O menino que pisou na lua
1 Um bad boy em apuros
O doutor fizera a mesma a mesma expressão que quando, há 13 anos atrás, anunciara a morte da mãe de Noah: um misto de preocupação, tristeza e pena.
— É atrofia cerebral seletiva. — disse, como a face de quem enterra um ente querido.
— Como é? — um sorriso descrente brotou no rosto vermelho de Noah — Como é? Está havendo algum engano! Eu não posso ter atrofia cerebral!!!!!! — a voz se elevava.
— Noah, por favor procure se acalm...
— EU NÃO QUERO ME ACALMAR! EU NÃO POSSO TER ATROFIA MUSCULAR. Eu não posso t... não posso estar doente. — quando a voz se estabilizara, lágrimas se acumulavam em seus olhos, mas foram brevemente interrompidas com uma sucessão de piscadelas. Noah O'Kennel jamais seria visto chorando por ninguém. — Eu vou morrer?
— Não chegaremos à isto se você mantiver o tratamento corretamente, Noah. — O doutor Khant balbuciou, visivelmente abalado com a pergunta do menino que vira crescer por ser o médico exclusivo da família O'Kennel. — Mas deve saber que...que...
— Que O QUE? Diga logo de uma vez, posso lidar com isso.
— A doença terá seus dias maus. Em tempos de recaída, alguma parte do seu corpo ficará imóvel.
Noah, lançou uma risada debochada, daquelas que se dá em situações de ódio.
— Ótimo! Então de tempos em tempos , serei um inválido! — Khant o fitava como quem quisesse consolá-lo, mas a situação não era lá das mais favoráveis para isso — Eu pago o que for. Dinheiro nunca foi o problema, apenas TIRE ESSA BACTÉRIA DO MEU CÉREBRO!
— Temo que não possa fazer isso. Uma cirurgia está terminantemente fora de cogitação. É uma área arriscada e os resultados são cetos: você poderá se tornar cego ou tetraplégico.
— Eu não acredito que isso está acontecendo COMIGO.
— A única maneira é seguir o tratamento, tomar os remédios com disciplina e suportar os dias ruins com firmeza, Noah. Sabe que sempre tive carinho por você, pois eu e Eliza éramos tão próximos que você é como o sobrinho que eu nunca tive — as lágrimas despontaram-lhe os olhos e o doutor pôs-se a chorar — e agora ninguém mais nessa casa se importa tanto com você do que eu.
— Eu sei, e agradeço. Mas não quero sua pena. Eu vou encontrar uma maneira de me livrar dessa maldita bactéria. Isso não pode acontecer comigo. Comigo não.
Noah passaria o resto da tarde destruindo os móveis do próprio quarto, num acesso de raiva. Choraria a noite inteira, porque , por mais que demonstrasse toda aquela arrogância por fora, o fato de portar uma doença tão cruel, abalara suas estruturas como a de qualquer outro ser humano. Mas ele nunca admitiria isso para si mesmo.
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