Notas iniciais
Oi, pessoal! Chegamos ao penúltimo capítulo da nossa história de amor. De primeiro amor. Victória e Davi crescendo... no que será que isso vai dar? Estou feliz que tenham chegado até aqui. Ah! Queria agradecer a/o Crisântemo Lirium que está me dando várias dicas nesta que é minha primeira publicação no Nyah! Sou muito grata. Espero que gostem do desenrolar dessa história, que já está quase chegando ao fim.

No ano seguinte, eu já não voltava mais de van da escola. Nos anos finais do Ensino Fundamental II, que na época era o Primeiro Grau, eu e o Davi estudávamos em turmas diferentes.

Raras vezes nos encontrávamos no recreio. Quando isso acontecia, ele era amável como sempre. Meu coração ainda reagia. Parecia que não importava quanto tempo passava: aquele meu sentimento bonito e ingênuo continuaria a existir.

Ele, popular como era, foi eleito presidente do grêmio estudantil. Quando fui conhecer a sala do grêmio a seu convite, perguntou-me se eu não gostaria de ser a primeira dama. Eu ri. Ele riu.

A partir do segundo ano do Ensino Médio, fomos colegas de turma. O sentimento era de amigos de infância, com muito carinho e sempre aquele comportamento meio sedutor da parte dele. Gosto de pensar que ele fazia isso apenas comigo, que eu era especial. Racionalmente, sei que isso não é verdade. Mas oras, eu escolho a versão que quero contar para mim mesma!

O tempo passou.

Depois de um ano de formados, a escola fez uma festa para celebrar os alunos que tinham passado no vestibular. Naquela noite, ele estava especialmente galante. Dançamos Martinho da Vila, enquanto ele cantava para mim:

Mulheres — Martinho da Vila

Já tive mulheres de todas as cores

De várias idades, de muitos amores

Com umas até certo tempo fiquei

Pra outras apenas um pouco me dei

Já tive mulheres do tipo atrevida

Do tipo acanhada, do tipo vivida

Casada carente, solteira feliz

Já tive donzela e até meretriz

Mulheres cabeça e desequilibradas

Mulheres confusas, de guerra e de paz

Mas nenhuma delas me fez tão feliz

Como você me faz

Procurei em todas as mulheres a felicidade

Mas eu não encontrei e fiquei na saudade

Foi começando bem, mas tudo teve um fim

Você é o sol da minha vida, a minha vontade

Você não é mentira, você é verdade

É tudo o que um dia eu sonhei pra mim

Nada aconteceu, embora até hoje eu queira acreditar que ele realmente sentia as palavras que cantava. Eu seguia com o sentimento de que devíamos preservar para sempre aquilo que tínhamos e que se cruzássemos aquela linha poderíamos nos magoar e nos perder.

Nos encontrávamos em alguns momentos, o vi com várias namoradas diferentes e sempre senti ciúmes.

Com o tempo, a vida vai passando e afastando as pessoas. Mudei-me para outro estado. Retomamos o contato pelas redes sociais e nos víamos ocasionalmente em alguns encontros da turma que eu marcava quando viajava à nossa cidade natal.

Soube quando namorou com uma querida amiga em comum. Soube quando ele foi um verdadeiro babaca com ela — e eu senti raiva dele por isso. Embora desde os 12 anos eu soubesse o tipo de homem que era, gostava de alimentar a minha própria ilusão de que ele era diferente. Histórias como aquela estragavam a minha versão inventada.

Quanto a nós dois, nunca havíamos ousado cruzar a linha, apesar de sempre nos mantermos muito próximos a ela. Brincávamos que nunca demos sorte de estarmos os dois solteiros ao mesmo tempo nesses anos todos. Era verdade: quando um estava solteiro, o outro estava em um relacionamento, e vice versa.

Até que um dia…

Notas finais
Ai meu coração! No próximo capítulo vamos saber como essa história de amor termina - ou será que não termina? Que dura até hoje? Eu chego a estar nervosa! Nos vemos em breve!