Scorpius ri, falando como se fosse a coisa mais óbvia do mundo, o que era, obviamente, mas Albus não sabia disso.

Albus se levanta para tentar recuperar o controle das pernas, mas falha miseravelmente e Scorpius tem que o segurar para ele não se esparramar no chão. O Malfoy o abraça forte o suficiente para enviar algum conforto por seus ombros.

—-Por que você deixou eu agir dessa forma?--Albus o abraçou de volta, querendo senti-lo o mais próximo possível.

—-Porque eu gostava.

Scorpius respondeu em apenas um segundo, mas Albus arregalou os olhos em menos de um segundo. Ele empurra Scorpius, ficando com as mãos em seus ombros para olha-lo bem e buscar entender.

—-Gostava?

—-Bem,--o loiro dá de ombros.--eu sabia que não é uma amizade comum, mas eu gosto da maneira como você me trata. É confortável.

—-Confortável?--Albus revira os olhos.--Vou ligar o foda-se e dizer que você gosta de mim também.

Scorpius parece ponderar por tempo o suficiente para Albus se sentir desconfortável. Scorpius ainda estava corado e o olhava no fundo dos olhos, como se tentasse ler a sua alma. Albus não sabia onde o Malfoy buscava chegar com aquele showzinho.

—-Talvez eu goste.

Talvez eu goste.

Se Scorpius não tivesse o segurado, Albus teria caído de cara no baú aos pés da cama do Zabine.

—-Talvez?!--Albus segura os ombros de Scorpius com mais força, perto o suficiente para ficar com a boca rente a sua--Por que não me contou antes?

—-Pelo mesmo motivo que você não contou!--Scorpius grita, segurando-o pela cintura e o apertando com uma força que provocou ondas vermelhas por todo o rosto do Potter.

—-Medo?

—-É óbvio!

Os dois se seguravam perto o bastante para aquilo parecer estranho. Seus olhares irritados e incrédulos, mudam em questão se segundos quando eles percebem a situação em que se encontravam. Albus engole em seco e tenta se afastar, mas Scorpius o mantém no lugar, os olhos voltados para a sua boca.

—-Um pouco irritante.--Scorpius ri.--Eu volto e meia olho para a tua boca e sinto vontade de beijar.

—-Então por que nunca beijou?--Albus tenta soar irritado, mas seu nervosismo fica aparente.

—-Pelo mesmo motivo que você.

Antes que Scorpius pudesse beijá-lo, Albus o beija. Um selinho breve, casto, que logo se transforma em um beijo real. Não um afobado, nem um voltado para um ato carnal, mas um beijo leve, apaixonado, lento e significativo o suficiente para Albus desejar socar Scorpius e a ele mesmo.

—-Meu pai vai me matar por ter me metido neste problema.--Essa é a primeira coisa que Albus diz quando o beijo chega ao fim.

—-Ele não vai se importar comigo?--O tom de Scorpius é preocupado.

—-De você ele gosta.--Albus ri.--O que ele não gosta é do Profeta Diário.

Albus beija Scorpius novamente, puxando-o para um abraço.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!