O mentalista
5 Life is a highway
Notas iniciais
Van Pelt mantinha suas convicções na culpa de Allison, afinal, o êxito de Octavia, seria seu fracasso. Patrick acompanhava o interrogatório, observando cada reação física e gestual que Allison transparecia conforme era acusada.
— Onde você estava entre as oito horas e oito e dez minutos na noite em que Octavia foi assassinada? – Interrogou Lisbon.
— Eu estava sozinha na sala de imprensa improvisada no Hotel, estava preparando as perguntas para que os repórteres só perguntassem ao Taylor sobre Tracers. – Respondeu Allison séria.
— Você temia que perguntassem sobre a visita do Taylor à boate gay?
— Sim, a ida dele lá foi um prato cheio para a mídia.
— O que Taylor fazia na Abbey?
— O Abbey é um bar e restaurante e não uma boate gay como dizem.
— Então, Taylor foi ao Abbey fazer exatamente o quê? E porque Octavia ficou tão zangada?
— Taylor foi apoiar um primo que se assumiu gay. Octavia tirou conclusões precipitadas quando viu as notícias e como Taylor nunca a correspondeu, para ela era a confirmação de que ele era gay.
— Então, quando ela pensou que ele fosse gay, esqueceu o que sentia?
— Não necessariamente. Octavia ficou zangada por ter sido ridicularizada em público. Ela era namorada dele formalmente, então ela se sentiu humilhada.
— Octavia falou com você sobre isso?
— Sim.
— O que ela disse?
— Ameaçou-me. Octavia disse que revelaria o romance publicitário e revelaria que Taylor era gay nas entrevistas do redcarpet na premiére mundial.
— Ela revelaria na noite em que foi morta?
— Exatamente.
— Foi aí que você a matou?
— O quê? Eu não matei Octavia.
— Qual é Allison? A carreira do Taylor seria arruinada e a sua também. Seu papel é evitar que esse tipo de coisa venha a público. Você cortou o mal pela raiz! Confesse e podemos fazer um acordo.
— Eu não a matei! Nós conversamos momentos antes e ela prometeu não revelar nada disso.
— E você acreditou?
— Claro! Ela era muita coisa, menos mentirosa.
— Tinha problemas com Octavia?
— Claro que sim. Havia conflitos o tempo todo, mas, ela me culpou por não estar na sequência de Tracers.
— E de quem foi a culpa?
— Thompson!
— O patrocinador de Tracers 2 não queria Octavia na sequência?
— O Sr. Thompson não gostou da atuação de Octavia, desta forma, vetou a participação no segundo filme.
— Foi o próprio Thompson que disse isso a você?
— Não... Ele disse ao produtor, do filme: Van Gus Saint.
— Há alguém que pode confirmar que você estava preparando as perguntas para os repórteres?
— Sim, Joyce Cruz.
— Quem é Joyce Cruz?
— A tradutora do Taylor.
— Joyce ficou com você o tempo todo?
— Sim. Ela traduzia as perguntas do inglês para os idiomas dos repórteres que estariam presentes.
Antes que Lisbon fizesse a próxima pergunta, Jane entrou na sala de interrogatório com um sorriso e olhando para Allison perguntou:
— Você já viu o Thompson pessoalmente?
— Não...
— Okay, pode ir.
— O quê? Jane? Sou eu quem diz se ela pode ir ou não.
— Tanto faz, não foi ela. – Disse Patrick saindo da sala.
— Pode ir Allison, não saia da cidade. Se lembrar de mais alguma coisa, este é o meu cartão, não hesite em ligar.
— Pode deixar. – Disse Allison saindo.
Lisbon deixou a sala furiosa e saiu atrás de Jane, ela detestava quando ele interferia no serviço dela e embora ela fosse bastante durona, ele não a temia, pelo contrário, sentia prazer ao ver sua fúria dirigida a ele.
— O que você pensa que está fazendo? – Perguntou Lisbon irritada.
— Liberando uma inocente de um interrogatório padrão chato?
— Acontece que liberar ou não os suspeitos, é o meu trabalho e não o seu.
— E qual é o meu trabalho?
— Jane? Não brinca comigo.
— Chefe, eu preciso falar com você. — Disse Van Pelt interrompendo a discussão de Jane e Lisbon.
— Algum progresso com as câmeras?
— Terminamos de refazer os passos de todos que estavam no Hotel na hora em que Octavia foi assassinada. Já vimos todas as fotos e todas as imagens e marcamos cada convidado, empregados do hotel, atendentes e cada pessoa ligada ao filme. – Respondeu Van Pelt.
— E então? – Indagou Lisbon, impaciente.
— Todos os movimentos foram vigiados, menos os de Thompson.
— Bernard Thompson, o investidor?
— Ele mesmo. Aqui temos imagens de Thompson pegando o elevador antes do assassinato: ele vai até o andar em que Octavia Blake é assassinada e some. Essa foi a última vez em que o vimos. – Disse Van Pelt mostrando um dos vídeos da segurança do Hotel.
— Como assim? Como é possível ele entrar lá e não sair?
— Não sei. Mas, ele nunca voltou para o elevador e nem foi visto deixando o prédio.
— Ele pode ter esperado até o corredor ficar vazio. Poderia ter ido pelas escadas até o primeiro andar. – Lisbon supôs.
— Sim, mas, como evitar ser visto depois disso? – Acrescentou Van Pelt.
— Não é o tipo de cara que chama a atenção. – Lisbon falou confusa.
— Verdade! – Disse Jane com a mão debaixo do queixo refletindo por alguns segundos conforme Van Pelt relatava o ocorrido a Lisbon.
Jane se levantou do sofá que prezava mais que sua própria cama e indo para o monitor no qual as imagens estavam sendo passadas, olhou para a planta do Hotel, vendo a localização dos cômodos do prédio, fez algumas constatações apontando cada um.
— Esse é o quarto onde houve o assassinado. Aqui é o balcão e, aqui, a porta de saída para o corredor, passando as escadas desde até os elevadores, isso se me lembro, era uma janela que dava para a escada de incêndio. – Disse Jane percebendo que havia uma saída.
— O Thompson pode ter fugido pela escada de incêndio? – Indagou Van Pelt.
— O Thompson? Ele é grandão, não deve ser tão ágil. – Acrescentou Lisbon acreditando ser impossível que Thompson tivesse usado a escada de incêndio para fugir já que era obeso.
— E então o que? – Insistiu Van Pelt intrigada.
— Isso é um quebra-cabeças. – Disse Jane com um meio sorriso.
— Por que você parece tão feliz? Sabe como resolver esse quebra cabeças? – Indagou Van Pelt.
— Naturalmente... – Revelou Jane com um sorriso enigmático.
Van Pelt respirou aliviada ao saber que Jane estava prestes a bolar seu próximo truque. Ela quase sorriu ao ver Jane se aproximar e pegar a foto do Thompson que estava em suas mãos.
— O que você descobriu Jane?
— Encontre-me no Hotel. À noite vai ter uma nova premiére de Tracers já que o assassinato de Octavia interrompeu a anterior. Eu preciso de todos vocês lá para pegar o assassino.
Jane foi em direção à sala do J.J LaRoche, o agente especial e supervisor responsável pelos assuntos internos da CBI, e ficou com apenas a cabeça à mostra na porta deixando LaRoche incomodado ao ser espionado por Jane, que apenas esperava ser notado por ele.
— Por que está bisbilhotando por aqui, senhor Jane? – Disse LaRoche vendo Jane a espreita na porta da sua sala. Ele abriu um sorriso e então adentrou a sala com as mãos para traz.
— Preciso de um favor. – Anunciou Jane astucioso.
— Se eu te fizer esse favor, você irá me dever um favor. – Disse LaRoche.
— Na verdade, você já me deve um favor, mas, eu te dou outro, se te agrada. – Disse Jane com certo entusiasmo.
— O que você quer?
— Preciso de você.
— De mim? Para quê?
— Venha comigo que eu conto no caminho. Traga seu casaco, vamos passar em uma loja aqui perto. – Disse Jane ansioso.
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